sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Opinião/Cinema: Vidas Partidas

Por Bianca Oliveira
do Rio de Janeiro



Vidas Partidas é um filme inspirado na trajetória da biofarmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, inspiradora da Lei Maria da Penha, promulgada há 10 anos para punir de forma severa a violência doméstica contra a mulher. 

A ação é ambientada no Recife dos anos 1980. Graça (Naura Schneider) e Raul (Domingos Montagner) formam um casal apaixonado, com duas filhas. Mas, diferentemente do que seria considerado padrão na época (ou mesmo hoje, para alguns), é o salário da esposa, Graça, que constitui a principal fonte de renda da família; Raul está num período dedicado apenas aos estudos, findo o qual Graça consegue um emprego de professor universitário para ele. E é ai que tudo muda, Raul se torna cada dia mais agressivo, possessivo, ciumento e suas frustrações pessoais se refletem na forma agressiva com que trata sua família; em contrapartida, Graça está cada dia mais reconhecida em seu trabalho.





Vidas Partidas tinha tudo para se tornar um belíssimo trabalho mas o máximo que conseguiu foi ser algo caricato. Do ponto de vista técnico, faltou uma melhor direção de atores, todos se perdem frequentemente e em um mesmo diálogo há exageros de um lado e sutileza demais do outro. Outro ponto a observar é que, mesmo com a ação se passando no Nordeste, o sotaque ouvido em cena é do Sul (algo comum em produções da TV Globo, por exemplo). A própria direção de arte apresenta problemas, com objetos e peças do figurino modernos demais para a época retratada.  

Porém,  o que mais me incomodou foi a falta de sensibilidade tanto do diretor Marcos Schechtman quanto do roteirista José Carvalho. Como é que num filme em que o tema é violência doméstica contra a mulher o ponto de vista escolhido para conduzir a história é o do marido, Raul? Em muitas cenas parece que direção e roteiro tentam justificar as atitudes agressivas de Raul, romantizando a violência. Há uma cena de sexo forçado que é bem forte, mas o jeito que ela foi abordada parecia que a vítima estava gostando - sendo que a esposa estava sendo abusada sexualmente pelo próprio marido, alguém em que ela deveria poder confiar! Como ela poderia estar gostando? Faltou empatia, sensibilidade, se colocar no lugar da outra pessoa e principalmente dar voz a vítima, é ela que precisa e não tentar justificar e passar a mão no agressor.

É bom lembrar que, segundo uma pesquisa do Instituto Avon/Ipsos - Percepções sobre a violência doméstica contra a mulher -, a violência doméstica atinge 2 milhões de mulheres no Brasil. A cada 4 minutos uma mulher é atendida no SUS depois de sofrer esse tipo de agressão; mas apenas 63% das agredidas denunciam. O filme aborda um tema muito sério e poderia até ajudar mais mulheres agredidas a se sentirem encorajadas a denunciar. 

Dito tudo isso, há sim pontos positivos que precisam ser ressaltados. Schechtman conduziu perfeitamente as cenas de contexto erótico, sem falsos pudores, o que é algo bom já que dificilmente o cinema brasileiro faz isso, principalmente com casais de meia idade. As cenas de violência são bem “verdadeiras”, elas impactam, são fortes, como deveriam ser.

O trabalho de direção, somado ao dos fotógrafos Elton Menezes e Rafael Rahal, resultou em sequências apresentadas através de ângulos diferentes e incomuns, o que nos deixou mais próximos do que estava acontecendo em cena. Além disso, Schechtman usou técnicas que ajudaram muito no clima de suspense, como a iluminação, a trilha sonora e o enquadramento que trouxe toques até de terror em certas cenas. Aliás, esse tom de suspense é uma das melhores coisas do longa. Outro ponto positivo é a linha do tempo, as cenas se alternam entre 1982, 1992 e 2006, sem seguir a ordem cronológica, instigando a curiosidade do espectador. 



O elenco está bem entrosado, principalmente Naura e Domingos. Naura, também uma das produtoras do longa, demonstra personalidade e força no olhar, conseguindo transmitir a dor de sua personagem e a ilusão também. Já Domingos é o ator certo para esse filme, pois ele consegue mudar rapidamente os jeitos e expressões faciais, desde uma ternura singela até a agressividade e fúria que seu personagem tem. Os dois tiveram uma boa sintonia com as participações especiais de Jonas Bloch, Milhem Cortaz e Denise Weimberg.

Há uma beleza sim no filme, mas infelizmente ela acaba se perdendo quando lembramos que o tema principal acabou não sendo tão destacado quanto deveria, o que me decepcionou bastante.


quinta-feira, 28 de julho de 2016

150 mil acessos!





Na noite dessa quarta, 27, este blog atingiu a marca de 150 mil acessos desde sua entrada no ar, em 8 de agosto de 2011 (há praticamente 5 anos, portanto). Em média, são 82 acessos por dia ao longo desse tempo todo, mas é claro que sempre há oscilações, não é? No mês de estreia, o blog atingiu 1.615 acessos e já em setembro de 2011 pulou para 2.906, recorde que só foi quebrado em janeiro de 2013 (2.943). Novos recordes vieram em abril de 2013 (3.702), janeiro de 2014 (4.717) e maio de 2015 (5.181, ainda não superado). Só entre junho e agosto de 2012 o acesso mensal ficou abaixo de mil - sendo o pior mês da série histórica (sempre quis usar esta expressão!) agosto de 2012, com apenas 844 visitas. Agora em julho de 2016, já tivemos 3.040 acessos (sendo 112/dia). 

Os números são animadores, levando-se em conta de que os blogs não são há muito tempo a mídia virtual da moda, tendo sido ultrapassados há tempo em relevância para o público pelas redes sociais (mas, como escrevi no LinkedIn mês passado, esse jogo pode estar começando a virar). 

Este blog foi criado como sucessor do site Jornalismo Cultural, que coloquei no ar em 6 de outubro de 2005 (e ainda segue no ar, aqui você acessa a página de Artigos dele). Seus objetivos eram dois: 

funcionar como um canal para publicação de artigos meus e de outras pessoas sobre a cena cultural brasileira e também como agenda cultural (função que descartei ao longo do tempo, já que as pessoas deixaram de usar blogs como guia cultural, optando por redes sociais ou Whatsapp); e

ser uma antologia dos meus principais artigos publicados nos antigos sites Brasileirinho e Jornalismo Cultural.

Olhando retrospectivamente, fico feliz ao constatar que as duas funções foram e estão sendo plenamente cumpridas. Talvez um pouco menos a segunda (mas note pela ilustração do post que Tia Ciata, um texto que escrevi para o Brasileirinho em 2007, e republicado aqui em 2012, é o terceiro mais visto desde que o blog é blog, sendo citado até na Wikipedia; seguido por Gaita no Sul = Sanfona no Nordeste, também originalmente publicado no Brasileirinho.). De todo modo, como ambos os sites seguem no ar, os textos continuam acessíveis, portanto.

Os outros três textos do nosso Top 5 são ligados à faceta opinativa do Jornalismo Cultural. O campeão do blog é um comentário que fiz destacando os furos de roteiro do filme O Espetacular Homem Aranha 2 - sendo que eu próprio cometi alguns equívocos no texto, o que me levou a fazer novo artigo sobre o filme... 

A presença na lista de outra crítica de cinema destaca a importância de haver gente colaborando com o blog, afinal nem só não tem como eu ouvi/ver tudo, mas também é fundamental haver pluralidade de opiniões. O texto de Bianca Oliveira, nossa comentarista desde 2014, analisando o filme Como Eu Era Antes de Você,  pode ser considerado um fenômeno de popularidade - tornou-se o quinto texto mais lido na história do blog em apenas 21 dias!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Destaco também o texto sobre teatro Peça Salvador: Éramos Gays, o segundo colocado na lista, da jornalista baiana Calila das Mercês, que foi colaboradora do blog entre 2011 e 2014. A Calila, Bianca e todas as pessoas que ao longo destes 5 anos escreveram para o blog, o meu agradecimento. 

Ao longo destes 5 anos, o país de onde mais recebemos visitas é, naturalmente, o Brasil (72 mil, quase a metade dos acessos); seguem-se Estados Unidos (35 mil, ou seja praticamente 25%), Alemanha, Rússia e Ucrânia. Nos últimos 30 dias, o Brasil segue líder (quase um terço das visitas), vindo em seguida Rússia, Hong Kong (!), Alemanha e EUA. 

Os principais browsers usados pelos internautas desde sempre para nos ver são o Chrome, o Firefox e o Internet Explorer - sendo que o IE surpreende ao ser o 2º colocado nos últimos 30 dias, com um terço dos acessos (o Chrome lidera com 50%). 

Já a análise do sistema operacional preferido para nos ver mostra uma importante mudança - o Windows sempre liderou (67% nos 5 anos e 58% de um mês pra cá), porém o Android, que na série histórica ficava em 4º lugar (7%, atrás do Linux), no último mês representa 27%, à frente do Macintosh (8%). Ou seja, o acesso móvel maciço já é o presente da internet. 

Outra mudança significativa é a origem das visitas - ou seja, onde os internautas seguiram um link que os trouxe até o blog. Historicamente, é o Google, com 10%. No último mês, é o Facebook, com 20%. 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Opinião Cinema: Como Eu Era Antes de Você

Por Bianca Oliveira
do Rio de Janeiro




Jojo Moyes é a nova queridinha do mercado literário. Seu livro Como Eu Era Antes de Você vendeu mais de três milhões de cópias no mundo inteiro, e naturalmente atraiu o interesse dos produtores de cinema. É normal que o filme perca um pouco da essência do livro, mas nesse aspecto é importante ressaltar que foi a própria Moyes que escreveu o roteiro, ou seja, qualquer mudança ou simplificação veio da própria autora das personagens. Então o que nos resta é nos conformar com o que promete ser “ A culpa é das Estrelas” de 2016.

Louisa Clark (Emilia Clarke) é uma jovem moça que não tem muitas ambições, ela está acostumada em morar numa cidadezinha perto de Londres junto com os pais, avô, irmã e seu sobrinho pequeno. Infelizmente, ou não, o café em que Lou trabalha fecha as portas e a moça se vê na obrigação de procurar urgente um novo emprego para ajudar sua família, mesmo tendo pouca experiência. Esse emprego é nada mais, nada menos, do que como cuidadora de Will Traynor (Sam Claflin), um rapaz aventureiro, rico e que tinha grandes ambições, mas que após um acidente ficou tetraplégico, com um humor difícil e perdido, sem saber o que fazer, além de querer desistir da vida.

Ser um deficiente físico não deve ser algo fácil, isso sabemos, e não é de hoje que o cinema vem abordando temas assim em filmes como O Meu Pé Esquerdo, o fabuloso A Teoria de Tudo, Tudo Por Amor etc. Jojo tinha tudo para fazer desse um exemplo de luta e perseverança, mas optou resolver as questões de modo fácil, bobo e melancólico. Calma, crianças, não me ataquem, larguem  essas pedras, eu sei que o filme está na modinha e todo mundo amando, mas deixa a tia Bianca falar uma coisa, do fundo do coração dela, NÃO É ASSIM QUE FUNCIONA NÃO. A vida de um deficiente não é cheia de adaptações, jatinhos e funcionários paparicando. Pessoas de verdade têm que enfrentar todos os dias enormes desafios, têm que enfrentar os outros olhando para elas como aberrações, às vezes precisam da ajuda de estranhos pois nem todo local é adaptado, precisam passar várias horas quase esmagados no avião, porque tudo é muito pequeno, e tem que conviver com aquilo diariamente, sem a opção que Will teve.

“Ah, Bianca, mas isso é ficção, não leve tão a serio”. Eu sei disso, só que o cinema influencia e muito a vida de qualquer um, e por que não usar esse meio para mostrar as pessoas que não é o fim do mundo? Eu sei também que Will era aventureiro e seu acidente foi um choque mas tenho absoluta certeza que Jojo Moyes poderia contornar isso. O próprio Francesco Clark, que dizem ter sido uma das “inspirações” da autora, criticou a trama e principalmente a forma que ela foi abordada:

- Eu trabalho incansavelmente para mostrar para todo mundo que ser quadriplégico não o final da vida de ninguém – é um novo começo. Eu não estou tomando uma posição contra o suicídio assistido, estou dizendo que estou revoltado por terem me associado a uma história que diz que a única ou melhor saída para pessoas como eu é a morte. Eu vou continuar espalhando uma mensagem de positividade e esperança para as pessoas que sofreram ferimentos como os meus, ou que conhecem e amam alguém que sofreu. Sou um perfeito exemplo de que a vida não só continua, como se torna melhor a cada dia.

Eu sei que, olhando por esse lado, estou detonando a “magia” do filme, mas me revolta a forma com que a autora abordou um tema assim. Romantizar isso é perpetuar um estereótipo, é uma questão de abandonar as pessoas reais com deficiência que estão lutando e muito para ter sua sanidade e meios para sobreviver.

Além disso, outro erro foi na pressa em apresentar os personagens, na verdade nem apresentaram, o longa foi logo colocando momentos aleatórios. O começo todo é uma correria, há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, e muitas nem ligação têm. A diretora Thea Sharrock queria colocar logo seus personagens em um conflito central, o que gerou uma construção fraca e não nos deixou aproveitar o momento.







Exemplos: Lou diz que gostou de um filme que assiste com Will, mas a gente não a vê assistindo a sessão em casa, rindo e nem vê seus olhos brilhando e se apaixonando pelo tal filme. Ou então a cena do concerto de música clássica, que é tão rápida que nem reparamos direito nos dois e na sintonia. A diretora forçou a aproximação, e o engraçado disso tudo é que os melhores momentos, os que arrancam de verdade gargalhadas e lágrimas, são os mais bestinhas.

Dito tudo isso preciso ressaltar as partes boas (aleluia). O filme possui uma fotografia linda, as paisagens do interior da Inglaterra são verdadeiros presentes para o público. O diretor de fotografia Remi Adefarasin usou e abusou das cores quentes, e isso deu um charme e ajudou a percebermos a beleza da relação entre os atores principais. A trilha sonora, açucarada, de Ed Sheeran fez todo mundo entrar no clima e até em determinados momentos fez cair aquele suor hetero dos olhos.  Mas não tenho dúvidas que o que mais chamou a atenção foram os exuberantes figurinos, principalmente o da Lou, a figurinista Jill Taylor disse que queria que as pessoas sentissem a alegria da personagem e isso nos cativou muito.


Emilia é o coração do filme, e a direção sabe muito bem disso, não é à toa que focaram bastante nela. Mas mesmo sua personagem sendo divertida e cativante, a atriz decidiu interpretá-la de uma forma caricata, exagerando em absolutamente tudo, desde as caretas até a entonação. Não que isso seja ruim, é algo estranho mas que trouxe várias gargalhadas. 

Claflin interpretou algo difícil, não chamou atenção,  nem foi a melhor atuação de sua carreira, mas ele demonstrou segurança e o seu contraste com Emilia rendeu ótimas cenas. E de todos as cenas, sem dúvidas, a sequência do casamento é a mais linda e meiga.

Um pouco de comédia, e muito mais romance, Como Eu Era Antes de Você  não é aquele filme espetacular e perfeito, ele apenas soube seguir à risca a fórmula do cinema água com açúcar que faz as pessoas chorarem, rirem, soltarem aquele “awwwm” mas que depois são facilmente esquecidos. Vale a pena ver na sessão da tarde, quem sabe.


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terça-feira, 21 de junho de 2016

Opinião Cinema: O Maior Amor do Mundo

Por Bianca Oliveira, 
do Rio de Janeiro





O titulo original não deixa dúvidas: o novo filme de Garry Marsahll, Mother's Day, visava atrair espectadores ao cinema aproveitando as comemorações do Dia das Mães (o filme foi lançado no Brasil em 5 de maio, a três dias da data festiva). A fórmula usada pelo diretor é bem simples: artistas conhecidos + várias histórias paralelas que sempre têm algo em comum (nesse filme histórias sobre a maternidade) + enredo bobo com desfecho mais bobo ainda = uma comédia fraquinha que até provoca algumas gargalhadas na plateia,  mas no outro dia ninguém vai lembrar nem o nome.

Em uma de suas histórias, Mother’s Day apresenta Sandy (Jennifer Aniston), divorciada, mãe de dois filhos que está tentando se adaptar a numa nova vida enquanto seu ex já está com uma nova namorada: Miranda (Júlia Roberts), escritora e apresentadora de sucesso e que escolheu focar mais na carreira do que na sua vida pessoal. Sua história se cruza com a de Kristin (Britt Robertson), uma jovem mãe insegura que não sabe “quem é de verdade” e está a procura da sua mãe biológica. Já Jesse (Kate Hudson),  casada com o indiano Russell (Aasif Mandvi), é mãe de um menino e que guarda muitos segredos de sua mãe junto com sua irmã Gabi (Sarah Chalke); e por último mas não menos importante Bradley (Jason Sudeikis), pai viúvo que depois que sua esposa faleceu teve que cuidar sozinho de suas duas filhas.

Todas as histórias se cruzam e têm o seu grau de importância; todas foram abordadas com o tom certo de sutileza e humor. O problema é que o filme é cheio de clichês, mesmo tentando ser “contemporâneo” e simples o longa é carregado de conservadorismo e ideias antiquadas. Vemos mulheres que precisam de um homem para fazê-las se sentirem bem, mães que precisam ser perfeitas e compreensíveis, aquela “padronização” básica que sempre vemos por aí.  Mas por que Sandy só consegue ser feliz de verdade com um homem do seu lado? Como Jesse consegue esconder o seu filho de sua mãe??? Os roteiristas Tom Hines, Matt Walker e Anya Kochoff Romano deveriam ter aprofundado um pouco (muito) mais nas histórias que contam, o seu roteiro abre tantas histórias ao mesmo tempo, que quase duas horas de filme ainda não são suficientes para fechar adequadamente cada uma, e a solução foi  acabar usando os desfechos mais bobos e grosseiros possíveis.

O melhor do filme é o elenco.  Jennifer Aniston está despojada, sincera e que consegue muito bem passar tudo o que sua personagem está sentindo. Jason Sudeikis é o que anima o filme, traz a dose certa de humor, e é engraçado que ainda assim ele transmite todo luto e dor que seu personagem passou. Julia Roberts é só aquela participação especial que mais trouxe mídia do que acrescentou ao filme de fato, foi inserida em contextos sem nexo e sem aprofundamento.

Nem é que o filme seja horrível ou o pior do mundo, ele só é comum e decepcionante, parece mais que Garry estava de olho nas bilheterias e não na qualidade ou em pesquisar de fato e oferecer o melhor para o seu público. Você vai rir,  em determinados momentos pode até sair um suor hétero dos seus olhos, há cenas em que a fotografia é linda, mas pára por  ai mesmo. Depois de um tempo você vai ver em uma sessão da tarde, ou quando reunir a família e num almoço mas pára por ai também.



quarta-feira, 18 de maio de 2016

Belém: Protesto contra fim do MinC

Belém - Há poucos minutos, andando pela Travessa Quintino Bocaiúva, ouvi um batuque que vinha do sentido da Av. Governador José Malcher, com alguém cantando "Maracatu Atômico" (Jorge Mautner - Nelson Jacobina) e "Vai Passar" (Chico Buarque). Em seguida, localizei a origem: o som vinha do pátio de um dos prédios do Iphan no Pará, onde por artistas se manifestam contrários ao fim do Ministério da Cultura, cuja estrutura passará à esfera do Ministério da Educação, num retrocesso de 31 anos.













A direção da representação regional do Iphan no Pará se encontra reunida neste momento; comunicado oficial deverá ser emitido às 17h de hoje. 

domingo, 15 de maio de 2016

Opinião Cinema: Capitão América: Guerra Civil

Por Bianca Oliveira,
do Rio de Janeiro



Dirigido pelos irmãos Joe e Anthony Russo, Capitão América: Guerra Civil deveria ser só a continuação de Capitão América 2: O Soldado Invernal  (2014), só que ele vai muito além disso. Ele se transformou em um enorme evento cinematográfico, todo mundo estava ansioso pela estreia, escolhendo seu lado e tudo o mais, afinal, no mesmo filme teríamos o Capitão América, Homem de Ferro, Homem-Aranha, Homem-Formiga e muitos outros. Eu sei que parece até piada, algo surreal, mas foi real e foi incrível, garanto que é a produção mais madura da Marvel, o filme mais bem produzido (prometo que vou tentar não dar spoiler).

O filme está na pós-Era de Ultron (sim, para entender esse filme você tem que assistir pelo menos o 2° do Capitão e o Vingadores: Era de Ultron) todos estão abalados após o rastro de destruição que o supergrupo deixou tentando salvar o mundo, o que leva os políticos a criar o Tratado de Sokóvia, que regulamenta todos os que tenham superpoderes. Sendo assim, os heróis se dividem, Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans) é o líder do grupo que é contra o tratado e Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) é o líder do grupo a favor, não há um lado certo, cada um tem seu motivo. Steve acredita no anonimato, ele sabe que é melhor trabalhar sem depender das vontades políticas, enquanto Stark se sente culpado pelo que aconteceu no passado, quando viu uma criação sua quase causar a destruição o mundo e ele está nitidamente cansado disso. E desse jeito vemos cada herói de uma forma diferente, o bad boy está seguindo as regras e o mais patriota possível, o cara todo certinho, virou um fora da lei!

O longa tem um ritmo intenso, parece mais um capítulo de série que um filme, e é dessa forma que os irmãos Russos estão sabiamente nos prendendo. Desde o começo há diálogos e muitas cenas de ação e perseguição que deixam nossos corações apertados, a tensão vai aumentando gradualmente, tudo isso é muito empolgante. Mas não é só ação não, tem um fundo político importante, abre espaço para debates dramáticos sobre o que é certo e errado, sobre responsabilidades, consegue tratar sobre vingança de uma forma realista e dolorosa também e ainda tem aquela quebra maravilhosa com um toque de humor.

Outro ponto que conta e muito é em como foi introduzido a história os novos heróis, foi de uma forma sutil, que ajudou a manter o interesse do público. Homem-Aranha (Tom Holland)(todos estavam ansiosos para vê-lo que eu sei) entra para o grupo com sua língua solta, trazendo humor e aliviando a tensão toda (pareceu que era só uma amostra do que está por vir em seu filme solo previsto para julho de 2017). 

E o que falar de Pantera Negra (Chadwick Boseman)? Nada de muita explicação, em uma cena já conseguimos entender todas as questões, tudo foi construído cuidadosamente, menos blablablá e mais ação. Sim, tantos heróis em um só filme fica difícil para nosso pequeno coração.

Guerra Civil é diferente de tudo que já vimos,  a questão central do filme é que não existe um grande vilão, é estranho ver personagens que amamos brigando,  serem procurados ou estarem presos. Mas ao mesmo tempo nós conseguimos vê-los de uma forma mais humana, não eram inimigos lutando, vimos na nossa frente uma família desmoronando, amigos, possíveis paixões se distanciarem, foi dolorido também de ver. Só que tudo isso aumenta as expectativas paras os próximos da franquia que estão por vir, tenho absoluta certeza que Os Vingadores nunca mais serão os mesmos.






quarta-feira, 11 de maio de 2016

Oficina Paragominas (PA): Cinema Independente




Nos próximos dias 19, 20 e 21 de maio, estarei pela primeira vez em Paragominas, interior do Pará, realizando novamente a Oficina de Cinema Independente - pela segunda vez no ano (houve uma Oficina em Belém em abril), e também pela segunda vez numa cidade de interior (a estreia foi em Jequié, Bahia, no ano passado).

É uma grande alegria, além de constituir também um desafio, viajar realizando esta atividade, que não leva o nome de 'Independente' por acaso. A Oficina não é bancada por patrocinadores nem leis de incentivo, ela é viabilizada pelas inscrições a cada edição. Por isso é importante que os interessados atentem para o fato de que as inscrições se encerram no dia 16, próxima segunda-feira.

Esta edição da Oficina irá ocorrer na Casa Mágica do Ifac (Instituto Fernando Arapiranga), espaço cultural recentemente inaugurado que já vem movimentando a cena cultural de Paragominas.
As inscrições podem ser feitas no próprio Ifac, à rua Gaspar Dutra, 166, Uraim, no valor de R$ 180,00. Serão emitidos certificados para todos aqueles que comparecerem a pelo menos dois encontros.
O programa da Oficina inclui noções de conceito e história do Cinema Independente, roteiro, montagem e finalização de curtas-metragens, além de abordar legislação do setor e informações sobre mercado exibidor, circuito de festivais e também o registro na Ancine.
Durante a Oficina, iremos filmar e editar curtas-metragens, com a participação de todos os inscritos.

OBS: A Oficina não irá ocorrer, devido a não ter 
se formado uma turma mínima (8 inscrições). 

domingo, 8 de maio de 2016

Opinião Cinema: Sinfonia da Necrópole

Por Bianca Oliveira,
do Rio de Janeiro



Imagine um musical que se passa em um cemitério misturando romance, suspense, crítica, humor e um toque de “terror” também. Sim, esse é o Sinfonia da Necrópole que, acima de tudo, é um filme ousado que tirou muitas risadas e aplausos da plateia presente no Paulínia Film Festival em 2014 (onde ganhou o prêmio de Melhor Trilha Sonora). A diretora e roteirista Juliana Rojas resolveu inovar mesmo, nada de fazer um filme voltado para aquele público que só busca entretenimento, o que ela busca é quem queira um material inovador e alternativo. E com certeza ela conseguiu isso, criando personagens apaixonantes, carismáticos e naturais - e tudo isso na sua primeira experiencia solo dirigindo (antes ela já co-dirigira dois longas e um curta).

A história também é muito interessante. Deodato (Eduardo Gomes) é um aprendiz de coveiro, que foi indicado por seu tio para trabalhar no cemitério, mas seu chefe vive reclamando porque ele é sensível demais, medroso e tem crises recorrentes. Ele precisa trabalhar ao lado de Jaqueline (Luciana Paes), uma mulher forte, independente que tem como função reorganizar o cemitério, que está lotado, ou seja, uma boa quantidade de túmulos precisa ser transferida para um cemitério vertical, assim poderá abrigar mais corpos e consequentemente o dono vai ganhar mais dinheiro. Mas Deodato consegue ver coisas sobrenaturais com o passar do tempo, afinal, é claro que os mortos que ali estão não iam gostar que mexessem com seu descanso eterno.



O título é uma referência ao filme São Paulo, Sinfonia da Metrópole (1929) de Rodolfo Lustig e Adalberto Kemeny, uma critica social relacionado aos espaços. E Sinfonia da Necrópole, além de ser engraçado, também nos mostra os interesses comerciais, especulação imobiliária e como o mundo anda tão chato e monótono, ao mesmo tempo que tem um ar de esperança e de romance entre os protagonistas, nada disso em um jardim ou uma casa bonita, mas em um cemitério (o filme foi rodado em três cemitérios diferentes em São Paulo). A criatividade da diretora é fantástica.

O filme é belo do começo ao fim, e seus números musicais então, nem se fale. Cada detalhe, batucada, tudo foi nitidamente planejado. As letras, compostas por Juliana com Marco Dutra, são sempre de acordo com o momento, conduzindo a história de um modo muito puro. É o próprio elenco que canta - Juliana disse que não queria que eles cantassem maravilhosamente e sim que soassem de forma natural, nada muito musical de Hollywood.

O que parece mesmo é que tudo é uma brincadeira, os atores claramente se divertem tanto atuando quanto cantando. Aliás, Eduardo Gomes é nitidamente carismático e talentoso, ele se diverte, canta, pula e ainda assim não perde a concentração e sabe o momento exato de usar cada expressão. Luciana Paes também, ela demonstra que sabe o que está fazendo e eu tenho certeza que ela vai ter uma trajetória muito bonita, porque talento tem de sobra aí.  E o que falar dos coadjuvantes então? Eles conseguem dar um charme extra ao longa, são inseridos de uma forma suave e gostosa e provavelmente conseguem tudo isso porque são personagens reais sem qualquer idealização.


Eu espero que todo mundo assista esse filme um dia, de verdade. Não há nele mega-efeitos, nem nomes de peso mas há uma bela história, com músicas provocantes e que ficam na mente com aquele clima de romance que todos gostam e que vai fazer você sair gargalhando da sala. É um verdadeiro sopro de esperança e originalidade no nosso cinema nacional, que finalmente está conseguindo enxergar outros artistas.


domingo, 24 de abril de 2016

Entrevista: JackMichel

JackMichel é o nome artístico de duas escritoras: Jaqueline e Micheline Ramos, duas irmãs naturais de Belém (PA). Sua obra é ampla e pode ser descrita entre romances, contos e poesias. O estilo de escrita de JackMichel foi influenciado por autores mundiais clássicos de diversos gêneros literários como Oscar Wilde, Hans Christian Andersen, Lewis Carrol, Edgar Allan Poe, Eça de Queirós, Machado de Assis, dentre outros. JackMichel professa o lema Escrever é viver. Para saber mais, curta a página no Facebook: https://www.facebook.com/EscritorasJackMichel/

***

Jornalismo Cultural - Vocês são duas irmãs, que escrevem em parceria, e usam o pseudônimo JackMichel. Por que esta opção e como funciona esta escrita em parceria, considerando que geralmente escritores são classificados como os mais solitários artistas no momento da criação?

JackMichel - Bem... não foi uma escolha entre uma e outra coisa, foi na verdade um engenho calculado. Eu e Jack, minha irmã e parceira literária, tencionávamos movimentar este meio literário tão estático de meneios fascinantes e tivemos a rica ideia de dar vida a uma nossa criatura: a autora JackMichel. O critério utilizado para a elaboração da escrita de JackMichel se dá unindo a lógica do meu juízo analítico e sintético com o criadorismo mágico de Jack: daí, podemos auferir o prêmio de uma obra extraordinariamente sui generis que assusta o convencional. Detalhando mais tudo isso declaro que, umas vezes, Jack escreve a maior parte de um livro e separa trechos que posteriormente são preenchidos por mim... outras, ela cria o título da obra e depois eu a componho... e, ao final do trabalho, o leitor atento não consegue identificar os enxertos no texto, tão coesos são o primor linguístico e a imagem de expressão. Uma combinação perfeita: mais ou menos como o queijo e a goiabada o são.

Jornalismo Cultural Em seu primeiro livro, Arco-Jesus-Íris, vocês ambientam na época do auge do movimento hippie (final dos anos 1960) uma série de casos polêmicos (do processo de Oscar Wilde à morte de Jim Morrison), tendo como pano de fundo um confronto entre Jesus Cristo e Satanás. Qual foi sua inspiração? A repercussão da obra é a que vocês esperavam?

JackMichel - À parte a originalidade retumbante do título que combina o nome de Jesus, maior símbolo do Cristianismo, com a doce palavra arco-íris, posso dizer que a inspiração para a composição desta obra foi mesmo a própria década de 60 que trouxe as maiores revoluções para o século XX com sua moda, jargão,  movimentos e cores. A divulgação de Arco-Jesus-Íris ainda segue em andamento, pois seu lançamento pela Chiado Editora em outubro de 2015, está recente e todo processo de propaganda de um produto se dá pouco a pouco, haja vista estar vinculado à engrenagem da mídia que o move. No caso do mercado editorial creio que o sucesso de um livro aconteça quase que ao mesmo tempo em que o autor cai no gosto do público leitor em geral.

Jornalismo Cultural O contrato de vocês com a Drago Editorial prevê o lançamento de quatro novos livros, LSD Lua, 1 Anjo MacDermot, Sorvete de Pizza Mentolado x Torpedo Tomate e Ovo. Todos devem sair ainda este ano? Estes também são romances? Falem um pouco sobre cada um. E, por favor, comentem de onde surgem títulos tão pouco comuns! 

JackMichel - Sim. Os quatro livros citados serão publicados ainda este ano de 2016, respectivamente nos meses de julho, agosto, setembro e outubro. Todas estas obras são do gênero ficção histórica, pois suas histórias apaixonantes mesclam ocorrências fantasiosas com documentação histórica. LSD Lua traz à tona a figura da poderosa e polêmica droga LSD, que embalou os sonhos da geração underground e rende um preito à chegada do homem a lua... 1 Anjo MacDermot, uma obra colossal totalmente talhada aos moldes do psicodelismo e que expõe, em ordem cronológica, fatos acontecidos na década de 60... Sorvete de Pizza Mentolado x Torpedo Tomate é uma breve narrativa tragicômica que, no epílogo, homenageia os soldados mortos na Guerra do Vietnã cujos nomes estão escritos no Vietnam Veterans Memorial... E Ovo é um drama que enfoca cuidadosamente os traumas psicológicos do ser humano, na perspectiva freudiana. A ideia dos títulos é sempre resultado do estro inquietante de Jack, que luze em momentos muito especiais de criação.

 Jornalismo Cultural Como surgiu o convite para vcs participarem do Salão Internacional do Livro em Turim, entre 12 e 16 de maio? 

JackMichel - Não houve de fato um convite. Tive conhecimento do 29º Salão Internacional do Livro de Turim a partir dos editais estampados no jornal Sem Fronteiras, onde sairá matéria sobre JackMichel na edição de abril/maio. A Associação Cultural Internacional Mandala (A.C.I.M.A.), que tem presença tradicional no Salão do Livro, é pioneira em oferecer aos autores brasileiros o ensejo de expor suas obras no exterior, rasgando o véu baço que os encobre; além de promover o intercâmbio artístico-literário entre Brasil e demais países no cenário internacional, pondo-os tête-à-tête dentro duma vitrine preciosa de novos talentos de igual valor que, para se conhecer, é preciso antes divulgar.

Jornalismo Cultural Quais seus planos após retornar da Itália e lançar os quatro livros já previstos? 

JackMichel - A escritora JackMichel lamentavelmente não estará presente no memorável evento de Turim, pois não pode ausentar-se do Brasil no momento em que coordena detalhes referentes a publicação de seus livros, para o segundo semestre deste ano. Isso é fato normal nesta ocasião visto que muitos autores brasileiros, que serão representados pela A.C.I.M.A. em seu stand próprio, não participarão pessoalmente do Salão do Livro. No tocante a planos para o futuro, JackMichel tem os mais auspiciosos já que várias editoras do exterior deram acenos positivos para a publicação de suas obras. 

sábado, 23 de abril de 2016

Na Rede: Entrevista ao Holofote Virtual

Na terça, 19, o blog paraense Holofote Virtual noticiou a Oficina de Cinema Independente que realizo em Belém a partir do dia 25 (saiba mais aqui). Foi o pretexto para a responsável pelo blog, a jornalista e cineasta Luciana Medeiros me entrevistar, indo além do óbvio, o que me motivou a publicar aqui a parte do post original que traz o nosso papo. Apreciem. 

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Holofote Virtual: Eu sabia da tua veia para o jornalismo cultural, mas é novidade tua incursão no audiovisual. Quantos e quais filmes você já fez até o momento?

Fábio Gomes: Eu fiz até o momento seis curtas, sendo cinco deles, da série 'As Tias do Marabaixo' e um outro intitulado "Você é África, Você é Linda", realizado durante a Oficina de Cinema Independente que ministrei na Bahia, na cidade de Jequié. O tema deste é o empoderamento das pessoas negras através do ato de assumir o cabelo cacheado/crespo e uso de turbantes. Vou exibir alguns deles durante a Oficina. 

Holofote Virtual: Você ainda escreve com assiduidade os seus blogs, como está indo este projeto?

Fábio Gomes: Continuo com os blogs Som do Norte e Jornalismo Cultural, além de colaborar com o Digestivo Cultural e publicar artigos no LinkedIn. O Som do Norte já não publica agenda de eventos, hoje a informação sobre isso circula mais nas redes sociais e não tanto em sites/blogs. 

O foco da página então tem sido os lançamentos de EPs, eventualmente resenhas de shows e principalmente entrevistas, em especial as da série 'Café com Tapioca' (conversas breves com artistas que estejam lançando single, EP ou clipe). Aproveito para te dizer uma novidade em primeira mão: estamos nos preparando para postar entrevistas do 'Café com Tapioca', em vídeo! 

Holofote Virtual: Como tem sido a vivência cultural em Macapá?

Fábio Gomes: Viver em Macapá me proporcionou realizar este projeto de preservação e divulgação da memória cultural que é 'As Tias do Marabaixo'. O Marabaixo é uma dança de matriz africana, a principal manifestação cultural nascida no Amapá, e é uma grande alegria para mim poder ajudar a divulgá-la para outros estados. 

Na medida do possível, acompanho sempre a movimentação cultural da cidade, em especial shows e eventos literários. Macapá conta com inúmeros artistas de talento, alguns de projeção nacional como a cantora Patrícia Bastos.  

Holofote Virtual: E como é o movimento de cinema na cidade? Você já está bem inserido neste contexto? Qual seu olhar sobre isso?

Fábio Gomes: A cena de cinema de Macapá tem prosperado desde a realização do primeiro FIM (Festival Imagem- Movimento), em 2004. O Festival gerou a criação de um Clube de Cinema, que atualmente realiza encontros regulares no Espaço Caos. Também são frequentes as exibições especiais de mostras itinerantes através de projetos do próprio FIM ou de entidades como o SESC.

Mesmo a área da exibição comercial tem registrado uma expansão, com a abertura de cinemas em um shopping center e a ampliação do espaço dedicado ao cinema em outro (que possuía apenas uma sala e hoje conta com um multiplex). Mais espaços de exibição sempre resultam em ampliação do público e no aumento do número de pessoas interessadas em produzir cinema. 

Entre as produções, destaco uma que ainda está em fase de filmagem, o documentário “Mazagão: mito, memória e migração”, uma parceria entre a Castanha Filmes, do Amapá, e o Espaço Cinema, de Porto Velho, sobre a história do município de Mazagão, com filmagens no Brasil e no Marrocos; o filme foi viabilizado por ter sido aprovado em edital do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) da Ancine.

Foto do curta Tia Biló (2015), de Fábio Gomes
Holofote Virtual: E com Belém, como andam as suas conexões?

Fábio Gomes: Já morei em Belém, e a considero uma das quatro cidades onde eu me sinto em casa (as outras três são Porto Alegre, onde nasci e morei mais tempo; São Paulo, a cidade para onde fui mais vezes na vida; e, naturalmente, Macapá, onde moro). Acompanho sempre a cena cultural de Belém, que é muito pujante, sempre com muitos eventos, sejam shows, festivais, filmes, peças ou exposições. Sempre apoio shows e lançamentos de artistas (o mais recente foi o EP 'Filho de Gal', da cantora Liège).

Desde a criação do Som do Norte, em 2009, os artistas de Belém têm sido os mais destacados no blog. Sendo Belém a capital mais próxima de Macapá, fica também muito fácil poder vir para algum evento aqui a qualquer momento, mas independente disto reservo todo ano um período mais longo para estar aqui.

Minha atual temporada na cidade está sendo de dois meses, até metade de maio, onde além de ministrar a Oficina estou realizando ensaios fotográficos a valores promocionais dentro da Campanha Vamos Sonhar Juntos (link no Facebook -https://www.facebook.com/groups/VamosSonharJuntos), cuja arrecadação irá custear a edição do livro de fotos sobre 'As Tias do Marabaixo'.