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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Cine-PE: 3ª e 4ª noites

Recife - Comento a seguir os fiilmes exibidos no festival Cine-PE no sábado, 28, e domingo, 29. 

  • Mostra Competitiva de Curtas Pernambucanos - Assisti a todos os filmes exibidos no sábado, porém a apenas a parte de um do domingo (Koster), o que me impede de fazer considerações mais específicas sobre favoritos da categoria. Quero destacar, entre os do sábado, Zé Monteiro, O Homem que Venceu as 5 Mortes, documentário sobre um artista popular narrado em estilo de cordel, e no qual as falas das pessoas idosas foram legendadas, auxiliando na compreensão do público. Cena antológica é a resposta de Zé Monteiro à famosa pergunta: O que você sente quando está pintando? - diz ele que não sente nada, é algo normal. Aliás, acrescenta também que é artista porque não pode mais dirigir caminhão, seu antigo trabalho. Arremata com "A gente tem que gostar do que pode fazer" .
  • Mostra Competitiva de Curtas - O sábado teve dois destaques da mostra: o pernambucano Maracatu Atômico - Kaosnavial, documentário de Marcelo Pedroso e Afonso Oliveira, e o gaúcho Até a Vista, ficção do veterano Jorge Furtado. O primeiro mostra o emocionante encontro de Jorge Mautner com um maracatu centenário de Nazaré da Mata (PE), homenageando-o por "Maracatu Atômico", que as novas gerações conhecem pela regravação de Chico Science e Nação Zumbi (1996). O segundo mostra Furtado de volta à ficção em curta depois de muito tempo dedicado a longas como O Homem que Copiava e Meu Tio Matou um Cara. O tempo e as experiências fizeram bem ao diretor, que se mostra altamente competente ao contar uma história com início, meio e fim, longe dos experimentalismos que marcavam curtas como O Sanduíche. No domingo, o destaque da mostra foi Di Melo, o Imorrível, documentário de Alan Oliveira e Rubens Pássaro, produção paulista (embora a equipe, ao falar antes da exibição, tenha dito que seria uma produção pernambucana e paulista, a inscrição foi feita por São Paulo) mostrando o que aconteceu com o lendário cantor Di Melo, que chegou a ser dado como morto após lançar seu único LP em 1975 e ter sumido do cenário musical desde então.  
  • Mostra Competitiva de Longas - O sábado teve a reapresentação especial do longa da quinta, Á Beira do Caminho, cuja exibição fora prejudicada por problemas no som. O belo road-movie mostra duas viagens paralelas: enquanto conduz Duda ao encontro de seu pai em São Paulo, o caminhoneiro João (vivido por João Miguel) também faz uma viagem interior, na qual acerta suas contas com o passado. A noite de sábado foi marcada pela exibição de Jorge Mautner, o Filho do Holocausto, de Pedro Bial e Heitor D'Alincourt (pouco depois de vermos o curta que mostrou Mautner sendo homenageado por um maracatu). Inicialmente muito preso à leitura que Mautner faz de seu próprio livro O Filho do Holocausto, o filme progressivamente vai se soltando, inserindo depoimentos em meio a números musicais com Mautner, Caetano Veloso e Gilberto Gil, atingindo o ápice no depoimento da diretora Amora Mautner, filha de Jorge, que surpreende o pai ao revelar que, quando criança, ela não curtia tanto assim o clima extremamente libertário que vivia em casa.... O longa de domingo, Boca, teve a exibição interrompida após meia hora de projeção em função de problemas na ordem das cenas, e será reapresentado às 16h30 de terça, 1º/5, com entrada franca. 

sábado, 28 de abril de 2012

Cine-PE: 2ª noite

Recife - Com o atraso do meu vôo Porto Alegre - Recife na quinta, só ontem pude acompanhar as sessões do Cine-PE, que iniciou no dia 26 de abril e vai até 2 de maio aqui na capital pernambucana.

Assisti ontem a uma sessão com três curtas e ao longa Paraísos Artificiais.  Os curtas foram:
Zuleno (PE), Documentário, Direção Felipe Peres Calheiros, 20’
Isso Não é o Fim (BA), Ficção, Direção João Gabriel, 15’30”
Quadros (PR), Ficção, Direção Sara Bonfim, 16’

Dos três, considero o último mais bem realizado. Zuleno, que teve a preferência do público por tratar de artista pernambucano, se ressentiu de problemas com a edição de som. O artista, hoje já falecido, contava com 92 anos ao prestar o depoimento, e nem sempre é possível entender com clareza o que ele fala. Em situações semelhantes, já vi diretores recorrerem a legendas para solucionar a questão. O filme seguinte, produção baiana rodada em São Paulo, apresenta um personagem que vive de alugar banheiro para frequentadores da badalada rua Augusta. De início, o foco parece ser o que acontece dentro do banheiro (transas, consumo de drogas, namoros, partos, vômitos...), mas logo o "dono" do banheiro passa a ser o centro do filme, que acaba apontando para várias direções (a relação de carinho dele com um gato que adota, sua convivência tensa com o ambiente que o cerca, a surpresa ao encontrar uma mãe que iria jogar um recém-nascido no lixo...), sem se decidir por nenhuma. Já Quadros é poético desde a primeira cena, uma tomada do alto mostrando um casal dançando/nadando, nus ambos, num rio, ao som apenas de um piano. As sequências seguintes mostram como se chegou até ali - ela, Lúcia, uma estudante de Artes que se apaixona por ele, André, um artista que ora resiste ora adere a esta paixão. A cena que sintetiza a obra, para mim, é uma de logo do início, em que, após os dois saírem da água e não encontrarem as roupas. André culpa Lúcia pela situação. Ela, calma, senta-se, diz A culpa é minha, morde uma maçã e a oferece a André, em pé. Ele a aceita, dizendo É verdade, e morde também. Fica na cabeça do espectador o "eco" do nome Eva nesta cena que remete à história do pecado original. Uma sequência digna de prêmio!

Em Paraísos Artificiais, o diretor Marcos Prado utiliza-se de uma estrutura narrativa não-linear para abordar o universo das raves e, mais especificamente dentro dele, o uso de drogas. As idas e vindas constantes da narrativa por vezes confundem, mas creio ser inequívoco que o filme, sem "posar" de moralista, se posiciona francamente contra as drogas. A crença do diretor num futuro melhor fica muito clara na sequência final (que logicamente não vou detalhar), em que mostra a DJ Érica reencontrando seu grande amor Nando após ele ter saído da prisão, e em seguida revela o destino que teve o irmão de Nando, conhecido como "E.T.". O filme entrou em cartaz nacionalmente neste fim de semana.

  • A programação de hoje teve alterações. A sessão competitiva de curtas e longa inicia às 21h, pois às 19h será reapresentado gratuitamente o longa de quinta, À Beira do Caminho, cuja exibição foi prejudicada por problemas com o som. A apresentação de Xingu, inicialmente programada pra hoje, irá acontecer na terça, 1º de maio. 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Em Mil Tons, Laura Dantas dialoga criativamente com tradição da MPB

Os defensores do uso da expressão “Nova MPB” a justificam dizendo acreditar que não é mais possível avançar no caminho aberto e/ou trilhado por talentos como os de Chico Buarque, Tom Jobim e Caetano Veloso. No disco de estréia da cantora e compositora baiana Laura Dantas (ao lado, em foto de Eduardo Matos), Mil Tons, cada um deles - Chico, Tom e Caetano – inspira ou é citado em pelo menos uma canção, além de estarem “presentes” na faixa-título do CD, onde ela reverencia grandes nomes da MPB, numa letra inventiva repleta de trocadilhos (“Voz na travessia, Milton Ilu-Minas/ Uma língua que inventa a saudade, respira Tons/ De Jobins, de Gonzagas, de Jack- Sons”).

A reverência, porém, não impede ousadias, como a de reler “Último Desejo”, de Noel Rosa, em arranjo de tango clássico, com direito a acordeom e “plam plam” no final (o próximo projeto de Laura também tem a ver com o Poeta da Vila: ela musicou 10 letras inéditas dele, que darão origem ao CD Noel Inédito).


Mil Tons tem 12 faixas, sendo 8 de Laura (metade em parceria). Além da já citada “Último Desejo”, são de outros autores apenas “De Encontro ao Sol” (Luís Alberto Melo – Antonio Reina) e “Hoj’é Chá” (Rodrigo Sestrem), que abre e fecha o disco. A produção e concepção artística do trabalho são da própria Laura, tendo a direção musical de Otto Bruno, que também escreveu os arranjos com os músicos de cada faixa. Há nítida influência erudita tanto nas mudanças de andamento (pouco freqüentes no cenário brasileiro atual) em várias das músicas, quanto na economia – e ousadia – instrumental. A única faixa que tem um violino, por exemplo, é um samba: “Mulher de Malandro” (parceria com Otto Bruno), que aborda os temas clássicos da mulher que se sente rejeitada, da malandragem e promessas de regeneração (como em “Com Açúcar, com Afeto”, de Chico Buarque). O samba dolente do início se torna samba-enredo nas passagens em que a mulher ameaça deixar de ser submissa: “Devo a você meu penar, meu erro crasso, meu cansaço”.

Outro samba com mudança de andamento é “Santo Guardião”, exaltação à beleza visual e musical do Rio de Janeiro, que não ignora suas mazelas (Me rendo à sua natureza, apesar da crueza que deixa sangrar). O arranjo inicia como bossa nova e finaliza em sambão. Novamente é citado Tom Jobim, também referido (através da menção à “Canção do Amor Demais”) em “Uma Canção”, onde Laura clama por uma canção que faça com “que o amor cresça e adormeça a dor”. Há uma menção também à “Canção do Sal”, de Milton Nascimento (de resto, já homenageado no título do álbum, que recupera uma expressão criada por Caetano em “Podres Poderes”).

Além de “Santo Guardião”, outras duas composições foram inspiradas por paisagens. Itacaré, no sul da Bahia, gerou “Contemporânea” (parceria com Otto Bruno), e a península de Itapagipe, em Salvador, fez nascer “Pedra Furada” (de Laura e Edmilson Sales). Laura considera “Pedra Furada” um “segundo tempo” de “Farol da Barra”, de Galvão e Caetano, que deu título ao último LP dos Novos Baianos. Há uma sutil referência a este grupo também em “De Encontro ao Sol” – em que o verso “Só dor, somente só” lembra o “Só, somente só” de “Preta Pretinha”.

Em “Contemporânea”, letra e harmonia do início lembram o Caetano do início dos anos 80, enquanto a aceleração de ritmo ao final remete a “Arrastão” (Edu Lobo – Vinicius de Moraes), imortalizado por Elis Regina.

Elis – ou melhor, sua interpretação de “A Dama do Apocalipse”, de Natan Marques e Crispim Del Cistia - também é influência confessa de “Avis Rara” (parceria com Otto Bruno), que fala de uma mulher que enlouquece e “baila no ar, feliz/ volta a delirar, voar/ terra não vê ruir”.

A única homenagem explícita do álbum é aos Novos Baianos em “De Ponta Cabeça”: “traz a fé dos baianos e o encanto dos novos, ê, ayê...”. O diálogo da percussão com a guitarra chega a lembrar os discos do grupo, que Laura considera “genial”. Ela sabe do que fala: estudou os Novos Baianos em seu trabalho de conclusão do curso de Comunicação da UFBA. “De Ponta Cabeça” é uma espécie de “desfecho musical” do TCC, que virou livro, ainda inédito.

Finalizado em SMD, Mil Tons tem patrocínio do programa Conexão Vivo via Fazcultura e foi lançado com show em janeiro na Livraria Cultura do Salvador Shopping. O disco pode ser ouvido na íntegra no site http://www.lauradantas.com.br/. Abaixo, uma amostra disponível no Soundcloud.  


Música São Paulo: Tabatha Fher


Uma das artistas mais promissoras da nova cena brasileira é a cantora capixaba Tabatha Fher (pronuncia-se Tábata Fér), que mora há vários anos em São Paulo, onde atualmente finaliza seu primeiro CD. O disco será lançado em breve.

Algumas músicas do CD você já vai poder ouvir nesse show - como a que consta nesse vídeo, "Cadê Ele"- , além de "Evil Diva", tema que ela cantou na recente novela da Globo Fina Estampa (a estreia foi em grande estilo: esta era a trilha da protagonista Tereza Cristina, vivida por Christiane Torloni).

Produção: S de Samba.


Girlie Hell faz turnê de lançamento do novo CD Get Hard

As moças do Girlie Hell estão em turnê de lançamento do novo CD, Get Hard. Recentemente fizeram apresentações em São Paulo (capital e interior). Veja onde elas irão tocar em breve:

  • 27/4 - Goiânia, GO no Metrópolis com Dominatrix e Rebel Shot Party
  • 28/4 - Brasília, DF no Cult22 com Dominatrix e Rebel Shot Party
  • 13/5 - Valinhos, SP no festival Ponta Urbana Rock
  • 27/5 - Goiânia, GO no evento Devassa Sessions na Ambiente Skateshop

sábado, 14 de abril de 2012

Artes São Paulo: exposição Guerra e Paz - Portinari prorrogada até 20 de maio


São Paulo - Quem estava preocupado com a proximidade do final da exposição dos painéis Guerra e Paz, de Cândido Portinari, no Memorial da América Latina, pode ficar tranquilo. A mostra, que encerraria no próximo sábado, 21 de abril, foi prorrogada até o dia 20 de maio. 

Até lá, deve estar disponível o catálogo da mostra, detalhando entre outras coisas todo o trabalho de restauração dos gigantescos painéis (que juntos somam 280 m², maiores que a superfície pintada por Michelangelo na Capela Sistina).

Painel Paz

A prorrogação da mostra em São Paulo inviabiliza na prática a itinerância pelo Brasil. Fora do país já está praticamente certo. O coordenador do Projeto Portinari, João Cândido Portinari, encontra-se em Nova York negociando com a ONU, proprietária dos painéis, novos empréstimos para exposições em Oslo (que seria o primeiro destino), Tóquio e Paris.

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Edital Rondônia: 2º Prêmio Sesc de Poesia

Estão abertas até 15 de junho as inscrições para o 2º Prêmio Sesc de Poesia, através do site http://www.sescro.blogspot.com.br/ O prêmio para o primeiro lugar será de R$ 2.500, mais R$1.500 para o segundo e R$1.000 para o terceiro. Os poemas vencedores serão publicados pelo Sesc Rondônia e participarão de nova seleção nacional.

Podem se inscrever autores nascidos ou residentes no Brasil, com idade igual ou superior a 18 anos. Os poemas devem ser inéditos, em português (admitido o uso de estrangeirismos).

A Comissão Julgadora será formada por escritores especialistas em literatura indicados pelo Sesc Rondônia, e apenas o mérito literário será levado em consideração.

No ano passado, primeira Edição do Prêmio, a poesia vencedora foi “Ainda”, do autor Vinícius Bovo de Albuquerque, 42, morador de Vilhena. O segundo colocado foi Éder Rodrigues, professor universitário de Porto Velho com “Psicografias do Desejo” e, em terceiro lugar, a menção honrosa para Deivis dos Santos, também professor e residente na Capital, com o poema “Loucura me”.


Exposição Porto Velho: A Vida em Ácido e Metal


A artista plástica especializada em xilogravura Ângela Schilling abre no próximo sábado dia 14, a temporada de exposições em Porto Velho, do Projeto do Sesc “Amazônia Legal” com a exposição A Vida em Ácido e Metal. A abertura está marcada para as 13h no Sesc Centro.

Angella apresenta gravuras originais, registrando a natureza com lente de aumento, preservada em formas e cores, resultado de uma pesquisa muito pessoal, como artista plástica. Seu foco são frutos, sementes, flores, paisagens, insetos, entre outros temas .Algumas obras já foram mostradas no Brasil, outras em Bienais Internacionais. Há, entre elas, gravuras premiadas e ainda outras inéditas. Angella retrata o tema com uma visão contemporânea e sua intenção é expressar seu amor pela natureza.

O crítico de arte Ronaldo Nascimento, de Rosário (Argentina) assim caracteriza a obra da artista que reside em Porto Velho:

Nesses tempos de alertas que evidenciam o esforço do artista de gravar seu grito pelo que o aflige, Angella traz consigo o ciclo vital: terra que brota de metal corroído por ácidos, gerando caules que transportam seivas, folhas que respiram livres, flores que encantam os olhos através de formas e cores, o tato (do áspero ao macio), o olfato em aromas que traçam invisíveis caminhos, o paladar nessa estranha alquimia ora tempero, ora licores afrodisíacos, geléias, sabores como sussurros que as almas derramam em nós, nos conscientizando da urgência de preservar a vida. Logo, seus frutos, não estéreis, pois trazem sementes que renovam e perpetuam com a força criativa dos deuses, dos artistas, dos poetas que se arriscam nesse vôo mais além. Essa é a essência da arte. E Angella é o suor do homem, do bicho do arado, o lado mais humano do misterioso processo da transcendência.


terça-feira, 10 de abril de 2012

Música Porto Alegre: Lê Almeida, Badhoneys e Loomer


Por Renata Brant

O power trio gaúcho Badhoneys lança clipe de Motherf****, uma das canções do disco “Harder”. O vídeo, que tem direção de Diego Maraschin, sai na internet com exclusividade no site Move That JukeBox, considerado um dos melhores blogs sobre música da atualidade, pertencente ao Portal MTV. O show de lançamento acontece no dia 12 de abril, no Beco 203, em Porto Alegre. A noite também terá show do carioca Lê Almeida, pisando pela primeira vez em terras gaúchas, e de outra banda conterrânea, a Loomer.

As externas (ao vivo) de Motherf**** foram gravadas em um dos bares mais legais de Eldorado do Sul (cidade próxima a Porto Alegre), como a própria vocalista Giana Cognato define

- O Mono Estúdio Bar tem aspecto de uma casa que foi transformada em bar, e ainda tem as divisórias dos cômodos. E o palco é perfeito para um trio. A cena mais divertida foi a que gravamos com alguns de nossos amigos. Eu estava no palco, pulando junto com a banda, e aproveitei a vibe para dar um mosh. Foi mega divertido.

Algumas imagens em tons azuis e vermelhos são usadas alternadamente nas partes mais calmas e nas mais agressivas da música. O clipe ainda tem projeções da animação tcheco-francesa, La Planète Sauvage, de 1973. Para Giana, o filme tem uma linha de desenho deslumbrante.

- É uma ficção científica que mostra os humanos como animais de estimação, no qual aliens azuis são os donos e não demonstram nenhum tipo de emoção. Aliás, é um filme que recomendo muito.

A produção de Motherf**** foi feita a dez mãos. "O roteiro na verdade ficou bem livre. Rodamos cenas individuais e com a banda. Tudo pra encaixar com a vibe da música”, conta o baixista Rodrigo Souto

Além do diretor e da própria banda, a ajuda dos amigos e dos proprietários do Mono Estúdio Bar foi fundamental para que todo trabalho acontecesse. “Muito obrigada pela força que a casa tem dado pra gente e para várias bandas da região”, agradece Giana.

Motherf**** traduz a essência de “Harder” e por isso foi escolhida para ser o primeiro clipe do CD. O baterista Stefano Fell esclarece:

- Escolhemos Motherf**** pois alterna momentos bem agressivos com outros mais calmos, o que nos deu muitas ideias para o clipe. Uma delas foi gravar em uma velocidade mais alta que a normal, para depois baixar essa velocidade realçando discretamente esse contraste.

Para noite do dia 12 de abril, o trio promete ao público uma exibição exclusiva com direito a telão. “Não vemos a hora de mostrar o resultado final. Estou com uma mega expectativa, com aquele friozinho na barriga. E finalmente conhecer o Lê Almeida, vai ser muito massa”, antecipa Giana.

Lê, que também é diretor da Transfusão Noise Records, irá aproveitar a oportunidade para gravar algumas pérolas, como nos conta:

- Sempre quis tocar no Sul, ainda mais rodeado de um monte de pessoas e bandas geniais, como a Badhoneys e a Loomer. Vai ser lindimais. Vou levar meu gravadorzinho analógico, de fita cassete, para fazer umas gravinas por lá. Já até combinei com o Stefano umas viagens multicanais de k7, usando mais de um gravador.

SERVIÇO:

Show Badhoneys – Lançamento do clipe Motherf****

+ show Lê Almeida (RJ) – pela primeira vez no RS

+ show Loomer

Data: Quinta feira, 12 de abril de 2012

Horário: 22 horas

Local: Beco 203 – Rua Independência, número 936, Porto Alegre

Ingresso: R$ 15 com nome na lista e R$ 20 na hora


Música Belém: Moyseis Marques

Tocantins lança roteiro de turismo cinematográfico

Nesta terça-feira (10), foi apresentado em Palmas (TO) o primeiro roteiro de turismo cinematográfico do Brasil. Intitulado ‘Nas trilhas do cinema’, ele foi produzido pela agência de turismo ‘Rota da Iguana’ e tem a proposta de explorar o desdobramento cinematográfico no turismo do país. Ele divulga cenários de grandes produções, como do reality show ‘Survivor Tocantins’, programa americano de grande audiência nos mais de 100 países onde foi exibido, além de filmes como ‘Deus é Brasileiro’ e, mais recentemente, as filmagens de ‘Xingu’, da O2 Filmes, que também será lançado no mesmo evento de apresentação do projeto.

De acordo com o diretor do Departamento de Estruturação, Articulação e Ordenamento Turístico do Ministério do Turismo, Ricardo Moesch, o segmento audiovisual tem se incorporado às novas tendências mundiais do turismo, como estratégia de atração de visitantes, colaborando também para o aumento da competitividade e a inovação de produtos turísticos. “A relação entre turismo e cinema é um mercado a ser trabalhado pelo país, uma vez que as produções cinematográficas são importantes ferramentas de marketing turístico”, afirma.

O segmento já é adotado em vários lugares do mundo. Ele oferece atrativos como visitas aos sets de filmagem e aos cenários montados pelas produções audiovisuais. Países como Estados Unidos e China recebem milhares de turistas o ano inteiro, atraídos por locações de grandes produções.

No Brasil, o mercado também tem recebido atenção especial do Ministério do Turismo e da Embratur. Em parceria com entidades representativas do segmento, eles desenvolveram estudos aprofundados que servem como fonte de informação e consulta para apoiar o ordenamento e a formulação de políticas públicas.

Documentos como a cartilha ‘Turismo Cinematográfico Brasileiro’, o ‘Estudo de Sinergia e Desenvolvimento entre as Indústrias do Turismo e Audiovisual Brasileiras’, além dos benchmarkings ‘Turismo Cinematográfico - Nova Zelândia: um estudo de caso’ e ‘Exportando locações - África do Sul: um estudo de caso’ serviram como referência.

Assim, foi possível adaptar essas experiências à realidade brasileira e incorporar o turismo cinematográfico às estratégias de segmentação dos destinos que compõe as mais diversas regiões do país.

Ricardo Moesch ainda ressalta que o turismo cinematográfico pode movimentar significativamente o turismo das localidades em que as produções audiovisuais são filmadas, ao envolver diversos segmentos econômicos, dentre eles serviços como hospedagem, alimentação e logística que toda equipe de filmagem necessita.

sábado, 7 de abril de 2012

Recomendamos: Exposição Guerra e Paz - Portinari (SP)


Você tem ainda duas semanas para ir ver (ou rever, conforme o caso) a exposição Guerra e Paz, em cartaz no Memorial da América Latina (São Paulo). O evento, inaugurado em 6 de fevereiro, o dia do cinquentenário da morte de Cândido Portinari, se constitui numa rara (raríssima!) oportunidade para o público brasileiro apreciar os painéis Guerra e Paz, que o artista pintou entre 1952 e 1956 e que desde 1957 se encontravam no edifício-sede da ONU, em Nova York. Ou seja, tratam-se das obras-primas do maior artista plástico brasileiro, numa visitação com acesso gratuito. Literalmente imperdível.

O acesso é facílimo, se você for de metrô desça na Estação Barra Funda, basta atravessar a rua pela passarela em rampa e você já desce dentro da área do Memorial. Se for de ônibus, o ponto final também é junto da estação do metrô. O horário de visitação é das 9 às 18h, de terça a domingo, até 21 de abril.


Painel Guerra, antes da restauração

Em 2010, a ONU anunciou uma reforma em seu prédio. O diretor-geral do Projeto Portinari, João Candido Portinari, filho do artista, percebeu a oportunidade única de realizar um antigo sonho: trazer os painéis ao Brasil para sua completa restauração. A autorização foi concedida e os imensos quadros (cada um tem 14x10 m) foram restaurados à vista do público em atelier aberto entre os meses de fevereiro e maio de 2011 no Palácio Gustavo Capanema (Rio de Janeiro) - um prédio que já era ligado à história de Portinari. Ali funcionava na década de 1930 o então Ministério da Educação e Saúde, que recebeu do artista azulejos na parte externa e pinturas sobre os ciclos econômicos do Brasil (borracha, ouro, café...) na parte interna.

O local no Memorial onde se encontram atualmente os painéis também já tem relação antiga com Portinari. Guerra e Paz estão no chamado Salão Tiradentes, que abriga os painéis Tiradentes, adquiridos em 1970 pelo Governo de São Paulo do colégio em Cataguases que os encomendara em 1949. Para não interferir na apreciação dos painéis da ONU, as pranchas que formam o Tiradentes estão cobertas enquanto durar a atual exposição. (Já fica a dica: mais adiante, retorne ao Memorial para ver o painel e os diversos estudos que estão ali em exposição permanente. Na mesma sala, e agora também cobertos, existem azulejos do artista argentino radicado na Bahia Carybé. Vale a visita.)

Outro espaço, a Galeria Marta Traba, tem expostos cerca de 100 estudos preparatórios dos painéis (a maioria do Guerra), inclusive as únicas maquetes coloridas em que se podem ver as obras inteiras (veja abaixo uma das maquetes do Guerra). A galeria também tem inúmeros recortes de jornais da época (onde descobri, por exemplo, que os primeiros nomes em que Portinari pensou para as obras foram Destruição e Confraternização), falando inclusive do problema de saúde que acometeu o artista na época deste trabalho: o envenenamento que ele sofria por causa de alguns componentes das tintas (e que acabou por vitimá-lo, em fevereiro de 1962, aos 58 anos). Inicialmente, achou-se que o problema era uma reação alérgica, porém como ele seguia apresentando sangramentos os médicos acabaram por localizar o real problema. Foi então que um médico disse a Portinari: "Você não pode mais pintar" e ele respondeu (ou pensou em voz alta?): Estou proibido de viver!

Maquete do Guerra

Felizmente para nós, Portinari optou por seguir vivendo-e-pintando, nos legando estas duas obras-primas. Pode-se dizer que, em Guerra e Paz, o artista fez uma síntese de sua obra. Podemos ver, em Guerra, por exemplo, as mães súplices com filhos mortos presentes na série Retirantes; já em Paz, são perceptíveis os meninos de Brodósqui, cidade paulista onde o pintor nasceu em dezembro de 1903. Os estudos expostos mostram que Portinari chegou à síntese como um processo de trabalho, e não como uma determinação a priori - se Guerra pouco se alterou ao longo dos quatro anos de preparação, Paz teve várias versões até que Portinari se decidiu a colocar na tela a infância do menino Candinho.

Outra dica: se puder, vá visitar a exposição durante a semana. De terça a sexta, o visitante pode permanecer o tempo que quiser no Salão Tiradentes. A cada 30 minutos, é exibido um vídeo sobre os painéis. Já aos sábados e domingos, o acesso é limitado a 20 minutos, o tempo entre uma exibição do vídeo e outra.

Há outros três vídeos na galeria Marta Traba, exibidos em sequência ininterruptamente, num total de 20 minutos, mostrando a história dos painéis e de sua restauração. Já na Biblioteca Latino-Americana, são projetadas todas (eu disse todas) as obras do artista - cerca de 5 mil! Para ver tudo, são necessárias nove horas (as monitoras da exposição me falaram que já houve quem assistisse a projeção inteira!). Para quem não tiver tanta disposição, as obras constam do Catálogo Raisonné à venda também na Biblioteca, em livro (5 volumes) ou em CD-Rom.

Painel Paz, restaurado

Volto a dizer: a mostra é imperdível. Depois de São Paulo, só estão confirmadas outras duas exposições, em Tóquio e Oslo, e de lá os painéis retornam à ONU, onde a possibilidade de pessoas como nós entrarmos para vê-los é nula.

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