quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Literatura: Novo romance de Carlos Correia é um dos vencedores do Prêmio IAP 2011

O livro “Senhora de Todos os Passos”, do escritor Carlos Correia Santos foi um dos vencedores do Prêmio IAP de Edições Literárias 2011, na categoria romance (Prêmio Haroldo Maranhão). A obra será editada e lançada pelo próprio Instituto de Artes do Pará. Esta é a terceira vez que o autor ganha o Prêmio IAP. Em 2003, ele venceu a categoria dramaturgia com o texto da peça “Nu Nery”. Em 2008, outra peça sua foi laureada: o texto “Batista”. “Senhora de Todos os Passos” é o segundo romance escrito por Correia. O primeiro, “Velas na Tapera”, venceu o Prêmio Dalcídio Jurandir, promovido pela Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, em 2008, e foi lançado em Lisboa em junho.

Este ano, o edital do IAP contemplou duas obras em cada categoria. O outro vencedor do segmento romance foi João Bosco Maia, com o livro “666 – O Tragicômico Percurso”. Na categoria poesia (Prêmio Max Martins), venceram Harley Dolzane (“I-Nome-Nada”) e Elaine Machado (“Crisálida”). Em conto (Prêmio Maria Lúcia Medeiros), foram premiados Daniel da Rocha Leite (“Ave Eva”) e João Pereira Loureiro (“A Festa dos Mortos”). Na categoria ensaio (Prêmio Vicente Salles), os vencedores foram Aldrin Moura de Figueiredo (“Os Vândalos do Apocalipse”) e “Relivaldo Pinho de Oliveira” (“Amazônia, Cidade e Cinema em Um Dia Qualquer e Ver-o-Peso”).

ENREDO

O romance “Senhora de Todos os Passos” conta a saga da ousada e espirituosa Maria Xavier, personagem inspirada na avó de Carlos Correia Santos, uma nordestina que, segundo o escritor, fez o anti-êxodo. “Numa época em que a maioria do povo do Nordeste partia rumo ao sudeste, ele veio para o Norte. Foi uma mulher fantástica, que teve uma vida cheia de lances espetaculares. Testemunhou o voo do Zepelim, viveu a comoção do assassinato de João Pessoa, esteve perto do universo do cangaço. Foi muito rica e extremamente pobre. Cresci ouvindo as narrativas fabulosas que ela contava. E, justamente por isso, tornei-me escritor. Prometi que, um dia, transformaria os incríveis passos dela em um romance e, para minha grande honra, agora cumpro a promessa”, afirma o autor, emocionado.

A narrativa faz um imenso passeio por episódios importantes da História nordestina e nortista. Das ladeiras de Olinda ao barro da Transamazônica, seres fictícios e várias personalidades reais cruzam o infindável caminho de Maria Xavier. Correia transforma em personagens do livro figuras como Catulo da Paixão Cearense, Irmã Dulce, Corisco, Dadá, Dulcina de Moraes e até Dorothy Stang. “O enredo vai misturando realidade e fantasia. Exatamente como fazia minha avó. É bem aquilo de contar um conto aumentando os pontos”, diverte-se Carlos. Mas ele completa: “Há, porém, muitas vivências de fato experimentadas por minha família. Uma família de negros que tiveram que lutar muito e muito para que a sorte se transformasse e as coisas pudessem melhorar. É uma obra que respira e transpira muitas dores e alegrias reais”.

ANO BOM

O ano de 2011 tem sido produtivo para Correia. Além do recente prêmio do IAP, de ter lançado “Velas na Tapera” em Lisboa, na FNAC Chiado (o escritor é representado na Europa pelos produtores Fercy Nery e Rita Pestana) e de ter duas peças suas apresentadas com bastante êxito em São Paulo (“Perfídia Quase Perfeita” e “A Fábulas das Águas”, montadas pela Cia. Fé Cênica), Correia conquistou o segundo lugar geral da quarta edição do concorrido Seleção Brasil em Cena, edital de fomento à nova dramaturgia brasileira, promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro (CCBB). Carlos foi o único autor da região Norte escolhido para o projeto. O certame selecionou também um escritor do Nordeste. Os demais foram das regiões sul e sudeste. A obra com que Carlos Correia foi destacado é o monólogo “Um é Multidão”. Essa foi a segunda vez que o paraense participou da iniciativa. Em 2007, o escritor também foi selecionado para o concurso justamente com sua comédia “Perfídia Quase Perfeita”.

Criado para propiciar o contato do público com novas dramaturgias e estimular o intercâmbio entre autores, atores e diretores contemporâneos, o Seleção Brasil em Cena permite com que os 12 textos selecionados em cada edição ganhem leituras dramáticas dirigidas por grandes nomes da atual cena teatral brasileira. O texto de Correia foi dirigido por Gilberto Gawronski, ator e diretor vencedor de importantes prêmios, como o Mambembe e o Sharp. Em 2007, a obra do nortista foi dirigida por Stella Miranda, que viveu a síndica do humorístico Toma Lá Dá Cá, exibido na Rede Globo.

Apresentadas no próprio CCBB Rio, as leituras dramáticas foram realizadas por alunos formandos em escolas de teatro da capital carioca. Ao final de cada leitura, o público atribuiu notas. Os espectadores deram a Correia o segundo lugar geral na competição.

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