segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Chico Buarque rompe silêncio na edição de aniversário da Rolling Stone Brasil

Em entrevista exclusiva à publicação, o músico fala
sobre seu novo cd, composições e impressões políticas

São Paulo, 6 de outubro de 2011 – Após o lançamento do seu novo CD, Chico, o primeiro de estúdio desde 2006, e imerso no processo de concepção da turnê, que deve começar em Belo Horizonte e passará pelas principais capitais, Chico Buarque é capa da edição de outubro da Rolling Stone Brasil, que comemora cinco anos de circulação com entrevista inédita com um dos maiores nomes da música brasileira. A conversa, recheada de música, política e família, revela o lado centrado do artista.

Chico por Daryan Dornelles

Já acostumado com o que é ser famoso nestes tempos, Chico diz que não se importa muito com isso, mas que, depois dos paparazzi, deixou, sim, de fazer algumas coisas, como ir à praia dar um mergulho. “Acho chato, essa fiscalização moralista da vida dos outros. Vou deixar de ir à praia, mas outras coisas eu não vou deixar. O meu vinho vou tomar, meu cigarro vou fumar”. E explica: “é difícil ser o Chico quando as pessoas pensam que você é o Chico. Você não anda pela rua e pensa: ‘ah, eu sou o Chico Buarque’. Isso não passa pela cabeça do artista.”

Sobre voltar a fazer música, ele confessa que “sair da inércia é complicado”, tanto para a música quanto para a literatura. E que fazer músicas é um processo de esforço consciente, que exige dedicação e que é preciso estar o tempo todo a serviço dessa música. O passar do tempo foi o que o ensinou a administrar a pressão que sofre quando vai lançar um CD ou livro novo e, justamente por isso, não tem contrato com nenhuma gravadora. “Não tenho contrato com gravadora alguma. “Não tenho obrigação nenhuma e já é suficiente a pressão que a gente exerce sobre si próprio.”

A turnê já está sendo pensada pelos seus produtores, mas existem alguns empecilhos, como patrocínio: Chico não se beneficia da Lei Rouanet. “O pessoal que mexe com isso está procurando uma maneira de viabilizar economicamente esse show. Isso passa por patrocínio e, evidentemente, um patrocínio de um show meu não pode contar com isenção fiscal, com Lei Rouanet, com nada disso. Senão, seria mais fácil [risos]. Mas mesmo no meu último show não tinha isso”.

A situação se complicou um pouco mais desde que a irmã de Chico, Ana de Holanda, assumiu o Ministério da Cultura – por isso, o cantor se sente impedido de opinar. “Até fico fora do assunto de direito autoral para não parecer que eu tenho alguma coisa a ver com isso. Para mim é um incômodo ter uma irmã no Ministério da Cultura”.

Ao contrário do passado, agora Chico tem um papel diferente na política. “Não me interessa repetir o que está nos jornais, nem dar entrevista falando mal do governo. Eu gostava de falar mal do governo quando os jornais não o faziam”, explica. O envolvimento dele agora é apenas no apoio. “Durante uma campanha eleitoral, o artista é praticamente compelido a se manifestar. Porque senão vão dizer: ‘Cadê os artistas que estavam falando e agora não falam mais nada, estão em cima do muro?’. Eu sei perfeitamente o que faço quando tomo partido durante uma campanha.”


Nenhum comentário:

Postar um comentário