segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Papo Cabeça: Qual o Papel do Estado na Cultura?

Cabe ao Estado (no sentido de ente público) apenas apoiar ou também promover ações culturais? Este foi um dos temas que surgiram durante o debate de abertura do Festival Quebramar, em Macapá, no dia 10 de dezembro de 2012. Um dos debatedores observou que, no Amapá, o governo estadual vem prioritariamente apoiando iniciativas já existentes, sem criar novos eventos. A partir daí, a mesa colocou o tema em discussão: que papel cabe ao Estado apoiar ou promover ações culturais?

Debate de abertura do Festival Quebramar

A princípio, parece mais salutar que o Estado apenas apoie iniciativas culturais que partam da sociedade. Isto acontece, por exemplo, com o próprio Quebramar, organizado pelo Coletivo Palafita desde 2008, bem como outros festivais, seja no Amapá, seja em Roraima ou em várias outras unidades da Federação – bandas e produtores, organizados ou não em coletivos, criam festivais que com o tempo recebem o apoio público. Mas há casos em que a iniciativa estatal é indispensável. Em setembro deste ano, por exemplo, foi realizada em Macapá a primeira Feira de Livros do Estado do Amapá (FLAP). Apenas algumas feiras de livro no Brasil são realizadas pela iniciativa privada, justamente em locais onde há um mercado livreiro-editorial consolidado – casos de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre (cuja feira chegou em novembro último à sua 58ª edição). Na maioria dos Estados ou municípios, porém, ou o Estado toma a iniciativa, ou um evento desta natureza não irá ocorrer.

58ª Feira do Livro de Porto Alegre

Bom, você pode estar se perguntando: se o Estado pode apoiar iniciativas culturais da sociedade, o que é bom, e produzir eventos que de outra maneira jamais aconteceriam, o que é melhor ainda, qual o motivo de discutirmos isto? O fato é que, associado ao apoio, há o perigo de ocorrer o que o poeta Herbert Emanoel, do grupo poético Tatamirô, chamou no debate citado na abertura deste texto de “tutela”, ou seja, uma tentativa do Estado de interferir nas ações culturais por ele financiadas (o que em outros tempos já foi chamado de “dirigismo estatal”). A interferência viria no sentido de fazer com que determinados temas fossem abordados, ou evitados. No Brasil um dos casos mais emblemáticos em relação a isto é a oficialização dos desfiles de Carnaval do Rio de Janeiro na década de 1930. Ao se propor a financiar o desfile das escolas de samba cariocas, o governo determinou que os sambas-enredo abordassem apenas temas relacionados à História do Brasil, na tentativa de evitar que fossem levadas à avenida críticas aos governantes de plantão.

1ª Feira de Livros do Amapá

Embora a tutela seja um risco potencial, ela nem sempre se configura. Ela não aconteceu, por exemplo, na já citada primeira edição da FLAP, conforme relatou no debate do dia 10 a poeta Carla Nobre, organizadora do evento. Não só o governo não buscou interferir na forma de utilização da verba destinada ao evento, como o próprio governador se fez presente em todos os dias nos estandes da feira, expressando assim tacitamente um respaldo ao que estava sendo feito.

Enfim, até aqui estamos concluindo que o apoio do Estado é benéfico, principalmente se não impuser tutela (risco que, embora sempre possível, não parece ter muita força atualmente). Mas de que maneira o Estado poderia, ou deveria, dar este apoio?

Hoje podemos dizer que há basicamente dois modos de apoio estatal à cultura: o financiamento direto e o incentivo. No modelo de incentivo, o Estado a rigor apenas chancela o projeto – um parecer oficial é emitido declarando o projeto idôneo e apto a receber recursos, que o realizador deverá buscar junto à iniciativa privada (sujeito, portanto, à avaliação do departamento de marketing das empresas, que receberão isenção parcial de impostos em troca do apoio).

Já no modelo de financiamento direto, também chamado de “mecenato”, o Estado abre um edital para seleção de projetos; os aprovados receberão o recurso diretamente do orçamento do órgão proponente. Algumas vezes, o financiamento não atinge o total dos gastos do projeto – é assim que funciona o Fumproarte, da Prefeitura de Porto Alegre, que financia no máximo 80% do orçamento do projeto. Mas convenhamos que é mais fácil o proponente conseguir 20% dos recursos necessários junto à iniciativa privada do que 100%.

Mas enfim, qual seria o melhor modelo? Teoricamente, o mecenato, sem dúvida, afinal a aprovação no edital já traz embutida a garantia da verba necessária para o projeto. Mas há um sério porém neste quesito: não há uma periodicidade estabelecida para o lançamento dos editais, e quando eles são abertos geralmente o prazo para inscrição é geralmente curto. Já o incentivo a nível federal, a chamada Lei Rouanet, mantém as inscrições abertas ao longo do ano inteiro; todos os projetos inscritos num determinado período são avaliados em intervalos regulares, e havendo a aprovação (ou seja, a chancela estatal), há um prazo relativamente longo para os proponentes buscar captar os recursos.

*Publicado originalmente no blog RoraimaRocknRoll em 20.12.12

O Canto da Sereia

Após o lançamento do livro Noites Tropicais (2000), o escritor e produtor Nelson Motta (foto ao lado) recebeu inúmeros convites para palestras. Para ele foi um prazer redescobrir o Brasil depois de 10 anos nos Estados Unidos. Não tinha definido ainda seu próximo projeto, quando recebeu um pedido de sua mãe, dona Xixa:

- Meu filho, escreve ficção. 

Pedido anotado, Nelson foi passar o carnaval na Bahia e se fascinou. Ao voltar ao Rio de Janeiro, falou desse fascínio durante um almoço com Patrícia Melo, que adaptava Noites Tropicais para a televisão. Patrícia lhe deu o mote:

- Escreve sobre isso. Assassinato, um detetive baiano...

Nelson foi para casa e escreveu O Canto da Sereia – Um Noir Baiano (Ed. Objetiva). Como é normal acontecer, depois que as coisas estão no papel o escritor adota um olhar “externo” e começa a questionar sua produção: Sereia era nome de cantora? Por que não, se tem Madonna? Depois, deu-se conta que Sereia era um achado: essa figura mitológica de origem grega (metade mulher, metade peixe) na Bahia é associada com Iemanjá.

O próprio autor define, em rápidas pinceladas, o tema central da obra:


- Um marqueteiro e um produtor musical pegam uma garota desconhecida e em dois anos constróem uma superstar.

Ou seja, mesmo escrevendo ficção pela primeira vez, Nelson estava percorrendo um universo muito familiar:

- O livro expõe as entranhas do mundo do disco, do jabá. Poucas vezes se expôs tanto o show business. O jabá é um horror, um crime, um abuso sobre o consumidor, sob o ponto de vista moral, social e cultural. O presidente de uma gravadora me contou que seu diretor de marketing pagava jabá para as rádios e recebia comissão das rádios! Ganhava dos dois lados!

Isis Valverde como Sereia
na minissérie da TV Globo (2013)

Falar de música na Bahia hoje remete, inevitavelmente, ao tema da axé music, que virou moda, e, segundo o experiente produtor, “toda moda vira chatice. Daniela Mercury e Carlinhos Brown ficam envolvidos por muita porcaria. A moda é criada para sair de moda. Algo faz sucesso, todos imitam e tudo fica muito nivelado.”

Mesmo assim, considera que o carnaval baiano é melhor que o carioca:

- O carnaval do Rio é fascista, espreme o desfile para a TV. Na Bahia é democrático, todos cantam, se alegram. A variedade musical da Bahia bate a do Rio.

O escritor Luís Augusto Fischer, em debate reunindo Nelson e o jornalista Ruy Carlos Ostermann, realizado em Porto Alegre em 16 de novembro de 2002 (do qual extraímos as declarações incluídas neste artigo), disse enxergar reflexos do tema da peça Roda Viva, de Chico Buarque, n’O Canto da Sereia. Nelson discorda:

- As carreiras na música popular na década de 60 e nos anos 2000 são muito diferentes. No meu livro, um publicitário, Tuta Tavares, cansa de vender produtos dos outros e cria Sereia como um produto seu.

O agente literário de Nelson quer que O Canto da Sereia vire filme, mas já sabe que não tem o apoio do autor: “Eu não ambiciono. Evitei a tentação do cinema.”

Sua idéia, desde o início, era fazer uma literatura pop, sem pretensões literárias, para entreter as pessoas mesmo.

- Fiz duas páginas falando, como se fosse para um estrangeiro, como é o carnaval, o trio elétrico. Mais que isso enchia o saco, o leitor foge. Não quis vender macumba de turista. Não gosto de livro que em cinco, dez, quinze páginas não acontece nada. Um saco. Gosto de livros que são considerados “de segunda” (categoria), com tramas elaboradas. Recomendo John Grisham. A literatura de entretenimento é dificílima, bem como a música popular de sucesso. Quero sempre levar o leitor até o próximo parágrafo.

E o cenário ser a Bahia era fundamental neste processo:

- Tambores, terreiros e candomblé convivem na Bahia com celular e internet. Todos estão em rede: na rede de deitar ou na internet... O ancestral se integra com a tecnologia. O trio elétrico é alta tecnologia de entretenimento. Dentro do trio tem camarim, chuveiro, gerador. É um hardware. Na Bahia tudo se mistura. O terreiro de candomblé é um centro social, exige sacrifício. Mãe Marina (personagem do livro) era universitária, falava inglês, curtia som pop. O candomblé pode ser responsável pela liberdade sexual e harmonia social na Bahia, aumenta a tesão e diminui a tensão.

Entre as coisas o fascinam na Bahia, destaca o que define como dengo viril:

Antônio Carlos Magalhães e Dorival Caymmi têm o dengo viril. O cara revira os olhinhos, mas é supermacho – só tem na Bahia!

Eles, bem como outros baianos famosos, são incluídos na trama, numa liberdade criativa assim justificada pelo autor:

- Usei pessoas reais com parcimônia, mas elas não têm fala. Como fazer algo sobre o carnaval da Bahia sem Gilberto Gil, Daniela, Caetano?

A ligação de Nelson com a Bahia vem de longa data:

- Jorge Amado foi meu encontro com a literatura, aos 12 anos, logo após Monteiro Lobato. Gabriela, Cravo e Canela me marcou para sempre. Em 1966, ganhei o Festival Internacional da Canção com “Saveiros” (parceria com Dori Caymmi), inspirado em Jorge Amado e Dorival Caymmi. Apesar da minha expectativa com a Bahia, não me decepcionei. Tenho grandes amigos baianos: João Gilberto, Caetano Veloso, Jorge Amado, Dorival Caymmi, Mãe Menininha do Gantois, Daniela Mercury... A Bahia é meu carma, minha sina.

Cumprindo sua sina, Nelson já começara na época deste debate a produzir Daniela, “acho que vai ser um salto na carreira dela”. O primeiro fruto dessa parceria foi o CD Eletrodoméstico (BMG), lançado no programa MTV Ao Vivo em março de 2003.


** Making off do texto: Publicado no site Brasileirinho em 2003, a partir das anotações que eu fizera no dia do debate sobre o livro no ano anterior. O livro foi adaptado pela TV Globo para uma série estrelada por Isis Valverde, a ser exibida de 8 a 12 de janeiro de 2013.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Noel Rosa, 102 anos

O compositor Noel Rosa nasceu no Rio de Janeiro no dia 11 de dezembro de 1910, mas seu nome não deixa dúvidas: a família esperava que ele nascesse no dia 25. Em função disso, resolveu batizá-lo como Noël, ou seja, Natal em francês. Na época, embora naturalmente não houvesse como saber o sexo do bebê antes do nascimento, Marta e Manoel de Medeiros Rosa estavam certos de que teriam um menino. Influiu na escolha o amor que o pai dedicava à cultura francesa.



Camiseta da grife Vestindo Arte, de Belém (PA)


A antecipação do parto é em geral atribuída pelos biógrafos de Noel à Revolta da Chibata, movimento dos soldados da Marinha, liderado por João Cândido, que pedia o fim dos castigos corporais naquela Arma. A revolta começara em novembro, durara quatro dias e aparentemente se encerrara com a promessa do governo de acabar com o castigo, anistiando os revoltosos. Mas, como vários marinheiros foram expulsos da corporação ou presos, a luta recomeçou na noite de 9 de dezembro, com a tomada do Batalhão Naval pelos revoltosos. Forças rebeldes e do governo bombardearam-se, chegando a atingir a população civil com balas perdidas (a coisa vem de longe). O pânico tomou conta da capital federal. Foi em meio a esse clima que Marta deu à luz seu filho, preferindo manter o nome escolhido: Noel.

Noel Rosa e o Natal

Dois estudiosos da vida de Noel, os autores de Noel Rosa, uma Biografia, João Máximo e Carlos Didier, consideram o desinteresse do compositor pela comemoração do Natal uma ironia com seu próprio nome. Mas era a realidade: todo ano sua mãe, Marta, armava árvore e presépio no chalé da família em Vila Isabel e Noel nem aí. Dizia, para justificar-se:

- Para que esperar um ano para se dar presente a quem se gosta?

Após o sucesso de "Boas Festas", de Assis Valente, em 1933, vários compositores elegeram o Natal como tema de canções, o que não chegou a atrair o interesse de Noel Rosa, que nunca compôs sobre o assunto. 

Foi pela época do Natal de 1935 que Noel soube que seria papai. Sua esposa, Lindaura, esperava um filho. Poucos meses depois, porém, ela perdeu a criança, ao cair da goiabeira do quintal do chalé.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Música Curitiba: Estrela Leminski e Teo Ruiz



Festival Quebramar tem Workshop de Jornalismo Cultural na programação


O Festival Quebramar programou para o próximo dia 13 de dezembro, uma quinta-feira, o Workshop de Jornalismo Cultural 2.0, uma iniciativa do editor deste blog, o jornalista Fabio Gomes. Será a segunda edição do evento em Macapá (a anterior - foto - foi em julho de 2010). O fesuma realização do Coletivo Palafita, integrante do Circuito Fora do Eixo.
O Workshop irá acontecer na tarde do dia 13, das 14 às 18h, no Auditório do MIS (segundo andar do Teatro das Bacabeiras). As inscrições podem ser feitas gratuitamente pelo link  http://migre.me/cf1Hr

Conheça no texto abaixo todas as atividades de formação programadas pelo Festival.

***

Inscrições abertas para as atividades de formação do Festival Quebramar 2012PDFImprimirE-mail
Escrito por Karinny Magalhães   
Qua, 05 de Dezembro de 2012 15:23

Oficinas, observatórios, workshop, debates e muito mais

O Festival Quebramar 2012 conta com uma extensa programação de formação, a ser realizada durante os sete dias de evento, por meio da Universidade Livre Fora do Eixo, sendo o Festival Quebramar seu campus temporário. A programação tem como meta facilitar a conexão entre todos os envolvidos, estimulando o diálogo e a reflexão sobre as novas narrativas em torno de temas como cultura colaborativa, políticas públicas, cidades coletivas, novas economias, entre outros.
As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas por meio de formulário online. disponível no site do festival (http://www.festivalquebramar.com). Este ano, o Festival Quebramar acontece de 10 a 16 de dezembro no Anfiteatro da Fortaleza de São José, Centro de Difusão Cultural Azevedo Picanço, Museu Sacaca, Museu da Imagem e do Som (MIS-AP), Casa Fora do Eixo Amapá, Universidade Estadual do Amapá (Ueap), Centro Cultural Franco Amapaense e Biblioteca Estadual Elcy Lacerda. Toda a programação é gratuita.

V Edição Festival Quebramar

Realizado pela primeira vez em 2008, o Festival Quebramar vem acompanhando os novos rumos da música brasileira e o destaque de artistas da Região Norte em grandes meios de comunicação culturais no país e de produtores fora dele.

O aquecimento desse cenário é resultado da consolidação de um circuito de grandes festivais na região e, em sua quinta edição mantém o compromisso de trazer ao Amapá as principais discussões sobre a cadeia produtiva cultural do Brasil e do mundo.

O Festival Quebramar 2012 é apresentado pelo Governo do Estado do Amapá, com realização da Casa Fora do Eixo Amapá, Casa Fora do Eixo Amazônia, Universidade Livre Fora do Eixo e Circuito Fora do Eixo. Integrado ao Circuito Amazônico de Festivais Independentes e Rede Brasil de Festivais Independentes, com o apoio da Biblioteca Elcy Lacerda, Centro de Cultura Franco Amapaense, Museu Sacaca, Universidade Estadual do Amapá, Você Telecom, Fundação Nacional de Artes (Funarte), Ministério da Cultura e Governo Federal.

Abaixo Programação de Formação Completa:

Segunda-feira (10/12)

8h às 18h
Casa Fora do Eixo Amapá
Imersão Nós Ambiente

8h às 12h
Centro Cultural Franco Amapaense
Oficina de Teatro “Breves Cenas”, com Hudson Andrade (PA)  - http://bit.ly/RscfEc

Terça-feira (11/12)

8h às 12h
Centro Cultural Franco Amapaense
Oficina de Teatro “Breves Cenas”, com Hudson Andrade (PA) - http://bit.ly/RscfEc

8h às 12h/ 14h às 17h30
Museu da Imagem e do Som (MIS-AP)
Ação Rede Norte de Cineclubes - http://migre.me/cdlHE

14h às 18h
Universidade Estadual do Amapá (UEAP)
"Oficina “O Gesto na narrativa Oral – Jiddu Saldanha (RJ) - http://bit.ly/TBx7Ey

16h
Biblioteca Elcy Lacerda:
Observatório: Gestão de Espaços Culturais e Organização de Feira de livros - Pedro Jr. da Fontoura (RS) e Leo Lobos (CHL) - http://bit.ly/WBjMgF

Quarta-feira (12/12)

8h às 12h
Universidade Estadual do Amapá (UEAP)
Oficina de vídeo-poema – Jiddu Saldanha (RJ) - http://bit.ly/11xRLv0

8h às 12h
Centro Cultural Franco Amapaense
Oficina de Teatro “Breves Cenas”, com Hudson Andrade (PA) - http://bit.ly/RscfEc

8h às 12h/ 14h às 17h30
Museu da Imagem e do Som (MIS-AP)
Ação Rede Norte de Cineclubes - http://migre.me/cdlHE

14h às 18h
Universidade Estadual do Amapá (UEAP)
Oficina “O Gesto na narrativa Oral” – Jiddu Saldanha (RJ) - http://bit.ly/TBx7Ey

14h
Museu Sacaca
Oficina #Ativismo2.0 – Antonio Netto (MG) - http://migre.me/ceoVG

15:30h
Museu Sacaca
Oficina Diagnóstico Rápido Participativo – André Oliveira (AM) - http://migre.me/ceoVG

Quinta-feira (13/12)

8h
Biblioteca Elcy Lacerda
Consumo Sustentável (André Oliveira) - http://migre.me/cdkmy

8h às 12h
Universidade Estadual do Amapá (UEAP)
Oficina de vídeo-poema – Jiddu Saldanha (RJ) - http://bit.ly/11xRLv0

9h30
Biblioteca Elcy Lacerda
Áreas Protegidas no Amapá: Romantismo e realidade - Marco Chagas (AP) - http://migre.me/cdkmy

10h30
Biblioteca Elcy Lacerda
Formas de Ativismo Socioambiental - André Takahashi (SP) - http://migre.me/cdkmy

14h às 18h
Universidade Estadual do Amapá (UEAP)
Oficina “O Gesto na narrativa Oral” – Jiddu Saldanha (RJ) - http://bit.ly/TBx7Ey

14h
Museu da Imagem e do Som (MIS-AP)
Workshop Jornalismo Cultural 2.0 com Fábio Gomes (Blog Som do Norte) - http://migre.me/cf1Hr

14 às 18h
Casa Fora do Eixo Amapá
Imersão Nós Ambiente

16h
Biblioteca Elcy Lacerda
Conversa infinita “Poesía Brasileña Traducción y Divulgación En Chile e Hispanoamerica” - Leo Lobos (CHL) - http://migre.me/cdkct

Sexta-feira (14/12)
14h
Museu da Imagem e do Som (MIS-AP)
Oficina de Elaboração de Projetos para Gravação de CD
Heluana Quintas (AP)

15h
Centro de Difusão Cultural Azevedo Picanço
Oficina "Criação de conteúdo interativo para videoprojeções em Live Performances" com Luan Rodrigues (AP) – http://migre.me/cdAof

18h
Centro de Difusão Cultural Azevedo Picanço
#PosTv: Fora do Eixo Letras

Sábado (15/12)

19h
Anfiteatro da Fortaleza de São José de Macapá
#PosTv: #Musica Independente Circula Bem no Brasil?

Domingo (16/12)

16h
Centro de Difusão Cultural Azevedo Picanço
#PosTv: Cinema no Brasil do Século XXI - Convidada: produtora do filme  indicado ao Oscar 2012 "O Palhaço"  Vania Catani (RJ)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Teatro Salvador: 20000 Leghe Sotto I Mari

O grupo italiano Teatro Potlach chega amanhã a Salvador para apresentar um clássico adaptado da obra do francês Júlio Verne, e fazer intercâmbio com teatreiros locais.



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Kiko Dinucci: música além de rótulos


Por Calila das Mercês,
Enviada especial a São Paulo
Fotos: Rafael Casarini 
(exceto com indicação em contrário)


Contratempos e improvisos. Depois te algumas tentativas e remarcações, combinamos de nos encontrar na estação República, centro da cidade de São Paulo, na catraca de saída do metrô. Uma quarta-feira primaveril, destas de ninguém botar defeito. Tempo ameno, e nada de extremos – nem sol escaldante, tampouco frio ou chuva (ainda bem!).


O dia era cinza, para não variar, diretamente proporcional a quantidade de gente que cruzei pelas ruas. Cidade grande é apelido para São Paulo. E é nesta imensidão de lugar que se esconde aparece Kiko Dinucci, cantor, compositor, músico, enfim, um dos relevantes e corajosos artistas da nova geração. Além de simples e divertido, o Kiko nos mostrou pontos turísticos e lugares interessantes da cidade de São Paulo. Nada de cordas para a nossa conversa, vivemos uma tarde maravilhosa, regada apenas a alguns amigos, histórias e opinião sobre o atual contexto musical.

NR: A entrevista foi realizada em outubro, antes do lançamento do CD MetaL MetaL

Mundo, pra que vim?

Músico que faz cinema
Artista-plástico que canta
Violão que desenha, desanda
Cineasta que pinta
Gravura que compõe música-canção
Chão de São Paulo
Tragicomédia, exagero
Drama em quadrinhos
Arma branca na mão
O Diabo tenta
Se a poesia luzir
Toda arte sopra
Sem olhar a ferramenta
(cinema, HQ, música, gravura, desenho, conversa fiada...)
(Kiko Dinucci – 19 de maio de 2007)



“Office boy, entregador de jornal, operário em fábrica de canudo, em fábrica de papelão, pintor de parede, desenhista copista. Já trabalhei com tudo isso aí. Hoje sou um cara que vive de música. Sobrevivo de música, nem vivo. Não posso reclamar, mas não é fácil”, diz o cantor, compositor e músico Kiko Dinucci, que agora em novembro, lança o seu mais novo trabalho em parceria com Juçara Marçal e Thiago França, intitulado “Metal Metal”, sucessor do “Metá Metá”.

Composições cinematográficas, narrativas, cheias de histórias da vida paulista e paulistana. Quem ouve Kiko Dinucci certamente é transportado, em algum momento, de onde vive para a maior cidade do Brasil. Ele nasceu em São Paulo, mas viveu os primeiros anos em Guarulhos, município que teve o boom industrial entre os anos 50 e 60, junto com o ABC (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano). É a segunda cidade, não capital, mais populosa do Brasil e também está em segundo lugar na captação de Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Mas, a vida cultural ainda é precária, segundo ele. “Guarulhos foi o lugar que cresci. Esta São Paulo romântica que você está vendo, eu conheci aos dez anos de idade. Depois eu comecei andar aqui para ir ao cinema, teatro, estudar, ir à Galeria do Rock comprar discos... Eu tenho uma relação de deslumbre com São Paulo, por causa deste menino guarulhense que vinha passear aqui”, conta o músico que aprendeu tocar violão sozinho quando adolescente. 

DE “METÁ METÁ” A “METAL METAL”




Três ao mesmo tempo, é a tradução mais próxima em língua iorubá da expressão metá-metá, nome do álbum considerado por críticos musicais e blogueiros do segmento como um dos melhores discos de 2011. O CD traz um som particular e irreverente da cultura africana acoplado ao samba. “Em breve, estarei lançando também com a Juçara Marçal e Thiago França o MetaL MetaL, como o próprio o nome já sugere, este nada tem a ver com o Metá Metá, terá um som mais pesado”, afirma Kiko, que no final de outubro postou no Soundcloud a composição "Oya", como uma pequena amostra do disco. 




Gravado em junho de 2012, MetaL MetaL traz consigo doses de punk, metal, free jazz, noize, música africana, latina, brasileira. Segundo os três componentes do álbum, “MetaL MetaL carrega uma ironia em seu nome, uma discussão sobre o que é tocar rock hoje em dia. Contrapondo-se ao gênero, que, muitas vezes se apresenta desgastado, com fórmulas limitadas que se repetem há décadas.” Embora o álbum dialogue com o rock como atitude, eles não deixam o meio urbano, a cidade e o contemporâneo de lado.


Kiko, Jussara e Thiago
Foto: Divulgação

Antes do Metá Metá, Kiko já havia gravado  "Volume I Ep" (2006), com o Bando Afromacarrônico; Padê (2007) em parceria com Juçara Marçal; Pastiche Nagô (2008),  com o Bando Afromacarrônico;  O Retrato Do Artista Quando Pede (2008), com Douglas Germano (com o qual forma o Duo Moviola); Na Boca Dos Outros (2010, com vários intérpretes); e Passo Torto (2011, com Rodrigo Campos, Rômulo Fróes e Marcelo Cabral). Sempre surpreendendo, por trafegar por vários estilos. “Eu me sinto livre em fazer o que quero. As pessoas ligadas à música poderiam ser mais corajosas. Muita coisa que componho acho fácil e acessível. Eu tenho como regra a surpresa. Eu tenho que surpreender. Quem assistir a um show meu num dia, não vai vê-lo de forma igual novamente, nunca farei a mesma apresentação”, completa.

MAIS FACES                                                                                         

“Acho que foi a primeira coisa e é o que mais conquistei: o prestígio”. Ao tentar definir fama e ídolos, Kiko, que não se acha famoso, recorda momentos da vida e fala em nomes de músicos que o emociona.

“Lembro que na infância, eu vinha aqui com meu pai, aqui na Galeria Metrópoles. Tinha um cinema, que está fechado há mais de 20 anos, assisti a um filme do Luc Besson, Subway, um filme meio hollywoodiano, dos aos 80. Meu pai me pegou no metrô e me trouxe aqui... Adoro cinema, até mais que música, e espero um dia voltar trabalhar com cinema. Minha música é cinema. São cenas. Eu transfiro muito isso pra música. Minha literatura é narrativa”, conta o artista que produziu e dirigiu, em 2010, o longa-metragem Dança das Cabaças - Exu no Brasil, em que fez uma investigação poética sobre a divindade africana Exu no imaginário brasileiro, projeto contemplado pelo FunCultura de Guarulhos-SP.


Maurício Pereira, Ná Ozzetti, André Abujamra, Arrigo Barnabé, Siba, Suzana Sales... “Eu tive essa sabedoria de acumular ídolos viáveis, ídolos com os quais você vai poder tomar um café um dia. São pessoas simples, que eu já me sinto realizado”, explica ao ser questionado sobre os ídolos. “Estes caras para mim são ídolos. São pessoas que me emocionam”. 


Kiko já atuou também como músico na peça teatral Zumbi, de Paulo Fabiano, e no longa-metragem Carandiru, de Hector Babenco. Como artista plástico, desenvolve trabalhos em gravura, desenho e pintura. Ilustrou o livro Salmos de Itaquera, de Fabiano Ramos Torres. 

PROJETOS 

Sobre o futuro, Kiko fala: “Ano que vem vou lançar um disco de punk. O punk pode ser muitas coisas. Quando comecei a escutar samba, percebi que samba é punk. O Cortes Curtos vai ser isso! As letras trarão uma São Paulo meio caótica. Será separado em cidade, desejo, solidão e morte. Estes serão os temas. Serão dois guitarristas, eu e o Rodrigo Campos. Dois sambistas tocando guitarra!”

Quer saber a agenda completa do Kiko? Acompanhe a página dele no Facebook clicando aqui.