sábado, 28 de abril de 2012

Cine-PE: 2ª noite

Recife - Com o atraso do meu vôo Porto Alegre - Recife na quinta, só ontem pude acompanhar as sessões do Cine-PE, que iniciou no dia 26 de abril e vai até 2 de maio aqui na capital pernambucana.

Assisti ontem a uma sessão com três curtas e ao longa Paraísos Artificiais.  Os curtas foram:
Zuleno (PE), Documentário, Direção Felipe Peres Calheiros, 20’
Isso Não é o Fim (BA), Ficção, Direção João Gabriel, 15’30”
Quadros (PR), Ficção, Direção Sara Bonfim, 16’

Dos três, considero o último mais bem realizado. Zuleno, que teve a preferência do público por tratar de artista pernambucano, se ressentiu de problemas com a edição de som. O artista, hoje já falecido, contava com 92 anos ao prestar o depoimento, e nem sempre é possível entender com clareza o que ele fala. Em situações semelhantes, já vi diretores recorrerem a legendas para solucionar a questão. O filme seguinte, produção baiana rodada em São Paulo, apresenta um personagem que vive de alugar banheiro para frequentadores da badalada rua Augusta. De início, o foco parece ser o que acontece dentro do banheiro (transas, consumo de drogas, namoros, partos, vômitos...), mas logo o "dono" do banheiro passa a ser o centro do filme, que acaba apontando para várias direções (a relação de carinho dele com um gato que adota, sua convivência tensa com o ambiente que o cerca, a surpresa ao encontrar uma mãe que iria jogar um recém-nascido no lixo...), sem se decidir por nenhuma. Já Quadros é poético desde a primeira cena, uma tomada do alto mostrando um casal dançando/nadando, nus ambos, num rio, ao som apenas de um piano. As sequências seguintes mostram como se chegou até ali - ela, Lúcia, uma estudante de Artes que se apaixona por ele, André, um artista que ora resiste ora adere a esta paixão. A cena que sintetiza a obra, para mim, é uma de logo do início, em que, após os dois saírem da água e não encontrarem as roupas. André culpa Lúcia pela situação. Ela, calma, senta-se, diz A culpa é minha, morde uma maçã e a oferece a André, em pé. Ele a aceita, dizendo É verdade, e morde também. Fica na cabeça do espectador o "eco" do nome Eva nesta cena que remete à história do pecado original. Uma sequência digna de prêmio!

Em Paraísos Artificiais, o diretor Marcos Prado utiliza-se de uma estrutura narrativa não-linear para abordar o universo das raves e, mais especificamente dentro dele, o uso de drogas. As idas e vindas constantes da narrativa por vezes confundem, mas creio ser inequívoco que o filme, sem "posar" de moralista, se posiciona francamente contra as drogas. A crença do diretor num futuro melhor fica muito clara na sequência final (que logicamente não vou detalhar), em que mostra a DJ Érica reencontrando seu grande amor Nando após ele ter saído da prisão, e em seguida revela o destino que teve o irmão de Nando, conhecido como "E.T.". O filme entrou em cartaz nacionalmente neste fim de semana.

  • A programação de hoje teve alterações. A sessão competitiva de curtas e longa inicia às 21h, pois às 19h será reapresentado gratuitamente o longa de quinta, À Beira do Caminho, cuja exibição foi prejudicada por problemas com o som. A apresentação de Xingu, inicialmente programada pra hoje, irá acontecer na terça, 1º de maio. 

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