segunda-feira, 30 de abril de 2012

Cine-PE: 3ª e 4ª noites

Recife - Comento a seguir os fiilmes exibidos no festival Cine-PE no sábado, 28, e domingo, 29. 

  • Mostra Competitiva de Curtas Pernambucanos - Assisti a todos os filmes exibidos no sábado, porém a apenas a parte de um do domingo (Koster), o que me impede de fazer considerações mais específicas sobre favoritos da categoria. Quero destacar, entre os do sábado, Zé Monteiro, O Homem que Venceu as 5 Mortes, documentário sobre um artista popular narrado em estilo de cordel, e no qual as falas das pessoas idosas foram legendadas, auxiliando na compreensão do público. Cena antológica é a resposta de Zé Monteiro à famosa pergunta: O que você sente quando está pintando? - diz ele que não sente nada, é algo normal. Aliás, acrescenta também que é artista porque não pode mais dirigir caminhão, seu antigo trabalho. Arremata com "A gente tem que gostar do que pode fazer" .
  • Mostra Competitiva de Curtas - O sábado teve dois destaques da mostra: o pernambucano Maracatu Atômico - Kaosnavial, documentário de Marcelo Pedroso e Afonso Oliveira, e o gaúcho Até a Vista, ficção do veterano Jorge Furtado. O primeiro mostra o emocionante encontro de Jorge Mautner com um maracatu centenário de Nazaré da Mata (PE), homenageando-o por "Maracatu Atômico", que as novas gerações conhecem pela regravação de Chico Science e Nação Zumbi (1996). O segundo mostra Furtado de volta à ficção em curta depois de muito tempo dedicado a longas como O Homem que Copiava e Meu Tio Matou um Cara. O tempo e as experiências fizeram bem ao diretor, que se mostra altamente competente ao contar uma história com início, meio e fim, longe dos experimentalismos que marcavam curtas como O Sanduíche. No domingo, o destaque da mostra foi Di Melo, o Imorrível, documentário de Alan Oliveira e Rubens Pássaro, produção paulista (embora a equipe, ao falar antes da exibição, tenha dito que seria uma produção pernambucana e paulista, a inscrição foi feita por São Paulo) mostrando o que aconteceu com o lendário cantor Di Melo, que chegou a ser dado como morto após lançar seu único LP em 1975 e ter sumido do cenário musical desde então.  
  • Mostra Competitiva de Longas - O sábado teve a reapresentação especial do longa da quinta, Á Beira do Caminho, cuja exibição fora prejudicada por problemas no som. O belo road-movie mostra duas viagens paralelas: enquanto conduz Duda ao encontro de seu pai em São Paulo, o caminhoneiro João (vivido por João Miguel) também faz uma viagem interior, na qual acerta suas contas com o passado. A noite de sábado foi marcada pela exibição de Jorge Mautner, o Filho do Holocausto, de Pedro Bial e Heitor D'Alincourt (pouco depois de vermos o curta que mostrou Mautner sendo homenageado por um maracatu). Inicialmente muito preso à leitura que Mautner faz de seu próprio livro O Filho do Holocausto, o filme progressivamente vai se soltando, inserindo depoimentos em meio a números musicais com Mautner, Caetano Veloso e Gilberto Gil, atingindo o ápice no depoimento da diretora Amora Mautner, filha de Jorge, que surpreende o pai ao revelar que, quando criança, ela não curtia tanto assim o clima extremamente libertário que vivia em casa.... O longa de domingo, Boca, teve a exibição interrompida após meia hora de projeção em função de problemas na ordem das cenas, e será reapresentado às 16h30 de terça, 1º/5, com entrada franca. 

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