quarta-feira, 9 de maio de 2012

Música Porto Alegre: Flaming Guitars Festival tem Badhoneys, Nonsensers e Casino Royale

Por Renata Brant, do NaVeia

Badhoneys em foto de Carol Ribeiro

No próximo dia 11 de maio, sexta feira, acontece no Bar Garagem Hermética, em Porto Alegre a primeira edição do FLAMING GUITARS FESTIVAL, reunindo as bandas Badhoneys, Nonsensers e Casino Royale. O evento promete guitarras flamejantes, sujas, psicodélicas, silenciosas, secas, punks, líricas e agressivas.  

A Badhoneys acrescenta uma guitarra simples e distorcida, juntamente com o baixo e bateria certeiros, tudo isso com uma pitada de vocais lânguidos e melancólicos de Giana Cognato. Aliás, a moça toca uma Fender Jazzmaster e seu guitarrista preferido é John Frusciante. A banda lançou recentemente o clipe da canção "Motherf****", uma das faixas do EP Harper, que você confere no final do post.

A Nonsensers vem no estilo “guitar band” com um novo repertório após um bom período ausente no cenário rock gaúcho. Sergio Tavares, guitarrista da Nonsensers, toca numa Tagima Telecaster nacional

Já a Casino Royale é a fusão entre as bandas Bodji & Os Pegando Fogo com Os Incorrigíveis. Lucas Koteck, guitarra e vocal da Casino Royale, dedilha numa Giannini semi-acústica 1970. 

Além das bandas, o FLAMING GUITARS FESTIVAL terá a participação da Dinâmico FM, com discotecagem de Claudio Cunha.



SERVIÇO:

FLAMING GUITARS FESTIVAL

Dia: 11 de maio de 2012, sexta
Horário: 23h
Local: Garagem Hermética (Barros Cassal, 386, Independência) - Porto Alegre
Ingressos: R$15


sexta-feira, 4 de maio de 2012

75 anos sem Noel Rosa

Eu sei, você já ouviu isso: é espantoso constatar que Noel Rosa, em menos de 27 anos de vida, foi autor de mais de 200 músicas, boa parte delas obras-primas. O espanto é maior ainda se pensarmos que, na real, de seus 26 anos, ele só compôs mesmo em 8 (1929 a 1937) - ou menos, porque fora viagens para shows, ele fez vários períodos de repouso para se tratar da tuberculose, que o vitimou em 4 de maio de 1937.

Boa parte de sua fantástica produção caiu em domínio público a partir de 1º de janeiro de 2008. O que isso quer dizer exatamente? Significa que tudo o que Noel Rosa escreveu sozinho (como "Com que Roupa?") ou com parceiros que morreram antes dele (é o caso de "Queixumes", parceria com Henrique Brito, falecido em 1935) poderá ser gravado em CD e incluído em shows e trilhas sonoras de filmes, shows e peças (entre outras utilizações possíveis) sem a necessidade de pagamento de direitos autorais ou consulta aos herdeiros do compositor. Isto porque já terá se cumprido o prazo de 70 anos que a lei nº 9610/98, que regula o direito autoral no Brasil, estipula para proteção da obra intelectual. Porém, obras com parceiros que tenham morrido depois de Noel (ou eventualmente ainda vivos) seguem protegidas: é o caso de "Pastorinhas", que Noel fez com João de Barro, falecido no final de 2006; esta obra só estará liberada em 2077!

Provavelmente assistamos a partir do ano que vem, portanto, uma overdose positiva de shows e discos com músicas do autor de "Palpite Infeliz" - e creio que ela não acabe em seguida, como muitas vezes acontece, isto porque estaremos a dois anos do centenário de Noel, a ser comemorado em 2010.

O fato tem grande repercussão devido ao conjunto da obra de Noel, de extrema qualidade e, digamos, em moldes similares aos da música posterior a ele. Nos últimos anos, a obra de vários compositores que foram expoentes em seu tempo também entraram em domínio público - podemos citar: Sinhô (2001), Nilton Bastos (2002), Ernesto Nazareth (2005) e Chiquinha Gonzaga e Zequinha de Abreu (2006) -, mas a repercussão foi escassa. Nilton tem obra quase toda em parceria com Ismael Silva (falecido em 1976) e Francisco Alves (morto em 1952), enquanto as composições de Nazareth, Chiquinha e Zequinha são predominantemente instrumentais. De Sinhô, pouco ou nada se toca além do "Jura".

Impacto semelhante à liberação da obra de Noel no Brasil talvez só se encontre na Argentina, onde caiu em domínio público no ano passado a obra de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera (ambos desaparecidos em acidente aéreo em 1935).

 * Adaptado do publicado originalmente como "70 anos sem Noel Rosa", 
no site Brasileirinho em 28.04.07 

P.S.: Infelizmente a "overdose positiva" prevista no antepenúltimo parágrafo não se confirmou.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Cine PE chega ao final hoje

Recife - Hoje é a grande noite de premiação do Cine-PE, a partir das 20h no Centro de Convenções de Pernambuco, com entrada gratuita. Além da festa, haverá ainda a exibição de dois filmes fora de competição -  MPB, a história que o Brasil não conhece, de André Moraes (SP), e Sons da Esperança, do veterano Zelito Viana, produção pernambucana - estreia como realizadora da produtora Bertini Produções e Eventos, que promove o Cine-PE há 16 anos. Os Bertini anunciaram ontem que seu próximo filme será um longa de ficção, Danou-se, dirigido justamente por André Moraes; a história se baseia numa viagem do casal Bertini (Alfredo e Sandra) ocorrida em 1985.

Ontem, feriado, tivemos à tarde, enfim, a exibição do longa Boca, interrompida no domingo. O filme, que retrata a ascensão e queda de Hiroito Joanides, "rei" da Boca do Lixo paulista nos anos 1950-60, é impactante e desponta como um dos favoritos do festival. A seleção dos longas concorrentes fechou com a apresentação, à noite, dos pernambucanos Na Quadrada [sic] das Águas Perdidas e Estradeiros. O primeiro mostra uma jornada de dois dias de um sertanejo (Matheus Nachtergaele), indo vender seus bodes na cidade, e as sucessivas perdas que sofre no caminho - primeiro da carroça, depois do jegue, enfim de um dos próprios bodes. A interpretação do protagonista é impressionante, ainda mais se considerarmos que em todos os 74 minutos de filme, Matheus só pronuncia uma palavra ("diaba", duas vezes, ofendendo a onça que comeu o bode). Já Estradeiros pretendeu mostrar um panorama amplo de viagens pela América do Sul, porém não conseguiu centrar a história nem em personagens nem em percursos, acabando por apresentar uma sucessão de pequenos depoimentos sem ligação maior entre si, frustrando o espectador. Algumas histórias só esboçadas, como a da comunidade que viveu 8 meses gastando o equivalente a 10 reais, valiam um aprofundamento.

Antes dos longas, encerrou-se também a mostra de curtas, com três filmes. Dia Estrelado, animação da pernambucana Nara Normande, mostra o drama duma comunidade que se vê subitamente em apuros quando a água buscada todo dia some e em seu lugar vêm pedras preciosas; porém o filme não chega a explorar a situação, apenas um dos personagens consegue, à custa de outro, solucionar (momentaneamente) sua fome, sem que se apontem as causas ou possíveis alternativas para o impasse. A Fábrica, de Aly Muritiba (PR), comove com a história do presidiário que consegue um celular para parabenizar a filha pelo aniversário ("fábrica" é o local no qual ele diz estar, para esconder da menina o fato de ter um pai preso). Já Sonhando Passarinhos, de Bruna Carolli (DF), para mim foi o melhor curta da noite, misturando atuação e animação para contar a relação de uma menina com seus amigos passarinhos (imaginários?).
  • Palpites - Vou arriscar alguns palpites referentes à premiação de longa-metragem, a única da qual vi todos os filmes concorrentes. Atenção: são opiniões minhas. O resultado oficial já foi votado pelo júri após o final da sessão desta terça, e será revelado apenas hoje à noite.
  • Melhor Ator - Creio ser difícil o prêmio deixar de ser atribuído a Daniel de Oliveira, irrepreensível e quase irreconhecível em Boca. Mas também pode haver preferência do júri por destacar os belos trabalhos de João Miguel em À Beira do Caminho e  Matheus Nachtergaele em  Na Quadrada das Águas Perdidas. 
  • Melhor Atriz - Fora Nathália Dill em Paraísos Artificiais, poucas interpretações femininas se destacaram num festival predominantemente masculino. Outras possibilidades seriam a jovem Bia Goldenstein, a Maria de Corda Bamba, ou as mais experientes Dira Paes por  À Beira do Caminho, ou Hermila Guedes por Boca. 
  • Outras categorias - Creio que Jorge Mautner, O Filho do Holocausto, vença como melhor filme ou ao menos como melhor trilha sonora. Já Paraísos Artificiais tem potencial para melhor direção, e Boca também para melhor filme. E Na Quadrada... também se destaca pela trilha, tão "personagem" do filme quanto  Matheus Nachtergaele. 




terça-feira, 1 de maio de 2012

Cine-PE: 5ª noite

Recife - Na noite desta segunda, 30, o festival Cine-PE exibiu filmes que giraram em torno de dois temas: Garotas da Moda e Na Sua Companhia, curtas, abordaram a diversidade sexual, ao passo que (curta) e Corda Bamba (longa), tinham como protagonistas, cada um, uma menina às voltas com mudanças en sua vida. No curta, Teté, chamada pelos colegas de "L", não aceita as mudanças corporais decorrentes da adolescência, e é ajudada nisso por um novo amigo chinês que conhece na natação. Já Maria, a protagonista de Corda Bamba, não aceita ter que deixar o circo, onde vive com seus padrinhos, para ir morar com a avó materna. O filme é todo estruturado em sequências que alternam realidade e sonho/lembrança. Bia Goldenstein, a Maria, mostrou-se grande atriz, em especial na apatia que marcou o primeiro terço do filme.

O pernambucano Garotas da Moda mostra a vida das transexuais que integram o grupo de dança "Fashion Girls", da cidade de Goiana (PE), que dublam principalmente músicas de Beyoncé (a cantora americana foi incluída nos agradecimentos), e sua convivência com o preconceito. Já Na Sua Companhia surpreendeu ao mostrar corajosamente uma relação entre dois homens, nenhum deles com aparência ou trejeitos afeminados.
  • Hoje, às 16h30, é a oportunidade para ver enfim Boca, longa de Flávio Frederico cuja exibição foi interrompida pela metade no domingo. Se a segunda metade mantiver o pique da primeira, o filme é sério candidato a sair premiado do festival.