quarta-feira, 2 de maio de 2012

Cine PE chega ao final hoje

Recife - Hoje é a grande noite de premiação do Cine-PE, a partir das 20h no Centro de Convenções de Pernambuco, com entrada gratuita. Além da festa, haverá ainda a exibição de dois filmes fora de competição -  MPB, a história que o Brasil não conhece, de André Moraes (SP), e Sons da Esperança, do veterano Zelito Viana, produção pernambucana - estreia como realizadora da produtora Bertini Produções e Eventos, que promove o Cine-PE há 16 anos. Os Bertini anunciaram ontem que seu próximo filme será um longa de ficção, Danou-se, dirigido justamente por André Moraes; a história se baseia numa viagem do casal Bertini (Alfredo e Sandra) ocorrida em 1985.

Ontem, feriado, tivemos à tarde, enfim, a exibição do longa Boca, interrompida no domingo. O filme, que retrata a ascensão e queda de Hiroito Joanides, "rei" da Boca do Lixo paulista nos anos 1950-60, é impactante e desponta como um dos favoritos do festival. A seleção dos longas concorrentes fechou com a apresentação, à noite, dos pernambucanos Na Quadrada [sic] das Águas Perdidas e Estradeiros. O primeiro mostra uma jornada de dois dias de um sertanejo (Matheus Nachtergaele), indo vender seus bodes na cidade, e as sucessivas perdas que sofre no caminho - primeiro da carroça, depois do jegue, enfim de um dos próprios bodes. A interpretação do protagonista é impressionante, ainda mais se considerarmos que em todos os 74 minutos de filme, Matheus só pronuncia uma palavra ("diaba", duas vezes, ofendendo a onça que comeu o bode). Já Estradeiros pretendeu mostrar um panorama amplo de viagens pela América do Sul, porém não conseguiu centrar a história nem em personagens nem em percursos, acabando por apresentar uma sucessão de pequenos depoimentos sem ligação maior entre si, frustrando o espectador. Algumas histórias só esboçadas, como a da comunidade que viveu 8 meses gastando o equivalente a 10 reais, valiam um aprofundamento.

Antes dos longas, encerrou-se também a mostra de curtas, com três filmes. Dia Estrelado, animação da pernambucana Nara Normande, mostra o drama duma comunidade que se vê subitamente em apuros quando a água buscada todo dia some e em seu lugar vêm pedras preciosas; porém o filme não chega a explorar a situação, apenas um dos personagens consegue, à custa de outro, solucionar (momentaneamente) sua fome, sem que se apontem as causas ou possíveis alternativas para o impasse. A Fábrica, de Aly Muritiba (PR), comove com a história do presidiário que consegue um celular para parabenizar a filha pelo aniversário ("fábrica" é o local no qual ele diz estar, para esconder da menina o fato de ter um pai preso). Já Sonhando Passarinhos, de Bruna Carolli (DF), para mim foi o melhor curta da noite, misturando atuação e animação para contar a relação de uma menina com seus amigos passarinhos (imaginários?).
  • Palpites - Vou arriscar alguns palpites referentes à premiação de longa-metragem, a única da qual vi todos os filmes concorrentes. Atenção: são opiniões minhas. O resultado oficial já foi votado pelo júri após o final da sessão desta terça, e será revelado apenas hoje à noite.
  • Melhor Ator - Creio ser difícil o prêmio deixar de ser atribuído a Daniel de Oliveira, irrepreensível e quase irreconhecível em Boca. Mas também pode haver preferência do júri por destacar os belos trabalhos de João Miguel em À Beira do Caminho e  Matheus Nachtergaele em  Na Quadrada das Águas Perdidas. 
  • Melhor Atriz - Fora Nathália Dill em Paraísos Artificiais, poucas interpretações femininas se destacaram num festival predominantemente masculino. Outras possibilidades seriam a jovem Bia Goldenstein, a Maria de Corda Bamba, ou as mais experientes Dira Paes por  À Beira do Caminho, ou Hermila Guedes por Boca. 
  • Outras categorias - Creio que Jorge Mautner, O Filho do Holocausto, vença como melhor filme ou ao menos como melhor trilha sonora. Já Paraísos Artificiais tem potencial para melhor direção, e Boca também para melhor filme. E Na Quadrada... também se destaca pela trilha, tão "personagem" do filme quanto  Matheus Nachtergaele. 




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