segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Lenha na Fogueira - 3.9.12


por Zekatraca, de Porto Velho



Certa vez escrevi que não gosto de assistir estréias, seja de peça de teatro, temporada de show e principalmente eventos como o Flor do Maracujá.

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Acontece que o primeiro dia da maioria dos eventos, é justamente para ajustar a iluminação, sonorização e adequar o espaço, com isso, os grupos (no caso do Flor do Maracujá) que se apresentam na abertura, ficam passivos de enfrentarem qualquer tipo de problema.

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Assim aconteceu sexta, na abertura da XXXI Mostra de Quadrilhas e Bois Bumbás que está acontecendo no Arraial Flor do Maracujá montado no Parque dos Tanques.

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Quando o boi bumbá Diamante Negro foi prejudicado por não ter conseguido passar o som de sua banda, no período da tarde.

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Acontece que no horário marcado, os músicos do Diamante estavam no local do Flor do Maracujá, ou seja, às 17h.

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Quem não estava instalado ainda era a sonorização. A empresa contratada pelo governo para colocar o som e o palco, ninguém, sabe explicar por qual motivo, já que a confirmação de que ela (a empresa), fora a selecionada para prestar o serviço, só começou a montar a “parafernália” no final da tarde de sexta feira.

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Com isso, o Boi ficou sem poder testar a sonorização, o que só foi feito após a solenidade oficial de abertura do evento, por volta das 23h.
 
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Toda essa falta de profissionalismo, fez com que a apresentação do grupo do Aluisio Guedes atrasasse o inicio de sua apresentação em meia hora. Estava marcado para começar às 23h e só começou às 23h30.

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Não sei se o estresse causado pelo atraso contribuiu para que o grupo entrasse na arena “desanimado”.

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Desde o apresentador Ricardinho, até a Sinhazinha da Fazenda passando pelo levantador de toadas e pelo Amo do Boi sem esquecer que a Marujada de “Guerra” também não repetiu suas últimas apresentações. Salvo na apresentação do Diamante o Pajé, a Porta Estandarte, o Ritual e as Alegorias, os demais itens até que estavam bonitos, porém faltou empolgação, principalmente das tribos que se apresentaram.

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Porém, como quem decide são os jurados, quem sabe para eles o Diamante Negro fez ótima apresentação e mereceu a nota máxima. Isso só vamos saber domingo à tarde na hora da apuração.

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Tem um detalhe: entre as toadas cantadas durante a apresentação do boi da dona Eleida as únicas que são realmente do bumbá, foram as cantadas pelo compositor e cavaquinista Walci, as demais são todas de grupos do Amazonas e Pará.

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Por exemplo, a toada de Entrada é do boi Garantido de Parintins, a toada da Cunhã Poranga do boi Caprichoso de Parintins, a toada da Rainha da Batucada do boi Tira Prosa de Fonte Boa e teve toada do Boi Garanhão de Manaus.

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Até a toada “CRISÁLIDA DA VIDA”, que concorre ao item melhor toada letra e música, que pelo Regulamento da Festa, tem que ser inédita, é de um grupo “TRIBO” de Juruti (PA)

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É muita falta de criatividade. Como a apresentação do boi foi transmitida para todo o Brasil. O Diamante Negro pode ser processado, com base na Lei do Direito Autoral pelos compositores das toadas em apreço. A não ser, que o Aluisio tenha conseguido autorização por escrito dos respectivos compositores, coisa que acho difícil.

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Triste mesmo ficou o Pajé Régis Lopes que após estar todo maquiado e pronto para desempenhar seu papel na arena do Flor do Maracujá com a oportunidade de mostrar sua performance para mais de 150 países e para todo o Brasil, na última hora, foi informado de que quem entraria como Pajé no Ritual era o Fabiano. Régis assistiu a apresentação, da arquibancada tristonho!

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“O que esse rapaz está fazendo, apresentando esse Boi (Diamante), com a roupa do meu BOI FLOR DO CAMPO?” Dona Georgina cobrando explicações de sua diretoria lá em Guajará a respeito da participação do Ricardinho como apresentador do Diamante de Porto Velho.

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E assim foi a primeira noite do Flor do Maracujá que teve em sua abertura além dos discurso de praxe, um super show pirotécnico dirigido pelo Paulinho Rodrigues. Foi espetáculo mesmo!

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Quem está deslumbrado com o Flor do Maracujá, é o secretário da Secel Emanuel Neri. Dá só uma olhada em seu semblante durante as apresentações dos grupos folclóricos. A cultura de um modo geral coloca a pessoa em evidencia. Nenhum secretário do governo Confúcio Moura conseguiu tanta visibilidade em menos de um mês no cargo que o secretário Neri.

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Agora vamos pro sábado, segundo dia do Arraial Flor do Maracujá.

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Dessa vez até o “Cobra Choca” conseguiu tocar alguma coisa do tipo “Kuduro” que não tem nada a ver com o Arraial, mas, assim mesmo o grupo “Harmonia do Forró” insiste em tocar e cantar, mesmo com o Flor do Maracujá prestando homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga o rei do Pé de Serra. Se não fosse o locutor Roque de vez enquanto puxar uns aboios nordestinos para lembrar Luiz Gonzaga como: “Vai boiadeiro, que a noite já vem, pego o teu gado e vai pra junto do teu bem...”, O Velho só estaria na festa via panfleto com a programação.

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Dessa vez o responsável pelo atraso no inicio das apresentações foi o grupo Flor do Campo de Guajará Mirim que ninguém soube explicar chegou atrasado no Parque dos Tanques e em conseqüência só pode dançar duas toadas. Que pena pois o grupo de dançarinos que veio representando o campeão do Duelo na Fronteira é dos melhores. 

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O problema é o efeito cascata causado pelo atraso do primeiro grupo. As apresentações marcadas para terminar às 23h55 só terminaram na noite de sábado após meia noite e meia.

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Agora uma coisa é certa, as duas quadrilha JUABP (foto ao lado) Rádio Farol apresentaram espetáculos dignos de ser visto por espectadores do mundo.

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A JUABP trouxe de volta e com uma performance teatral das melhores o ritual do “CASAMENTO”, motivo maior da brincadeira Dança de Quadrilha.

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A quadrilha de acordo com a tradição era dançada em comemoração a celebração de um casamento. Era e deve ser no caso do Flor do Maracujá uma festa de casamento.

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E foi isso que a JUABP apresentou e muito bem, na noite de sábado.

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Uma brincante da JUABP foi vitima da ondulação do asfalto imprimado na arena e torceu o pé. Graças à eficiência da equipe de socorro a jovem foi imediatamente embarcada numa ambulância e levado para o Pronto Atendimento.

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Se alguma falha aconteceu durante a apresentação da quadrilha da Ciani eu sinceramente não vi. Os jurados podem até ter observado alguma coisa, mas, no geral a apresentação foi ótima.

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Logo depois o Antônio Roque chamou a atenção dos fotógrafos, repórteres e cinegrafistas: “Vem aí a quadrilha Furacão do Norte Caipiras do Rádio Farol”.

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Foi uma entrada triunfal com a Maria Fumaça puxando os vagões da Madeira Mamoré com os brincantes. Antes o Cangaço construiu a ferrovia.

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Daí pra frente o que viu foi um espetáculo de encenações, danças e alegorias.

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Pra quem estava por dentro antecipadamente da apresentação da Rádio Farol, faltou apenas uma alegoria com o nome de “Rabo de Jacu” que era o “Tapiri” aonde o personagem seringueira vinha defumando a pela da borracha.

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Se isso não estava escrito na sinopse entregue aos jurados, ta tudo bem, agora se estava com certeza eles (os jurados) sentiram a falta e podem observar em suas notas.

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Se eu fosse do corpo de julgadores, pra bem justo dava as apresentações de JUABP X Rádio Farol como EMPATADA!

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Tá bom o Flor do Maracujá deste ano? Tá, mas pode melhorar.

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