domingo, 17 de março de 2013

Bando Cumatê, da Bahia, resgata o maracatu

Por Calila das Mercês,
de Salvador


"O dia raiou, e eu acordei para ver, alumiou... Canta! Bando Cumatê (...)". Os sons acoplados das alfaias, do mineiro, das caixas e dos agbês (xequerês) anunciam que tem África por perto. Domingo, às 15h, entre a Igreja de São Lázaro e o portão da Faculdade de Filosofia da UFBA (Universidade Federal da Bahia), um grupo de pessoas, de diferentes idades e origens, se reúne a fim de investigar a cultura brasileira através da dança e da música.

O Bando Cumatê é um grupo aberto que integra a comunidade de São Lázaro e pessoas de outros lugares que querem conhecer diferentes manifestações culturais brasileiras. Atualmente, o estudo principal é o maracatu. “Tudo começou, ano passado, boa parte das pessoas que iniciaram o Bando fazem ou faziam parte da Orquestra de Pandeiros de Itapuã. Nossa ligação partiu deste grupo e de outras pessoas que não eram deste grupo. O Bando Cumatê surgiu da vontade de estar criando mais artes do que somente a música e o desejo de juntar estas pessoas e estudar estes estilos que não são daqui. Sem precisar sair daqui, as pessoas podem vivenciar culturas de diferentes lugares”, conta o ator Rafael Rolim, um dos precursores do grupo. 

De músico a engenheira química. De baiano a paulista. De crianças a adultos. São diferentes pessoas que participam dos encontros semanais. “Moro em Lauro de Freitas e ‘religiosamente’ vou ao encontro todos os domingos”, conta a bacharel em Direito Luedji Luna, que faz parte do bando há pouco mais de três meses. 



“Já temos seis meses trabalhando com o maracatu. E pretendemos trabalhar com o reisado que aprendi no Ceará. A ideia é que a gente não pare”, completa Rafael. Canções, histórias, livros, fotografias, filmes e ritmos, ligados, principalmente, ao universo mítico, poético e ancestral das festividades e celebrações relacionadas às coroações de reis negros no Brasil. Esta é a base do que o grupo pesquisa. Segundo os integrantes do grupo, o Maracatu de Baque Virado, manifestação bastante difundida no estado de Pernambuco, foi o ponto de partida e o estudo sistemático da musicalidade, a partir da estética/poética do grupo tradicional recifense Nação Porto Rico foi o caminho percorrido.


CUMATÊ
O nome surgiu de uma oficina que alguns componentes do grupo fizeram em Cachoeira (BA). E lá conseguiram um verniz de cumatê com um paraense que estava participando do evento. Passou um tempo e o grupo, até então era o GPSL (Grupo Percussivo de São Lázaro), foi fazer uma vivência na ilha e tiveram a ideia de pintar as cabaças com que estavam fazendo os xequerês.

Um dia, pensando no nome, um mineiro, amigo do grupo, perguntou de que estavam pintando as cabaças dos xequerês e achou “cumatê” um bom nome, que acabou ficando. 

MARACATU
Maracatu de Baque Virado ou Maracatu Nação é uma manifestação da cultura popular brasileira afrodescendente, originalmente de cunho religioso. Surgiu na época da escravidão (entre os séculos 17 e 18), onde hoje é o Estado de Pernambuco, principalmente nas cidades de Recife, Olinda e Igarassu. Como a maioria das manifestações populares do país, é uma mistura de culturas ameríndias, africanas e europeias.


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