quarta-feira, 13 de março de 2013

Quarta dos Tambores anima Cachoeira


Por Calila das Mercês,
de Salvador




A cada trago de ar puro, trago comigo a certeza de que esta cidade é realmente mágica. Tudo que nela vivi, tudo ainda está em mim. Dores, amores, saberes e quereres. Caminhar pelas ruas de Cachoeira é rememorar o barulho das oficinas ao lado do cais, é ver a mulher sentada na praça segurando o filho, é ver um homem deitado no banco da mesma praça, é sentir uma segunda-feira preguiçosa se iniciando. É ver os burburinhos sobre a política e as fofocas sobre o que rola nas secretarias do município. É ouvir no rádio-poste as variadas notícias sobre a cidade. É ler uma placa irreverente de “Faz-se filmes” e ver as pessoas ainda jogando lixo no chão. O velhinho passando de bicicleta e a menina voltando com a mãe da escola. Velhotes aposentados trocando ideias e um lendo o seu rotineiro jornal. A galeria que tanto gosto está fechada e meu coração chora emocionado ao ver o local onde encontrei o meu primeiro amor. Esta é a cidade heróica, a cidade da magia que desperta em tantas pessoas um sentimento carinhoso de querer vê-la próspera e melhor.

 


Aos poucos a rua vai enchendo. Uma moradora fala o quanto sente pela ignorância dos moradores, que “não enxergam” e não valorizam um evento como este. “Aqui tem muita coisa boa acontecendo. Mas, repare! A maioria das pessoas é de fora! O povo daqui só gosta do que é de fora”, reclama a mulher que preferiu não divulgar o nome. Ela se refere ao encontro cultural Quarta dos Tambores, que celebra o aniversário de 176 aos de Cachoeira, cidade do Recôncavo baiano, localizada a 110km de Salvador. Comemorando também o mês da mulher, a equipe da Quarta homenageia Dona Vanda (em memória), mulher que contribuiu para a articulação da cultura popular de Cachoeira.

O evento, em  sua 17ª edição, movimentou a noite da cidade heróica. Na Praça Teixeira de Freitas (Praça da Liberdade), com o toque das representantes das Nações de Candomblé da cidade,a Quarta dos Tambores teve apresentações da Orquestra Reggae Sinfônica da Lyra Ceciliana (Cachoeira), grupo de rap Conceito Articulado (Muritiba), Companhia de Dança Quilombola Vale do Iguape (Santiago do Iguape) e os grupos de Samba de Roda Filhos do Caquende e Esmola Cantada (Cachoeira).



“Acho massa a Quarta dos Tambores! O público ainda é pouco. Acho que poderia ser mais divulgado. É um evento importante que resgata a nossa cultura, as nossas heranças”, fala a estudante do Ensino Médio e cachoeirana Rafaela Santos.

Em celebração também ao mês da mulher, a Quarta dos Tambores fez uma homenagem à memória de Camila de Matos Lopes, popularmente conhecida como Dona Vanda, cachoeirana que contribuiu para a movimentação da cultura local. Ela foi responsável por criar, na década de 1970, o ‘Terno do Trança-fitas’, dança de cunho folclórico realizada em festejos católicos; e também por manter o ‘Terno dos Cardeais’, bloco de mascarados da Festa d’Ajuda (festa popular de rua). Foi feita também homenagens a outras cachoeiranas que contribuíram e contribuem para o desenvolvimento sociocultural e político da cidade.



Para o estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e idealizador do evento, Alder Augusto, o projeto tem por objetivo criar um espaço de promoção e valorização das manifestações culturais de matriz. “Começamos em em dezembro de 2011 e os encontros acontecem toda primeira quarta-feira do mês, no centro histórico da cidade de Cachoeira. Contamos com a participação de grupos de Cachoeira e Recôncavo”, conta o estudante.



O evento é uma realização do coletivo ‘Comunidade do Tambor’ e conta com o apoio da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), Secretaria de Cultura e Turismo de Cachoeira e Fundação Casa Paulo Dias Adorno.

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