sábado, 6 de abril de 2013

Exposição Feira de Santana: Raízes


Texto: Calila das Mercês
Fotos: Divulgação
“Hoje longe, muitas léguas/ Numa triste solidão/ Espero a chuva cair de novo/Pra mim voltar pro meu sertão/ Espero a chuva cair de novo/ Pra mim voltar pro meu sertão/ Quando o verde dos teus olhos/ Se espalhar na ‘prantação’/ Eu te asseguro não chore não, viu/ Que eu voltarei, viu/ Meu coração” 
Parece clichê lembrar da canção “Asa Branca” de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, quando se fala de seca e da dor do sertanejo. Atualmente, não só de lembrança, infelizmente, se vive. A realidade amarga e crua da seca faz doer na pele de centenas de trabalhadores que dependem da terra para sustentar as famílias. Estive na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) estes dias e me deparei com algo interessante no Museu Casa do Sertão, para refletirmos sobre a realidade, para deixarmos as frivolidades e egoísmo de lado e percebermos o quanto o sertanejo tem o seu espaço e valor.


Quem gosta de arte, não deve deixar de conferir a essência do sertanejo na exposição “Raízes: O homem em sua expressão mais crua”, do artista Ricardo Jerônimo da Glória Campos. O evento integra as comemorações pelos 35 anos do Museu Casa do Sertão, localizado na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), que tem como objetivos valorizar, divulgar e preservar o patrimônio cultural sertanejo. As obras estão expostas na sala de exposição temporária Dival Pitombo até dia 12 deste mês.

Entalhes, esculturas pinturas e bustos confeccionados em argila. São 17 obras no total relacionadas com a imagem do homem sertanejo. O artista em sua obra quer valorizar e mostrar as pessoas que enfrentam com força e coragem as dores e percalços do clima árido. Ricardo Jerônimo reduz ao mínimo os ornamentos e busca evidenciar a essência do sertanejo. Ao olhar percebe-se que há uma busca intensa pelas raízes profundas do homem. Raízes que estão entranhadas até nas matérias primas das obras e no modo como elas são tratadas.


Ricardo Jerônimo da Glória Campos nasceu em 21 de setembro de 1957 em Feira de Santana. Iniciou sua trajetória artística em 1974, quando expôs no Museu de Arte Contemporânea, e, desde então, não parou mais.  Atualmente reside em Ibicoara, Chapada Diamantina, mas nunca chegou a cortar os seus laços com Feira, onde expõe regularmente.
O Museu Casa do Sertão fica localizado no campus da UFES e o atendimento ao público ocorre de segunda a sexta das 8h às 11h30 e das 14h às 17h30. A mostra poderá ser apreciada até o dia 12 de abril.


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