domingo, 7 de abril de 2013

Opinião Cinema: O dia que durou 21 anos

Por Calila das Mercês, de Salvador
Imagens: divulgação


“Aqueles que não amam a revolução, pelo menos devem temê-la.” Esta frase é pronunciada em alto e bom som pelo general Guedes, um dos primeiros líderes do golpe de 1964 e é com esta provocação que começa o documentário O dia que durou 21 anos, do diretor Camilo Tavares, (filho do jornalista Flávio Tavares, testemunha e participante da resistência ao golpe, um dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador americano Charles Elbrick em 1969), que aborda o protagonismo dos Estados Unidos neste inesquecível acontecimento que marcou a vida e mudou o rumo da história do Brasil.

Perto dos 50 anos do golpe de 1964, o documentário esclarecedor comprova o decisivo envolvimento dos EUA na derrubada do presidente João Goulart e na instalação da ditadura militar no Brasil. A participação nos norte-americanos no golpe não era coisa da cabeça da esquerda. Lincoln Gordon (que negou o envolvimento do seu país no golpe), embaixador norte-americano no Brasil, temia uma segunda Cuba nas Américas e resolveu (per)seguir a fundo a política no Brasil. Articulações que levaram aos anos de chumbo. Dividido em três partes, A Conspiração, O Golpe de Estado e O escolhido, o documentário é composto por gravações, algumas em inglês e acesso a documentos inéditos.


Além de áudios comprometedores, o longa revela documentos secretos da CIA, que permitem reconstituir as ações que desestabilizaram o governo de João Goulart (foto acima). O IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), foram criados de fachada para que os EUA pudessem articular discretamente, através do financiamento de propagandas e de campanhas de diversos deputados e governadores de oposição ao governo. Com o golpe e entrada do marechal Humberto Castelo Branco, instala-se no país o início de mais de 2 décadas de governo militar. Prisões arbitrárias, torturas, repressão. A partir daí, liberdade não era um termo que podia se aplicar ao governo brasileiro.

Quem se interessar pela temática e quer saber mais sobre a história do Brasil pode conferir o filme em dois horários (16h30 e 19h30) no Espaço Itaú de Cinema - Glauber Rocha, localizado na Praça Castro Alves, s/n - Centro, em Salvador. O filme está também em cartaz em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.


Nenhum comentário:

Postar um comentário