domingo, 30 de junho de 2013

Teatro Rio de Janeiro: O Santo e A Porca

Foto: Claudia Ribeiro


Montada pela primeira vez em 1958 pela Cia de Cacilda Becker, a deliciosa comédia O Santo e A Porca ganhou nova montagem através da Cia. Limite 151. No elenco estão Élcio Romar, Gláucia Rodrigues, Daniel Dalcin, Nilvan Santos, Janaina Prado e Jacqueline Brandão. A direção é de João Fonseca.

Escrita por Ariano Suassuna em 1957, O Santo e A Porca  aborda o tema da avareza. O texto, segundo o próprio autor, Ariano Suassuna, “é uma imitação nordestina” da peça Aululária, também conhecida como a Comédia da Panela, do escritor romano Plauto. A peça relata o casamento da filha de um avarento, sendo que o "santo" do título é Santo Antonio e a "porca" é um cofrinho, símbolo do acúmulo de dinheiro e tão protetor quanto o santo.

A avareza doentia de Euricão (Elcio Romar) vai deixá-lo pobre e solitário, como ele se dizia ser e vivia para evitar os fantasmagóricos “ladrões” que o assediavam. Caroba (Gláucia Rodrigues) criada de Euricão, para se casar com Pinhão (Nilvan Santos), que trabalha para o milionário Eudoro (Luiz Machado), arquiteta um mirabolante, audacioso, confuso e hilário plano. Todos se deixam envolver tendo de um lado os “oprimidos” de todas as espécies e, de outro, os supostos opressores Euricão e Eudoro.

A comédia O Santo e a Porca não foge à regra dos espetáculos de Suassuna, onde a simplicidade do trabalho permeia toda ação dramática. O cenário recria um ambiente do interior nordestino. A cultura nordestina é amplamente valorizada através de personagens que trazem consigo a marca de um povo sofrido, porém alegre. Intrinsecamente ligado ao espetáculo teatral popular brasileiro, O Santo e A Porca é profundamente cômico, festivo, mágico e malicioso. A encenação busca instaurar um ambiente de encantamento, onde os contrastes entre a riqueza e a pobreza saltam aos olhos. 

Depois de dirigir Gota D’Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes, e A Falecida, de Nélson Rodrigues, o diretor João Fonseca encara o desafio de mais um clássico, desta vez de um autor nordestino. “É um prazer dirigir textos brasileiros. Ainda mais porque em todos esses trabalhos o foco é no oprimido. O Santo e A Porca tem um olhar sobre o sertão, os grandes coronéis. Suassuna enxerga a capacidade de transmutar do pobre sertanejo, a capacidade de sobreviver. A necessidade de sobreviver faz com a vida lhes dê uma inteligência grande para isso”, conta o diretor.

FICHA TÉCNICA

Elenco:
ÉLCIO ROMAR – EURICÃO
GLÁUCIA RODRIGUES – CAROBA
DANIEL DALCIN – DODÓ
NILVAN SANTOS – PINHÃO
JANAÍNA PRADO – MARGARIDA
JACQUELINE BRANDÃO  – BENONA
LUIZ MACHADO  – EUDORO VICENTE

Texto: ARIANO SUASSUNA
Direção: JOÃO FONSECA
Cenário: NELLO MARRESE
Música original e direção musical: WAGNER CAMPOS
Figurinos: NEY MADEIRA
Luz: ROGÉRIO WILTGEN
Produção Executiva: VALÉRIA MEIRELLES
Direção de Produção:EDMUNDO LIPPI

SERVIÇO

TEATRO IPANEMA
Rua Prudente de Moraes, 824 – Ipanema
Tel. 2267.3750
Temporada:  DE 26 DE JUNHO A 01 DE AGOSTO DE 2013
HORÁRIO: 4ª E 5ª ÀS 21HS
INGRESSO: R$ 40,00
Capacidade: 222 lugares
Classificação etária: Livre

Oportunidade Brasil: 6º Festival de Videoclipes do Tocantins



O evento integra a programação paralela do 10º Agosto de Rock Festival.

O festival tem por objetivo divulgar os trabalhos de bandas independentes de todo o país, através das produções audiovisuais, abrindo espaço para exibição e premiação das mesmas, além de fomentar a produção de videoclipes no Tocantins.

O 6º Festival de Videoclipes do Tocantins é competitivo para videoclipes finalizados a partir de 1º de janeiro de 2012, com duração máxima de até 5 minutos.

Regulamento e inscrição no site:



Teatro São Paulo: O Casamento do Pequeno Burguês



Teatro Rio de Janeiro: Gonzagão, a Lenda

Marcelo Mimoso
(foto: Silvana Marques)

Vencedor do Prêmio Shell 2012 de Melhor Música e de Melhor Produção no 7º Prêmio APTR, o espetáculo “Gonzagão – A Lenda”, de João Falcão, faz nova temporada no Rio de Janeiro.

Oito atores e uma atriz se revezam no palco em uma viagem musical pela trajetória do Rei do Baião. Como em qualquer história de homem que vira mito, a vida de Luiz Gonzaga tem passagens em que as versões de seus biógrafos não convergem, em que realidade e fantasia se confundem, e o autor e diretor João Falcão se sentiu livre para tratar mais do mito do que do homem. 

“É a história de Luiz Gonzaga, mas não é Wikipédia”, diz Falcão, que evitou qualquer didatismo na construção do texto, embora tenha lido vários livros sobre um dos artistas mais importantes da música brasileira, morto em 2 de agosto de 1989, cujo centenário de nascimento foi comemorado em dezembro de 2012.

A opção por uma abordagem teatral, não enciclopédica, fica explícita logo no início da peça, quando uma trupe se apresenta para contar a “lenda do Rei Luiz”. Os atores desta trupe anunciam que encenarão uma história iniciada “no sertão do Araripe lá pelos idos do século 20”. 

As referências são maciçamente nordestinas, sobretudo pernambucanas. Luiz Gonzaga nasceu no município de Exu, de onde saiu aos 17 anos para ganhar o mundo. João Falcão também é de Pernambuco, da cidade de São Lourenço da Mata. “A festa mais importante da minha casa era a de São João, e São João era Luiz Gonzaga. Ele era patrimônio do povo, mais do que qualquer outro artista. Poucas músicas que estou usando no espetáculo descobri agora. A maioria eu sabia de cor, já sabia tocar”, conta ele, que também é compositor.

Na história do rei do baião, João Falcão se permitiu rebatizar duas mulheres importantes da vida do músico, Nazarena (o primeiro grande amor) e Odaléa (a mãe de Gonzaguinha) como Rosinha e Morena, respectivamente, nomes que aparecem em músicas do compositor. E ainda se permitiu criar um encontro que nunca aconteceu: Luiz Gonzaga e Lampião, dois mitos nordestinos. Também há espaço para se falar da originalidade de Gonzaga, um artista que, a partir dos ensinamentos de seu pai, Januário, criou em sua sanfona um gênero, o baião, e o transformou em sucesso e patrimônio nacionais.

Dentre as mais de 50 canções que estão no espetáculo há sucessos como “Cintura fina”, “O xote das meninas”, “Qui nem jiló”, “Baião”, “Pau-de-arara” e sua mais célebre criação, “Asa branca”. De acordo com a linha não-dogmática de todo o espetáculo, o premiado diretor musical Alexandre Elias não ficou preso à estrutura básica do forró, que é sanfona-triângulo-zabumba. No conjunto de quatro instrumentistas que atua no palco, há, além do sanfoneiro (Rafael Meninão) e do percussionista (Rick De La Torre), um violoncelista (Daniel Silva) e um rabequeiro e violeiro (Beto Lemos). 

“É o que estamos chamando de baião tarja preta, porque é meio rock em um ou outro momento”, diz Elias, um dos responsáveis por sucessos como “Tim Maia – Vale tudo, o musical”.

Curiosamente, Marcelo Mimoso, que narra boa parte da história de Gonzaga no palco e canta a maioria das músicas, nunca tinha assistido a uma peça antes. Filho de sanfoneiro, Marcelo é taxista e também cantor de forró. Foi descoberto pelo diretor João Falcão numa noite em que se apresentava em um bar da Lapa.


FICHA TÉCNICA


Texto e direção: João Falcão
Elenco:
Apresentando – Marcelo Mimoso
Atriz Convidada – Laila Garin
e Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Eduardo Rios, Fabio Enriquez, Paulo de Melo, Renato Luciano e Ricca Barros
Músicos:
Beto Lemos – Viola, Rabeca e Pandeiro
Daniel Silva – Cello

Rick De La Torre – Bateria e Percussão
Rafael Meninão – Acordeon

Direção musical: Alexandre Elias
Arranjos: Alexandre Elias e músicos
Direção de movimento: Duda Maia
Direção de produção e Idealização: Andréa Alves
Cenografia e Adereços: Sergio Marimba
Figurinos: Kika Lopes
Assessoria de Imprensa: Daniella Cavalcanti
Assistente de Assessoria de Imprensa: Fernanda Miranda
Produção e Realização: Sarau Agência de Cultura Brasileira

Classificação: 12 anos


SERVIÇO

Temporada no Teatro Municipal Carlos Gomes - 30/5 a 30/6
Local: Teatro Municipal Carlos Gomes
Endereço: Praça Tiradentes – Centro. Rio de Janeiro
Horários: Quinta, Sexta e Sábado, às 20h, e Domingo, às 19h
Valor dos ingressos: Quinta-feira – plateia R$40,00 e balcão R$20,00. Sexta, Sábado e Domingo – plateia R$60,00 e balcão R$40,00

Venda de ingressos: pelo compreingressos.com (www.compreingressos.com) ou na bilheteria do teatro de quarta a domingo, das 14h às 20h
Telefones: 21-2224-3602 / 2215-0556
Duração: 80 minutos


** A partir de julho:
Local: Theatro NET Rio – Sala Tereza Rachel (Rua Siqueira Campos, 143 – Sobreloja – Copacabana – Shopping Cidade Copacabana)
Temporada: 4 de julho a 1 de setembro.
Não haverá apresentações nos dias 25, 26, 27 e 28 de julho
Horário: Quinta, sexta e sábado às 21h. / Domingo às 20h
Ingresso: R$120,00 (plateia) R$ 90,00 (balcão)
Direito à meia entrada: menor ou igual a 21 anos; idosos com 60 anos ou mais; aposentados; professor da rede pública municipal; estudantes; cliente NET (até 4 ingressos por sessão); cliente O Globo (até 2 ingressos por sessão); portador de necessidades especiais; classe artística com DRT (até 1 ingresso por sessão).
Clientes Pão de Açúcar têm 30% de desconto em até 2 ingressos por sessão.
Capacidade do Teatro: 678 lugares
Telefone do teatro: 21-2147 8060 / 2148 8060
Vendas: www.ingressorapido.com.br / consulte os pontos de vendas no site
Horário de funcionamento da bilheteria: 10h às 22h
Formas de pagamento: Todos CC / CB
Acessibilidade
Estacionamento no Shopping, entrada pela Rua Figueiredo Magalhães, 598


Teatro Macapá: Palco Giratório



terça-feira, 25 de junho de 2013

Música São Paulo: Choro, Garoto e Cordas



Funcionários denunciam más condições do Teatro Margarida Schivasappa

Por Fabio Gomes,
com reportagem de Raissa Lennon (Belém)

Na manhã desta terça-feira, uma comissão formada por 12 funcionários de órgãos da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves (FCPTN) - Teatro Margarida Schivasappa, Biblioteca Pública Arthur Vianna, Galeria Theodoro Braga, Assessoria de Comunicação e Núcleo de Tecnologia - esteve nas sedes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e Ministério Público em Belém entregando um documento no qual denunciam  a precariedade do sistema elétrico e a falta de segurança do Teatro Margarida Schivasappa. O documento foi elaborado em reunião realizada na tarde de ontem. Também nesta segunda, o Corpo de Bombeiros emitiu um laudo liberando o teatro para funcionamento, desde que, num prazo de quinze dias, se proceda à correção das falhas nos sistemas elétricos e de segurança.

O teatro se encontra em reforma desde julho de 2012. A previsão inicial era de concluir as obras até dezembro de 2012, porém atualmente a estimativa é que a reforma termine no final de julho de 2013. Entretanto a comissão de funcionários, em publicação no Facebook, alerta que apenas dois dias na semana são destinado a obras, devido à realização desde maio, no teatro, da Mostra Terruá Pará, todas as terças.

Em 4 de junho, a comissão enviou, por e-mail, um relatório detalhando as condições do teatro para a gerência de apoio operacional e para a direção do teatro; dois dias depois, o documento foi protocolado na presidência da Fundação Tancredo Neves. Publicamos a seguir trechos do documento, intitulado Relatório - Sistema Elétrico (os grifos são nossos):

"Em virtude da realização da Mostra Terruá Pará de Música, as dependências do Teatro Margarida Schivasappa estão apresentando dificuldades operacionais no tangente à alimentação de rede elétrica. Com nossas dependências sob regime de reforma, estamos operando com circuitos elétricos de improviso, somente para energização dos equipamentos usados para o fim de reforma. Qualquer alteração na carga empregada a estes circuitos ocasionariam problemas tanto na alimentação de nossos equipamentos, como também aos equipamentos a eles agregados. Com as montagens do Terruá Pará, outros equipamentos foram introduzidos em nossos circuitos elétricos, causando, assim, quedas de tensão e sucessivas interrupções de alimentação de energia elétrica. Tal fato tem causado transtornos tanto em nossas atividades, como também nas montagens do Terruá, que possui autonomia energética somente nos dias de shows. Estes transtornos vão desde a paralisação de serviços de montagem de equipamentos e trabalhos da reforma, como também na segurança de funcionários, visto que a iluminação de serviço também opera em nossos circuitos improvisados."

O documento também traz fotos, como esta, tirada em 3 de junho, que mostra fiação elétrica presa em um extintor de incêndio. 



Não houve resposta direta ao documento, apenas a publicação, no dia 21, no site da Fundação (http://www.fcptn.pa.gov.br/index.php/fundacao/gapres/ascom/noticias-ascom/674-nota-de-esclarecimento-reforma-teatro-margarida-schivasappa), de uma Nota de Esclarecimento. Nela, a diretora de Interação Cultural da Fundação, Lucinha Bastos, e a presidente da Fundação Paraense de Radiodifusão (Funtelpa),  Adelaide Oliveira, comentam o que já foi concluído da reforma (telhado, estofados, poltrona, área cênica, ampliação da capacidade do teatro) e reafirmam a esperança de concluir a reforma até o final do mês que vem. Sobre a Mostra Terruá, afirmam:

"Apesar da reforma não estar totalmente concluída a fundação abriu uma exceção para a 'Mostra Terruá Pará', promovida pela Funtelpa, que vem sendo realizada às terças-feiras desde o último dia 14 de maio, encerrando em 30 de julho. Toda a estrutura do evento envolvendo grupos geradores, som, iluminação e cenotécnica cabe à produção da mostra, que monta os equipamentos nos dias das apresentações e, ao final, os retira. O evento sempre conta com a presença de policiais do Corpo de Bombeiros para garantir a segurança do público, servidores da Funtelpa, FCPTN e artistas.

 (...)


A direção da Fundação tomou todas as providências necessárias para corrigir as falhas estruturais existentes no espaço, garantindo total segurança para que todos os servidores do teatro realizem suas atividades normalmente. Além dos trabalhadores que atuam na reforma, agentes da área operacional da Fundação estão sempre no local fiscalizando o que está sendo feito, garantindo a efetivação de todas as normas de segurança. A Funtelpa e a FCPTN solicitaram essa semana uma vistoria técnica do Corpo de Bombeiros e, de antemão, todas as recomendações feitas pela corporação já estão sendo providenciadas."

Grid sobre o palco do Margarida, em primeiro plano, e
andaimes da reforma em andamento, ao fundo
(Publicado pela comissão no Facebook em 21/6)

O Corpo de Bombeiros realizou uma visita técnica no dia 19, e outra ontem, quando emitiu então o laudo já citado. A Secretaria de Obras também esteve no teatro, no dia 20. 

Afora a Mostra Terruá, nenhum outro evento está agendado para o Schivasappa até o final da reforma. O Festival de Contrabaixo da Amazônia, anunciado inicialmente para os dias 27, 28 e 29 de junho, foi transferido para o período de 5 a 7 de setembro. O organizador do evento, Marcus Braga, informou à nosssa reportagem ter sido contatado pela direção da  Fundação Tancredo Neves, que lhe informou que não haveria novos equipamentos de som e luz à disposição no final de junho, devido a um atraso na entrega destes materiais. "Nos foi garantido que para setembro já estaria tudo ok", afirmou Marcus Braga. 

Luminárias soltas do forro do mezanino
(foto de 3/6/13)

* Publicado originalmente no Som do Norte

Música Rio de Janeiro: Benneditto Seja!


Sesc Ginástico
Av. Graça Aranha, 187 - Centro - RJ
Ingressos - R$12,00 (inteira), R$6,00 (meia-entrada) e R$3,00 (comerciários)
O Sesc Ginástico aceita apenas dinheiro. Não tem manobristas e nem estacionamento particular.
bileteria: de terça a domingo, das 13h às 19h. Segunda não abre.
no dia do show a bilheteria abrirá às 11h30


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Passeata leva 25 mil às ruas em Macapá (o que vi e ouvi)

Foto: Leandro Cavalcante

Macapá - Passei no começo da tarde de hoje em frente ao Palácio do Setentrião, sede do governo do Estado do Amapá. Tudo aparentando normalidade, salvo um banner assinado pelo Sindicato dos Rodoviários e fixado na grade frontal à esquerda; a ponta esquerda do banner se soltou. Mas fora isso nem sinal de agressão ao patrimônio público, nem reforço (ao menos visível) de vigilância do prédio, que ontem esteve no epicentro da radicalização de um ato que começou pacífico e acabou em conflito. A simples visão do leito da avenida FAB e a própria Praça da Bandeira, ambas ali próximas, também pouco lembravam os acontecimentos da véspera. 

Para quem não sabe, tivemos aqui em Macapá neste dia 19 uma grande manifestação, intitulada Ato Plural e Democrático por Melhores Condições no Transporte Público do Amapá, que faz parte do grande ciclo de passeatas que acontecem pelo país neste mês de junho. Algumas capitais já estavam se manifestando há algum tempo, mas a questão tomou proporções nacionais após a especial truculência da Polícia Militar de São Paulo na noite de 13 de junho. A partir daí, surgiu em Macapá a iniciativa de também se somar a essa luta que se nacionalizou. A mobilização começou via Facebook e logo deu lugar a reuniões presenciais na própria Praça da Bandeira. Estive numa destas reuniões, na segunda, 17, quando chegou a haver um consenso sobre a permissão para o uso de bandeiras de partidos políticos durante a passeata da quarta, o que posteriormente foi modificado. Vi bandeiras, por exemplo, de associações de estudantes, mas de partidos, nenhuma. A única coisa mais partidária que vi foi um panfleto que um rapaz distribuía em meio à própria marcha, intitulado "Não ao Aumento das Passagens" e assinado pela "Intervenção Comunista", em cujo último parágrafo há uma exortação para trabalhar para construir o partido leninista

Foto: Fabio Gomes

A concentração na Praça na quarta estava marcada para as 16h, pouco depois desse horário comecei a me dirigir para lá, indo pela rua General Rondon. A uma quadra da praça, encontrei um grupo de jovens escrevendo seus cartazes - um deles, a moça da foto acima. Um dos rapazes pedia "Fora Feliciano" - ambos os temas, bem como os narizes de palhaço, foram recorrentes na manifestação. Seguimos juntos até a praça, onde me afastei deles procurando amigos com quem havia combinado de me encontrar, e só aí comecei a ter uma real dimensão da massa mobilizada. Já àquela hora, a praça da Bandeira reunia seguramente mais de 2 mil pessoas! Isso eu gostei de ver. O que não gostei de ver foi, logo após minha chegada, dois elementos com o rosto quase todo coberto, com boné enterrado quase tapando a sobrancelha, e lenços escondendo do nariz pra baixo. 

Foto: Fabio Gomes

Em seguida localizei minha amiga Prsni Nascimento, que me convidou para criar o cartaz que ela levaria na passeata. Aproveitei um verso do samba "Apesar de Você", de Chico Buarque, e escrevi Apesar de VC amanhã há de ser outro dia, com o 'VC' bem destacado no centro da folha. Mais gente foi chegando, alguns já ocupavam o leito da avenida FAB, fechada já para o trânsito, como boa parte do Centro àquela hora, e em torno de 17h15 iniciou-se a caminhada histórica. Saímos pela av. FAB na direção do Rio Amazonas, dobrando à direita na rua Cândido Mendes, onde houve o primeiro momento de relativa tensão. Na esquina (melhor dizendo, ocupando o lado inteiro da quadra da Cândido Mendes entre FAB e Coriolano Jucá), fica a residência oficial do governador do Estado, Camilo Capiberibe. Guardas da segurança da casa ficaram junto ao muro, ouvindo palavras de ordem dirigidas ao governador, algumas bastante chulas, outras cobrando seu maior empenho para com a saúde e a educação no Amapá. 

Prsni Nascimento segurando o cartaz que pintei
(Foto: Blog Fora de Rota

Além de Camilo e do deputado Marcos Feliciano, o senador José Sarney, maranhense mas eleito pelo Amapá, e a presidente Dilma Rousseff foram dois alvos preferenciais dos manifestantes, tanto em cartazes quanto em palavras de ordem. Importante: quando falo em palavras de ordem, me refiro ao que eu podia acompanhar de onde estava, já que na posição em que nos encontrávamos não podíamos ver nem o começo nem o final da multidão (que, acredito, foi crescendo à medida em que a marcha avançava). Eu não tinha a menor ideia de que fecharíamos a marcha com 25 mil pessoas - número oficial, fornecido pela Polícia Militar. E absolutamente espantoso, semelhante ao de algumas das manifestações recentes em São Paulo, por exemplo. E S. Paulo, como é sabido, tem uma população muito maior do que Macapá. Para ficar bem claro: como Macapá tem 415 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE em 2012, isso significa que 6 em cada 100 habitantes de Macapá participaram do ato plural!  Eu não falei que era histórico?

Foto: Maksuel Martins Souza

Mas, enfim, falava eu das palavras de ordem. Elas não eram proferidas o tempo todo, volta e meia alguém puxava o coro de Vem pra rua!, em especial quando se passava por prédios onde os moradores nos assistiam da janela, uns eufóricos, outros atônitos. Outras preferidas foram o Fora Sarney e xingamentos chulos a governantes locais e nacionais. Várias vezes alguém puxou o "Hino Nacional", mas fora isso pouco se cantou. Predominavam na "trilha sonora" da tarde os apitos (quase o tempo todo), algumas vuvuzelas (aquelas cornetas da Copa de 2010) e, infelizmente, um barulho constante de "estalinhos", bombinhas usadas pra comemorar o São João. Eventualmente, alguém ainda soltava rojão, o que além de barulhento é perigoso. É bom ressaltar que não havia carro de som (que aqui em Macapá, nessa translação de sentido tão brasileira, é chamado de trio elétrico), algo comum nestas ocasiões.

Da Cândido Mendes, dobramos novamente à direita na Padre Júlio, que concentra maior número de lojas. Boa parte delas estava fechada, com os funcionários na frente acompanhando a passeata. Alguns acenavam e batiam palmas à nossa passagem, vibrando com nossos cartazes que fustigavam figuras da política, além de pedir melhoria no transporte, saúde e educação e condenando a corrupção, a PEC 37 e os gastos excessivos com as obras da Copa do Mundo - fora um protesto bem-humorado pedindo a redução no preço do açaí...

Até o Ministério Público estava protestando!
(Foto: Fabio Gomes)

Nem no ponto mais alto do caminho - a subida da Padre Júlio, quase na esquina da Leopoldo Machado, onde dobramos novamente à direita - era possível ver o final da marcha; imagino que então havíamos atingido já o número de 25 mil participantes. Todos andando, cantando, carregando seus cartazes, na mais perfeita ordem e paz. Afora as bombinhas que não paravam nunca, o que me incomodava um pouco era não saber qual o caminho exato iríamos seguir, embora acreditasse que voltaríamos à praça. Também não gostei muito de ver aqui e ali pelo caminho pequenas fogueirinhas. Numa delas, numa esquina, se estava queimando um boneco, como fosse um Judas malhado em Sábado de Aleluia, sem que fosse possível identificar quem era o destinatário da fúria. 

Ali na Leopoldo, paramos um pouco para comprar água e biscoitos (o sol ainda estava forte, e a Prsni não tinha almoçado). Demoramos um pouco para ser atendidos, pois uma manifestante, que saíra para a marcha com seu scarpin, devia estar com os pés doendo e decidira comprar um chinelo de dedo. Aliás, os figurinos variados na passeata dariam um capítulo à parte - tinha desde estudantes com uniforme, jovens descolados, até patricinhas prontas para desfilar numa passarela (e muita, muita gente com listrinhas verde e amarela em ambos os lados do rosto, havia quem estivesse pintando os outros em plena marcha). Os raros mercadinhos (chamados em Macapá de mini box) abertos atendiam por uma grade, talvez temerosos de ver tanta gente assim junta. Nesse mini box foi o único momento que vi alguém da passeata preocupado com o jogo, perguntando o resultado (o Brasil enfrentara o México, em partida válida pela famigerada Copa das Confederações, o jogo começando às 16h, horário de nossa concentração na praça). O dono do mini box informou que o Brasil ganhara por 2x0. 

Terminado nosso lanche, voltamos à marcha - na verdade, acontecera só um espaçamento, o bloco de pessoas foi ficando um pouco menos compacto, mas em momento algum deixou de passar gente por nós. Também notei que os apitos se concentravam mais na parte da frente da marcha, conforme avançamos voltamos a ouvi-los com força. 

Foto: Maksuel Martins Souza

Já na esquina com a av. FAB, onde dobramos novamente à direita para retornar à praça, algumas pessoas se manifestaram em frente à Assembléia Legislativa. Havia policiamento junto ao prédio, mas não vi incidente algum nesse momento. Mais adiante, em frente à Prefeitura Municipal, foi o único ponto onde vi policiais militares em meio à marcha (certamente eles já estavam ali e nós é que passamos por eles), além de um furgão da PM estacionado no leito da rua. Não vi ninguém ser abordado nem se excedendo, afora os esperados refrões chulos. 

Foto: Maksuel Martins Souza

Perto de 18h30, chegamos de volta à praça da Bandeira. Aí foi possível ter a dimensão do mar de gente, pois não cabiam mais todos na praça, ocupávamos o leito da Av. Fab e todas as calçadas vizinhas. Foi talvez um dos momentos mais felizes da tarde, pois foi a hora em que se reencontraram amigos, colegas, parentes, amores, que se sabiam presentes na mesma marcha, mas separados talvez por uma distância de milhares de pessoas. Eu cheguei a aguardar algum comunicado de nova marcha, alguma reunião, mas como não viesse nada nesse sentido, comecei a pensar por onde poderia sair da praça, já que o avanço pela av. FAB se mostrava impossível, pois não só seu leito seguia ocupado pela multidão, como à frente desta ainda se ouvia, e infelizmente cada vez mais forte, as tais bombinhas de S. João. Foi aí que encontrei um grupo de amigos, e ficamos conversando até que...

...até que a permanência na praça se mostrou impossível. Não tinha como a gente ver, mas tudo indica que foi nesse momento (perto de 19h) que deva ter ocorrido a tentativa de invasão ao Palácio do Setentrião, pois além do barulho das bombinhas começamos a ouvir barulhos de bombas mais fortes, gente correndo na nossa direção (ou melhor, na da Eliezer Levy) e sentimos a ardência dos gases de pimenta liberados pelas bombas de gás lacrimogêneo usadas pela PM. 

PM começa a usar bombas de gás...

... e as pessoas correm pra se proteger
(Fotos: Maksuel Martins Souza)

Senti de imediato me arderem os olhos, o nariz e a garganta, com uma breve sensação de sufocamento e formigamento. Instintivamente, puxei a gola da camiseta e a pus sobre o nariz, de forma a proteger nariz e boca, enquanto corria, segurando o braço de uma amiga do grupo, para evitar que nos perdêssemos. Paramos na esquina da Eliezer com Iracema Carvão Nunes, junto ao prédio da Receita Federal. Uma caminhonete da PM estava próxima de nós. Seguimos ouvindo estouros (segundo relatos que ouvi depois, nessa altura alguns policiais já estavam usando balas de borracha, mas de onde estávamos não víamos nem ouvíamos isto). Uma menina do nosso grupo se perdera e ninguém conseguia localizá-la, nem pelo celular. Já escurecera, o que não melhorava em nada a situação. Novos estouros, mais gente correndo, e acabei optando por sair dali, enquanto parte do grupo ficou. Aí encontrei minha amiga Ramona Gemaque, que me falou que procurava uma amiga dela que estava perto da escola Guanabara, duas quadras adiante, e fomos pra lá, não sem antes sentir o efeito de mais gases de pimenta. 

Manifestante ferida com 
bala de borracha
(Foto: Maksuel Martins Souza)

Ramona encontrou duas amigas na frente de uma lancheria na Presidente Vargas, perto da esquina com a Eliezer Levy. Uma delas não estava se sentindo bem (havia sido atendida com problemas cardíacos na véspera); enquanto Ramona comprava água pra amiga, fui ver uma movimentação que me chamara a atenção na esquina, na faixa de segurança em frente ao campus da UEPA. 

Manifestantes sentaram-se no leito da Presidente Vargas, em cima da faixa, de modo a impedir o trânsito. Apenas motos conseguiam passar, pelas laterais. Quando uma kombi da BPTrans chegou, os manifestantes levantaram e ficaram andando continuamente pela faixa, indo e vindo, de forma a seguir impedindo o fluxo de carros (bloqueio cujo objetivo até agora confesso que não entendi). Seis policiais desceram da kombi e tentaram demover os manifestantes, sem sucesso. Passados alguns minutos, os policiais desistiram e os manifestantes abriram uma brecha no bloqueio para a kombi passar. Os carros bloqueados reagiram esportivamente à situação, sem buzinar nem forçar a passagem. Em dado momento, buscou-se bloquear a passagem também pela Eliezer. Mas aí eu e Ramona já saíamos dali, para encontrar a Prsni, que estava com a mãe dela no começo da Duque de Caxias. Ramona me deixou ali e logo voltou para cuidar da amiga cardíaca. 

Prsni, sua mãe e eu seguimos ouvindo explosões e sentindo gás de pimenta (eu já pela terceira vez). A mãe dela conseguiu falar com o irmão de Prnsi, que seguira com um grupo para a Assembléia. A essa altura, a multidão já se dispersara da praça, que vivia um cenário de guerra. Preferimos sair dali e elas me deram uma carona até em casa. 

Quando estávamos numa loja perto da rua Tiradentes, no centro, ouvimos outra explosão, bem próxima, e (pela quarta vez) o nefando gás de pimenta. O que muito nos admirou, pois estávamos já  a várias quadras da praça  e eram mais de 20h. Dali a pouco, com a situação parecendo normal nas imediações, voltei pra casa. 

Saí pouco depois, para jantar. Fui perto do Arraiá da Beira-Rio, junto à Fortaleza de São José, o que significa que passei duas vezes pelo Teatro das Bacabeiras, onde tudo estava normal até passado de 22h (pelo visto, houvera um espetáculo ou uma formatura de turma de dança infantil, pois várias meninas com roupa de balé saíam com seus papis e mamis).  

Passei por duas paradas de ônibus, na Sâo José e na Tiradentes. Em nenhuma havia ônibus passando, e as pessoas não tinham informação nenhuma. As pessoas da Tiradentes comentaram comigo que o último coletivo que havia passado fôra às 21h - uma e hora e meia antes! 

Também estive no Largo dos Inocentes, mais conhecido como Formigueiro. Um conhecido meu relatou que entrara em confronto, na praça, com um policial que iria atirar num grupo desarmado, ele se pôs na frente e levou uma bala de borracha na perna. Também me contou que a polícia já estivera duas vezes naquela noite no Formigueiro, jogando bombas de gás e atirando balas de borracha nas pessoas que estavam ali, lugar onde habitualmente a juventude macapaense se reúne à noite para conversar e beber numa boa, como estava acontecendo antes das intervenções da polícia, e voltou a acontecer depois disso. Reparei que alguém pichara a Igreja de São José, o prédio mais antigo da cidade (foi inagurado em 1761) escrevendo em sua parede "Abaixo corrupção". 

Eram umas 22h30 passadas quando voltei de vez pra casa. Pelo Facebook, fui sabendo dos ataques a prédios públicos e privados como o Centro Cultural Azevedo Picanço, a Caixa Econômica Federal, a Ótica Diniz e - o que me espantou - o Teatro das Bacabeiras. Como falei, passei antes por ali e não tinha nada de anormal. (Mas hoje, quando estive lá no MIS, mostraram-me as marcas no vidro por onde os vândalos tentaram forçar a entrada, e na calçada pedras retiradas do pavimento.)

Foto: Maksuel Martins Souza

Também fui começando a ver a repercussão do evento. Como era de esperar, e é de lamentar, a 'grande mídia' procurou dar muito mais destaque ao conflito e aos atos de vandalismo do que à manifestação pacífica e histórica que o antecedeu. Uma pena. Espero com o meu relato ter ajudado a situar melhor as coisas para quem não esteve presente. Na verdade, foram duas coisas: uma marcha pacífica que reuniu 25 mil pessoas, e depois uma sequência de atos de vandalismo praticados por uma minoria, ao que a PM respondeu, de um modo que acabou dispersando a todos, pacíficos e vândalos. 

O grupo que organizou o ato de ontem agendou reunião com o prefeito Clécio Luís para a noite de hoje, e fará na sexta reunião para avaliar o ato de quarta. Dali pode sair a convocação de novo ato. Outro grupo, sem ligação com o primeiro, encontra-se agora no começo desta noite na praça da Bandeira, com outra manifestação.

O meu balanço do evento, da marcha em si, é amplamente positivo. Deploro, é claro, o vandalismo, e tenho a certeza que os organizadores do movimento no Amapá saberão buscar soluções para evitar a presença de pessoas que não pensam na construção de uma sociedade melhor, e sim apenas querem se aproveitar da multidão para cometer seus atos ilícitos. 

Continuemos indo pra rua, Brasil, em ordem e em paz. A mudança recém começou! 

Foto: Maksuel Martins Souza

Fogo ateado por vândalos no leito da Av. FAB...

... exigiu a presença dos bombeiros
(Fotos: Maksuel Martins Souza)

terça-feira, 18 de junho de 2013

Cinema Macapá: Clube de Cinema



Belém Livre: bonito, libertador e emocionante


Por Raissa Lennon,
de Belém

A ansiedade contagiava a todos. Sabíamos que aquele era um momento importante para as transformações no Brasil. Eu, como muitos ali também estava ansiosa. Queria saber se iria dar tudo certo. Se seria pacífico. Se as pessoas realmente iriam comparecer as manifestações. Se não era um sonho. Não. Não era um sonho. “Não é Turquia, não é a Grécia, é Belém saindo da inércia”, foi um dos gritos de guerra da passeata.

Belém também saiu da inércia, junto com o resto do país. Às 16h o mercado de São Brás já estava tomado por manifestantes que se organizavam em comissões e preparavam seus cartazes. A pauta principal do protesto era contra a demora nas obras do BRT, mas os apelos foram diversos. “Pára Belo Monte”, “Contra a corrupção”, “Queremos investimentos para saúde e educação!”, clamamos.

Essa característica plural, que não foi só uma peculiaridade de Belém, mas de todos os estados que aderiram às manifestações (até mesmo São Paulo que estava lutando contra o aumento da passagem de ônibus urbano para R$ 3,20), foi alvo de críticas de alguns comentaristas. Acredito que pela primeira vez na história do Brasil as lutas populares tiveram essa peculiaridade. Afinal, pelo que estamos lutando? O que vai acontecer depois que saímos do Facebook?


A juventude responde: estamos cansados dessa violência, desse descaso, dessa falta de zelo pelo país em que vivemos. Queremos ser mais do que o país da Copa, do carnaval e do futebol. Somos contra a PEC 37 e o Feliciano na Comissão dos Direitos Humanos, e o Estatuto do Nascituro é arbitrário. “É tanta coisa que nem cabe neste cartaz”, escreveu um jovem em uma cartolina, em algum lugar do Brasil. É isso que respondemos ao ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, que disse que ainda não entendeu a onda de protestos.

Todas essas bandeiras foram levantadas, menos as dos partidos políticos. “O povo unido não precisa de partido”, gritavam os manifestantes em Belém, em retaliação a um nicho pequeno de partidos de esquerda que insistiam em portar bandeiras gigantes na passeada. “Abaixa essa bandeira”, “Os partidos não me representam”, gritavam os jovens mostrando que a manifestação não era partidária. Isso revela também uma insatisfação com a política representativa no país, os partidos estão corrompidos por um jogo de poder que não nos agrada e não nos representa.



É claro que, a variedade de manifestos não pode ser uma justificativa para as prefeituras e os governos estaduais não fazerem nada pelo povo. Queremos mudanças. Para isso precisamos fazer muito mais. Esse foi só o começo, outras manifestações vão surgir e a ideia é nos organizar cada vez mais. Li muita coisa sobre os protestos ao redor do país. Alguns blogueiros de Belém escreveram que não podemos achar que sair nas ruas com cartazes engraçados e tirar fotos para o Facebook é o suficiente. Claro que não. Precisamos estudar política, saber falar de política e entender esse processo novo que estamos passando. Precisamos bater em quem realmente merece. Mas calma, ainda estamos aprendendo a nos manifestar. Tudo é novo. Mas estes protestos nos deram esperança e confiança de saber que podemos fazer muito mais que isso.



Por isso, a manifestação foi um ato importantíssimo sim, não podemos negar. O ato que aconteceu em Belém foi muito bonito, libertador e emocionante. Todos se respeitaram. Não teve nenhum tipo de violência. Respeitamos os hospitais quando passamos por eles, gritamos muito também quando pudemos gritar. No auge dos meus quase 22 anos de idade, ter participado de um acontecimento deste tipo, e ser apenas um pingo diante de uma massa de quase 15 mil pessoas, foi no mínimo libertador. A chuva ainda deu o ar de sua graça, é claro, para lavar nossa alma e dizer: A rua é nossa. O povo unido merece ser ouvido!

* Depoimento da repórter sobre a marcha Belém Livre,
ocorrida em 17 de junho, data marcada por
marchas semelhantes em diversas capitais do país, 
como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre,
Brasília e Belo Horizonte

domingo, 16 de junho de 2013

Teatro Rio de Janeiro: O Auto da Compadecida

Foto: Guga Melgar


A nova montagem da peça O Auto da Compadecida, que estreou em abril de  2012, volta em cartaz no dia 21 de junho no TEATRO IPANEMA. A iniciativa é da Cia Limite 151, que já havia produzido espetáculo com outro texto de Ariano Suassuna, O Santo e a Porca (direção de João Fonseca), sucesso de público e crítica, aplaudido pessoalmente pelo autor. Com um elenco formado por 12 atores, entre eles Gláucia Rodrigues, Daniel Dalcin,  Edmundo Lippi, Jacqueline Brandão e Janaína Prado e direção de Sidnei Cruz, a peça foi Indicada ao Prêmio Shell de Melhor Figurino de 2012.

A peça fala das aventuras de João Grilo, um sertanejo pobre e mentiroso, e Chicó, o mais covarde dos homens. Ambos lutam pelo pão de cada dia e atravessam por vários episódios enganando a todos da pequena cidade em que vivem, até conseguirem através de suas confusões a ira do temido Cangaceiro Severino de Aracaju.

A história serve como pano de fundo para mostrar problemas sérios encontrados no Nordeste brasileiro, como o coronelismo, a pobreza extrema em que algumas pessoas se encontram e várias figuras populares na região, como o cangaceiro. Esta peça projetou Suassuna em todo o país e foi considerada, em 1962 por Sábato Magaldi como "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro".

O espetáculo dirigido por Sidnei Cruz potencializa as linhas matriciais contidas na dramaturgia de Ariano Suassuna. O espaço cênico lembra um picadeiro de teatro de circo, e o jogo de cena dos atores é inspirado nos brincantes dos folguedos populares. As embrulhadas de João Grilo (Gláucia Rodrigues), sempre acompanhado pelo fiel escudeiro Chicó (Gabriel Naegele), o levam ao céu para enfrentar o juízo final, onde o diabo faz de tudo para pegá-lo e ele faz de tudo para escapar, para tanto conta com a preciosa colaboração da Compadecida. As peripécias são narradas e pontuadas por palhaços e caretas que aparecem em diversas situações em forma de coro ou jogral. A comicidade popular e irreverente dos autos populares nordestinos e do teatro de mamulengos são as referências para o ritmo, a movimentação e os desenhos coreográficos da encenação. Pequenas arquibancadas móveis, cortinas, figurinos coloridos e rústicos dão o tom carnavalizado de comicidade bruta de feira e praça pública.

Famosa pela montagem de clássicos, a Cia Limite 151 completou 30 anos em 2011 e, dois anos antes levou aos palcos outro texto de Suassuna, O Santo e A Porca, que, além de lhe render sucesso de público e crítica, ganhou vários prêmios. Na ocasião, Gláucia Rodrigues, uma das fundadoras da Cia, foi indicada ao prêmio Shell por sua interpretação da criada Caroba. Desta vez, Gláucia vai enfrentar um desafio ainda maior. Vai dar vida a João Grilo, protagonista do espetáculo. 

Eu não ia participar dessa montagem. Fiquei durante dois anos viajando com O Santo e A Porca pelo país afora e confesso que estava pensando em tirar férias. Além disso, nenhum dos personagens femininos do espetáculo me estimulava. Foi quando o Edmundo Lippi e o Wagner Campos, que são os outros fundadores da Cia, me perguntaram se eu não toparia fazer o João Grilo. Aí sim, virou desafio. Esse era o combustível que eu estava precisando para voltar ao palco”, conta Gláucia, que já fez outro personagem masculino, Scapino, de Molière.  

Para o diretor, a ideia de escolher Gláucia para interpretar João Grilo foi uma “sacada” muito feliz dos dois, pois Glaucia já vinha de uma experiência anterior compondo personagens masculinos. “Aliás, grandes atrizes sempre escolhem esse caminho em vários momentos de suas carreiras. Ela, Glaucia, está construindo um João Grilo universal - e, ao mesmo tempo, particularíssimo - estruturado em suas ações arquetípicas, revelando o estado físico e a mentalidade de um tipo brasileiro, esperto, malandro, sem caráter, palhaço, pobre, astuto e criativo”, garante Cruz, que já dirigiu a Cia Limite 151 em A Moratória de Jorge Andrade, O Olho Azul da Falecida de Joe Orton, Os Contos de Canterbury de Geoffrey Chaucer e fez a adaptação do Frankenstein de Mary Shelley.

O parceiro inseparável de João Grilo é o atrapalhado Chicó que vai ganhar vida através do ator Daniel Dalcin, que faz seu primeiro trabalho com a Cia. “Ariano Suassuna é um dos maiores pensadores, educadores, teatrólogos que o Brasil tem. E eu, com tão pouco tempo de carreira, sou um privilegiado por participar de duas montagens vez de uma montagens do autor. Me considero muito sortudo!", comemora. 

FICHA TÉCNICA

Elenco: Gláucia Rodrigues, Daniel Dalcin, Edmundo Lippi, Jacqueline Brandão, Janaína Prado, Alexandre Mofati, Robson Santos, Arnaldo Marques, Bruno Ganem, Renato Perez, André Frazzi e Luiz Machado.

Direção: Sidnei Cruz
Cenário: José Dias
Figurinos: Samuel Abrantes
Iluminação: Aurélio De Simoni
Direção musical: Wagner Campos
Programação visual: João Guedes
Fotos: Guga Melgar
Assessoria de imprensa: Ana Gaio 

SERVIÇO

TEATRO IPANEMA
Rua Prudente de Moraes, 824 – Ipanema
Informações: 2267.3750
Horário: 6ª e Sábado às 21hs e Domingo às 19hs
Ingressos: R$ 40,00
Até 4 de agosto

Música Rio de Janeiro: Natasha Llerena


Dia 20 de Junho o Teatro Café Pequeno apresenta o show de Natasha Llerena, interpretando um repertório mesclado entre releituras de outros artistas, brasileiros e africanos, e suas composições, como “Dança no Tempo”, “Sex por 8”, “Sons do Maranhão” e “Idas e Vidas”.

Ouvindo desde MPB à música instrumental, passando pelo forró, baião, coco, maracatu e ainda pela música africana, Natasha interpreta músicas de grandes nomes como Chico Buarque, Cesária Évora, Yamandu Costa, Edu Lobo, Gal, Heitor TP, João Bosco, Gil, Guinga, Carlos Malta, Lenine, Mayra Andrade, entre outros.

Com 5 anos, Natasha participou do coro que gravou a trilha sonora do filme Tieta, de Cacá Diegues. Hoje, aos 21, é cantora, compositora e dançarina. Estreou como atriz e cantora em 2003 no musical A Arca de Noé, de Vinícius de Moraes.

Estudou MPB-Arranjo Musical na Unirio, foi backing vocal da cantora Mart'nalia e integrou o grupo Novíssimos por dois anos. Desde 2010 desenvolve carreira solo. Atualmente, faz curso superior de Dança na faculdade Angel Vianna. No ano passado, apresentou-se no festival  Back2Black em Londres - foi na edição brasileira do evento, em 2010, que estreou sua carreira solo. 


SERVIÇO

Dia 20 de junho (quinta-feira) às 20h30.
Local:
Teatro Municipal Café Pequeno (Av. Ataulfo de Paiva, 269 – Leblon)
Telefone: (21) 2294-4480
Horários: quinta-feira, às 20h30
Ingressos: R$20,00 (inteira)/ R$10,00 (meia)
Capacidade: 100 lugares
Classificação indicativa: 18 anos
Duração: 70 minutos


Duelo Nacional de MCs realiza eliminatória em Belém

Veja a programação completa do Conexão Belém em 


Entre março e julho deste ano, a Família de Rua, coletivo de Belo Horizonte, circula por oito cidades brasileiras, realizando as eliminatórias regionais. Até aqui o projeto já visitou Salvador, Brasília e São Paulo, além de Belo Horizonte. Nos meses de junho e julho, o Duelo de MCs Nacional passa por Belém, Vitória, Recife e Rio de Janeiro.

As cidades participantes do projeto foram escolhidas porque apresentam uma forte cena local da cultura Hip Hop, sobretudo no que diz respeito às batalhas de rimas improvisadas, que têm crescido a cada ano e revelado grandes artistas Brasil afora. Cada uma delas possui representantes de peso, MCs improvisadores com potencial para fazer deste edição do Duelo de MCs Nacional uma competição de altíssimo nível.


Foto: Pablo Bernardo 

Em sua primeira edição, o Duelo de MCs Nacional contou com representantes de seis capitais brasileiras, além do Distrito Federal. Na tarde de 26 de agosto de 2012, a nata da rima improvisada invadiu o palco do Viaduto Santa Tereza, em BH, e a cidade vivenciou um dia histórico, recebendo um público de 3.000 mil pessoas. Aquela tarde contou com diversos convidados, entre eles Rappin Hood, responsável pela apresentação das batalhas, e Emicida, que fez o show de encerramento da festa. O belo-horizontino Douglas Din foi o vencedor, tornando-se o melhor MC improvisador do país em 2012.

O Coletivo Família de Rua é um grupo formado por amigos que acreditam na essência da cultura e das manifestações artísticas urbanas. Para tanto, trabalha focado na promoção da cultura Hip Hop e do Skate em seus moldes originais, preservando a personalidade e a força presentes na arte e no estilo de vida daqueles que respiram a rua cotidianamente. O DJ Roger Dee, os MCs (mestres de cerimônias) PDR Valentim, Thiago Monge e Ozléo, a jornalista Ludmila Ribeiro e o produtor cultural Rafael Lacerda integram o grupo que surgiu em meados de 2007 como fruto do trabalho desenvolvido pelo Duelo de MCs, que ao lado do Família de Rua Game of Skate são seus principais projetos. 

 
Desde agosto de 2007 o Duelo de MCs ocupa o Viaduto Santa Tereza, no centro de BH. São mais de duzentas semanas de lutas, resistência e muitas conquistas pelas ruas da capital de Minas. Aquele encontro que começou tímido, com uma roda formada por 20 pessoas atentas à performance de alguns MCs locais, hoje se tornou um dos mais maiores e mais expressivos encontros da Cultura Hip Hop no Brasil. A cada noite de sexta-feira o Duelo reúne cerca de mil e quinhentas pessoas debaixo do Viaduto Santa Tereza, no centro da cidade. Gente de todas as regiões da cidade, de diversas idades e diferentes classes sociais, se junta para viver e celebrar esse encontro único das artes e artistas do Hip Hop. 

São MCs, DJs, dançarinos, dançarinas, grafiteiros e grafiteiras que fazem da rua, do espaço público, do concreto de um viaduto, o seu grande palco, transmitindo ali toda a beleza, essência e originalidade das manifestações artísticas da Cultura Hip Hop.

* Trechos do release do evento