domingo, 30 de junho de 2013

Oportunidade Brasil: 6º Festival de Videoclipes do Tocantins



O evento integra a programação paralela do 10º Agosto de Rock Festival.

O festival tem por objetivo divulgar os trabalhos de bandas independentes de todo o país, através das produções audiovisuais, abrindo espaço para exibição e premiação das mesmas, além de fomentar a produção de videoclipes no Tocantins.

O 6º Festival de Videoclipes do Tocantins é competitivo para videoclipes finalizados a partir de 1º de janeiro de 2012, com duração máxima de até 5 minutos.

Regulamento e inscrição no site:



Teatro São Paulo: O Casamento do Pequeno Burguês



Teatro Macapá: Palco Giratório



terça-feira, 25 de junho de 2013

Música São Paulo: Choro, Garoto e Cordas



Funcionários denunciam más condições do Teatro Margarida Schivasappa

Por Fabio Gomes,
com reportagem de Raissa Lennon (Belém)

Na manhã desta terça-feira, uma comissão formada por 12 funcionários de órgãos da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves (FCPTN) - Teatro Margarida Schivasappa, Biblioteca Pública Arthur Vianna, Galeria Theodoro Braga, Assessoria de Comunicação e Núcleo de Tecnologia - esteve nas sedes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e Ministério Público em Belém entregando um documento no qual denunciam  a precariedade do sistema elétrico e a falta de segurança do Teatro Margarida Schivasappa. O documento foi elaborado em reunião realizada na tarde de ontem. Também nesta segunda, o Corpo de Bombeiros emitiu um laudo liberando o teatro para funcionamento, desde que, num prazo de quinze dias, se proceda à correção das falhas nos sistemas elétricos e de segurança.

O teatro se encontra em reforma desde julho de 2012. A previsão inicial era de concluir as obras até dezembro de 2012, porém atualmente a estimativa é que a reforma termine no final de julho de 2013. Entretanto a comissão de funcionários, em publicação no Facebook, alerta que apenas dois dias na semana são destinado a obras, devido à realização desde maio, no teatro, da Mostra Terruá Pará, todas as terças.

Em 4 de junho, a comissão enviou, por e-mail, um relatório detalhando as condições do teatro para a gerência de apoio operacional e para a direção do teatro; dois dias depois, o documento foi protocolado na presidência da Fundação Tancredo Neves. Publicamos a seguir trechos do documento, intitulado Relatório - Sistema Elétrico (os grifos são nossos):

"Em virtude da realização da Mostra Terruá Pará de Música, as dependências do Teatro Margarida Schivasappa estão apresentando dificuldades operacionais no tangente à alimentação de rede elétrica. Com nossas dependências sob regime de reforma, estamos operando com circuitos elétricos de improviso, somente para energização dos equipamentos usados para o fim de reforma. Qualquer alteração na carga empregada a estes circuitos ocasionariam problemas tanto na alimentação de nossos equipamentos, como também aos equipamentos a eles agregados. Com as montagens do Terruá Pará, outros equipamentos foram introduzidos em nossos circuitos elétricos, causando, assim, quedas de tensão e sucessivas interrupções de alimentação de energia elétrica. Tal fato tem causado transtornos tanto em nossas atividades, como também nas montagens do Terruá, que possui autonomia energética somente nos dias de shows. Estes transtornos vão desde a paralisação de serviços de montagem de equipamentos e trabalhos da reforma, como também na segurança de funcionários, visto que a iluminação de serviço também opera em nossos circuitos improvisados."

O documento também traz fotos, como esta, tirada em 3 de junho, que mostra fiação elétrica presa em um extintor de incêndio. 



Não houve resposta direta ao documento, apenas a publicação, no dia 21, no site da Fundação (http://www.fcptn.pa.gov.br/index.php/fundacao/gapres/ascom/noticias-ascom/674-nota-de-esclarecimento-reforma-teatro-margarida-schivasappa), de uma Nota de Esclarecimento. Nela, a diretora de Interação Cultural da Fundação, Lucinha Bastos, e a presidente da Fundação Paraense de Radiodifusão (Funtelpa),  Adelaide Oliveira, comentam o que já foi concluído da reforma (telhado, estofados, poltrona, área cênica, ampliação da capacidade do teatro) e reafirmam a esperança de concluir a reforma até o final do mês que vem. Sobre a Mostra Terruá, afirmam:

"Apesar da reforma não estar totalmente concluída a fundação abriu uma exceção para a 'Mostra Terruá Pará', promovida pela Funtelpa, que vem sendo realizada às terças-feiras desde o último dia 14 de maio, encerrando em 30 de julho. Toda a estrutura do evento envolvendo grupos geradores, som, iluminação e cenotécnica cabe à produção da mostra, que monta os equipamentos nos dias das apresentações e, ao final, os retira. O evento sempre conta com a presença de policiais do Corpo de Bombeiros para garantir a segurança do público, servidores da Funtelpa, FCPTN e artistas.

 (...)


A direção da Fundação tomou todas as providências necessárias para corrigir as falhas estruturais existentes no espaço, garantindo total segurança para que todos os servidores do teatro realizem suas atividades normalmente. Além dos trabalhadores que atuam na reforma, agentes da área operacional da Fundação estão sempre no local fiscalizando o que está sendo feito, garantindo a efetivação de todas as normas de segurança. A Funtelpa e a FCPTN solicitaram essa semana uma vistoria técnica do Corpo de Bombeiros e, de antemão, todas as recomendações feitas pela corporação já estão sendo providenciadas."

Grid sobre o palco do Margarida, em primeiro plano, e
andaimes da reforma em andamento, ao fundo
(Publicado pela comissão no Facebook em 21/6)

O Corpo de Bombeiros realizou uma visita técnica no dia 19, e outra ontem, quando emitiu então o laudo já citado. A Secretaria de Obras também esteve no teatro, no dia 20. 

Afora a Mostra Terruá, nenhum outro evento está agendado para o Schivasappa até o final da reforma. O Festival de Contrabaixo da Amazônia, anunciado inicialmente para os dias 27, 28 e 29 de junho, foi transferido para o período de 5 a 7 de setembro. O organizador do evento, Marcus Braga, informou à nosssa reportagem ter sido contatado pela direção da  Fundação Tancredo Neves, que lhe informou que não haveria novos equipamentos de som e luz à disposição no final de junho, devido a um atraso na entrega destes materiais. "Nos foi garantido que para setembro já estaria tudo ok", afirmou Marcus Braga. 

Luminárias soltas do forro do mezanino
(foto de 3/6/13)

* Publicado originalmente no Som do Norte

Música Rio de Janeiro: Benneditto Seja!


Sesc Ginástico
Av. Graça Aranha, 187 - Centro - RJ
Ingressos - R$12,00 (inteira), R$6,00 (meia-entrada) e R$3,00 (comerciários)
O Sesc Ginástico aceita apenas dinheiro. Não tem manobristas e nem estacionamento particular.
bileteria: de terça a domingo, das 13h às 19h. Segunda não abre.
no dia do show a bilheteria abrirá às 11h30


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Passeata leva 25 mil às ruas em Macapá (o que vi e ouvi)

Foto: Leandro Cavalcante

Macapá - Passei no começo da tarde de hoje em frente ao Palácio do Setentrião, sede do governo do Estado do Amapá. Tudo aparentando normalidade, salvo um banner assinado pelo Sindicato dos Rodoviários e fixado na grade frontal à esquerda; a ponta esquerda do banner se soltou. Mas fora isso nem sinal de agressão ao patrimônio público, nem reforço (ao menos visível) de vigilância do prédio, que ontem esteve no epicentro da radicalização de um ato que começou pacífico e acabou em conflito. A simples visão do leito da avenida FAB e a própria Praça da Bandeira, ambas ali próximas, também pouco lembravam os acontecimentos da véspera. 

Para quem não sabe, tivemos aqui em Macapá neste dia 19 uma grande manifestação, intitulada Ato Plural e Democrático por Melhores Condições no Transporte Público do Amapá, que faz parte do grande ciclo de passeatas que acontecem pelo país neste mês de junho. Algumas capitais já estavam se manifestando há algum tempo, mas a questão tomou proporções nacionais após a especial truculência da Polícia Militar de São Paulo na noite de 13 de junho. A partir daí, surgiu em Macapá a iniciativa de também se somar a essa luta que se nacionalizou. A mobilização começou via Facebook e logo deu lugar a reuniões presenciais na própria Praça da Bandeira. Estive numa destas reuniões, na segunda, 17, quando chegou a haver um consenso sobre a permissão para o uso de bandeiras de partidos políticos durante a passeata da quarta, o que posteriormente foi modificado. Vi bandeiras, por exemplo, de associações de estudantes, mas de partidos, nenhuma. A única coisa mais partidária que vi foi um panfleto que um rapaz distribuía em meio à própria marcha, intitulado "Não ao Aumento das Passagens" e assinado pela "Intervenção Comunista", em cujo último parágrafo há uma exortação para trabalhar para construir o partido leninista

Foto: Fabio Gomes

A concentração na Praça na quarta estava marcada para as 16h, pouco depois desse horário comecei a me dirigir para lá, indo pela rua General Rondon. A uma quadra da praça, encontrei um grupo de jovens escrevendo seus cartazes - um deles, a moça da foto acima. Um dos rapazes pedia "Fora Feliciano" - ambos os temas, bem como os narizes de palhaço, foram recorrentes na manifestação. Seguimos juntos até a praça, onde me afastei deles procurando amigos com quem havia combinado de me encontrar, e só aí comecei a ter uma real dimensão da massa mobilizada. Já àquela hora, a praça da Bandeira reunia seguramente mais de 2 mil pessoas! Isso eu gostei de ver. O que não gostei de ver foi, logo após minha chegada, dois elementos com o rosto quase todo coberto, com boné enterrado quase tapando a sobrancelha, e lenços escondendo do nariz pra baixo. 

Foto: Fabio Gomes

Em seguida localizei minha amiga Prsni Nascimento, que me convidou para criar o cartaz que ela levaria na passeata. Aproveitei um verso do samba "Apesar de Você", de Chico Buarque, e escrevi Apesar de VC amanhã há de ser outro dia, com o 'VC' bem destacado no centro da folha. Mais gente foi chegando, alguns já ocupavam o leito da avenida FAB, fechada já para o trânsito, como boa parte do Centro àquela hora, e em torno de 17h15 iniciou-se a caminhada histórica. Saímos pela av. FAB na direção do Rio Amazonas, dobrando à direita na rua Cândido Mendes, onde houve o primeiro momento de relativa tensão. Na esquina (melhor dizendo, ocupando o lado inteiro da quadra da Cândido Mendes entre FAB e Coriolano Jucá), fica a residência oficial do governador do Estado, Camilo Capiberibe. Guardas da segurança da casa ficaram junto ao muro, ouvindo palavras de ordem dirigidas ao governador, algumas bastante chulas, outras cobrando seu maior empenho para com a saúde e a educação no Amapá. 

Prsni Nascimento segurando o cartaz que pintei
(Foto: Blog Fora de Rota

Além de Camilo e do deputado Marcos Feliciano, o senador José Sarney, maranhense mas eleito pelo Amapá, e a presidente Dilma Rousseff foram dois alvos preferenciais dos manifestantes, tanto em cartazes quanto em palavras de ordem. Importante: quando falo em palavras de ordem, me refiro ao que eu podia acompanhar de onde estava, já que na posição em que nos encontrávamos não podíamos ver nem o começo nem o final da multidão (que, acredito, foi crescendo à medida em que a marcha avançava). Eu não tinha a menor ideia de que fecharíamos a marcha com 25 mil pessoas - número oficial, fornecido pela Polícia Militar. E absolutamente espantoso, semelhante ao de algumas das manifestações recentes em São Paulo, por exemplo. E S. Paulo, como é sabido, tem uma população muito maior do que Macapá. Para ficar bem claro: como Macapá tem 415 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE em 2012, isso significa que 6 em cada 100 habitantes de Macapá participaram do ato plural!  Eu não falei que era histórico?

Foto: Maksuel Martins Souza

Mas, enfim, falava eu das palavras de ordem. Elas não eram proferidas o tempo todo, volta e meia alguém puxava o coro de Vem pra rua!, em especial quando se passava por prédios onde os moradores nos assistiam da janela, uns eufóricos, outros atônitos. Outras preferidas foram o Fora Sarney e xingamentos chulos a governantes locais e nacionais. Várias vezes alguém puxou o "Hino Nacional", mas fora isso pouco se cantou. Predominavam na "trilha sonora" da tarde os apitos (quase o tempo todo), algumas vuvuzelas (aquelas cornetas da Copa de 2010) e, infelizmente, um barulho constante de "estalinhos", bombinhas usadas pra comemorar o São João. Eventualmente, alguém ainda soltava rojão, o que além de barulhento é perigoso. É bom ressaltar que não havia carro de som (que aqui em Macapá, nessa translação de sentido tão brasileira, é chamado de trio elétrico), algo comum nestas ocasiões.

Da Cândido Mendes, dobramos novamente à direita na Padre Júlio, que concentra maior número de lojas. Boa parte delas estava fechada, com os funcionários na frente acompanhando a passeata. Alguns acenavam e batiam palmas à nossa passagem, vibrando com nossos cartazes que fustigavam figuras da política, além de pedir melhoria no transporte, saúde e educação e condenando a corrupção, a PEC 37 e os gastos excessivos com as obras da Copa do Mundo - fora um protesto bem-humorado pedindo a redução no preço do açaí...

Até o Ministério Público estava protestando!
(Foto: Fabio Gomes)

Nem no ponto mais alto do caminho - a subida da Padre Júlio, quase na esquina da Leopoldo Machado, onde dobramos novamente à direita - era possível ver o final da marcha; imagino que então havíamos atingido já o número de 25 mil participantes. Todos andando, cantando, carregando seus cartazes, na mais perfeita ordem e paz. Afora as bombinhas que não paravam nunca, o que me incomodava um pouco era não saber qual o caminho exato iríamos seguir, embora acreditasse que voltaríamos à praça. Também não gostei muito de ver aqui e ali pelo caminho pequenas fogueirinhas. Numa delas, numa esquina, se estava queimando um boneco, como fosse um Judas malhado em Sábado de Aleluia, sem que fosse possível identificar quem era o destinatário da fúria. 

Ali na Leopoldo, paramos um pouco para comprar água e biscoitos (o sol ainda estava forte, e a Prsni não tinha almoçado). Demoramos um pouco para ser atendidos, pois uma manifestante, que saíra para a marcha com seu scarpin, devia estar com os pés doendo e decidira comprar um chinelo de dedo. Aliás, os figurinos variados na passeata dariam um capítulo à parte - tinha desde estudantes com uniforme, jovens descolados, até patricinhas prontas para desfilar numa passarela (e muita, muita gente com listrinhas verde e amarela em ambos os lados do rosto, havia quem estivesse pintando os outros em plena marcha). Os raros mercadinhos (chamados em Macapá de mini box) abertos atendiam por uma grade, talvez temerosos de ver tanta gente assim junta. Nesse mini box foi o único momento que vi alguém da passeata preocupado com o jogo, perguntando o resultado (o Brasil enfrentara o México, em partida válida pela famigerada Copa das Confederações, o jogo começando às 16h, horário de nossa concentração na praça). O dono do mini box informou que o Brasil ganhara por 2x0. 

Terminado nosso lanche, voltamos à marcha - na verdade, acontecera só um espaçamento, o bloco de pessoas foi ficando um pouco menos compacto, mas em momento algum deixou de passar gente por nós. Também notei que os apitos se concentravam mais na parte da frente da marcha, conforme avançamos voltamos a ouvi-los com força. 

Foto: Maksuel Martins Souza

Já na esquina com a av. FAB, onde dobramos novamente à direita para retornar à praça, algumas pessoas se manifestaram em frente à Assembléia Legislativa. Havia policiamento junto ao prédio, mas não vi incidente algum nesse momento. Mais adiante, em frente à Prefeitura Municipal, foi o único ponto onde vi policiais militares em meio à marcha (certamente eles já estavam ali e nós é que passamos por eles), além de um furgão da PM estacionado no leito da rua. Não vi ninguém ser abordado nem se excedendo, afora os esperados refrões chulos. 

Foto: Maksuel Martins Souza

Perto de 18h30, chegamos de volta à praça da Bandeira. Aí foi possível ter a dimensão do mar de gente, pois não cabiam mais todos na praça, ocupávamos o leito da Av. Fab e todas as calçadas vizinhas. Foi talvez um dos momentos mais felizes da tarde, pois foi a hora em que se reencontraram amigos, colegas, parentes, amores, que se sabiam presentes na mesma marcha, mas separados talvez por uma distância de milhares de pessoas. Eu cheguei a aguardar algum comunicado de nova marcha, alguma reunião, mas como não viesse nada nesse sentido, comecei a pensar por onde poderia sair da praça, já que o avanço pela av. FAB se mostrava impossível, pois não só seu leito seguia ocupado pela multidão, como à frente desta ainda se ouvia, e infelizmente cada vez mais forte, as tais bombinhas de S. João. Foi aí que encontrei um grupo de amigos, e ficamos conversando até que...

...até que a permanência na praça se mostrou impossível. Não tinha como a gente ver, mas tudo indica que foi nesse momento (perto de 19h) que deva ter ocorrido a tentativa de invasão ao Palácio do Setentrião, pois além do barulho das bombinhas começamos a ouvir barulhos de bombas mais fortes, gente correndo na nossa direção (ou melhor, na da Eliezer Levy) e sentimos a ardência dos gases de pimenta liberados pelas bombas de gás lacrimogêneo usadas pela PM. 

PM começa a usar bombas de gás...

... e as pessoas correm pra se proteger
(Fotos: Maksuel Martins Souza)

Senti de imediato me arderem os olhos, o nariz e a garganta, com uma breve sensação de sufocamento e formigamento. Instintivamente, puxei a gola da camiseta e a pus sobre o nariz, de forma a proteger nariz e boca, enquanto corria, segurando o braço de uma amiga do grupo, para evitar que nos perdêssemos. Paramos na esquina da Eliezer com Iracema Carvão Nunes, junto ao prédio da Receita Federal. Uma caminhonete da PM estava próxima de nós. Seguimos ouvindo estouros (segundo relatos que ouvi depois, nessa altura alguns policiais já estavam usando balas de borracha, mas de onde estávamos não víamos nem ouvíamos isto). Uma menina do nosso grupo se perdera e ninguém conseguia localizá-la, nem pelo celular. Já escurecera, o que não melhorava em nada a situação. Novos estouros, mais gente correndo, e acabei optando por sair dali, enquanto parte do grupo ficou. Aí encontrei minha amiga Ramona Gemaque, que me falou que procurava uma amiga dela que estava perto da escola Guanabara, duas quadras adiante, e fomos pra lá, não sem antes sentir o efeito de mais gases de pimenta. 

Manifestante ferida com 
bala de borracha
(Foto: Maksuel Martins Souza)

Ramona encontrou duas amigas na frente de uma lancheria na Presidente Vargas, perto da esquina com a Eliezer Levy. Uma delas não estava se sentindo bem (havia sido atendida com problemas cardíacos na véspera); enquanto Ramona comprava água pra amiga, fui ver uma movimentação que me chamara a atenção na esquina, na faixa de segurança em frente ao campus da UEPA. 

Manifestantes sentaram-se no leito da Presidente Vargas, em cima da faixa, de modo a impedir o trânsito. Apenas motos conseguiam passar, pelas laterais. Quando uma kombi da BPTrans chegou, os manifestantes levantaram e ficaram andando continuamente pela faixa, indo e vindo, de forma a seguir impedindo o fluxo de carros (bloqueio cujo objetivo até agora confesso que não entendi). Seis policiais desceram da kombi e tentaram demover os manifestantes, sem sucesso. Passados alguns minutos, os policiais desistiram e os manifestantes abriram uma brecha no bloqueio para a kombi passar. Os carros bloqueados reagiram esportivamente à situação, sem buzinar nem forçar a passagem. Em dado momento, buscou-se bloquear a passagem também pela Eliezer. Mas aí eu e Ramona já saíamos dali, para encontrar a Prsni, que estava com a mãe dela no começo da Duque de Caxias. Ramona me deixou ali e logo voltou para cuidar da amiga cardíaca. 

Prsni, sua mãe e eu seguimos ouvindo explosões e sentindo gás de pimenta (eu já pela terceira vez). A mãe dela conseguiu falar com o irmão de Prnsi, que seguira com um grupo para a Assembléia. A essa altura, a multidão já se dispersara da praça, que vivia um cenário de guerra. Preferimos sair dali e elas me deram uma carona até em casa. 

Quando estávamos numa loja perto da rua Tiradentes, no centro, ouvimos outra explosão, bem próxima, e (pela quarta vez) o nefando gás de pimenta. O que muito nos admirou, pois estávamos já  a várias quadras da praça  e eram mais de 20h. Dali a pouco, com a situação parecendo normal nas imediações, voltei pra casa. 

Saí pouco depois, para jantar. Fui perto do Arraiá da Beira-Rio, junto à Fortaleza de São José, o que significa que passei duas vezes pelo Teatro das Bacabeiras, onde tudo estava normal até passado de 22h (pelo visto, houvera um espetáculo ou uma formatura de turma de dança infantil, pois várias meninas com roupa de balé saíam com seus papis e mamis).  

Passei por duas paradas de ônibus, na Sâo José e na Tiradentes. Em nenhuma havia ônibus passando, e as pessoas não tinham informação nenhuma. As pessoas da Tiradentes comentaram comigo que o último coletivo que havia passado fôra às 21h - uma e hora e meia antes! 

Também estive no Largo dos Inocentes, mais conhecido como Formigueiro. Um conhecido meu relatou que entrara em confronto, na praça, com um policial que iria atirar num grupo desarmado, ele se pôs na frente e levou uma bala de borracha na perna. Também me contou que a polícia já estivera duas vezes naquela noite no Formigueiro, jogando bombas de gás e atirando balas de borracha nas pessoas que estavam ali, lugar onde habitualmente a juventude macapaense se reúne à noite para conversar e beber numa boa, como estava acontecendo antes das intervenções da polícia, e voltou a acontecer depois disso. Reparei que alguém pichara a Igreja de São José, o prédio mais antigo da cidade (foi inagurado em 1761) escrevendo em sua parede "Abaixo corrupção". 

Eram umas 22h30 passadas quando voltei de vez pra casa. Pelo Facebook, fui sabendo dos ataques a prédios públicos e privados como o Centro Cultural Azevedo Picanço, a Caixa Econômica Federal, a Ótica Diniz e - o que me espantou - o Teatro das Bacabeiras. Como falei, passei antes por ali e não tinha nada de anormal. (Mas hoje, quando estive lá no MIS, mostraram-me as marcas no vidro por onde os vândalos tentaram forçar a entrada, e na calçada pedras retiradas do pavimento.)

Foto: Maksuel Martins Souza

Também fui começando a ver a repercussão do evento. Como era de esperar, e é de lamentar, a 'grande mídia' procurou dar muito mais destaque ao conflito e aos atos de vandalismo do que à manifestação pacífica e histórica que o antecedeu. Uma pena. Espero com o meu relato ter ajudado a situar melhor as coisas para quem não esteve presente. Na verdade, foram duas coisas: uma marcha pacífica que reuniu 25 mil pessoas, e depois uma sequência de atos de vandalismo praticados por uma minoria, ao que a PM respondeu, de um modo que acabou dispersando a todos, pacíficos e vândalos. 

O grupo que organizou o ato de ontem agendou reunião com o prefeito Clécio Luís para a noite de hoje, e fará na sexta reunião para avaliar o ato de quarta. Dali pode sair a convocação de novo ato. Outro grupo, sem ligação com o primeiro, encontra-se agora no começo desta noite na praça da Bandeira, com outra manifestação.

O meu balanço do evento, da marcha em si, é amplamente positivo. Deploro, é claro, o vandalismo, e tenho a certeza que os organizadores do movimento no Amapá saberão buscar soluções para evitar a presença de pessoas que não pensam na construção de uma sociedade melhor, e sim apenas querem se aproveitar da multidão para cometer seus atos ilícitos. 

Continuemos indo pra rua, Brasil, em ordem e em paz. A mudança recém começou! 

Foto: Maksuel Martins Souza

Fogo ateado por vândalos no leito da Av. FAB...

... exigiu a presença dos bombeiros
(Fotos: Maksuel Martins Souza)

terça-feira, 18 de junho de 2013

Cinema Macapá: Clube de Cinema



Belém Livre: bonito, libertador e emocionante


Por Raissa Lennon,
de Belém

A ansiedade contagiava a todos. Sabíamos que aquele era um momento importante para as transformações no Brasil. Eu, como muitos ali também estava ansiosa. Queria saber se iria dar tudo certo. Se seria pacífico. Se as pessoas realmente iriam comparecer as manifestações. Se não era um sonho. Não. Não era um sonho. “Não é Turquia, não é a Grécia, é Belém saindo da inércia”, foi um dos gritos de guerra da passeata.

Belém também saiu da inércia, junto com o resto do país. Às 16h o mercado de São Brás já estava tomado por manifestantes que se organizavam em comissões e preparavam seus cartazes. A pauta principal do protesto era contra a demora nas obras do BRT, mas os apelos foram diversos. “Pára Belo Monte”, “Contra a corrupção”, “Queremos investimentos para saúde e educação!”, clamamos.

Essa característica plural, que não foi só uma peculiaridade de Belém, mas de todos os estados que aderiram às manifestações (até mesmo São Paulo que estava lutando contra o aumento da passagem de ônibus urbano para R$ 3,20), foi alvo de críticas de alguns comentaristas. Acredito que pela primeira vez na história do Brasil as lutas populares tiveram essa peculiaridade. Afinal, pelo que estamos lutando? O que vai acontecer depois que saímos do Facebook?


A juventude responde: estamos cansados dessa violência, desse descaso, dessa falta de zelo pelo país em que vivemos. Queremos ser mais do que o país da Copa, do carnaval e do futebol. Somos contra a PEC 37 e o Feliciano na Comissão dos Direitos Humanos, e o Estatuto do Nascituro é arbitrário. “É tanta coisa que nem cabe neste cartaz”, escreveu um jovem em uma cartolina, em algum lugar do Brasil. É isso que respondemos ao ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, que disse que ainda não entendeu a onda de protestos.

Todas essas bandeiras foram levantadas, menos as dos partidos políticos. “O povo unido não precisa de partido”, gritavam os manifestantes em Belém, em retaliação a um nicho pequeno de partidos de esquerda que insistiam em portar bandeiras gigantes na passeada. “Abaixa essa bandeira”, “Os partidos não me representam”, gritavam os jovens mostrando que a manifestação não era partidária. Isso revela também uma insatisfação com a política representativa no país, os partidos estão corrompidos por um jogo de poder que não nos agrada e não nos representa.



É claro que, a variedade de manifestos não pode ser uma justificativa para as prefeituras e os governos estaduais não fazerem nada pelo povo. Queremos mudanças. Para isso precisamos fazer muito mais. Esse foi só o começo, outras manifestações vão surgir e a ideia é nos organizar cada vez mais. Li muita coisa sobre os protestos ao redor do país. Alguns blogueiros de Belém escreveram que não podemos achar que sair nas ruas com cartazes engraçados e tirar fotos para o Facebook é o suficiente. Claro que não. Precisamos estudar política, saber falar de política e entender esse processo novo que estamos passando. Precisamos bater em quem realmente merece. Mas calma, ainda estamos aprendendo a nos manifestar. Tudo é novo. Mas estes protestos nos deram esperança e confiança de saber que podemos fazer muito mais que isso.



Por isso, a manifestação foi um ato importantíssimo sim, não podemos negar. O ato que aconteceu em Belém foi muito bonito, libertador e emocionante. Todos se respeitaram. Não teve nenhum tipo de violência. Respeitamos os hospitais quando passamos por eles, gritamos muito também quando pudemos gritar. No auge dos meus quase 22 anos de idade, ter participado de um acontecimento deste tipo, e ser apenas um pingo diante de uma massa de quase 15 mil pessoas, foi no mínimo libertador. A chuva ainda deu o ar de sua graça, é claro, para lavar nossa alma e dizer: A rua é nossa. O povo unido merece ser ouvido!

* Depoimento da repórter sobre a marcha Belém Livre,
ocorrida em 17 de junho, data marcada por
marchas semelhantes em diversas capitais do país, 
como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre,
Brasília e Belo Horizonte

domingo, 16 de junho de 2013

Duelo Nacional de MCs realiza eliminatória em Belém

Veja a programação completa do Conexão Belém em 


Entre março e julho deste ano, a Família de Rua, coletivo de Belo Horizonte, circula por oito cidades brasileiras, realizando as eliminatórias regionais. Até aqui o projeto já visitou Salvador, Brasília e São Paulo, além de Belo Horizonte. Nos meses de junho e julho, o Duelo de MCs Nacional passa por Belém, Vitória, Recife e Rio de Janeiro.

As cidades participantes do projeto foram escolhidas porque apresentam uma forte cena local da cultura Hip Hop, sobretudo no que diz respeito às batalhas de rimas improvisadas, que têm crescido a cada ano e revelado grandes artistas Brasil afora. Cada uma delas possui representantes de peso, MCs improvisadores com potencial para fazer deste edição do Duelo de MCs Nacional uma competição de altíssimo nível.


Foto: Pablo Bernardo 

Em sua primeira edição, o Duelo de MCs Nacional contou com representantes de seis capitais brasileiras, além do Distrito Federal. Na tarde de 26 de agosto de 2012, a nata da rima improvisada invadiu o palco do Viaduto Santa Tereza, em BH, e a cidade vivenciou um dia histórico, recebendo um público de 3.000 mil pessoas. Aquela tarde contou com diversos convidados, entre eles Rappin Hood, responsável pela apresentação das batalhas, e Emicida, que fez o show de encerramento da festa. O belo-horizontino Douglas Din foi o vencedor, tornando-se o melhor MC improvisador do país em 2012.

O Coletivo Família de Rua é um grupo formado por amigos que acreditam na essência da cultura e das manifestações artísticas urbanas. Para tanto, trabalha focado na promoção da cultura Hip Hop e do Skate em seus moldes originais, preservando a personalidade e a força presentes na arte e no estilo de vida daqueles que respiram a rua cotidianamente. O DJ Roger Dee, os MCs (mestres de cerimônias) PDR Valentim, Thiago Monge e Ozléo, a jornalista Ludmila Ribeiro e o produtor cultural Rafael Lacerda integram o grupo que surgiu em meados de 2007 como fruto do trabalho desenvolvido pelo Duelo de MCs, que ao lado do Família de Rua Game of Skate são seus principais projetos. 

 
Desde agosto de 2007 o Duelo de MCs ocupa o Viaduto Santa Tereza, no centro de BH. São mais de duzentas semanas de lutas, resistência e muitas conquistas pelas ruas da capital de Minas. Aquele encontro que começou tímido, com uma roda formada por 20 pessoas atentas à performance de alguns MCs locais, hoje se tornou um dos mais maiores e mais expressivos encontros da Cultura Hip Hop no Brasil. A cada noite de sexta-feira o Duelo reúne cerca de mil e quinhentas pessoas debaixo do Viaduto Santa Tereza, no centro da cidade. Gente de todas as regiões da cidade, de diversas idades e diferentes classes sociais, se junta para viver e celebrar esse encontro único das artes e artistas do Hip Hop. 

São MCs, DJs, dançarinos, dançarinas, grafiteiros e grafiteiras que fazem da rua, do espaço público, do concreto de um viaduto, o seu grande palco, transmitindo ali toda a beleza, essência e originalidade das manifestações artísticas da Cultura Hip Hop.

* Trechos do release do evento



Festival de Audiovisual de Belém recebe inscrições



terça-feira, 11 de junho de 2013

Chutando o Balde: Ainda a polêmica do Prêmio Funarte de Música Brasileira


Publicamos aqui - http://vamosfalar-jornalismocultural.blogspot.com.br/2013/06/chutando-o-balde-polemica-do-premio.html  - na quinta, 6 de junho, o artigo Chutando o Balde: A polêmica do Prêmio Funarte de Música Brasileira, apontando vários problemas, digamos assim, na execução do edital lançado pela Funarte no ano passado. O texto vem alcançando boa repercussão; com 328 acessos até este momento, já é o 9º assunto mais lido na história deste blog, que completa 2 anos em agosto. 

Voltamos ao assunto por terem surgido, desde então, alguns fatos novos. Vamos a eles:

- no próprio dia 6, a Funarte divulgou uma Nota Técnica - REUNIÃO DA COMISSÃO DE SELEÇÃO DO PRÊMIO FUNARTE DE MÚSICA BRASILEIRA 2012 – MÓDULOS A, B, C e D (http://www.funarte.gov.br/wp-content/uploads/2012/08/NOTA-TÉCNICA_COMISSÃO-DE-SELEÇÃO_PRÊMIO-FUNARTE-DE-MÚSICA-BRASILEIRA.pdf ), informando sobre as reuniões ocorridas de 6 a 14 e de 20 a 24 de maio em um hotel do Rio de Janeiro, onde se reuniram os 25 membros da Comissão de Seleção (aliás, prevista no edital para ter apenas 12 pessoas) para avaliar os projetos. O texto, num estilo "ata de condomínio", tem a meu ver uma única contribuição relevante ao debate - é a única peça já divulgada pela Funarte que informa terem sido julgados de fato todos os projetos inscritos (3062, no total). Não informa, porém, porque motivo na famosa "lista do dia 4" - Lista completa de classificados com nota final_módulos ABCD_Prêmio Música Brasileira (http://www.funarte.gov.br/wp-content/uploads/2012/08/classificados_lista-completa_modulosABCD.pdf  ) - aparecem apenas as notas de 313 deles. Impressiona ainda a relação de impedimentos - pelo edital, você não pode julgar projetos nos quais está envolvido de algum modo. Dois dos jurados do módulo C estavam impedidos, cada um, de avaliar nada menos que cinco projetos. 

2º - Foi postado no sábado, 8, um comentário no post já citado, complementado por e-mail que recebi na tarde do domingo, 9, trazendo novos elementos para análise. Vamos, de início, à reprodução do comentário:

"Anônimo - 8 de junho de 2013 22:30

Prezado Fabio,

penso que mais do que só chutar o balde, artistas e produtores culturais deste país terão de colocar lenha na fogueira das incompetências ou - tremo de pensar - má-fé da Funarte neste Edital. Vou encher o seu balde um pouco mais, por enquanto anonimamente, por não saber os riscos que corro em termos de retaliações.

Bem, transferi os dados publicados na lista de classificados módulos ABCD (04/06/2013) para uma planilha e reordenei os dados a fim de identificar "anormalidades". As principais, que encontrei até agora, são as seguintes:

1) Mesmo número de inscrição para dois projetos:
1.1) Inscrição 759, José Lourenço da Silva, ambas no Módulo C, mesmo projeto, "Mestres em Movimento - Pesquisa Musical", duas notas (108 e 200 - o que lhe deu o quarto lugar no módulo "C");
1.2) Inscrição 2432, Paulo Muniz Cavalcante da Cruz, ambas no Módulo C, mesmo projeto "O glissom", duas notas (112 e 156), não selecionado;

2) Concorrentes que apresentaram mais de um projeto e classificaram (venceram) com um deles:
2.1) Ana Carolina Miranda Rios, 3 projetos (Módulo B, C e D), venceu no C;
2.2) Cláudia Maria Moreira da Ponte, 2 projetos, ambos módulo B, venceu com "O Alumioso";
2.3) Emerson da Silva Felismino, 2 projetos, módulos A e B, venceu no A;
2.4) Joana Monteiro Ortiz, 2 projetos, módulos A e B, venceu no A;
2.5) Luciana Maria Rabello Pinheiro, módulos B e C, venceu no C;
2.6) Lucineide Lucas de Araújo, 3 projetos, módulos B (1) e D (2), venceu no B;
2.7) Luis Felipe da Gama Pinto, 4 projetos, módulo B (3) e D (1), venceu no D.

Obs.: outros apresentaram mais de um projeto e não classificaram (venceram) com nenhum. Apesar disto, 7 em 55 é mais do que 12%. Desprezível?

Uma outra observação: todas as vagas foram preenchidas com a pontuação máxima (200 pontos) e nenhum outro projeto além destes obteve 200 pontos, acionando as cláusulas de desempate (10.5 e 10.6). Não sei muito de estatística mas parece improvável que todos os selecionados (55) tenham atingido o grau máximo de excelência e nenhum outro além das vagas existentes o tenha conseguido também. É coincidência demais para um ignorante como este que vos "fala".

E, por fim, a questão da Comissão ter pulado de doze para vinte-e-cinco talvez seja só um problema orçamentário interno da Funarte. Seis dos integrantes estão qualificados no Diário Oficial da União de 07/05/2013 (
http://www.jusbrasil.com.br/diarios/53980087/dou-secao-3-07-05-2013-pg-14). E bem qualificados: foram R$ 9.000,00 para fazerem esta bagunça.

Não assino por nem conseguir avaliar se, ao emitir meu "parecer", corro algum risco de retaliação."

O Anônimo me enviou por e-mail as tabelas resultantes do seu trabalho de análise da lista do dia 4. Sobre o comentário, especificamente, considero que o simples fato de vários dos vencedores terem inscrito mais de um projeto não me parece especialmente preocupante, haja vista que o item 4.2 do edital permitia número livre de inscrições por proponente. Mas não deixa de chamar a atenção, de fato, todos os 55 vencedores terem obtido o máximo de 200 pontos (o que, por si só, não chega a constituir uma irregularidade, ao meu ver). Só acho estranho que, no Módulo C, o projeto melhor pontuado logo após os 8 vencedores não tenha atingido 199 pontos, como nos outros três módulos, mas apenas 182 - o que, a bem da verdade, também não é algo irregular (mas é claro que, como a Funarte não detalha as notas, fica difícil qualquer análise mais profunda neste sentido). 

O link citado no Diário Oficial da União permite saber a qualificação de seis dos 25 julgadores: Ricardo Simões, músico e professor; Cláudio Jorge de Barros, cantor/compositor/instrumentista; Carlos Eduardo Fuchs, músico e produtor musical; Henrique Band Ferreira, músico e arranjador; Luiz Fernando Martin Lima, produtor cultural, compositor, arranjador, tecladista e pianista; e João Sérgio da Silva Pimentel, jornalista e compositor. Todos julgadores do Módulo B e nomeados no mesmo dia 6 em que saiu a portaria 161 com todos os 25 integrantes da Comissão, sem que em lugar ou momento algum a Funarte justifique porque 25, e não 12, como previa seu próprio edital. Caso alguém localize a nomeação dos outros 19 membros, agradecemos a informação. 

A grande novidade do trabalho do Anônimo foi ter trazido à tona ao menos uma informação das mais relevantes: os sete julgadores do Módulo C avaliaram dois projetos por duas vezes, atribuindo em cada vez notas diferentes!! Um deles, inclusive, foi dado como vencedor do módulo! Como ninguém se deu conta disso na hora da avaliação e nem na publicação dos resultados??

Enfim, esperamos ter alguma resposta disto no dia 20 de junho, conforme o cronograma divulgado pela Funarte em fevereiro, e que corresponde a dez dias úteis a contar do fim do prazo de recursos (que foi dia 6 de junho).

Adendo - 12/6

Após receber ontem novo e-mail do Anônimo, dei-me conta de algo estarrecedor que vinha passando batido até aqui. Ele estava preocupado com o 'desaparecimento' de projetos que se encontravam entre os habilitados e não figuram na lista do dia 4 (lembrando, foram habilitados 3062 projetos e apenas 313 tiveram a nota divulgada). Eu expliquei a ele que isso estava previsto no edital, e aí quando fui consultar o edital (http://www.funarte.gov.br/wp-content/uploads/2012/08/Edital-Pr%C3%AAmio-Funarte-de-Musica-Brasileira_2012.pdf) localizei o item que me estarreceu (em negrito):

"10.2. Na fase 1, de qualificação, cada projeto será analisado por 3 (três) membros da Comissão de Seleção e sua nota será o somatório das notas destes membros para cada um dos seguintes critérios:
a) Mérito da proposta (artístico, técnico e conceitual); Pontuação 0 a 3
b) Relevância do projeto no campo da música popular brasileira (regional ou nacional); Pontuação 0 a 3
c) Viabilidade de execução; Pontuação 0 a 3
d) Desdobramento: capacidade de gerar outras ações a partir de seus resultados. Pontuação 0 a 3

10.3. Serão qualificados e irão para a fase 2, de classificação, os projetos que obtiverem nota igual ou superior a 28 pontos na fase 1, sendo que os que não atingirem tal pontuação serão eliminados do concurso."

Trocando em miúdos: todos os 3062 projetos foram avaliados inicialmente em 4 critérios por 3 pessoas cada um, podendo receber então uma pontuação máxima de 36 pontos. Quem atingiu 27 ou menos foi eliminado, não passando à etapa seguinte, que já era a classificação que apontou a ordem dos selecionados (algo meramente formal, já que como bem apontou o Anônimo todos os 55 classificados obtiveram os mesmos 200 pontos). Ou seja: pelo edital, quando a Funarte traz a público na lista do dia 4 estes 313 projetos, ela tacitamente diz que 2749 dos projetos inscritos não tiveram nota superior a 27, em 36 possíveis! Importante dizer que essa pontuação máxima de 36 não entra no cômputo dos 200 pontos da fase seguinte; após avaliados na Fase 1, zerou-se a pontuação de todos os projetos para avaliação na Fase 2. Que, digamos, um terço dos projetos não alcançasse esse nível, mas 89,7% dos projetos, praticamente 90%????

Isto equivale a dizer que a comunidade cultural brasileira, em peso, teria desaprendido a escrever projetos, o que soa muito estranho, afinal é por esse caminho que há mais de 15 anos tem caminhado a política cultural brasileira. Já está mais do que na hora de a Funarte abrir publicamente as notas de todos os 3062 projetos habilitados, em todas as fases pelas quais eles foram avaliados!


domingo, 9 de junho de 2013

2 mil pessoas acompanharam 6º Festival de Sanfoneiros na Bahia


Por Calila das Mercês,
enviada a Feira de Santana

Sanfona, forró, animação e duas mil pessoas. Assim foi a noite da sexta-feira, 24 de maio, no Auditório Central da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). A musicalidade regional ganhou forças na grande final do 6º Festival de Sanfoneiros, organizado pelo Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca). O publico se animou com as diferentes apresentações de sanfoneiros e dos grupos que fizeram parte da programação do evento.

Além das apresentações, as pessoas puderam degustar as comidas e bebidas típicas em pequenos estandes na área externa do auditório. Diversas atrações fizeram com que a plateia vibrasse bastante, com destaque para Cícero Feitosa, um garoto de 9 anos, representante de Juazeiro do Norte (Ceará), que foi premiado pelo júri popular (prêmio concedido através do voto popular) na categoria 2 (acima de oito baixos).

As apresentações se deram com duelos entre os melhores sanfoneiros. Cinco jurados, com formação específica e/ou com conhecimento musical e de cultura popular, julgaram os 16 finalistas observando os seguintes critérios: execução do instrumento (harmonia, melodia e ritmo) e performance do sanfoneiro (desenvoltura e comunicação com o público). Serão premiados os 1º, 2º e 3º lugares da Categoria 1 (até oito baixos) e da Categoria 2 (acima de oito baixos). Os artistas disputaram R$ 24 mil em prêmios.

Confira os demais destaques (com informações da assessoria):

Luiz Gonçalves de Andrade venceu na escolha do júri popular na categoria 1 e também faturou o prêmio da categoria pela escolha do júri oficial. O segundo colocado na categoria 1 foi Elthon Dheime Machado Mascarenhas, o Machadinho, 16 anos, de Rafael Jambeiro (Bahia) e em terceiro lugar ficou Godealdo de Jesus, de Riachão do Jacuípe (Bahia). 

Na categoria 2 , o campeão foi Jefferson Dias Rios, de Cruz das Almas (Bahia). Thiago Mendes Souza, de Salvador, ficou em segundo lugar e em seguida, Kelvin Diniz Gomes da Silva, de Capim Grosso (Bahia), ficou com a terceira colocação.

Após receber o Troféu Dominguinhos, Jefferson Rios, em ato de reconhecimento, passou a taça para o garoto Cícero Feitosa, algo que emocionou o público que aplaudiu bastante. Os primeiros colocados, além do troféu, também receberam premiação em dinheiro.

A grande final do 6º Festival de Sanfoneiros de Feira de Santana contou, ainda, com a participação dos artistas Daniel de Araújo e Novais, Jadson Bastos de Macêdo, Joselito Ferreira Bezerra e Leandro da Conceição Aquino (categoria 1), além de Antônio Mendes Soares, José Apóstolo dos Santos, Joselino Pereira dos Santos, Manoel Ferreira de Oliveira e Pedro Pinheiro dos Santos (categoria2).

Na grande noite, também se apresentaram, Asa Filho e Trio de Forró, Pedro de Dário, Grupo de Câmara do Cuca e convidados.

Teatro Rio de Janeiro: Como Nossos Pais

Pedro Neschling e Vitória Frate
(foto: Julieta Bacchin)


O Centro Cultural Justiça Federal apresenta, de 14 de junho a 21 de julho, o espetáculo “Como Nossos Pais”. O texto tem autoria e direção de Pedro Neschling, que também está no elenco ao lado de Isio Ghelman, Vitória Frate e Fabrício Santiago. A montagem, que estreou em São Paulo em novembro de 2012 e partiu em turnê pelo interior do país, chega agora ao Rio de Janeiro.

Segundo texto teatral de Pedro, essa tragédia contemporânea lança ao público um debate sobre as consequências da criação dada pelos pais no desenvolvimento do caráter de cada indivíduo. “Todos os conflitos da peça passam pela questão da paternidade. O quanto o que somos é resultado da criação que recebemos, o quanto temos capacidade de nos reinventar. É um tema universal e espero levar ao público com esse espetáculo uma reflexão sobre nossas escolhas e relações pessoais e o que podemos fazer para modificá-las e nos modificarmos”, apresenta Neschling.

Com um texto moderno e dinâmico, “Como Nossos Pais” apresenta cenas curtas que se sucedem - algumas vezes simultaneamente - e são levadas ao palco num cenário assinado pelo premiado Flávio Graff. Mais de 200 totens brancos simbolizam uma grande metrópole na qual a saga dos Kaufmann acontece. A luz assinada por Adriana Ortiz ajuda a unir o todo. “Gosto da ideia de unir a encenação de forma fluida e conceitual e nesse espetáculo busquei junto com a equipe técnica levar ao máximo essa fusão de teatro com artes plásticas, afirma o diretor.   

Além da peça, Pedro lança ainda em junho o livro do espetáculo, pela editora paulista Giostri, e estará no elenco da próxima novela da seis da Rede Globo, Joia Rara. 

Sobre o espetáculo

Ivan Kaufmann (Isio Ghelman) é um filho de imigrantes que se tornou dono de um dos maiores grupos empresariais do mundo. Tem uma relação bastante superficial com seu único filho, Luiz Eduardo (Pedro Neschling), que trabalha nas suas empresas. Os dois se encontram uma vez por mês para jantar acompanhados de belas mulheres, e a relação se resume a isso.

Um dia, Rômulo (Fabrício Santiago), filho de uma antiga empregada da mansão Kaufmann e que foi criado próximo a Luiz Eduardo, reaparece. O rapaz está prestes a se tornar pai e vem pedir emprego ao ex-patrão de sua falecida mãe. Ivan fica de alguma forma tocado pelo pedido do jovem e resolve ajudá-lo.

Quando descobre que Rômulo está trabalhando de office-boy na empresa do pai, Luiz Eduardo fica muito surpreso. Ele sabe que o “antigo amigo” andava há anos envolvido com o tráfico de drogas. Intrigado, questiona o rapaz que afirma sua vontade verdadeira de mudar de vida, agora que vai ter um filho.

Luiz Eduardo começa a se relacionar com Cléo (Vitória Frate), uma linda jovem, filha de uma família rica e desestruturada emocionalmente. E Ivan, impressionado com a dedicação de Rômulo e tomado por um repentino e profundo sentimento de revisão de valores na vida, resolve aumentar o investimento no futuro do rapaz oferecendo estrutura para que ele se torne um executivo na empresa. Isso desperta em Luiz Eduardo, que sempre se sentiu descuidado por seu pai, o mais profundo sentimento de desamparo. Já Cléo, que também se ressente da falta de carinho paterno, começa a ver Ivan com outros olhos.

A história caminha para o auge de sua tensão na medida em que Luiz Eduardo, tomado por raiva, arma uma cilada que faz com que Rômulo e sua esposa sofram um atentado. E Cléo, cada vez mais encantada, acaba se envolvendo com Ivan. A relação de pai e filho fica insustentável.


FICHA TÉCNICA

Escrito e dirigido por Pedro Neschling
Elenco (em ordem alfabética) Fabrício Santiago, Isio Ghelman, Pedro Neschling e Vitória Frate
Direção de Arte e Figurino Flávio Graff
Luz Adriana Ortiz
Diretor Assistente Paulo Mathias Jr.
Direção de Movimento Toni Rodrigues
Trilha Sonora Pedro Neschling
Projeto Gráfico Cubículo – Fábio Arruda e Rodrigo Bleque
Fotografia Marcelo Faustini
Assistente de Direção de Arte e Figurino Júlia Deccache
Direção de Produção Miçairi Guimarães
Produção Executiva Mariana Serrão
Produzido por Lucélia Santos, Pedro Neschling e Miçairi Guimarães
Realização Nesch Produções e Nhock Produções

SERVIÇO

“Como Nossos Pais”
Estreia: dia 14 de junho, às 19h
Sessão para classe: dia 15 de junho, sábado, às 19h
Local: Centro Cultural Justiça Federal (Avenida Rio Branco, 241 – Centro)
Informações: (21) 3261-2565
Horário: sexta a domingo, às 19h
Ingresso: R$30,00
Bilheteria: de terça a domingo, das 15h às 19h
Duração: 60 minutos
Capacidade: 142 lugares
Temporada: 14 de junho a 21 de julho
Classificação: 14 anos