domingo, 25 de agosto de 2013

Opinião Cinema: Vendo ou Alugo

Por Calila das Mercês,
de Salvador



Assistir comédia brasileira, para mim, é sempre um desafio grande. (E olha que gosto também de filmes para dar uma relaxada na mente!) Desafio ao ver, pois o apelo nem sempre é o melhor, o roteiro, muitas vezes, fica perdido e o elenco, nem sempre é dos mais bem preparados. Até hoje, a meu ver, nada superou O auto da compadecida, lançado em 2000, dirigido por Guel Arraes e com roteiro de Adriana Falcão (baseado na peça homônima de 1955 de Ariano Suassuna) e a comédia romântica, Lisbela e o prisioneiro (2003) do mesmo diretor, baseado na obra de Osman Lins. Toda vez que vejo uma novidade “engraçada” em cartaz, fico um pouco sem jeito, descrente, mas, de todo o modo, eu vou checar para ver do que se trata e se surpreende. Vendo ou Alugo me chamou atenção, primeiramente, pelo elenco, atores “escolados” e a diretora, Betse de Paula, que venceu 12 prêmios no Cine PE 2013 com a comédia considerada politicamente incorreta.


Para alcançar grandes bilheterias, o que é necessário? Escracho, machismo, Rio de Janeiro, favela, classe média, “malandragem”, atores globais? Bem, o filme Vendo ou Alugo parece seguir uma repetição já conhecida em vários dos filmes brasileiros já lançados. Porém chega com Marieta Severo e Nathalia Timberg, na linha de frente de uma comédia politicamente incorreta, que para quem gosta do conceito é um prato de mão cheia!

Betse de Paula resolve utilizar do bom humor negro para construir a trama. Observam-se quatro diferentes gerações e seus conflitos, já que a história se passa em uma casa em que moram quatro mulheres, Maria Alice (Severo), Maria Eudóxia (Timberg), Madu (Bia Morgana) e Baby (Silvia de Paula), todas herdeiras, cada uma com um pensamento diferente sobre a vida, porém todas endividadas. No filme é possível ver a realidade do subúrbio carioca, a dificuldade de conseguir trabalho, retratos da vida de uma família que vive do lado de uma favela em processo de pacificação, tráfico de drogas, uso de drogas, vício com jogo, o controle religioso das entidades, a falsa segurança dada pela polícia etc. O que é drama social para alguns, tornou-se piada ou experimentação para a diretora que insere nas piadas um tom de denúncia.


No decorrer da história, as quatro mulheres se deparam com um estrangeiro fajuto e esquisito que se mostra interessado no imóvel, exatamente por causa da proximidade da favela e as marcas de violência presentes, e disputa a compra com um pastor evangélico (ex-assaltante). E elas fazem de tudo para que um dos dois interessados a comprem, sempre mostrando o que é conveniente para os dois lados. 

Vale ressaltar que o filme tem fotografia e trilha sonora razoável (a meu ver!). Toques de denúncia para deixar que o público tire suas próprias conclusões. Parece uma boa para um filme que buscou fugir dos clichês ou que buscou dar uma nova roupagem ao que já era de praxe. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário