segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Crônica de gente sem nome nas ruas: narrativas de Antônio Torres na imprensa


Por Calila das Mercês,
de Salvador

Calila das Mercês é a da direita

I


Praticamente duas semanas sem dormir, apenas produzindo. Na quinta-feira, 12 de setembro, apresentei no Seminário de Literatura e Diversidade na Universidade Estadual de Feira de Santana, o trabalho Crônica de gente sem nome nas ruas: narrativas de Antônio Torres na imprensa. Entre colegas do Mestrado em Estudos Literários e professores de outras instituições, o evento, de forma geral, foi interessante e agregador de conhecimentos. Na primeira mesa, O locus da enunciação na pesquisa de subjetividades, tivemos a presença do Prof. Dr. Ricardo Freitas da Universidade Estadual da Bahia (UNEB) que falou sobre “Tecnoarte: sobre produções culturais autóctones como possibilidades inclusivas” e do também Prof. Dr. Ari Lima, da mesma instituição, com trabalho intitulado O método é heterodoxo. O sujeito é posicionado. A pesquisa é possível?

A segunda mesa, ainda pela manhã, foi Painel de pesquisas em andamento, que teve a apresentação dos trabalhos A máquina” e os sonhos de nordestina: entre a literatura e o cinema, de Mônica Grisi Chaves, e Pelourinho patrimônio da humanidade: histórias da Bahia em quadrinhos, de Elizia de Souza Alcântara. Ambas orientadas pelo prof. Dr. Roberto Seidel no mestrado em Crítica Cultural da UNEB.

Houve alguns remanejamentos e eu apresentei à tarde, na mesa Literatura e oralidade, junto à professora Dra. Edil Silva Costa, com seu trabalho “Por uma cartografia das poéticas da voz na Bahia” e à minha colega Daiane Araújo França sobre “Boi roubado: as narrativas orais da região sisaleira em uma tradição do trabalho em festa”; a mesa foi finalizada comA condição e os conflitos do sujeito moderno na literatura contemporânea: uma (des)leitura deEssa terra’ de Antônio Torres eTerra sonâmbula’ de Mia Couto”, apresentada pelo mestrando Eduardo Dourado. Todos os discentes que apresentaram no evento são orientandos do já citado Roberto Seidel, na UNEB ou na UEFS. Eventos como estes nos dão oportunidade para intercambiar idéias e trocar experiências. Enfim, comentado o evento, vamos a um resumo do trabalho que apresentei.


II

Crônicas de gente sem nome nas ruas, em outras palavras é o cotidiano de gente como eu, você ou qualquer cidadão comum que anda pelas ruas e se aventura pela vida. Poucas pessoas se interessam por crônicas? Você conhece Antônio Torres? Perguntas que me fizeram escrever e me interessar pelo autor que nasceu no Junco, Sátiro Dias, interior baiano. Fez o ginásio na cidade de Alagoinhas e ingressou no Colégio Severino Vieira, em Salvador, não chegando, porém, a concluir o segundo grau. Antes de ingressar no jornalismo teve várias ocupações, tanto no campo, no trabalho agrário e pastoril, quanto na cidade, onde trabalhou em sorveteria e bar e como vendedor-pracista. Também foi bancário por algum tempo, em Salvador e São Paulo.

Antes de dedicar-se à literatura completamente, Torres atuou como jornalista. Em Salvador, trabalhou, em 1959, no Jornal da Bahia, e no jornal paulista Última Hora, em 1961. Como cronista, escreveu para a Tribuna da Imprensa e Jornal do Brasil no Rio de Janeiro e para o Jornal da Tarde, em São Paulo. Escreveu sobre Jorge Luis Borges, William Faulkner, Glauber Rocha, Alexandre O' Neill, Monteiro Lobato, Jorge Amado, Garrincha, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, entre outras personalidades que contribuíram com a história do país ou mundial e também sobre “gente sem nomes nas ruas”, tema pelo qual me interesso profundamente. Em 2000, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra, porque ele é conhecidíssimo pelos seus 11 livros de romance, como o Meu querido canibal, O cachorro e o lobo e Essa terra.

Crônica é literatura?  O mais jornalístico dos gêneros literários e o mais literário dos gêneros jornalísticos: a crônica, antes vista apenas como coletânea de fatos históricos e de narrações em ordem cronológica, anos depois se torna o conjunto de notícias que circulam sobre pessoas e, hoje, gênero literário brasileiro que consiste na apreciação pessoal dos fatos da vida cotidiana.


Sobre Pessoas é composto de 47 textos – crônicas, entrevistas, recordações e homenagens – divididos em oito partes, sendo uma, em especial, em homenagem ao poeta português Alexandre O’Neill, composto por três poesias do mesmo. Curioso(a) para conhecer mais sobre o autor? Está aqui o link do seu site com diversos materiais! Ótima leitura!

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