domingo, 22 de setembro de 2013

Opinião Cinema: Cine Holliúdy


Por Calila das Mercês,
de Salvador




Vou ao cinema e vejo um cartaz interessante, cuja maioria de atores são desconhecidos e propondo-se a apresentar um filme de comédia. Acostumada a ver sempre filmes brasileiros, em que predominam cenários sulistas, favelas e afins, deparo-me com uma caatinga cearense, numa cidade chamada Pacatuba e que trás como grande desafio da trama, a realização do sonho de um homem comum que é a abertura de um cinema. Bem, fiquei surpresa com as notícias que Cine Holliúdy alcançou a maior bilheteria NACIONAL da última semana em um país que raras vezes valoriza uma produção experimental e mais surpresa ainda por ser experimental feita no nordeste, região, por vezes, marginalizada. Um filme cômico que conseguiu divertir e também levar às pessoas reflexão sobre a situação do cinema brasileiro (salas de projeção e  produção de filmes) e a nossa sociedade (tão estereotipada e aparentemente previsível). Apenas algumas ressalvas: acredito que as legendas não traduzem exatamente o cearês, penso que a tradução poderia ser revista. No mais, creio que pequenos ajustes resolveria probleminhas técnicos, que não tiram a qualidade da história e os méritos da direção e roteiro. 

Mais de 22 mil espectadores foram aos cinemas para ver a estreia de Cine Holliúdy, do diretor Halder Gomes, superando o filme da Globo Filmes, também de comédia, A Casa da Mãe Joana 2, em cartaz em praticamente todos os cinemas brasileiros, ao contrário do filme cearense que estreou apenas em 10 salas locais. O longa foi lançado em 9 de agosto deste ano em Fortaleza e em algumas cidades de sua região metropolitana.

1970, interior do Ceará, ascensão dos aparelhos de TV e o desejo de “abrir” uma sala de cinema. Esta é a saga de Francisgleydisson, vivido por Edmilson Filho, que em toda a trama chama a atenção pela atuação tão viva, em que incorpora um verdadeiro contador de histórias que quer realizar o grande sonho de levar o que chama de “7ª arte” para o povo. Miriam Freeland, Joel Gomes e Roberto Bomtempo também atuam no longa, respectivamente, como Maria das Graças, a mulher, o filho do sonhador, Francisgleydisson Filho e  Olegário Elpídio, o prefeito da cidade.



Antes de ser desenvolvido para um longa-metragem, o filme foi feito numa versão menor, curta-metragem com ajuda de edital de baixo orçamento do Ministério da Cultura em 2009. Participou de 80 festivais de 20 países e ganhou 42 prêmios. “Nos festivais, os críticos me animaram e falaram que tinha que fazer um longa-metragem desse filme e, realmente, tinha muito material para isso”, afirmou o diretor Halder.

Segundo o diretor, apesar do grande sucesso do filme (popularidade de temas e personagens nordestinos que falam em “cearês” e retratam situações típicas da região), o filme tem problema de distribuição, não há ainda garantias de exibição nos cinemas de todo o país. Para saber se o filme já está em cartaz perto da sua casa, confira a fanpage aqui!

2 comentários:

  1. Seu texto me deixou com vontade de assistir ao filme! Fui procurar pra ver onde está passando, e vi que só tem no Aeroclube, Glauber Rocha e Sala de Arte da Ufba :/ Vou tentar ir lá!
    Excelente texto!

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  2. Obrigada, Camila! É bem legal para quem gosta de comédia! Grande abraço.

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