quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Teatro Rio de Janeiro: 1958 – A Bossa do Mundo é Nossa!


Foi tudo tão intenso no Brasil daqueles 365 dias que o livro feito para contar essa história ganhou o seguinte título: Feliz 1958 – O ano que não devia terminar. E não terminou. O livro do jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, best-seller no final da década de 1990, inspira a comédia musical 1958 – A Bossa do Mundo é Nossa!, dirigido por André Paes Leme. A realização é da Sarau Agência, de Andréa Alves, e da AVeiga, da atriz Andrea Veiga, que integra o elenco de seis atores, ao lado de Bianca Byington, Daniela Fontan, Diego de Abreu, Leandro Castilho e Mateus Lima. A estreia é em 27 de setembro, no Teatro Laura Alvim, com patrocínio da Light. No dia 28, às 19h, Joaquim Ferreira autografará livros no teatro.

O livro, lançado em 1997, não se preocupava com a cronologia e era dividido por temas, como “Misses”, “As certinhas do Lalau” e “As dez mais elegantes”, para ficar só nos capítulos dedicados à beleza feminina. André espalhou os assuntos por seis ciclos, que são balizados pelos sete gols da final da Copa do Mundo, a primeira vencida pelo Brasil (5 a 2 contra a anfitriã Suécia) e que nos afastou do que Nelson Rodrigues chamava de “complexo de vira-latas” – consequência da derrota no Maracanã, oito anos antes, para o Uruguai.

 “É uma comédia musical, um espetáculo de variedades em que os quadros se sucedem”, explica o diretor. “Vamos passando por vários assuntos, como a bossa nova, os concursos de misses, a construção de Brasília, a escolha do Papa, a juventude transviada e outros.”

 Em 1958, João Gilberto lançou o compacto de “Chega de saudade”; Adalgisa Colombo foi eleita Miss Brasil e ficou em segundo lugar no concurso de Miss Universo; as obras da nova capital do país avançaram com rapidez no planalto central; João XXIII sagrou-se Papa; e James Dean deu as cartas no imaginário dos garotões, que às vezes se perdiam, como no caso dos dois que se envolveram na morte da jovem Aída Curi, que se jogou ou foi jogada do terraço de um prédio em Copacabana.

 Tudo isso é envolto, na encenação, em referências da época como os jingles publicitários (Toddy, Casas Pernambucanas, colírio Moura Brasil e outros), as peças marcantes (Os sete gatinhos, de Nelson Rodrigues, e Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri), as vedetes do teatro de revista e, também, em objetos como rádio, TV, telefone, enceradeira e máquina de escrever.

 André optou por utilizar pouco texto e muitos recursos gestuais e visuais, evitando assim o didatismo. Mas as histórias de 1958 estão no palco, costuradas por personagens como uma dona de casa, uma fã de auditório de rádio e uma cantora de boate.

 “O espetáculo é totalmente baseado na pesquisa do Joaquim. Será possível recuperar a memória de 1958 para os que viveram a época e despertar o interesse dos que não viveram”, diz o diretor.

 Andrea Veiga comprou os direitos de adaptação do livro há dois anos e correu atrás de patrocínio, até encontrar a Light. Apesar de sua experiência em musicais, diz que está atravessando um momento inédito em sua carreira.

 “Nunca tinha vivido um processo desse tipo, com todos criando juntos a peça, e todos com funções importantes. Está sendo maravilhoso”, afirma ela.

 Com orientação do diretor musical, Marcelo Alonso Neves, Andrea e o restante do elenco interpretam canções como “Meu mundo caiu”, “Castigo”, “Só louco”, “Sábado em Copacabana” e “Beija-me”.



 Joaquim Ferreira dos Santos deu liberdade total para a adaptação do livro, que era, no início, um projeto sobre a morte de Aída Curi. Ele diz ter percebido que o caso era “o grande bode de 1958, de resto um ano felicíssimo”.

 “Mudei o livro e fiz um perfil de 1958, o ano da bossa nova, da Copa do Mundo e da convivência pacífica entre gêneros culturais opostos: a chanchada continuava em cartaz, mas o cinema novo começava a produzir; o teatro ainda estava cheio de vedetes, mas começou a compartilhar a cena com o Arena e o Oficina. Foi o ano em que o Brasil, com a revista Manchete publicando as primeiras construções de Brasília, foi se despedindo de seu passado rural e embicando para o que conhecemos hoje, um país moderno e urbano”, diz o autor.

SERVIÇO 

1958 - A Bossa do Mundo é Nossa!

FICHA TÉCNICA
Inspirado na obra “Feliz 1958”, de Joaquim Ferreira dos Santos
Roteiro e direção: André Paes Leme
Elenco: Andrea Veiga, Bianca Byington, Daniela Fontan, Diego de Abreu, Leandro Castilho e Matheus Lima
Músicos: Evelyne Garcia, Tiago Calderano e Leandro Vasques
Direção de movimento: Márcia Rubim
Direção musical: Marcelo Alonso Neves
Direção de Produção: Andréa Alves
Cenário: Carlos Alberto Nunes
Iluminação: Renato Machado
Figurinos: Kika Lopes
Videografismo: Renato Vilarouca  e Rico Vilarouca
Realização:Aveiga Produções e Sarau Agência de Cultura Brasileira

SERVIÇO
Estreia para convidados: 26 de setembro
Estreia para público: 27 de setembro
Noite de autógrafos com Joaquim Ferreira do Santos: dia 28/09, às 19h
Local: Teatro Laura Alvim (Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema)
Informações: (21) 2267-4307
Horários: sexta e sábado, às 21h, domingo, às 20h
Ingresso: R$ 40,00
Capacidade: 245 lugares
Bilheteria: terça a sexta, das 16h às 21h, sábado, das 15h às 21h, domingo, das 15h às 20h
Duração: 80 minutos
Gênero: comédia musical
Classificação: 12 anos
Sinopse: Em seis ciclos, a comédia musical repassa os principais acontecimentos de 1958, como a primeira Copa do Mundo conquistada pelo Brasil, o início da bossa nova, a construção de Brasília e os concursos de misses.
Temporada: de 27 de setembro a 22 de dezembro


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