terça-feira, 22 de outubro de 2013

Entrevista: Katherine Funke

Por Calila das Mercês,
de Salvador



“Pra mim, escrever é reinventar nosso absurdo”, afirma Katherine Funke, em Notas mínimas. Gentil, atenciosa, acessível. Talentosa, esforçada e interessante. Mais que isso, Katherine Funke é uma expressiva escritora que faz a sua arte com prazer e dedicação. Esta jovem artista (digo artista, porque para mim literatura é arte!) tem se destacado no meio literário com seus escritos que demonstram um conhecimento interior surpreendente. Nasceu em Joinville, Santa Catarina, em 1981, há 10 anos reside em Salvador, na Bahia. Como jornalista, foi repórter do jornal A Tarde, participando do projeto da Revista Muito. Em 2011, escreveu o livro Sem pressa, projeto selecionado pela bolsa Funarte de Criação Literária 2010 – categoria gênero narrativo. Em agosto esteve em residência artística em Florianópolis, pelo projeto “Viagens na Barca”, atividade da Bolsa Interações Estéticas - Residências Artísticas em Pontos de Cultura, da Funarte. Recentemente, lançou o mais novo livro Viagens de Walter e de outubro até dezembro deste ano ministra a Oficina de Escrita Criativa: Contos em Lauro de Freitas, na Bahia. Na entrevista, ela falou sobre a literatura, os projetos e um pouco das novidades das suas andanças pela Europa.

Calila das Mercês - Como surgiu a paixão pela literatura?
Katherine Funke - Livros e histórias estiveram em todos os dias da minha infância. Gostava de ler e também de ouvir outras pessoas contando suas lembranças, desejos, frustações, aventuras. Aos sete anos fiz meu primeiro livro, com capa ilustrada por mim mesma e tudo... Simultaneamente, surgia minha vocação para o jornalismo, profissão que exerço ainda hoje em diferentes funções. 
Calila das Mercês - O que pretende com sua arte?
Katherine Funke - Em primeiro lugar vem a autoexpressão. É um pouco egoísta mas é um egoísmo generoso pois, se pensarmos bem, o melhor escritor é aquele que se comove ao se revelar - seja sofrendo ou se divertindo ou transcendendo ou satisfazendo o impulso vital de escrever sempre, a qualquer hora e a qualquer custo. Simplesmente escrevo porque preciso: faz parte de mim. Não penso muito em mercado ou no leitor ideal. Gostaria muito, contudo, que todos os leitores sejam tocados pela minha voz, minha escrita. Fico super feliz e agradecida quando recebo emails emocionados de leitores. Não nego, não. 
Calila das Mercês - Como você vê o cenário dos novos escritores no Brasil e na Bahia?
Katherine Funke - Temos cada vez mais escritores publicando livros, blogs, colunas em revistas eletrônicas etc. Tenho conhecido alguns realmente bons, pois me interesso pelos meus contemporâneos, vou atrás mesmo, leio tudo o que me parece interessante. Compartilho essa minha sede pelas narrativas e poéticas do nosso tempo sempre que posso. Acabo de fazê-lo na residência artística em Florianópolis e também na oficina de contos que iniciei agora no dia 19 para duas turmas de novos escritores da região metropolitana de Salvador. Entre os meus favoritos da Bahia estão Patrick Brock, Karina Rabinovitz, João Filho, Victor Mascarenhas, Davi Boaventura, Emmanuel Mirdad e Kátia Borges. De fora da Bahia, amo alguns que já não são exatamente novidade, embora ainda sejam relativamente novos para algumas pessoas, como Daniel Galera, Joca Terron, Verônica Stigger, Carlos Henrique Schroeder, Santiago Nazarian e Vanessa Bárbara. 
Calila das Mercês - Como foi a experiência na Feira do Livro de Frankfurt? Como você percebe a perspectiva do mercado europeu para o autor brasileiro?

Katherine Funke - Foi muito bacana ver o livro como mercado ilimitado, transacional, além de questões estéticas, teóricas e mesmo literárias em si. Para algumas pessoas talvez fosse um desencantamento perceber o livro como produto, o seu conteúdo como valor negociado em contratos de direitos autorais, tradução, publicação etc, mas isso não aconteceu comigo. Sou curiosa, investigativa e andei por tudo, assisti muitas palestras, conversas, fui até a um laboratório de autopublicação com executivos da Amazon e da Kobo. Estive pessoalmente com autores que amo e que me inspiram, com quem sempre aprendo algo como artista e mesmo como pessoa. Também conheci agentes literários abertos a representar autores brasileiros no exterior e estive no lançamento de um livro de uma editora de Berlim, Klaus Wagenbach, que contém um conto meu traduzido para o alemão. Tá certo que a festa era para os alemães, pois quase só se falava a língua deles. Mas fiquei feliz mesmo assim.


Calila das Mercês - Quais são suas próximas atividades? Algum projeto em vista?

Katherine Funke - Acabo de lançar um romance chamado Viagens de Walter, apenas em formato digital (epub) disponível para download no site da Solisluna Editora. Quero circular esse livro, lançar em algumas cidades, propor resenhas, interagir com leitores. Ele foi lançado no dia 21 de setembro, recém fez um mês. Gostaria muito de ver uma boa repercussão, mas isso é incontrolável, depende de muitas variáveis. Enquanto isso, continuo escrevendo. Quero publicar um livro de contos no ano que vem.


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