quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Especial #Vinicius100Anos: Fume Ary, cheire Vinicius

Salvador - Por uma agradável coincidência, nessa semana em que se comemora o centenário de Vinicius de Moraes, me encontro na capital baiana, mais exatamente no bairro de Itapuã, onde o poeta morou boa parte dos anos 1970 (inclusive conheci hoje a casa que ele construiu aqui; mas isso deixo pra contar no dia do centenário mesmo, o sábado 19 de outubro).

Até o sábado, vou republicar aqui no blog textos produzidos em diferentes épocas para os sites Brasileirinho e Jornalismo Cultural. O primeiro foi publicado no "Mistura e Manda", o informativo do Brasileirinho, em sua décima edição, que entrou no ar em 11 de agosto de 2003.

Fume Ary, cheire Vinicius


Na letra do baião “Paratodos”, Chico Buarque começa definindo suas origens familiares e musicais, para encerrar com uma homenagem muito abrangente a artistas que o influenciaram ou com ele convive(ra)m, arrematada por uma definição pessoal No início das homenagens, Chico sugere “usos” para nomes da música brasileira, como se eles fossem medicamentos. Pois bem, uma das estrofes finda com os versos “Fume Ary, cheire Vinicius, beba Nelson Cavaquinho”.

Sabendo-se que Nelson Cavaquinho bebia e Ary Barroso fumava, isso poderia nos levar a concluir que Vinicius de Moraes cheirava. Foi essa, por exemplo, a impressão do cineasta Luís Fernando Goulart, quando, em 1977, visitou o poeta, que lhe informou que dali a pouco estaria embarcando para Buenos Aires. Nesse momento, Lygia, irmã de Vinicius, entregou-lhe um pacote com um quilo de um pó branco. Constrangido, Goulart fingiu nada ver, mas chegou a comentar o fato com amigos, que ouviam consternados. Quando Vinicius morreu, em 1980, Goulart disse à esposa que “Com aquele vício em overdose, não podia viver muito mesmo”, mas jamais voltou a tocar no assunto com ninguém. Anos depois, o cineasta viu, num especial de TV, Luciana, filha do poeta, relatar como Mãe Menininha do Gantois orientou Vinicius a superar seu medo de avião: ele deveria, antes de cada vôo, passar farinha de trigo em todo o corpo. Só então Goulart entendeu o que presenciara e pôde ficar tranqüilo.

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