sábado, 30 de novembro de 2013

Fórmula cinematográfica de Woody Allen funciona mais uma vez em Blue Jasmine

Por Calila das Mercês,
de Salvador




A lógica de Blue Jasmine, filme de Woody Allen atualmente em cartaz no Brasil, em pouco se diferencia das produções anteriores deste diretor. O desenho é de uma bela cidade americana – San Francisco, Califórnia - inserida em um roteiro envolvente, no qual o expectador pode se ver como co-participante na construção da história, e que espelha personagens histéricos e controversos com sua vida meta-ficcionalizada e apoiada em mentiras. O resultado só pode ser uma comédia dramática, fatalmente aclamada pela mídia especializada por suas críticas sociais.

A história apontada por Allen é de Jasmine, protagonizada pela premiada atriz Cate Blanchett: uma socialite que se vê em apuros depois do suicídio do marido, um rico empresário, interpretado pelo não menos reconhecido ator Alec Baldwin, que tinha o desconcertante costume de enriquecer às custas de lacunas do sistema financeiro.

Depois de um surto psicótico, Jasmine se vê sozinha e sem o luxo de outrora, e passa a morar com a irmã adotiva. O enredo se desenrola mesclando flashbacks e um presente no qual existe a perspectiva de melhora financeira das duas irmãs.



O Blue do título pode ser entendido como mais uma ironia de Woody Allen, que também cuidou do roteiro do filme, pois, ao mesmo tempo que remete à famosa música "Blue Moon", mostra o caos de mesquinharias e mentiras que está no cerne da classe média urbana. Diante dessas contradições, que não deixam de ser tristes, o diretor não abandona o seu lado impiedoso, utilizando como arma principal de construção um ingrediente salutar: o humor.

Envolvente e tecnicamente impecável, Blue Jasmine não deixa de levantar questões de ética, jogo de interesses e perspectivas (des)humanas presentes em filmes anteriores do diretor, como Celebridades, Match Point, Meia Noite em Paris e Para Roma com amor. 

O fato de Woody Allen apresentar um quê de lunático é o que o torna um grande ficcionista da realidade. Matemática cinematográfica básica ou não, Blue Jasmine só reafirma com dura leveza a genialidade de um dos mais aclamados e premiados cineastas do mundo. Sua marca permanece, artística, crítica e exata!

Evento Porto Alegre: 7º Encontro de Arte de Matriz Africana

Kleber Lourenço.em Jandira
(foto: Felipe Ribeiro)


Realiza-se de 4 a 8 de dezembro, o VII Encontro de Arte de Matriz Africana, promovido pelo Caixa-Preta com o objetivo de ser uma janela panorâmica para a produção artística negra no Brasil. O Grupo se afirma não somente como um núcleo de produção teatral, mas como um polo irradiador de ações no campo da cultura negra contemporânea, promovendo atividades como o Encontro de Arte de Matriz Africana, a Revista MATRIZ, a primeira no Brasil especializada em artes negras, além do trabalho de produção, formação e pesquisa no campo teatral, tendo produzido espetáculos como Hamlet Sincrético, Antígona BR, O Osso de Mor Lam, entre outros. As atividades terão lugar no Teatro Renascença e Sala Álvaro Moreyra, ambas no Centro Municipal de Cultura (Av. Erico Verissimo, 307), em Porto Alegre. 

A cada ano é eleito um eixo temático para o Encontro. Este ano temos como foco a performance e a dança negra. Na primeira edição foi a aproximação dos grupos de teatro e dança do Estado; na segunda, a noção de locais de trabalho dos núcleos como espaços quilombolas; na terceira edição o conceito de compartilhamento das experiências e na última edição o eixo escolhido foi o teatro negro e suas linguagens contemporâneas.

Entre os nomes que já estiveram no Encontro desde sua primeira edição pode-se citar: Carmen Luz, Rubens Barbot, Hilton Cobra, Rodrigo Santos, Gustavo Melo, Débora Almeida, Iléa Ferraz, (RJ), Rui Moreira, Gil Amâncio (BH), Edson Cardoso, Cristiane Sobral (DF), Luiz de Abreu, Maria Gal, José Fernando Azevedo, Sidney Santiago (SP), Toni Edson (Florianópolis), Evani Tavares, Ângelo Flávio (Salvador), Júlio Moracen (Cuba) Daniel Amaro (Pelotas), Cia Os Crespos (SP), Kleber Lourenço (Recife), Wagner Carvalho (Alemanha), Oliveira Silveira, Baba Diba de Yemonjá, Grace Petersen, Sirmar Antunes, José Carlos dos Anjos, Loma, Iara Deodoro (RS), entre outros.

Outro aspecto importante do Encontro, bem como, da própria trajetória do Caixa-Preta  é dar acesso e visibilidade a um público que não está presente em outras produções e eventos, especialmente os dedicados à reflexão artística. Se considerarmos a quantidade de pessoas negras que frequentam o Encontro já confirmaria sua legitimidade, mas ele abarca públicos diversos e forma plateias. Busca criar uma rede solidária entre os diversos grupos e artistas espalhados por todo território nacional, propiciando o debate sobre uma política cultural que garanta a continuidade e aperfeiçoamento das ações realizadas pelos grupos e a sobrevivência destes e da manutenção de suas investigações estéticas. Trata-e de uma ação que vem demonstrando sua eficiência e afirmando seu papel como instrumento de reflexão sobre a cultura  e identidade nacional e, especialmente, às artes cênicas.

Este ano, o Caixa-Preta oferece as seguintes atrações:

A abertura, dia 4 de dezembro, às 20h, no Teatro Renascença, ficará a cargo de NASCIMENTO, da Companhia Rubens Barbot, bailarino gaúcho radicado no Rio de Janeiro há mais de duas décadas. O solo apresentado pela Companhia terá Eder Martins em cena e direção e coreografia de Gatto Larsen.

BLEM, BLEM, BLEM, da Taltex – Cuba apresenta-se na quinta, 5 de dezembro, 21h, na Sala Álvaro Moreyra. A montagem conta a história de um percussionista cubano, rumbero – tocador de rumba – que faz uma viagem do Oriente (sur) ao Ocidente(norte) de Cuba, recriando sua formação musical através das contingências que a vida lhe proporciona. Seu objetivo fundamental é ser famoso e para isso emigra para Havana, a capital cubana.  Ali, se enamora de uma jovem, até sofrer a decepção de uma separação. 

Na sexta, 6 de dezembro, às 21h, na Sala Álvaro Moreyra, apresenta-se BATUQUE, TUQUE, TUQUE, espetáculo poético-musical com as atrizes Vera Lopes e Pâmela Amaro, com poemas de Oliveira Silveira.

RECEITA, dia 7 de dezembro, às 21h, na Sala Álvaro Moreyra, é uma coreografia preciosa, que nasceu da parceria de dois grandes talentos da dança brasileira: Henrique Rodovalho e Rui Moreira. Rodovalho é um coreógrafo de Goiânia/GO, que colaborou para construir a identidade do Grupo Quasar, hoje uma das companhias mais importantes do Brasil. MOREIRA é um bailarino especial, paulistano radicado em Belo Horizonte/MG, que desenvolveu uma importante e esplendorosa participação no Grupo Corpo/ MG, e hoje dirige a Rui Moreira Cia. de Danças. No início de 2002, Rodovalho e Moreira se reuniram para criar RECEITA, um estudo que contrapõe o procedimento culinário à arte de dançar, compondo uma bem-humorada metáfora para o exercício de composição.

JANDIRA, da Visível, Núcleo de Dança, PE/SP é um espetáculo de dança com o bailarino pernambucano Kleber Lourenço. Ele já esteve na quinta edição do Encontro com Negro de Estimação e no Porto Alegre em Cena. A obra apresentada este ano, JANDIRA, é um espetáculo solo que realiza em pesquisa a junção de princípios conceituais de linguagens artísticas específicas: teatro, dança e performance, partindo da literatura como construção dramatúrgica. E obtém como resultado de cena a fusão estética destas linguagens. A apresentação será no dia 08 de dezembro, às 19h, na Sala Álvaro Moreyra, seguida de bate-papo com o público. 

Haverá uma exposição comemorativa aos 7 anos de Encontro de Arte de Matriz Africana, no Saguão do Centro Municipal de Cultura, durante o período de realização do Encontro.

Ainda ocorre, na quinta, 5 de dezembro, às 18h, na Sala Álvaro Moreyra, uma palestra com a pesquisadora Leda Martins, “Performance Negra, Experiência, Pesquisa e Ação”. Ela é autora de A Cena em Sombras/Perspectiva e Afrografias da Memória/Perspectiva-Mazza.

No dia 6 de dezembro, às 19h, na Sala Álvaro Moreyra, haverá o debate “Produção Cultural, Diversidade e Mercado de Trabalho”. Participam gestores públicos, artistas e produtores, que discutirão o mercado cultural numa perspectiva de inclusão étnico-racial.


Ressalta-se, por fim, a realização da oficina “O Corpo Brincante”, ministrada pelo bailarino e coreógrafo Kleber Lourenço. A oficina de dança contemporânea terá como foco a investigação corporal e a reflexão das poéticas do corpo e da cena, no diálogo com as tradições populares do nordeste brasileiro: danças populares, folguedos, etc. A oficina será realizada nos dias 6 e 7 de dezembro, das 14 às 17h, na Sala Álvaro Moreyra. Os interessados em disputar as 20 vagas devem enviar e-mail para grupocaixapreta@yahoo.com.br e devem ter no mínimo 16 anos, além de disponibilidade para trabalho físico e experiência comprovada em teatro, dança ou performance. 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Nando Reis lota o Lago da Perucaba no Viva Arapiraca

Nando Reis

Por Calila das Mercês,
de Salvador

A cidade de Arapiraca, a maior do interior de Alagoas (230 mil habitantes, segundo o IBGE), realizou de 14 a 17 de novembro o maior festival de música gratuito do Estado, o Viva Arapiraca

O festival contou com a participação de artistas locais e também de outros reconhecidos nacionalmente. Os shows aconteceram num local grande, mas que deixou um pouco a desejar no quesito estacionamento. (Deixar o carro e andar em média 1Km não é das melhores ideias, sem falar do local que para quem é de fora da cidade, gera insegurança!)

No sábado, dia 16, a atração tão esperada, Nando Reis, lotou o Lago da Perucaba. O ruivo animou os arapiraquenses e turistas com alguns de seus conhecidos sucessos como “All Star”, “Por onde andei”, “Relicário”, “Sei” e “N”, o que levou a plateia a aplaudir muito e cantar junto com o ex-Titãs durante quase todo o show.

Antes de Nando Reis, tocaram o grupo de reggae alagoano Vibrações, comemorando 15 anos de trabalho, e também Patrícia Polayne, referência sergipana, que fez uma animada apresentação. A festa terminou por volta das 4h da manhã do domingo! 

Patrícia Polayne


O festival também marcou o lançamento do projeto Viva Nossos Artistas, gravando CD e DVD dos músicos da terra. O Palco Planetário teve a presença de grupos locais que se apresentaram entre os dias 15 e 16.

Público lota encerramento da Bienal de Livros da Bahia para ouvir João Ubaldo Ribeiro

Por Calila das Mercês,
de Salvador

O imortal (membro da Academia Brasileira de Letras) baiano da cidade de Itaparica João Ubaldo Ribeiro desempenhou o papel de escritor e celebridade na cerimônia de encerramento da 11ª Bienal de Livros da Bahia, na noite de 17 de novembro de 2013.

Premiado nacionalmente e internacionalmente, reconhecido por seus primorosos romances como Sargento Getúlio, Viva o Povo Brasileiro, O Sorriso do Lagarto e Casa dos Budas Ditosos, João Ubaldo participou pela primeira vez da Bienal. Sua palestra foi a mais concorrida do evento e para vê-lo testemunhar sobre o seu ofício principal, a escrita, os mortais tiveram que chegar mais cedo ao evento e correr na busca por uma senha.

Um dos principais colunistas d' A Tarde, o jornal de maior circulação na Bahia, João Ubaldo falou por, aproximadamente, uma hora, sobre sua história no campo literário e das adaptações dos seus livros para cinema e televisão, em um discurso honesto permeado por anedotas e muita criatividade.

Ao final da sua passagem pela Bienal, em meio a muita tietagem, João Ubaldo Ribeiro autografou livros dos seus admiradores. Mas sem fotos!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

MAM da Bahia comemora 50 anos


Texto e foto: Calila das Mercês,
de Salvador


Músicas, performances, leituras de manifestos: a noite de sexta-feira, 8 de novembro, foi marcada por expressão e arte no Casarão do Museu de Arte Moderna da Bahia - MAM-BA, no evento “MAM Movimento”.

Para isso, a leitura de diversos manifestos. O ator Fernando Guerreiro leu o Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade, o ator-transformista Mitta Lux fez a leitura do Manifesto do Rio Negro, de Pierre Restany e Fraz Kracjberg, e Márcio Meirelles resgatou o Manifesto Pau-Brasil, também de Oswald. 

A música se manifestou na noite através de apresentações de componentes da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA). 

E a literatura, como protagonista, veio com o lançamento da primeira edição da revista Contorno. A edição bilingue trouxe um histórico da criação do MAM, dos principais movimentos de vanguarda presentes no espaço e uma entrevista com os artistas Maxim Malhado e Chico LiberatoIdealizadora do MAM-BA, Lina Bo Bardi é tema de artigo da arquiteta Carla Zollinger. O espaço criado por Lina até hoje se configura como um importante locus de formação e culminância artística. Para ela, não havia nenhuma contradição em exibir peças de arte popular em um museu de Arte Moderna, pois a ideia era unir em um mesmo espaço artistas populares e modernos.


A programação do MAM Manifesto continua no mês de novembro:

COZINHA RELACIONAL + LANÇAMENTO DE CARTÕES POSTAIS EM HOMENAGEM A LINA BO BARDI + BOTÃO “REPÚBLICA POPULAR DO MAM”
Encontro com o artista Maxim Malhado, no Casarão do MAM-BA, dia 17/11 (domingo), às 16h.

MAM DISCUTE SISTEMA E CIRCUITO DAS ARTES
Em Cachoeira, com Lígia Nobre e Juraci Dórea, no Auditório do Hansen, dia 21/11(quinta-feira), às 17h.
Em Salvador, com Ligia Nobre e MUSAS (Museu de Street Art de Salvador), no Auditório da Escola da Administração da UFBA, dia 22/11(sexta-feira), às 17h.

MAM DISCUTE BIENAL
Acontece na Sala Walter da Silveira (Biblioteca Pública do Estado da Bahia), dia 29/11 (sexta-feira), às 9h.

ESPETÁCULO CABAÇA

Uma homenagem a Walter Smetak, do Grupo de Dança Contemporânea da Ufba. No Casarão do MAM-BA, dia 29/11 (sexta-feira), às 17h.

Opinião: Falta fôlego a Meu Passado me Condena


Por Calila das Mercês,
de Salvador 

Apesar de um elenco mediano, com exceção de Fábio Porchat, Meu passado me condena promete gargalhadas, mas não dá o prometido de forma grandiosa, graças a um roteiro que vai perdendo o fôlego durante todo o filme.

Miá e Fábio

Fábio (Fábio Porchat) e Miá (Miá Mello) se casam apenas um mês depois de se conhecerem e vão passar a lua de mel num cruzeiro com destino à Europa. A partir daí encontram seus antigos namorados, Beto (Alejandro Claveaux) e Laura (Juliana Didone), que coincidentemente são casados. Até aí tudo bem, mas depois tudo fica bem artificial! Filme produzido por Mariza Leão e dirigido pela filha Julia Rezende, Meu Passado... contou com um orçamento de um pouco mais de 3 milhões de reais.

Beto e Laura

Meu Passado Me Condena foi baseado na série de TV homônima do canal pago Multishow. A diferença é que o programa se passa em uma pousada e no filme o cenário é um navio. Marcelo Valle e Inez Viana em ambos os trabalhos interpretam Wilson e Suzana. A aparição de Elke Maravilha nas telonas é interessante, mas infelizmente muito escassa. Já Cabeça (Rafael Queiroga) teve mais “moral”, pois interpretou o amigo chato que aparece para “encher o saco” do casal em plena lua de mel.

Fábio, Miá e Cabeça

O filme foi gravado num cruzeiro de verdade. E apesar de Fábio Porchat estar em um ótimo momento da carreira, o excesso de improviso faz com que em alguns momentos os espectadores não acompanhem algumas piadas. Um pouco clichê também é quando Fábio, Cabeça, Wilson e Suzana ficam a procura da personagem Miá pelas ruas de uma cidade italiana, eles não a encontram e no final ela aparece...

De todo modo, é um filme água com açúcar para quem quer relaxar ou se divertir um pouco. 

sábado, 16 de novembro de 2013

Lenine comemora 30 anos de carreira em encontro inédito com a Orquestra Rumpilezz


Por Calila das Mercês,
de Salvador

Nordeste, música e talento. Percussão, orquestra e criatividade. No dia 8 de novembro, a Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA) estava repleta de pessoas que foram ver de perto o show Música e Direitos Humanos, que reuniu pela primeira vez a Orquestra Rumpilezz, comandada pelo maestro Letieres Leite, e o artista pernambucano Lenine. Um show animado e bastante envolvente em que juntou instrumentos da música clássica a atabaques, acoplando e dando uma roupagem inovadora e melódica às canções de Lenine.  

A verdade é que este show, além de fazer o encontro destes grandes talentos da música brasileira, tem como objetivo celebrar os 40 anos da CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço) na luta por direitos humanos, desenvolvimento e justiça e celebra também os 30 anos da carreira de Lenine. Os espetáculos (houve outra sessão no dia 9) tiveram toda a renda revertida aos projetos sociais apoiados pela CESE. 

Lenine junto a Orquestra Rumpilezz (criada em 2006 pelo maestro Letieres Leite) agradaram tanto ao público que este, no final do show, foi à beira do palco cantar as músicas do bis junto aos músicos, num alegre e divertido coro - o que parece já ser uma “tradição” no TCA. Para quem acha que instrumentos clássicos não se misturam com percussão é bom assistir algo similar ao que eu vi ontem e depois opinar! Surpreendente.

Pioneira em Jornalismo em Internet participa de debate na 11ª Bienal da Bahia

Por Calila da Mercês,
de Salvador


Cora Ronai
(Foto: Rogerio Ehrlich)

“Jornalismo: que profissão é essa?”: com o desafio de responder a essa pergunta, aconteceu no dia 10 de novembro, na programação da 11ª Bienal da Bahia, a mesa com o famigerado questionamento, composta pelo jornalista Jefferson Beltrão – que compõe a bancada do jornal global BA-TV - e Cora Rónai, colunista de informática do Jornal O Globo.

Como parte da programação “Território Jovem”, o debate se deu em torno do trabalho de jornalista, como se dá a formação desse profissional, se existe possibilidade de estabilidade na carreira e quais as opções do mercado de trabalho atualmente.

Considerando a grande força do web jornalismo, Cora Rónai agregou muito ao debate. Uma das primeiras usuárias de internet no Brasil, a jornalista já trabalhou em veículos de imprensa como Correio Braziliense,  Folha de São Paulo e Jornal do Brasil, no qual desenvolveu a primeira coluna sobre computação no país em 1987.

Criou o blog internETC em 2001, no qual publica "as crônicas e colunas do GLOBO, algumas pessoas, todos os bichos, muitas fotos, poucas notícias, livros, celulares, câmeras digitais, música, filmes, vida em geral.” Pioneira no uso dos celulares com câmera, publicou o livro Fala Foto, finalista do prêmio Jabuti e primeiro livro sobre a temática no Brasil. Cora Rónai também recebeu o Prêmio Comunique-se de Melhor Jornalista de Informática em 2004, 2006 e 2008.

Em cyber tempos, o público da bienal ouviu os conselhos de sucesso uma jornalista experiente e antenada. Sua passagem pela Bahia e na Bienal foi registrada através do seu instagram: instagram.com/cronai

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Evento Porto Alegre: Programação da Semana da Consciência Negra 2013


Oportunidade Brasil: Festival Chico recebe inscrições de vídeos até dia 29



O Festival Chico – Festival de Cinema e Vídeo do Tocantins abriu no último sábado, 09, as inscrições para mostra competitiva da 12ª edição do projeto, que acontece de 08 a 14 de dezembro na Universidade Federal do Tocantins –UFT e no SESC Tocantins.

A mostra competitiva é formada pelas categorias de curta-metragem Ficção Brasil, Doc Brasil, Animação, Infantil e Tocantins.  O festival também apresentará longas-metragens convidados e realizará um curso de produção executiva para realizadores tocantinenses.

Segundo a presidente do CIM-Centro de Imagem e Som, Fernanda Veloso, essa é a oportunidade de conhecermos a produção cinematográfica recente do Tocantins e também do Brasil. “O Chico traz um panorama das tendências na produção de curtas-metragens nacionais e também exibe os filmes produzidos em nosso estado,  formando público para esse tipo de vídeo,  mostrando a possibilidade de um cinema regional e de qualidade”, afirma.


O regulamento pode ser acessado no site www.festivalchico.com.br e a inscrição deve ser feita até o dia 29 de novembro por meio do formulário também disponível na página.  A curadoria será feita por uma comissão formada por realizadores, exibidores e gestores culturais.

O resultado da seleção dos filmes que competirão no 12º Festival Chico será divulgado na primeira semana de dezembro .


Festival Chico

O Festival Chico foi criado em 1999 e hoje contabiliza 11 edições realizadas. A 12ª edição é realizada pelo CIM - Centro de Imagem e Som,  contando com o apoio da Universidade Federal do Tocantins (UFT/Proex), Fundação Cultural de Palmas, SESC-TO, BR153 Imagens e Secretaria da Educação e Cultura do Tocantins.


Assista o documentário Enquanto o Trem não Passa


Assisti este filme quando de seu lançamento em Belém, no dia 8 de novembro - por uma feliz coincidência, apenas dois dias após ter visto no cinema o longa Serra Pelada, de Heitor Dhalia. Pude constatar, desta maneira, que o que parecia exagero na ficção é ainda pouco perto da realidade. É muito oportuno ver este curta num momento em que o tema da mineração do Brasil volta à ordem do dia, tanto pelo longa de Dhalia, quanto pela iminente reabertura do garimpo de Serra Pelada. 


Ficha técnica

ENQUANTO O TREM NÃO PASSA (Brasil, 2013, 17 min)

Obra construída de forma coletiva por Midia NINJA e seus colaboradores
Equipe: Kátia Visentainer | Rafael Vilela | Julia Mariano | 12pmphotographic.com | Thiago Dezan | Raissa Galvão | Gian Martins | Bianca Buteikis | Gabriela Sanchez | Isadora Machado | Andrew Henrique | Rebeca Brandão | Luis Felipe Marques Ferreira | Antônio Netto | Fábio Chap

Licença Creative Commons, para livre uso e distribuição.  

sábado, 9 de novembro de 2013

Música Porto Alegre: 30 anos de Terra

Gelson Oliveira
(foto: Marian Starosta)


O lançamento de um dos mais importantes álbuns da história da Música Popular Gaúcha, conhecida como MPG, ganha comemoração especial no próximo dia 19 de novembro, terça-feira, a partir das 22h, no Opinião, em Porto Alegre. É quando o cantor, compositor, arranjador e produtor musical,Gelson Oliveira marcará o surgimento de seu disco de estreia, “Terra”, o segundo disco independente produzido no Rio Grande do Sul. O evento terá a participação de Luiz Ewerling (bateria), que participou do disco histórico, Sara Sabah (cantora uruguaia) e a Banda Tribo Brasil (PoA).

Um pouco de história

Gelson é natural de Porto Alegre, mas residiu por muitos anos em Gramado, onde se tornou artesão, chegando a entalhar, na madeira, vários Kikitos para o Festival de Cinema. Paralelamente ao trabalho de entalhador, passou a atuar como “crooner” em bandas de baile da região, depois vieram as primeiras composições e junto com isso, o desejo de mostrá-las, como faziam os compositores que ele ouvia na Rádio Continental. Na segunda metade dos anos 70, Gelson contrariando seus pais, pegou o violão e se transferiu para a Capital, onde reside até hoje.         

Motivado pelo colega e grande amigo Nelson Coelho de Castro, que lançou o primeiro disco independente no Rio Grande do Sul, o “Juntos”, Gelson, depois de passar o período de 80 a 82 estudando na Escola de Música Villa-Lobos no Rio de Janeiro (a convite do grande clarinetista e saxofonista carioca, Paulo Moura), retorna a Porto Alegre, decidido a gravar e lançar o segundo disco independente do RS, com  grande incentivo de Nelson.

Para Gelson, (que já iniciara sua carreira como compositor em 79, no show “Lado a Lado”, que reuniu os dois então debutantes Gelson e Nei Lisboa, numa  exitosa temporada no teatro do Clube de Cultura), faltava um registro fonográfico, para ter com isso a possibilidade de frequentar as rádios e assim melhor difundir sua obra.

O “Terra” foi concebido em São Sebastião do Caí, lugar onde residia o baterista Luiz Ewerling (radicado nos EUA, a partir de 84), com quem Gelson trabalhou durante muitos anos animando “os bailes da vida”. A afinidade musical entre os dois era tão grande, que eles formaram uma dupla, Gelson na voz e no violão ou guitarra e Luiz na bateria. Entre um baile e outro a dupla começou a desenvolver um verdadeiro laboratório musical na garagem do pai de Ewerling, lapidando as composições de Gelson que então já aplicava as lições aprendidas na Villa-Lobos, preparando o caminho para os outros músicos que seriam convidados a participar do projeto.

O disco

Pioneiro em sua concepção, o “Terra” trouxe na capa um cantautor e um baterista, uma dupla inusitada, baseada na  voz de Gelson, em seu estilo de tocar e compor, somados ao rigor, vigor e à sensibilidade da bateria de Luiz Ewerling, um músico considerado muito acima da média, que por ser tão comentado acabou trabalhando também com nomes como: Paulo Dorfman, Antonio Villeroy, Nei Lisboa e Nelson Coelho de Castro.

Depois do “laboratório” da dupla e muitos ensaios com os colegas convidados, o disco foi gravado em tempo recorde de 8 horas, no estúdio de extinta ISAEC – PoA.  A "bolacha" foi lançada em grande estilo, em dezembro de 83, no Salão de Atos da Reitoria da UFRGS, com Nelson Coelho de Castro, Nei Lisboa e Antonio Villeroy, como convidados especiais, além de uma super banda que ajudou os dois rapazes a proporcionar ao público que lotou a casa, uma noite memorável de boas vindas a este projeto, que foi a pedra fundamental para o seguimento das carreiras de Gelson Oliveira e Luiz Ewerling.

Músicos que participaram das gravações do “Terra”:                    

 Fernando Corona (teclados)
 Aluízio Veras (baixo)
 Everson Vargas (guitarra)
 Jorge Portugal (percussão)
 Luizinho Santos (sax e flauta)
 José Alberto Salgado e Silva (sax alto e soprano)
                                                                                                    
Gelson Oliveira se tornou um dos mais importantes compositores do Estado, com uma carreira repleta de premiações. Luiz Ewerling reside em Chicago, seu primeiro trabalho na América do Norte, foi na banda Made in Brasil, do músico gaúcho Breno Sauer. De lá para cá, desenvolveu uma brilhante carreira nos EUA, tocando com grandes músicos, como Sugar Blues.

Agora, 30 anos depois, Gelson e Luiz irão se reencontrar no palco em Porto Alegre. Em novembro Luiz estará no Brasil e vai dar uma canja no show.

Algumas músicas do repertório da noite:

 Tempo Ao Tempo (Gelson Oliveira)
 Papagaio Pandorga (Gelson Oliveira)
 A Flor Da Vida (Gelson Oliveira)
 Acordes e Sementes (Gelson Oliveira)

A banda que estará com Gelson:

 Bateria: Edinho Espíndola
 Baixo: Lucas Esvael Junior
 Teclados: Luiz Mauro Filho
 Guitarra: Jefferson Marx
 Giovanni Berti Perc

Convidados já confirmados: Luiz Ewerling (bateria), Sara Sabah (cantora uruguaia) e a Banda Tribo Brasil (PoA).
         
Serviço:

Que: Show com Gelson Oliveira e banda + convidados, comemorando os 30 anos do lançamento do primeiro álbum “Terra”.
Quando: 19 de novembro de 2013, terça-feira.
Onde: Opinião (José do Patrocínio 834)
Hora: 22h
Ingressos: Antecipados: R$ 20,00 / No local: R$ 30,00 / Desconto de 50% para Clube do Assinante ZH
Pontos de Venda: Lojas Multisom: Shopping Iguatemi, Praia de Belas, BarraShopping Sul, Moinhos, Total, Bourbon Ipiranga, Bourbon Wallig e Andradas 1001; Lojas Multisom Grande POA: Shopping Canoas, Bourbon Novo Hamburgo e Bourbon São Leopoldo.
Informações Opinião: (51) 3211.2838
           
Apoio: RBS TV – TV COM – TVE – FM Cultura - Clube do Assinante ZH
           
Promoção: Traga Seu Show

Produção Executiva: Odara Produções Culturais


Assessoria de Imprensa: Silvia Abreu

Oficinas Macapá: Edital CEUs das Artes e Concurso Cultura 2014


Na segunda-feira, 11, a Fundação Municipal de Cultura (Fumcult) e a Representação Regional Norte do Ministério da Cultura (RRN/MinC) realizarão oficina para que a cadeia produtiva da cultura possa formular propostas de ocupação do CEU das Artes de Macapá e para atividades culturais no âmbito da Copa de 2014. A capacitação, que acontecerá no auditório da Biblioteca Pública Elcy Lacerda, a partir das 14h30, será aberta ao público interessado e contará com a participação de Ana Carolina Morbach, servidora da RRN/MinC.
 
Com inscrições prorrogadas até o dia 23 de dezembro, o Edital Funarte de Ocupação dos CEUs das Artes pretende contemplar 80 projetos de ocupação artística para instituições como a que será inaugurada no bairro Infraero II, zona Norte de Macapá.
 
Voltado a pessoas jurídicas que apresentem projetos de ocupação que envolvam, pelo menos, duas linguagens artísticas – dança, circo, música, teatro, artes visuais, literatura, arte digital e artes integradas —, o edital exige que os projetos contemplem em suas programações apresentações artísticas de circo, dança, teatro, música; ou relacionadas ao estímulo à leitura; exposições ou mostras de artes visuais; oficinas de capacitação artística e técnica; residências artísticas; além de seminários, encontros e debates. As atividades deverão ser realizadas por artistas, grupos, oficineiros ou mestres locais.
 
Outro edital em pauta será o Concurso Cultura 2014, cujas inscrições também foram prorrogadas até 6 de dezembro. Este selecionará trabalhos artísticos a serem apresentados durante a copa. As propostas aprovadas no concurso participarão do grande festival que o Ministério da Cultura pretende produzir, em parceria com os governos Municipal e Estadual das 12 cidades-sede da Copa do Mundo da FIFA Brasil. O concurso tem como objetivo ampliar as agendas das cidades e promover a cultura brasileira como grande diferencial, fortalecendo a identidade nacional.
 
Os projetos deverão estar dentro de um dos quatro eixos do pilar Conteúdos Culturais, do Plano de Ação para Grandes Eventos do MinC. São eles: Brasil Audiovisual (apresentação da produção audiovisual brasileira atendendo média metragem, documentários, animação e ficção); Brasil Criativo (conteúdos artísticos, em formato digital, de artesanato, moda, arquitetura, design e gastronomia, de expressão local, lidando com as mais variadas linguagens da economia criativa); Brasil Diverso (manifestações tradicionais de todos os estados do país, atividades entre Pontos de Cultura e valorização do patrimônio material e imaterial brasileiro) e Brasil das Artes (exibições artísticas nas áreas da música, teatro, circo, dança, literatura e artes visuais).
 
 

Paulo Rocha/Asscom Fumcult
Com informações do MinC

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Música São Paulo: Alessandra Leão e Kiko Dinucci


Cia dos Atores comemora 25 anos de carreira com peças inéditas


João Saldanha em "Como Estou Hoje"
(Foto: Vicente de Mello)


Desde agosto de casa nova - desde a inauguração da Sede das Cias, na Lapa -, a Cia dos Atores completa agora em novembro 25 anos, com a montagem de três peças inéditas. A programação foi aberta ontem com a apresentação única de LaborAtorial, uma criação de Cesar Augusto, Diogo Liberano, Marcelo Valle e Simon Will e prossegue até o final do mês com sessões de Conselho de Classe e Como Estou Hoje.



Conselho de Classe (09/11 a 25/11 - sábados, domingos e segundas)

Dirigida por Bel Garcia e Susana Ribeiro e com Cesar Augusto, Leonardo Netto, Marcelo Olinto, Paulo Verlings e Thierry Trémouroux no elenco, a trama gira em torno de uma escola pública do Centro carioca e, com isso, problematiza as questões macro e micropolíticas da educação.

No texto de Jô Bilac, é feita uma abordagem realista do ambiente escolar, a fim de gerar um diálogo a respeito da educação no Brasil e da atual situação no mundo. Hoje, quem deseja trabalhar em uma escola pública? No hospital público? Se o professor é mal remunerado e trabalha sob condições difíceis, que tipo de sociedade está sendo construída? 

Em cena, uma reunião de professores é desestabilizada pela chegada de um novo diretor. Esse encontro faz eclodir dilemas éticos e pessoais em meio a decisões que se confundem nas relações de poder da instituição escolar.

Ficha técnica

Texto: Jô Bilac
Direção: Bel Garcia e Susana Ribeiro
Assistência de direção: Raquel André
Elenco: Cesar Augusto, Leonardo Netto, Marcelo Olinto, Paulo Verlings e Thierry Trémouroux
Figurino: Rô Nascimento e Ticiana Passos
Cenário: Aurora dos Campos
Iluminação: Maneco Quinderé
Trilha original: Felipe Storino
Direção de produção: Tárik Puggina
Produção executiva: Luísa Barros
Produção: Nevaxca Produções
Coprodução: Treco
Realização: Cia dos Atores

Serviço

Temporada: de 09/11 a 25/11 (sábados, domingos e segundas)
Local: Sede das Cias (Rua Manuel Carneiro, 12 – Escadaria Selarón/Lapa – Fone: 21 2137-1271)
Horário: 20h
Ingressos: R$30,00 / R$15,00 (estudantes e acima de 60 anos)
Bilheteria: 1h antes do espetáculo
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos
Capacidade: 60 lugares


Como estou hoje (14/11 a 22/11 – quintas e sextas)

Em seu primeiro trabalho à frente de um espetáculo de teatro, o coreógrafo João Saldanha dirige monólogo com o ator Marcelo Olinto. No palco, Marcelo Olinto promove um diálogo com o público, partindo da ideia de que modos e hábitos são construídos também a partir do que vestimos.

A partitura proposta se mantém por lembranças pessoais e assuntos relativos à perspectiva do ator, que vive a transformação para traçar um recorte do mundo em que vivemos. Por meio de gestos e olhares, o ator estabelece uma relação bastante próxima do público, criando uma troca constante.

O texto aponta diversas referências do mundo da moda e personagens marcantes, como Zuzu Angel, Simão Azulay, Mulher-gato, entre outros, fazendo um paralelo com o modo de se vestir e portar ao longo do tempo.


Ficha técnica

Texto e encenação: João Saldanha
Atuação e colaboração: Marcelo Olinto
Direção de produção: Tárik Puggina
Produção executiva: Luísa Barros
Produção: Nevaxca Produções
Realização: Marcelo Olinto e Cia dos Atores

Serviço

Temporada: de 14/11 a 22/11 (quintas e sextas)
Local: Sede das Cias (Rua Manuel Carneiro, 12 – Escadaria Selarón/Lapa – Fone: 21 2137-1271)
Horário: 20h
Ingressos: R$30,00 / R$15,00 (estudantes e acima de 60 anos)
Bilheteria: 1h antes do espetáculo
Classificação: 14 anos
Duração: 60 minutos

Capacidade: 60 lugares