quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Entrevista: Marília Bruno





Por Calila das Mercês,
de Salvador


         Nem só de compartilhamentos no facebook vive a internet. Uma das possibilidades, mais interessantes da internet hoje em dia é a chamada internet “colaboração”. Um fenômeno recente que envolve colaboração e financiamento de projetos culturais chama-se “crowndfunding”. A proposta envolve a colaboração financeira de pessoas físicas interessadas em apoiar iniciativas artístico-culturais.

         Uma das principais plataformas que trabalha essa ideia de financiamento coletivo no Brasil é o site Catarse, que já possibilitou a concretização de projetos em várias áreas - da arquitetura à moda, passando por design, música, cinema e até quadrinhos. Quem busca financiamento oferece algum tipo de “recompensa” para as pessoas que apoiam o projeto, de acordo com o valor da doação.

         Marilia Bruno, designer e ilustradora carioca, teve um projeto na categoria Quadrinhos apoiado no mês de outubro através do Catarse. A proposta era fazer “uma história em quadrinhos que mostrasse o cotidiano de uma garota qualquer. Contemporânea, urbana e um pouco tonta”. A ideia do quadrinho Cara, eu sou legal saiu do papel para o papel – já virou livro, teve 206 apoiadores, e ultrapassou a meta que era de R$ 3.000, conseguindo o apoio total de R$ 5.465.

         Trata-se do primeiro livro de Marilia Bruno, que nos conta um pouco dessa experiência.

Calila das Mercês - Como começou a desenvolver as HQ's? De onde surgiu o interesse?

Marilia Bruno - Posso dizer que sou bem novata e considero o "Cara" o meu primeiro quadrinho mesmo. A minha participação antes havia sido muito pequena. O interesse surgiu quando comecei a ler mais os quadrinhos atuais brasileiros e ver que tem MUITA gente boa por ai! São histórias e traços riquíssimos. Fui lendo, pesquisando, conhecendo mais pessoas e claro que o interesse em participar acabou surgindo.

Calila das Mercês - Quais trabalhos você já realizou? Como é trabalhar como free lancer nesta área?

Marilia Bruno - Eu sou designer gráfica. Trabalho como free lancer para editoras como a Record e grupo Ediouro como capista, diagramadora e ilustradora. De vez em quando surgem coisas como identidade visual, layout de apresentação ou estampas. Mas trabalho mais com as editoras mesmo. É um trabalho muito legal pois os clientes dão bastante liberdade e eu sempre adorei o mercado editorial!

Calila das Mercês - E o Catarse, como foi a experiência para conseguir o patrocínio para publicar o seu primeiro livro? 

Marilia Bruno - Foi muito... doido. Não imaginava que conseguiria e fiquei relutante até o último minuto. Mas uma onda de espontaneidade acabou vindo e resolvi arriscar. No fim, deu super certo e foi muito legal ver pessoas que eu nem conhecia falando e procurando meu trabalho! Fiquei muito feliz com o resultado final! 

Calila das Mercês - Como é o coletivo que você faz parte?

Marilia Bruno - Eu e uns amigos da faculdade fundamos o "23,5", que é um coletivo de quadrinhos, com mini histórias que girariam em torno de algum tema... Mas apesar de ter tido só um livro e o projeto não ser constante, ele me proporcionou uma porta de entrada incrível pra eu conhecer muitas pessoas maravilhosas do meio. Além de me estimular a desenhar o "Cara" (que começou como tirinha no blog do coletivo).

Calila das Mercês - Quais são seus projetos futuros?

Marilia Bruno - Por enquanto, em aberto... Quer dizer, tenho algumas ideias mas precisaria amadurecer muito o roteiro e o traço pra começar. Então continuo envolvida com o design gráfico, que eu amo.

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