sábado, 30 de novembro de 2013

Fórmula cinematográfica de Woody Allen funciona mais uma vez em Blue Jasmine

Por Calila das Mercês,
de Salvador




A lógica de Blue Jasmine, filme de Woody Allen atualmente em cartaz no Brasil, em pouco se diferencia das produções anteriores deste diretor. O desenho é de uma bela cidade americana – San Francisco, Califórnia - inserida em um roteiro envolvente, no qual o expectador pode se ver como co-participante na construção da história, e que espelha personagens histéricos e controversos com sua vida meta-ficcionalizada e apoiada em mentiras. O resultado só pode ser uma comédia dramática, fatalmente aclamada pela mídia especializada por suas críticas sociais.

A história apontada por Allen é de Jasmine, protagonizada pela premiada atriz Cate Blanchett: uma socialite que se vê em apuros depois do suicídio do marido, um rico empresário, interpretado pelo não menos reconhecido ator Alec Baldwin, que tinha o desconcertante costume de enriquecer às custas de lacunas do sistema financeiro.

Depois de um surto psicótico, Jasmine se vê sozinha e sem o luxo de outrora, e passa a morar com a irmã adotiva. O enredo se desenrola mesclando flashbacks e um presente no qual existe a perspectiva de melhora financeira das duas irmãs.



O Blue do título pode ser entendido como mais uma ironia de Woody Allen, que também cuidou do roteiro do filme, pois, ao mesmo tempo que remete à famosa música "Blue Moon", mostra o caos de mesquinharias e mentiras que está no cerne da classe média urbana. Diante dessas contradições, que não deixam de ser tristes, o diretor não abandona o seu lado impiedoso, utilizando como arma principal de construção um ingrediente salutar: o humor.

Envolvente e tecnicamente impecável, Blue Jasmine não deixa de levantar questões de ética, jogo de interesses e perspectivas (des)humanas presentes em filmes anteriores do diretor, como Celebridades, Match Point, Meia Noite em Paris e Para Roma com amor. 

O fato de Woody Allen apresentar um quê de lunático é o que o torna um grande ficcionista da realidade. Matemática cinematográfica básica ou não, Blue Jasmine só reafirma com dura leveza a genialidade de um dos mais aclamados e premiados cineastas do mundo. Sua marca permanece, artística, crítica e exata!

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