quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Premiado no Festival do Rio, curta baiano Jessy volta a cartaz esta semana

Por Calila das Mercês
de Salvador


Rodrigo, Paula e Ronei

Paula Lice é atriz, diretora, performer. Também escreve para teatro, cinema e TV. Equilibrista de plantão em transição para biodrag. Integra o coletivo de artistas Núcleo VAGAPARA. É mestre em Teorias e Crítica da Literatura e da Cultura e, atualmente, é doutoranda do curso de Artes Cênicas da UFBA, onde estuda temas tabu no teatro para crianças. Fundou em 2011 a Pequena Sala de Ideias, um território de colaboração criativa que reúne os trabalhos que cria e produz com outros artistas, desde 2009.

Rodrigo Luna é diretor, editor, roteirista. Já realizou diversos videoclipes, documentários, videodanças e, agora, curta-metragens. É palhaço e tem uma banda, a Capitão Cometo e os Formidáveis Ladrões de Parafina da Terra do Nunca Extreme.

Ronei Jorge é formado em Comunicação, Cinema e Vídeo, compositor, músico, cantor, nascido em Salvador, capital da Bahia. Tem uma banda, a Ladrões de Bicicleta e hoje, além desta, é compositor e cantor do grupo Os Veranistas e tem um duo com o arranjador e compositor João Meirelles. Ronei é também co-autor de trilhas de teatro (entre elas Amor Barato, de Fabio Espirito Santo). 

O que os três têm em comum? Eles produziram e dirigiram o documentário Jéssica Cristopherry que estreou em março deste ano no Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha.  E estarão nesta semana participando do PANORAMA INTERNACIONAL COISA DE CINEMA com o curta-metragem derivado do longa, JESSY. Compartilhando roteiro e direção, o trio celebra, através de Jéssica e JESSY, o universo dos artistas-transformistas da cena noturna soteropolitana.  

JESSY recebeu recentemente o Prêmio do Público na edição do Festival do Rio 2013, considerado o Oscar brasileiro devido à qualidade e à projeção que os filmes selecionados recebem.

Confira a entrevista ao Jornalismo Cultural! 

Calila das Mercês - De onde veio a ideia de JESSY?

Ronei Jorge - Jessy surgiu de um desejo da atriz Paula Lice em se transformar em drag e fazer um espetáculo nos moldes dos artistas do gênero. Esse desejo foi exposto pra gente num bate papo, num coquetel em que estávamos os três juntos. Depois de Paula dizer: "Eu queria  fazer um show de transformismo..." Eu e Luna nos olhamos, olhamos pra Paula e dissemos: isso dá um filme.

Paula Lice - O nome Jéssica é uma brincadeira de criança, era o nome que eu usava para batizar  minhas personagens nas brincadeiras quando era criança. Além disso, acompanho a cena transformista de Salvador há anos, e tenho uma sincera e profunda admiração por esses performers. Acabamos focando o filme nesse encontro com esses artistas que sou fã, é para ser uma homenagem carinhosa ao trabalhos deles.



Calila das Mercês - Por que a transformação de uma mulher numa drag queen? 

Paula Lice - Escolhemos fazer essa corporificação de um desejo feminino pelo transformismo como uma forma de refletir sobre gênero, desejos, sexualidade, em suas livres expressões, e esperamos que o filme venha a contribuir com essa discussão.

Ronei Jorge - Paula sempre teve um olhar muito sensível pra tudo e rapidamente ela fez a ligação entre o trabalho dela de atriz - inclusive refletindo sobre as transformações exigidas pelos personagens - e o dos artistas transformistas. Existe no filme não só desejo de Paula se transformar, mas principalmente o de mostrarmos toda a preparação do espetáculo desses artistas. Obviamente várias coisas mais vão sendo reveladas durante o desenvolvimento do filme.

Calila das Mercês - Como foi a construção do roteiro? Foi difícil contatar as transformistas? 

Rodrigo Luna -
Nossa idéia inicial era criar um documentário falso (o projeto aprovado pelo edital ainda era nessa vertente), mas com o decorrer da pesquisa acabamos sentindo que seria muito desonesto esconder esse desejo de Paula, de se aprofundar nesse universo, nessa pesquisa.

Ronei Jorge - O roteiro foi baseado na sequência de atividades de um artista transformista que começa na gênese intelectual do personagem, parte para a escolha e compra de figurinos e maquiagem, depois tem o ensaio que no caso do filme foi um "batismo" de Paula até a apresentação. O contato com eles foi ótimo, eles sacaram de cara que o filme teria esse caráter afetivo. Além do que, acompanhamos algumas apresentações deles em casas que eles se apresentam. Paula já estava intimamente ligada ao universo, acho que isso ajudou muito também.

Paula Lice - Uma de nossas idéias era justamente pensar que tipo de preconceito uma mulher poderia sofrer ao tentar entrar nesse universo, mas o que aconteceu foi justamente o oposto: fomos muito bem recebidos por todos eles! Acho que esse carinho acabou transbordando pro filme, eu sinto que todos eles estão torcendo muito para que eu consiga me transformar em Jéssica.



Calila das Mercês - Qual a expectativa para o PANORAMA INTERNACIONAL COISA DE CINEMA?

Rodrigo Luna - Pra gente é uma honra ser exibido no Panorama, um festival que acompanho desde as primeiras edições e agora estou participando pela segunda vez como realizador. Já vi muitos filmes sensacionais, e pra mim já é muito recompensante o nosso filme estar sendo exibido ao lado destes filmes tão bacanas e diversos. E, claro, espero que a sessão esteja cheia e que eu não gagueje muito durante o debate.

Ronei Jorge - O Panorama é importantíssimo não só por ser daqui, mas pela qualidade das escolhas dos filmes, dos debates, do cuidado com que ele é conduzido. Pra gente ele é já uma referência como festival e ficamos verdadeiramente felizes com a seleção de Jessy.



Calila das Mercês - Será exibido em outros locais? 

Rodrigo Luna - Só nessa semana, Jessy está em 5 festivais diferentes! No mesmo dia que seremos exibidos no Panorama também seremos exibidos no Amazonas Film Festival. Já fomos exibidos em diversos estados do Brasil e também no Uruguai, Argentina, Colômbia, Suíça e Coréia do Sul! E a versão média tem circulado também em outros meios, como por exemplo nesse sábado (9/11), ele será exibido na Jornada da Escola Brasileira de Psicanálise – BA.

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