quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Teatro Rio de Janeiro: O médico que tinha letra bonita

Nervoso, Vinicius Moreno e Guta Stresser


Todo mundo já foi alvo da chacota de colegas de classe ou mesmo dos amigos de infância. O que hoje é conhecido como bullying é um dos muitos temas tratados em O médico que tinha letra bonita, musical infato-juvenil dirigido por Guta Stresser e no qual ela contracena com Vinicius Moreno (o Florianinho, seu filho no seriado “A grande família”), com Érica Migon e com Nervoso (nome artístico do músico André Paixão, marido de Guta), idealizador e diretor musical da montagem. Com dramaturgia assinada por Pedro Brício (Prêmio APCA pelo infantil “O menino que vendia palavras”), o espetáculo, patrocinado por Furnas Cultural, fará uma nova temporada, nos dias 12, 13, 14 e 19 de novembro, na Sede da Cias, na Lapa. No palco, uma banda cujos integrantes dão voz a outros personagens da trama. 

Vinícius faz aos 14 anos sua estreia nos palcos na pele de Tom, menino cujo comportamento apresenta mudanças. Ter abandonado a escolinha de futebol ou descuidado do bom desempenho escolar são alguns deles. O mais evidente (e estranho) dos sintomas é o fato de que seus pés movem-se como se quisessem extravasar algo. É levado então ao médico pela mãe (Érica Migon), que deseja saber se o menino é alvo “dessas perseguições que acontecem nas escolas”. Durante a anamnese, Tom nota naquele médico uma característica raríssima: ter a letra bonita. O doutor lhe revela o fato de sua letra bonita ter feito dele alvo de provocações na infância. “Não é fácil ser diferente”, atesta antes de recomendar a Tom que encontre uma forma de extravasar seu talento (no caso a dança). “Descubra sua caligrafia”, aconselha. 

A ideia da peça surgiu na cabeça de Nervoso após justamente uma visita ao oculista. Preenchida a receita, desabafou a respeito de os médicos não terem letra bonita. “Alguém tem de levar isso para o palco. E não serei eu”, devolveu-lhe o especialista. Foi a deixa para que temas como ser diferente, a descoberta de uma vocação ou a formação social de um indivíduo povoassem a cabeça do músico , que criou as primeiras canções daquilo que não sabia ainda se seria um show, uma peça ou as duas coisas. A primeira leva de canções foi testada, em 2011, justamente num show beneficiado por edital de um banco privado. Sem o mote lhe dar trégua, Nervoso compôs nova safra, levada à Sala Funarte de São Paulo, no ano seguinte.

E o fato de as canções terem surgido antes do texto diz muito sobre a concepção cênica. Não à toa que Guta e Nervoso referem-se à montagem como uma peça-show ou vice-versa. “Não se trata de um musical convencional, com maestro e orquestra no fosso, essas coisas. Quero a integração entre músicos e atores. Tanto que os músicos também são personagens. A ideia inicial é que todos usem um figurino-base sobre o qual serão adicionados acessórios, dependendo do personagem que interpretam”, explica Guta em sua terceira direção teatral e  a primeira à frente de um musical.

O novo desafio pode até provocar nela aquele friozinho na barriga. Guta não teme buscar, como o pequeno Tom, uma (nova) caligrafia. Falando no menino, ele volta, tempos depois, ao médico. Quer mostrar ao amigo a música inscrita por ele no festival que o colégio prepara para o Dia dos Pais. E vai além: como seu pai viaja muito a trabalho, sugere que o amigo o substitua na homenagem. E como o médico sai dessa? Só indo ao Espaço Sesc para saber.



Ficha técnica
Texto: Pedro Brício
Direção geral: Guta Stresser
Idealização e direção musical: André Paixão (Nervoso)
Elenco: Guta Stresser, André Paixão (Nervoso), Erica Migon e Vinícius Moreno
Elenco musical: Maurício Calmon (bateria, teclado e vocal), André Paixão (guitarra e vocal), Joana Cid (baixo e vocal), Jayme Monsanto (teclado, sonoplastia e vocal) e Leonardo Vieira (guitarra e vocal)
Cenografia: Nello Marrese
Figurino: Antônio Guedes
Iluminação: Daniela Sanchez
Direção de Produção: Tárik Puggina
Realização: Guta Stresser Produções Artísticas e Nevaxca Produções

Serviço

12 de novembro (terça-feira), às 15h
13 de novembro (quarta-feira), às 10h30
14 de novembro (quinta-feira), às 10h30
19 de novembro (terça-feira), às 15h

Local: Sede das Cias (Rua Manuel Carneiro, 12 – Escadaria Selarón / Lapa)
Telefone: (21) 2137-1271
Ingressos: R$20,00
Bilheteria: 1h antes do espetáculo
Duração: 60 minutos
Capacidade: 60 lugares

Classificação: Livre (espetáculo recomendado para crianças a partir dos 8 anos)

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