quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A urgência musical de Ney Matogrosso


Por Calila das Mercês,
de Salvador 

Um artista "Atento aos sinais". Do tempo, da modernidade, do humano. Assim eu definiria Ney Matogrosso. Um performer musical que permanece no imaginário dos brasileiros desde a sua rápida passagem pelo grupo Secos & Molhados na década de 70 e, hoje, aos 72 anos lança o atualíssimo disco Atento aos Sinais (2013)(capa acima).

Depois dos aclamados "Inclassificáveis" (2008), "Beijo Bandido" (2009) e "Beijo Bandido Ao Vivo" (2011), Ney Matogrosso dá continuidade a esse fluxo de registrar importantes composições com sua marcante e afinada voz no novo disco. Produzido por João Mário Linhares e Sacha Amback, e dirigido e arranjado pelo último, o trabalho apresenta a contemporânea "Rua de Passagem" (veja o clipe ao final do post), composta por Arnaldo Antunes e Lenine, e mescla tradicionais composições de autores como Paulinho da Viola e Itamar Assumpção com músicas de Pedro Luis (parceiro de outros trabalhos de Ney), Vitor Ramil, Dani Black e Criolo, entre outros novos compositores.




Nessa evidente urgência de recortar o seu tempo através da música, Ney, que sempre foi atemporal, ou talvez à frente de qualquer tempo, continua fazendo um trabalho musical poético e político, que não está apenas Atento aos Sinais, mas atento ao outro, à vida, que "todo mundo tem direito igual", como diz um dos versos de "Rua da Passagem".

Performance, irreverência e poesia. Marcas de um cantor que não carrega somente o estado de origem no nome, mas a perfeita mostra da música popular brasileira de qualidade.


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