sábado, 28 de dezembro de 2013

Cidade Cinza e o direito de grafitar



Por Calila das Mercês,
de Salvador

Por que o grafite em São Paulo não é visto como arte? Por que é preferível manter paredes cinza ao invés de imagens coloridas e lúdicas que representam o cotidiano dos cidadãos, que os inspiram ou questionam? O que é entendido pelos gestores como limpeza urbana? Cidade Cinza, documentário dirigido por Marcelo Mesquita e Guilherme Valiengo, lançado este mês, com ajuda do site de crowdfunding Catarse, traz como foco a discursão sobre o grafite e o embate com a prefeitura da cidade.

“Você acha isso bonito? Você acha que isso é arte?”, é o que pergunta um agente da prefeitura defronte a um muro grafitado e é efusivo ao dizer que “é eles (os artistas) pichando e a gente cobrindo”. 



OsGemeos, Nunca, Ise, Finok, Zefix, Nina, entre outros, são mais que simples grafiteiros, são artistas que gostariam de expor a sua arte na cidade onde vivem e serem respeitados. Alguns deles são conhecidos por seus trabalhos expostos em museus e galerias de outros países, mas no Brasil acabam não tendo a mesma recepção. O documentário é muito bem montado e completa-se ao ser somado a trilha sonora inédita de Criolo e Daniel Ganjaman. Confira o trailer:

O longa-metragem Cidade Cinza expõe a miopia cultural, mostra-nos que estamos muito atrasados nos quesitos política cultural e ainda no planejamento urbano. Cidade muito cheia, muito veloz, porém muito desorganizada e desagregadora. Por que grafitar não é arte e é visto como poluição? É mais uma pergunta que ainda não foi respondida. 

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