sábado, 28 de dezembro de 2013

Cinema: A experiência de sentidos de Azul é a cor mais quente


Por Calila das Mercês,
de Salvador

O polêmico filme francês “Azul é a cor mais quente” (La vie d’Adèle, 2013), vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes estreou no Brasil em dezembro e ganhou repercussão de críticas nos principais jornais de circulação nacional e revistas e sites especializados no assunto.

Dirigido por Abdellatif Kechiche, o filme foi baseado em uma HQ de Julie Maroh, Le Bleu est une couleur chaude. Um dos motivos pelo qual o filme chama atenção é a duração das cenas de sexo explícito entre Adèle e Emma, interpretadas por Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux, respectivamente.

 Azul é a cor mais quente conta a história de Adèle que, na adolescência, percebe o desejo por outra garota. O que é interessante no filme é o retrato de como os adolescentes europeus se comportam diante dessa situação, que não difere da atitude, por exemplo, de ambientes escolares no Brasil.

O filme tem duração de três horas e, mesmo assim, o roteiro não perde fôlego. Apresenta planos e enquadramentos que se aproximam de uma história em quadrinhos, funcionando como uma espécie de diário da protagonista.



O enredo ganha a cor azul quando Emma, ainda estudante de Belas Artes, entra na vida de Adèle, tornando-se seu grande amor. Esse evento traz a reflexão de outro aspecto interessante, que é a relação familiar. De um lado, uma família aberta, sem conservadorismo, diante da identidade sexual de Emma, e do outro uma família conservadora que não possibilita um diálogo pautado na sinceridade.

Relações de interesse, sentimentos, poder, conveniência e lealdade são assuntos que também são explorados no longa, além da questão sexual que parece ser o único viés do filme, o que não é verdade. Assistir a “Azul é a cor mais quente” é uma experiência única.

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