quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Teatro Rio de Janeiro: Amigo Cyro, muito te admiro!


“Para mim, Cyro Monteiro é não só o maior cantor popular brasileiro de todos os tempos – emparelhado apenas, na nova fase, por João Gilberto –, mas uma criatura humana de qualidades tão raras que eu acho improvável qualquer de seus amigos não se haver dito, num dia de humildade, que gostaria de ser Cyro Monteiro. Pois Cyro, para lá do cantor excepcional, é um grande abraço em toda a humanidade.” (Vinicius de Moraes)

Estreia, no dia 03 de Janeiro, no Teatro II do Centro Cultural do Banco do Brasil, do Rio de Janeiro, o musical Amigo Cyro, muito te admiro!. Idealizado por Claudia Ventura e Rodrigo Alzuguir – que assina a dramaturgia –, direção de André Paes Leme e direção musical e arranjos de Luis Barcelos, o espetáculo faz uma homenagem ao centenário de Cyro Monteiro, grande personalidade da música popular brasileira.

Foto: Silvana Marques


Em 1970, três anos antes de partir, Cyro concedeu duas longas entrevistas gravadas. Uma delas, ao Museu da Imagem e do Som, dentro da série Depoimentos para posteridade. A outra, ao incansável jornalista Simon Khoury, na Rádio Jornal do Brasil. O texto de Amigo Cyro, muito te admiro! foi construído a partir dessas entrevistas, acrescidas de declarações de Cyro colhidas por Rodrigo Alzuguir, Claudia Ventura e Alexandre Dantas, parceiros de pesquisa, em jornais dos anos 1930 aos 1970, que levam esta história ao palco, ao lado de Milton Filho.

"Cada palavra que o público ouvir em cena, portanto, saiu da boca de Cyro. O peso narrativo de cada episódio vivido, a gratidão pelos amigos, o afeto, as fobias, o humor, os devaneios – está tudo lá, do jeitinho que Cyro gostava de contar”, explica Alzuguir.

Como texto na primeira pessoa, os quatro atores se revezam no papel de Cyro Monteiro e narram suas histórias e causos. Ao lado de quatro músicos eles executam ao vivo sucessos como “Beija-me” (Roberto Martins e Mário Rossi), “Os Quindins de Iaiá (Ary Barroso), “Se Acaso Você Chegasse’ (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins) e “Um Samba pro Ciro Monteiro” (Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro).


 Ciro Monteiro
Cyro Monteiro

O painel musical-biográfico traz todas as fases da vida do artista, desde sua infância em Niterói, passando pela convivência com seu tio pianista, o Nonô, o ingresso no rádio, a dupla com Sílvio Caldas, o contrato com a Mayrink Veiga, o dueto com Carmen Miranda, a vida amorosa conturbada com Odete Amaral, as implicâncias com Ary Barroso, os programa de TV com Elizeth Cardoso, e muito mais.

“Cyro era um homem simples e um cantor refinado. O espetáculo pretende desenhar através da composição dos quatro atores esta personalidade discreta e meiga e, acima de tudo, destacar os sucessos que marcaram toda a sua trajetória. Ambientado num jogo de bilhar, a cena busca uma atmosfera poética, sem perder as oportunidades cômicas que se criam com a multiplicação do personagem.”, completa André Paes Leme.


SOBRE CYRO MONTEIRO

Cyro Monteiro foi um cantor e compositor inimitável. Em três décadas de carreira lançou grandes discos como “Falsa Baiana”, “Os quindins de Iaiá”, “O bonde São Januário” (Ataulfo Alves - Wilson Batista), “Se acaso você chegasse”, entre outros. Sua carreira iniciada da década de 30 no programa de rádio do pioneiro Ademar Casé se confunde com a própria história da música popular brasileira.

Ainda na adolescência fez dupla com Sílvio Caldas e foi corista das apresentações radiofônicas de Noel Rosa. Atingindo a maturidade, recebeu a homenagem do então novo-talento Chico Buarque, que lhe dedica o samba “Ilmo. Sr. Cyro Monteiro”, em 1970.

Na TV, emocionou plateias na década de 60 com seus duetos com Elizeth Cardoso, na Record, que depois se tornaram discos de sucesso. da série Bossauddde. Como ator, estreou em grande estilo no Theatro Municipal do Rio de Janeiro no papel de Apoio, pai do personagem-título da peça Orfeu de Conceição, de Vinícius de Moraes, com música de Tom Jobim. 

Cyro semeou amores. E como dizia Elis Regina: sua missão era mostrar ao mundo o ideal de comportamento humano

“É um orgulho imenso recontar essa história. E, muito humildemente, ao lado de Claudia Ventura, Alexandre Dantas e Milton Filho, sob a batuta de André Paes Leme, brincar de ser Cyro Monteiro.”, reforça Rodrigo.


FICHA TÉCNICA

Dramaturgia: Rodrigo Alzuguir
Direção: André Paes Leme
Direção Musical e Arranjos: Luis Barcelos
Elenco: Claudia Ventura, Alexandre Dantas, Rodrigo Alzuguir e Milton Filho
Músicos: Levi Chaves (sopros), Luis Barcelos (bandolim/cavaco), Lucas Porto (violão) e Marcus Thadeu (percussão)
Direção de Movimento: Duda Maia
Cenografia: Carlos Alberto Nunes
Figurino: Carlos Alberto Nunes
Iluminação: Renato Machado
Preparação Vocal: Marcelo Rodolfo 
Pesquisa: Alexandre Dantas, Claudia Ventura e Rodrigo Alzuguir
Diretor Assistente: Anderson Aragón
Assessoria de Imprensa: Daniella Cavalcanti


SERVIÇO

TEMPORADA: de 03 de janeiro a 09 de fevereiro
Local: Centro Cultural Banco do Brasil – Teatro II
Endereço: Primeiro de Março, 66 – Centro
Informações: 3808-2020
Horário: de quinta a domingo, às 19h
Ingresso: R$10,00
Bilheteria: de quarta a segunda, das 9h às 21h
Capacidade: 158 lugares (3 para cadeirantes)
Gênero: Musical biográfico
Duração: 90 minutos

Classificação: 10 anos

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