domingo, 26 de janeiro de 2014

Poeta da Semana: Lara Utzig

A Poeta da Semana é Lara Utzig. Nascida em 31 de dezembro de 1992 em Macapá, foi criada no Rio Grande do Sul e voltou para o Amapá na adolescência. Escreve desde os 8 anos de idade. É formada em Letras/Inglês pela Universidade Federal do Amapá (Unifap), cursando atualmente o técnico em violão erudito no Centro de Educação Profissionalizante em Música Walkíria Lima. Integra a diretoria do grupo de artes integradas Pena & Pergaminho, que se reúne na primeira sexta-feira de cada mês no Centro Cultural Franco-Amapaense. É vocalista, violonista, compositora e arranjadora da banda de folk/experimental popular Desiderare, que lançou pelo blog Som do Norte o EP Caleidoscópio (2012). Também atua como declamadora. 

Sua primeira publicação foi numa antologia de jovens poetas de Lajeado (RS), em 2001. No Amapá, obteve o primeiro lugar no Varal Cultural da Unifap, em 2010. Em 2012, recebeu do grupo Abeporá das Palavras e do governo do Amapá o troféu Equinócio da Palavra, além de participar do e-book Sete Estações Poéticas, organizado por Marvin Cross. Foi incluída em duas publicações da editora Vivara: Antologia do Concurso Nacional Novos Poetas (2012) e Antologia do Prêmio Poetize (2013). Participou das duas edições já realizadas da Feira do Livro do Amapá (2012-13). 

Sua principal temática é o tempo, mas também aborda questões como o amor, a saudade, a morte, a metalinguagem e o preconceito. Veicula sua produção no blog http://mensagemefemera.blogspot.com 

***

REGÊNCIA


Teu nome
Verbo intransitivo
Que cabe em minha boca
Em cada sussurro ao pé do ouvido.

Meu sentimento
Verbo transitivo eterno
Amo, a partir desse momento,
Você: objeto direto.

Necessidade latente assim
Também requer complemento:
Preciso de você, rente a mim,
Com preposições em movimento.

Tu, tão cheia de predicados;
Eu, tão carente de predicativos;
Tu, sujeita a mil pecados;
Eu, conjunto de frases sem sentido.

Nós, oração de mensagens repletas;
Nós, semanticamente perfeitas;
Nós, formas morfológicas completas;
Nós, linguisticamente eleitas.

Sintaxe
Nossa.
Sinta-se...
Minha.
 


PORTA-BANDEIRA DA DOR


A Banda passa bem cedo
E nos perdemos no trio elétrico...
Já não lembramos dos sambas de enredo
Cantados na véspera do desfile estético.
Durante o feriado esquecemos os medos
E aderimos ao festejo eclético,
Enfeitando o corpo com adereços,
Contagiados pelo clima magnético.

As cores e a brincadeira,
A beleza de cada fantasia,
Só me fazem ser porta-bandeira
Das dores que voltarão um dia.
Por ora prosseguem as 'feiras'
Comemoradas com muita folia,
Mas desde já prevejo uma inteira
Destruição na avenida da vida.

Pois de que vale o Carnaval,
O pierrot e a colombina
Se é tudo fugaz e banal?
O confete e a serpentina
Com repetida alegria anual
Se esvaem entre algumas marchinhas.
E como morte, fatal:
Findam na quarta-feira de cinzas...
  

NUDEZ COMPLETA


Algumas têm bigode,
roça e coça
(e Hitler aprova)...

Algumas são uniformes,
fazem cócegas enormes,
mas eu gosto.

Algumas são cabeludas
e a floresta amazônica
me agonia.

Algumas são raspadinhas
e essas, bem lisinhas
são as minhas favoritas...

nada contra pentelhos,
eu até curto poucos pelos,
mas prefiro peladinha.


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