domingo, 23 de fevereiro de 2014

Poeta do Mês: Walter Poeta (4)

TRISTEZA AUGUSTIANA

Sepultei um grande amor que amei
Nessa terra árdua que me espera um dia
E na vida, com minha alma triste fiquei
Do amor guapo que só me trazia alegria.

Foi-se embora a grande esperança
Da aurora que todo o dia eu via
Da dor plangente vinda de uma criança
Que nos braços da mãe chora ao ver a luz do dia.

De que serve agora esse amor que procurei?
E que hoje me deixou arrependido
Trazendo essa maldita desgraça que herdei
Desse amor eterno que virou bandido.

Mas hoje desconheço esse amor extraordinário 
Que se diz ser belo e que hoje  não me anima
Mas sei que vai estar para sempre sepultado




Esse sentimento rijo que começa e depois termina.





Evento Macapá: Quanto Riso, oh! Quanta Alegria


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Iniciam as comemorações do centenário da pioneira da dança gaúcha Tony Petzhold

         Os 100 anos do nascimento de Tony Seitz Petzhold (1914-2000), uma das pioneiras da dança no Rio Grande do Sul e responsável pela formação de toda uma geração de bailarinos e coreógrafos gaúchos, serão comemorados com uma grande programação, que se iniciou ontem, dia 17, e encerra no próximo dia 22, na Casa Cultural Tony Petzhold, em Porto Alegre, e se prolongará ao longo deste ano. Estão programadas diversas oficinas, a maioria gratuita, e um bailão (dia 19), além do lançamento da Associação de Amigos da Casa Tony Seitz Petzhold, no próximo dia 20, em cerimônia especial, quando amigos e personalidades significativas na história da Casa serão homenageados. Também está previsto o lançamento do selo comemorativo ao centenário da ilustre artista. Nos dias 21 e 22, ocorre o CasaDança, evento de dança, que reunirá diversas artistas com histórico vinculado à Casa.




Tony na coreografia A Salamanca do Jarau (1945)

        Fundado como espaço de formação de dança, na década de 50, com o nome Escola de Bailados Clássicos Tony Seitz Petzhold, o casarão centenário (de 1916) localizado na Avenida Cristóvão Colombo, 400, foi nascedouro de talentos que brilharam na cena local e mundial. Sob o olhar atento de Tony Petzhold, por ali, passaram Tais Virmond, Victória Milanez, Jussara Miranda, Edison Garcia, Anette Lubisco, Jane Blauth, Maria Amélia, Maria Cristina Futuro, Sérgio Marschal, Tatiana Virmond, Magali Fett, Eleonora Oleosi, Beatriz Consuelo, entre outros. “Tony foi uma das precursoras da dança no Brasil, artista, coreógrafa, professora e militante na construção do respeito e valorização da formação e produção em dança”, define a neta, Thais Petzhold.

        A partir da década de 90, abrigou grupos teatrais e de outras artes. Após a morte de Tony, em 2000, e com o retorno de Thais Petzhold à capital gaúcha, quando se associou à bailarina e professora Ana Claudia Pedone (Didi), optou-se por investir no casarão, que corria o risco de ser demolido. Assim, surgia a Casa Cultural Tony Petzhold, que foi oficialmente inaugurada no dia 22 de junho de 2013, tendo como foco a dança e a integração em diferentes áreas artísticas.

       “A Casa tem a característica de agregar  diversas expressões  artísticas e práticas corporais num convívio inter e transdisciplinar. Um local privado, mas com interesse público, que está sempre disponível a dialogar com novas propostas”, define Thais Petzhold. No local, são desenvolvidas atividades diversas, como apresentações, performances, projetos culturais, vernissages, exposições, shows, workshops, pesquisas colaborativas, palestras. “O espaço se constitui a partir de relações profundas e de parcerias, sem as burocracias do sistema público e sem uma especulação capitalista que impeça estabelecer relações sinceras e artisticamente potentes e sincronizadas com os fazeres contemporâneos”, complementa a artista.

       A programação

       A programação comemorativa ao centenário de Tony Petzhold consistirá de uma série de atividades formativas e integradoras, com o objetivo de apresentar um panorama do que é realizado na casa.

        Serão oferecidos 13 cursos, com vagas limitadas e gratuitas ao público externo. Os interessados em participar devem se inscrever pelo e-mail: casaculturaltonypetzhold@gmail.com Informações pelos fones (51) 3268.9669 / 96567087 ou no endereço http://casaculturaltonypetzhold.wordpress.com/

Cursos

Modalidade
Ministrante
Data
Horário
Vagas extras
Valor
Laboratório Permanente A Pesquisa do  Movimento
Ana Medeiros
17 a 22/02

05
Grátis
Biodanza
Margareth Osório e Cândida Stopinski
17 a 22/02

05
Grátis
Slackline
Clarissa Saraiva
17 a 22/02

05
Grátis
Arte Circense
Diego Esteves
17 a 22/02

05
Grátis
Dança Contemporânea (iniciante)
Douglas Jung
17 a 22/02

05
Grátis
Dança Contemporânea (avançado)
Douglas Jung
17 a 22/02

05
Grátis

Arte Circense Infantil
Fernanda Boff
17 a 22/02

05
Grátis
Integral Bambu
Fellipo Cauac
17 a 22/02

02
Grátis
Ballet Clássico (Adulto)
Gisele Meinhardt
17 a 22/02

02
Grátis
Expressão Vocal
Karen Volkman
17 a 22/02

05
Grátis
Dança de Salão
Paola Vasconcelos
17 a 22/02

05
Grátis
Kundalini Yoga
Paula Carmona
17 a 22/02

05
Grátis
Dança Afro-Brasileira
Roberta Campos
17 a 22/02

05
Grátis
BGC
Felipe Suares
17 a 22/02

05
Grátis


Evento Multimídia
 CasaDança
Artistas da Casa
21 e 22/02
20h30min
80
Contribuição Espontânea

Atividade Integrativa
 Bailão Cultural
Kako Xavier & Banda + convidados
19/02
22h
80
R$ 15,00


Música Rio de Janeiro: Plebe Rude, Autoramas & BNegão


Música Belo Horizonte: Grito Rock


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Música Macapá: Marcos Lessa


Oficina Macapá: Grafitti


Cinema Macapá: Mostra de Cinema da Amazônia


Poeta do Mês: Walter Poeta (3)

SOMBRA

Esse espaço sem luz escurecido
Que me acompanha nessa fúnebre estrada afora
Não sabe direcionar seu próprio destino
Na tempestade forte e sombria que sempre apavora.

Mas essa mancha que ao meu lado parece fantasma
Não separa da substância física que é meu corpo
Se rasteja feito um animal imundo e invertebrado
É primitivo, obscurosamente um fiel desditoso.

E no dia que for embora a minha mocidade
Esse fantasma infeliz não me seguirá no futuro.
Ficará o sofrimento, a dor e esse sentimento triste chamado saudade.

Nessa vida que é hostil, amarga e hedionda.
Minhas células ficarão vagando nesse enorme mundo
E nunca mais meu Deus eu verei o desconforto dessa pobre sombra.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Música Rio de Janeiro: Thiago Amud


Participação especial da cantora Ilessi. 

Curso Porto Alegre: Dança Contemporânea


As aulas iniciam em 10 de março. 

Andrea Spolaor tem formação em ballet clássico, dança contemporânea e em diversas práticas que auxiliam técnica e artisticamente na sua carreira. Integrou companhias como Cia de Dança do Palácio das Artes (Belo Horizonte) e Cia Municipal de Dança de Caxias do Sul. Com a Lírio Cia de Dança, criada em 2011, já estreou dois espetáculos, todos premiados. 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Oficina Macapá: Organização e Planejamento de Eventos


Cinema Macapá: O Gabinete do Dr. Caligari


Música São Paulo: Arnaldo Antunes


Nem toda coincidência é plágio

Rafael Infante e Fábio Porchat, 
em cena de Dura

Sou um fã entusiasmado do canal Porta dos Fundos, e procuro sempre assistir os novos vídeos assim que eles entram no ar. Foi assim na segunda passada, dia 3, data em que entrou no ar aquele que eu considero um dos melhores vídeos já feitos pelo canal. Intitulado Dura, mostra dois cidadãos que abordam dois policiais que estão dormindo dentro de uma viatura, e começam uma revista nos PMs (ou seja, uma situação de inversão de papéis, um recurso clássico do humor). 



Obs: infelizmente o YouTube colocou restrição de idade 
no vídeo, portanto se não conseguir ver no link acima 
você vai precisar entrar no YouTube e fazer login


Por mais genial que seja, o vídeo gerou quase de imediato duas dores de cabeça ao canal, em especial a Fábio Porchat, que além de atuar no esquete, é o autor do roteiro. Aguardei algum comentário a respeito no "Portaria" deste domingo (pra quem não sabe, é um outro canal do YouTube onde atores do Porta dos Fundos comentam os vídeos lançados na semana e respondem perguntas do público). Mas o programa Portaria 25, que ontem contou com o próprio Porchat ao lado de Clarice Falcão, não abordou nenhuma das dores de cabeça. Em dado momento, Fábio chegou a falar de um assunto que teria a ver - foi na hora em que alguém quis saber sobre quantos processos o canal já levou, ao que ele respondeu que o "Porta" nunca foi processado por ninguém. Mas nada sobre as duas dores de cabeça que passo a comentar em seguida.

A primeira, sobre a qual não vou me alongar, pois não é o tema que quero abordar neste texto, foi a reação de alguns policiais militares, expressa numa postagem anônima no Blog do Soldado, citada por reportagem do site G1 Rio de Janeiro. A mesma matéria traz o texto de uma nota do Porta dos Fundos, afirmando que "Nosso vídeo é uma crítica ao policial corrupto e não à Polícia Militar como instituição". Ao G1, a PM do Rio informou que "defende a liberdade de expressão e que não tem nenhuma medida prevista contra o canal Porta dos Fundos."

A segunda dor de cabeça começou quase imediatamente à postagem do Dura. Internautas começaram a comentar na página do vídeo sobre a semelhança dele com O Troco, postado no canal de Márcio Menezes em maio de 2006, e no qual... dois cidadãos abordam dois policiais que estão dormindo dentro de uma viatura, e começam uma revista nos PMs. A situação é semelhante, o encaminhamento da ação em alguns momentos também, com a diferença que aqui um dos cidadãos entra no carro da PM para revistá-lo. 




Também ao G1, mas no caso numa reportagem da editoria Pop & Arte, Porchat afirmou: "Foi uma coincidência. Roteiristas que escrevem esquetes podem ter ideias parecidas ou até as mesmas", disse Porchat. De acordo com ele, o roteiro da esquete foi escrito em junho de 2013 e "até hoje, ninguém do Porta dos Fundos conhecia o vídeo do outro canal. Nesse caso, a ideia foi a mesma, eu acho realmente muito parecido, mas eu nunca roubaria um roteiro que já existe e ainda por cima produziria um vídeo exatamente igual", defende-se.

Beleza, aí chegamos ao ponto que eu queria: pegar algo que já existe, criar uma outra obra exatamente igual (ou extremamente parecida) e apresentar como criação sua não é algo que um verdadeiro artista irá fazer. O artista almeja ser conhecido - e quiçá, admirado - pelo que cria de novo, pela marca única que pretende deixar no mundo, e que talvez perpetue sua memória séculos afora, quando nada mais de sua matéria física aqui restar. 

(Um parêntese: quando eu escrevia histórias em quadrinhos, o que fiz até começo dos anos 1990, eventualmente usava como ponto de partida para meus roteiros alguma história que eu havia lido, fosse do universo Disney, fosse da Turma da Mônica. Desde então eu já considerava essas histórias como meros "exercícios" e jamais me passou pela cabeça publicar esse material, afinal isso não faria sentido algum).


Voltando: embora até o momento eu desconheça alguma manifestação de Márcio Menezes a respeito (se alguém souber, por favor me informe nos comentários), concordo plenamente com o que disse meu xará Fábio Porchat - foi uma coincidência. E elas podem ser mais frequentes do que se imagina. Afinal, quando você vai fazer um vídeo, escrever um poema, compor uma música etc etc, não tem como ouvir, ler, assistir tudo o que já foi feito, para ver se não está plagiando ninguém. Então, um belo dia me aconteceu de, ao ler um poema de Lara Utzig, minha amiga e parceira (compomos juntos um funk. Sim! Agora só falta a Anitta gravar), reconhecer algo de familiar no início dele. Falo de "Porta-Bandeira da Dor", cujos dois primeiros versos são: 

A Banda passa bem cedo
E nos perdemos no trio elétrico...

Comparem com o começo deste meu poema "25 Anos de Festivais":

A banda passa em disparada
Atrás do trio elétrico.


E aí? Cinco palavras iguais em dois versos, e todas nas mesmas posições!!! Imediatamente comentei com Lara, mas já julgando se tratar de coincidência, pois ela de fato não conhecia esse meu poema escrito em 1990, publicado no ano seguinte no meu jornal mega-alternativo O Arauto (que eu fazia em xerox em Bento Gonçalves, RS) - Lara nem nascera quando isto aconteceu - e que republiquei no site Brasileirinho, em 2003. (Leia o poema completo no post anterior). Tanto o fato não deixou seqüelas que a própria Lara escolheu "Porta-Bandeira da Dor" como um dos seus três trabalhos a serem publicados aqui quando foi a Poeta da Semana.

Então, maravilha, até aqui concluímos que coincidência não é plágio. Mas então, quando pode se dizer que ocorre o plágio? Ou, mais conceitualmente: o que é mesmo plágio?

Aí é que está. Temos uma Lei de Direito Autoral em pleno vigor (a 9.610, que completa 16 anos no próximo dia 19), que não define o que é plágio. Pior ainda: não cita o termo em nenhum de seus 115 artigos!!! Mas a função (ou uma das, pelo menos) de uma lei autoral não é justamente evitar o plágio, ou ao menos proteger dele os legítimos autores?? 

À falta de definição legal, vamos "decretar" aqui que:

  • coincidência não é plágio
  • caracteriza-se a coincidência quando o autor da nova obra não conhece a obra anterior

E o plágio, portanto, estaria caracterizado quando se pudesse comprovar que a obra anterior era do conhecimento do autor da obra mais recente. O que aconteceu, por exemplo, com As Aventuras de Pi, do americano Yann Martel, de 2001, cuja história é basicamente a mesma do conto que dá título ao livro Max e os Felinos, publicado em 1981 pelo gaúcho Moacyr Scliar. Quando alguém apontou a semelhança, Martel disse não ter lido o livro de Scliar, apenas uma "resenha negativa de John Updike publicada no New York Times" e pensado que havia ali "uma boa ideia mal aproveitada". Além da ofensa tácita ao brasileiro, Martel incorreu numa mentira, pois o livro jamais foi resenhado por Updike. Quando o livro ganhou o prêmio Man Booker na Inglaterra, em 2002, aí sim o  New York Times publicou, de verdade, uma reportagem sobre o caso (neste link, em inglês). Enfim, apesar de todas as evidências, Scliar desistiu de processar Martel, devido ao alto custo de um processo internacional. Martel chegou a incluir uma nota de agradecimento a Scliar no prefácio das edições mais recentes. No ano passado, o caso voltou ao noticiário, em função dos quatro Oscars ganhos pela adaptação do livro de Martel para o cinema pelo diretor Ang Lee. O editor de Scliar, Luiz Schwarcz, conta a história com mais detalhes no blog da Companhia das Letras.


Detalhe da capa de Max e Os Felinos



Poema: 25 Anos de Festivais



A banda passa em disparada
Atrás do trio elétrico.
É proibido proibir
A questão de ordem:
Alegria, alegria!

Vão todos no arrastão
Passar o domingo no parque
A roda-viva tá girando, oi girando
Tudo é divino, maravilhoso

Todos vão caminhando
Contra o vento
Sem lenço nem documento
Mas cantando e seguindo a canção

Eram os festivais
Da Globo, Excelsior, Record
Tempos que não voltam mais
Músicas que muitos ainda sabem de cor

Tudo isso já passou
Mas poder relembrar é uma brasa, mora
E que tudo mais vá pro inferno!


Fabio Gomes - 1990

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Poeta do Mês: Walter Poeta (2)

RECIFE  


Recife cidade maravilhosa
Recife dos rios e dos manguezais
Recife cidade maravilhosa
Recife brilhando na beira do cais.

Vou andar nas ruas de Recife
Vou pegar o ônibus lotado
Passar por cima do Rio Capibaribe
Ver São José e o seu grande mercado.

Vou andar de chapéu de palha
Para o sol não queimar a cabeça
Ver no alto os antigos sobrados
E os bairros antes que eu me esqueça.

Recife capital do frevo
Recife terra de Nassau
Recife de Manoel Bandeira
Recife de João Cabral.

Quem vem lá,
Seu Salú com seu Boi-bumbá

(inspirado em Evocação do Recife, de Manoel Bandeira)

Exposição Goiânia: MúltiPLo Leminski


Especial 50 anos sem Ary Barroso



Para homenagear o compositor Ary Barroso, falecido em 9 de fevereiro de 1964, mesmo dia em que o Império Serrano desfilava com o enredo em sua homenagem "Aquarela Brasileira" (com o samba-obra-prima de Silas de Oliveira), publicamos aqui uma seleção de notas saídas originalmente no Mistura e Manda do site Brasileirinho. 

***

O "baiano" Ary Barroso

Mineiro de Ubá, Ary Barroso (1903-1964) esteve na Bahia pela primeira vez em 1929, como pianista da orquestra Apolo Jazz, dirigida por Napoleão Tavares. Foi a semente de uma paixão pela boa terra que se refletiu em muitas músicas. Algumas delas ajudaram a construir a imagem de baiana que consagrou Carmen Miranda: o batuque “No Tabuleiro da Baiana” (1936), que ela gravou com Luís Barbosa, o samba-jongo “Quando Eu Penso na Bahia” (parceria com Luiz Peixoto, 1937), levado à cera por Carmen e Sílvio Caldas, e o superclássico “Na Baixa do Sapateiro” (1938). O cantor paulista Déo lançou outros dois sambas baianos de Ary: “Iaiá da Bahia”, em 1951, e “Bahia Imortal” (1945, gravado em dupla com Dircinha Batista). A série foi inaugurada com a gravação de “Bahia” por Sílvio Caldas em 1931, seguindo-se “Nega Baiana” (parceria com Olegário Mariano, 1931), lançado por Elisa Coelho e o Bando de Tangarás; “A Baiana Saiu de Espanhola”; e “Faixa de Cetim”, lançado por Orlando Silva em 1942. A gravação de “Quero Voltar à Bahia” em 1961, por Jorge Goulart, aparentemente encerrou o ciclo, mas é possível que existam outros.

Luiz Peixoto, letrista de “Quando Eu Penso na Bahia”, curiosamente, foi o responsável pela “desbaianização” de outro samba, que seria intitulado “Bahia”, com versos de Ary (“Bahia/ Cheguei hoje da Bahia/ Trouxe uma figa de Guiné...”), e que, com a nova letra de Peixoto, virou “Maria” (“Maria/ O teu nome principia/ Na palma da minha mão...”).

(Mistura e Manda nº 4, 30.6.2003)

***
O mineiro Ary Barroso 

Ary Barroso enfrentou cobranças de mineiros por cantar mais a Bahia do que Minas Gerais. Ele compôs “Aquarela Mineira” (1950), sem repercussão. A O Estado de Minas, em 1959, Ary queixou-se que a música não fizera sucesso porque os mineiros não quiseram.

Outra música sobre Minas foi “Sinfonia das Montanhas”, composta em 1943, quando narrou futebol para a Rádio Guarani de Belo Horizonte. (Receberia outros convites da imprensa mineira: o jornal Binômio o chamou para entregar troféus aos melhores do ano, em 1959 e 1960). “Sinfonia...” devia entrar no filme americano Brazil (1944), o que não ocorreu. A música não chegou a ser gravada. O filme, com trilha de Ary, tem cenas filmadas em BH e numa fazenda nos arredores, onde os vaqueiros faziam churrasco e usavam bombacha. A crítica brasileira malhou a fita.

1 - Nico Duarte, proprietário do Cassino Ao Ponto;2 - Ary Barroso. Poços de Caldas, 1926.
Temporada em Poços de Caldas, 1926. Ary é o 2 da foto. 
A seu lado, o 1 é Nico Duarte, 
dono do cassino Ao Ponto


Ainda em 43, Ary fez shows com artistas mineiros. Ele já atuara no estado como pianista, em uma excursão iniciada em Santos em 1926 e que ficou em Poços de Caldas por 9 meses, até maio de 1927. Retornaria várias vezes a Poços de Caldas, sempre bem acompanhado – em 1938, com Francisco Alves, Carmen Miranda e Vassourinha; em 1945 (por dois meses), com Sílvio Caldas.


Ary Barroso (anos 40) em Poços de Caldas.
Em Poços de Caldas, 1945


Formado em Direito em 1930, Ary tentara ser promotor público em Nova Resende, mas não se sabe se ele chegou mesmo a ser nomeado ou, tendo sido, desistiu logo, voltando ao Rio de Janeiro. Já em 1962, pensou em se lançar a deputado federal por Minas. À revista Manchete, assim justificou a desistência: “Com que dinheiro iria comprar votos?”

Quando Ary necessitou de albumina humana por estar com cirrose, em 1963, a direção do Pronto-Socorro de BH providenciou-a e conseguiu que o comando da Base Aérea de BH realizasse um vôo em plena madrugada, enviando 3 frascos ao Rio.

Ao que parece, os maiores críticos da baianidade de Ary eram moradores de Ubá, mas isso fica para o outro M&M.

(Mistura e Manda nº 5, 7.7.2003)

***

Ary Barroso de Ubá... 



Os mineiros sempre demonstraram admirar Ary Barroso, que correspondia – até documentos ele fazia em Minas, mesmo com décadas de residência no Rio de Janeiro (carteira de motorista, Ubá, 1924; certificado de reservista, Juiz de Fora, 1940)! Pelo jeito, os incomodados pelo amor entre Ary e a Bahia eram os moradores de Ubá.

O último sobrado e onde morava Ary com sua avó Gabriela e com a tia Ritinha. Ubá - Minas Gerais
Sobrado em Ubá onde Ary morou até se mudar para o Rio


Ninguém duvidava que ele gostasse de Ubá. Enquanto cursava Direito, Ary sempre passava lá as férias, inclusive deixando procurador para matriculá-lo no Rio. No carnaval de 1929, os ubaenses esgotavam as edições de O Jornal nas bancas para votar em “Vou à Penha”, samba de Ary que ganhou na votação dos leitores de todo o Brasil (mas não ficou entre os quatro premiados na apuração da comissão de especialistas). Um leitor de Ubá escrevera a O Jornal, manifestando esperar da comissão um julgamento “desprevenido, legítimo e sincero”...

Houve, é certo, uma grande mágoa de Ary com Ubá quando, em 1954, a Câmara de Vereadores recusou-se a dar seu nome a uma rua, quando outras pessoas vivas já haviam recebido esta homenagem. Isso o levou a recusar-se a participar das comemorações dos 100 anos do município, em 1957. As pazes só foram feitas em agosto de 1959, quando o Tabajara Esporte Clube, completando um ano, resolveu homenageá-lo. Uma avenida recebeu seu nome e inaugurou-se um monumento representando uma clave de sol. Ary levou grande comitiva do Rio e ficou seis dias em Ubá, inclusive visitando a Fazenda da Barrinha, onde passava as férias na infância. Por sinal, esta fazenda é o único local de Minas citado nominalmente na “Aquarela Mineira”.


A famosa Fazenda da Barrinha onde Ary passava as férias escolares de fim de ano junto com seus primos que sumiam p'ro mato a caça de brincadeiras para desespero de sua tia Etelvina. Barrinha era sinônimo de Liberdade.
Fazenda da Barrinha


Ary tem outra música, inédita, chamada ... “Ubá”. Uma de suas primeiras composições foi o hino do bloco carnavalesco Ubaenses Gloriosos (1919). Mas, pelo jeito, “não valiam” para os descontentes. Certa feita, Ary estava no bar Vilariño, no Rio, quando uma senhora ubaense mostrou-se indignada por tantos sambas para a Bahia e nenhum para Ubá. Ary respondeu que a conterrânea não tinha razão, pois a cidade era citada no samba “Risque”:

- Preste atenção na letra – disse Ary, passando a cantar: - “Mas se algum dia talvez/ A saudade apertar/ Não se perturbe/ Afogue a saudade/ Nos copos de Ubá...”


Show em Ubá, Minas Gerais - Parte do show demostrando aos estrangeiros atônitos o instrumento "cuíca".
Show em Ubá, 1959 - Ary está em pé à esquerda



...e da Bahia

Ary Barroso compôs ao menos 11 músicas sobre a “boa terra” – além das 10 citadas no Mistura e Manda nº 4, descobri mais uma, “Maria”, samba de 1931 gravado por Leonel Faria homenageando o remelexo da baiana (nada a ver com a “Maria” que Ary fez com Luiz Peixoto. Mania dele de ficar colocando o mesmo nome em várias músicas e dificultando as pesquisas!).

Por essa música e outras como “No Tabuleiro da Baiana” e “Na Baixa do Sapateiro”, o compositor mineiro recebeu em junho de 1956 em Salvador o título de Cidadão Baiano. Na Ladeira de São Miguel, junto ao Pelourinho, alunos e professores de universidades promoveram um ato público, com muitos discursos e, claro, a interpretação de alguns sambas baianos de Ary por talentos locais. 

(Mistura e Manda nº 6, 14.7.2003)

***

Ary Barroso sem bigode



Quase todas (eu diria quase 100% d)as imagens conhecidas de Ary Barroso mostram-no com bigode.. Nem sempre foi assim, lógico. Ary só passou a usar bigode em 1929, além de ter ficado alguns dias sem ele em 1955 por causa de uma aposta, como conta Sérgio Cabral em No Tempo de Ari Barroso. Ferrenho torcedor do Flamengo, o autor de "Aquarela do Brasil" discutia a favor de seu clube contra o compositor Haroldo Barbosa, adepto do Fluminense, a respeito do Fla-Flu do Campeonato Carioca que seria disputado dali a alguns dias. A discussão ocorreu no bar Vilariño, diante de dezenas de testemunhas que ouviram claramente quando os dois torcedores acertaram o seguinte: se o Flamengo vencesse, Ary rasparia o bigode de Haroldo; mas, se o Fluminense ganhasse, Haroldo é que tiraria o bigode de Ary.

Casamento Yvonne e Ary. Rio, dia 26 de fevereiro de 1930No domingo, o Fluminense surpreendeu, vencendo o favorito Flamengo por 2 a 1. Na segunda, a partir das 3 horas da tarde, muita gente chegava ao Vilariño para ver Ary perder o bigode. Porém, o compositor não aparecia. Às 6 horas, alguém descobriu que ele se escondera na casa das cantoras Dircinha e Linda Batista. Formou-se um corso de automóveis para a residência. Flagrado, Ary resistiu o quanto pôde: argumentou que em poucos dias iniciaria uma temporada ao lado do cantor Ernani Filho na boate Plaza e não poderia estar sem o bigode, uma marca pessoal. Desculpa rejeitada, tentou o último recurso: disse que sua esposa não o aceitaria de cara raspada. Haroldo telefonou para Yvonne, que respondeu: "Casei com Ary, e não com o bigode dele..." (ao lado, foto do casamento, em 1930). Sem outra chance, o rubro-negro aproveitou para fazer um apelo: "Quero que o meu sacrifício fique como uma lição para os jogadores do Flamengo".


O visual de Ary sem bigode foi destaque nos principais jornais do Rio de Janeiro, chegando a merecer uma nota na revista americana Time. E, pelo jeito, o apelo aos jogadores funcionou: o Fla sagrou-se tricampeão carioca naquele ano. A vitória inspirou o samba "Flamengo Tricampeão" (Haroldo Lobo - Ari Cordovil). Gravada por Jorge Veiga, a música não podia deixar de fazer menção ao "sacrifício": "Flamengo já parou de perder por aí/ Eu vi o Haroldo Barbosa/ Fazer o bigode do Ary".

Ary com a cantora Ângela Maria no gramado do Maracanã, festejando o tri campeonato de futebol (anos 53-54-55). Como vereador Ary foi um dos responsáveis do projeto na Câmara, conseguindo os votos da bancada comunista, que resultou na construção do Estádio
No Maracanã, comemorando o tricampeonato
do Flamengo com Ângela Maria

(Mistura e Manda nº 62, 16.8.2004)

***

"Nova" viagem de Ary Barroso à Bahia

Um tema recorrente aqui no Mistura e Manda é a relação de Ary Barroso com a Bahia, por dois principais motivos: 1º, a Boa Terra deu origem a memoráveis sambas de Ary (ver notas acima); 2º, uma viagem de Ary a Salvador teria sido a causa da instituição do dia 2 de dezembro como Dia Nacional do Samba (tema do Mistura nº 122 - ver observação abaixo). Por isso, informo aos leitores uma "nova" viagem de Ary à Bahia, em 1933 - nova, obviamente, no sentido de que não é tão conhecida como as de 1929 e 1956. A de 1933, diferentemente das anteriores, não é citada na ótima biografia No Tempo de Ari Barroso, de Sérgio Cabral (ed. Lumiar). Aliás, curiosamente no trecho em que aborda este ano, entre as págs. 126 e 129, Cabral dá conta de que foi um ano de pouca atividade para o autor de "Faceira": teve só seis músicas gravadas e passou meses sem atividades teatrais, seja musicando ou escrevendo peças de teatro de revista.

Bem, talvez seja mais correto falar em pouca atividade no Rio de Janeiro. 1933 iniciou com uma revista de Ary em cartaz no Teatro Alhambra: Brasil da Gente, escrita em parceria com Marques Porto, Gastão Penalva e Velho Sobrinho, estreou em 30 de dezembro de 1932 e saiu do programa em 12 de janeiro. Estrelada por Mesquitinha, contava com Sílvio Caldas lançando o samba de Ary "Segura Esta Mulher". Durante a temporada, o o empresário Francisco Serrador, dono do teatro, convidou Ary a ser o diretor da orquestra da casa. Não era pouca coisa: o Alhambra era um empreendimento ousado de Serrador, já então o dono da Cinelândia. Nos oito anos em que existiu (um incêndio o consumiu em 1940), foi uma das casas de espetáculo de maior prestígio da então Capital Federal. Sua inauguração se dera em 9 de agosto de 1932, com a peça Feitiço, de Oduvaldo Vianna, apresentada pela Cia. Procópio Ferreira. Além de abrigar espetáculos do teatro de revista e do então chamado teatro de comédia (também dito "teatro declamado", em oposição ao "musicado" da revista), o Alhambra também funcionava como cinema. Ali estreou em 29 de maio de 1933 a produção da Cinédia Ganga Bruta, dirigida por Humberto Mauro e protagonizada por Durval Bellini e Déa Selva.

Foi justamente na qualidade de diretor da Companhia de Revistas, Sainetes e Operetas do Alhambra que Ary esteve em Salvador. Aninha Franco informa no livro O Teatro na Bahia Através da Imprensa - Século XX (1994) que a "Companhia do Alhambra apresentou um repertório de primeira, com revistas escritas e musicadas pelo próprio Ary, por Velho Sobrinho e Marques Porto, que fizeram enorme sucesso. (pág. 70)". Onde e quando teria acontecido essa temporada do grupo carioca em Salvador? O local, com certeza, era o Cine-Teatro Jandaya, preferido pelos grupos de passagem pela Bahia, devido à qualificação que lhe deu a reforma de 1931. A data, embora não mencionada por Aninha, não é difícil de deduzir, ao menos aproximadamente. A autora informa que a Cia. de Comédias de Teixeira Pinto "abriu a temporada teatral de Salvador, em 1933, (...), sucedida pela Companhia (...) do Alhambra". No teatro soteropolitano, considerava-se temporada então o período compreendido entre abril e outubro. Após a saída do Alhambra, a Cia. Palmerim Silva-Cecy Medina fez uma "temporada mais longa do que as habituais", dando lugar a Cia. de Espetáculos Modernos, dirigida por Lamartine Babo, em julho. Teria sido então em alguma data entre abril e julho de 1933 esta permanência de Ary na Bahia, possivelmente coincidindo com o período em que o filme Ganga Bruta esteve em cartaz no Alhambra (maio-junho). É certo que em setembro ele já se encontrava de volta ao Rio, pois no dia 15 daquele mês estreou no Teatro Rialto a revista Mossoró, Minha Nega, que escrevera junto com Marques Porto. Com Mesquitinha e Alda Garrido à frente do elenco, a peça ficou duas semanas em cartaz.

Enfim, não foi então dessa vez que Ary Barroso esteve em Salvador num dia 2 de dezembro...

(Mistura e Manda nº 140, 11.7.2006)

OBS: A questão relativa à instituição do Dia Nacional do Samba e sua relação com Ary Barroso foi brilhantemente esclarecida aqui no Jornalismo Cultural por artigo do pesquisador Márcio Gomes. Leia as duas partes do especial:

1ª - texto meu falando das viagens de Ary Barroso à Bahia em 1929 e 1956 - http://vamosfalar-jornalismocultural.blogspot.com.br/2013/12/especial-dia-nacional-do-samba-1.html


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Sobre Ary Barroso, veja também:





sábado, 8 de fevereiro de 2014

Especial 50 anos sem Ary Barroso: Ary Piano Barroso


Neste domingo, 9 de fevereiro, completam-se 50 anos desde que Ary Barroso foi tocar piano no céu. Para homenageá-lo, publicaremos amanhã uma seleção de notas a seu respeito publicadas no Mistura e Manda. 

E para abrir os trabalhos, postamos hoje um texto comentando um show que vi em São Paulo há 11 anos, com o repertório do CD Ary Piano Barroso, do pianista Ricardo Camargos, que já havia traduzido para as teclas brancas e pretas a obra de Pixinguinha e Cartola e que desde então (de acordo com o Dicionário Cravo Albim) não mais lançou nenhum disco. Não lembro exatamente se era um show de lançamento, embora o CD houvesse saído naquele mesmo ano, mas a produção de Ricardo não tinha o CD para vender ao final do espetáculo, razão pela qual pude adquirir apenas o (excelente) Piano Pixinguinha (1995).  

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RICARDO CAMARGOS: ARY PIANO BARROSO


O pianista Ricardo Camargos, de formação clássica, trabalha há mais de 30 anos com a música popular, tendo integrado o grupo O Fruto ao lado do guitarrista Victor Biglione. Recentemente, tem se dedicado a visitar a obra dos grandes mestres com olhos (e dedos) de pianista, trabalho que já resultou nos CDs Piano Pixinguinha (1996) e Piano de Cartola (1999) e que agora prossegue com o disco Ary Piano Barroso, em mais uma merecida homenagem ao centenário compositor. Foi com o repertório desse trabalho que Ricardo fez um belo espetáculo no Auditório SESC Av. Paulista (São Paulo), em 3 de novembro de 2003, acompanhado por Mike Ryan ao flugelhorn e trompete e o veterano percussionista Ovídio Brito, que nesse dia tocou pandeiro.

O grande momento do fim de tarde foi o arranjo de Ricardo para o samba-jongo "Na Baixa do Sapateiro". Após iniciar com ênfase no grave e acordes quadrados ao piano, pontuados aqui e ali pelo trumpete, a interpretação do grupo assumiu um ritmo mais vivo na segunda parte da música, com um excelente solo de Mike. Em seguida, Ovídio fez um solo de pandeiro, acompanhado discretamente por Ricardo ao tamborim, tudo se encaminhando para um final em que o piano fez belas variações sobre a melodia.

Além de bom pianista e arranjador, Ricardo conduziu bem o espetáculo, convidando o público a cantar junto sucessos consagrados, como "Risque" (escolhida para o bis), "Pra Machucar meu Coração", "Folha Morta" e "Camisa Amarela" (a preferida de Ricardo) e lembrando histórias engraçadas, a maioria relativa ao programa de rádio Calouros em Desfile, que Ary comandou de 1936 a 1961.

O pianista comparou Ary Barroso a Heitor Villa-Lobos no amor pelo Brasil, na valorização que ambos sempre fizeram do país e na excelência como compositores. Lamentou que a memória de Ary esteja dispersa: as partituras que ele fez para filmes americanos só se encontram em Hollywood; a família de Ary tem algumas fitas que o compositor deixou, mas sem uma preservação adequada; fora o que já não tem mais como ser recuperado mesmo. Exemplo? Ricardo tocou o "Choro Brasileiro nº 3" (uma bela composição, com tema alegre, bem cadenciada na segunda parte, com piano bem sacudido e bons contrapontos do flugel). Pois bem: onde estão os "Choro Brasileiro nº 1" e "Choro Brasileiro nº 2"? Ninguém sabe. Ricardo só chegou ao nº 3 porque ele foi gravado no LP Encontro com Ary (1956) e o fonograma foi relançado pela Editora Abril em um fascículo da coleção História da Música Popular Brasileira.

Na pesquisa que desenvolveu para selecionar o repertório, Ricardo descobriu outras pérolas pouco conhecidas ou completamente ignoradas do público, casos de "Sambando na Gafieira", em que o piano brilhou nas excelentes passagens de ritmo vivo para lento, com boa base rítmica do pandeiro de Ovídio e do agê empunhado por Mike; "Nega Baiana", que iniciou com pandeiro e agê, o piano integrando-se bem balançado, com um solo surpreendentemente mais calmo; e "Minha Mágoa", valsa executada nesse dia no SESC apenas pelo piano. Lenta, algo nostálgica, era definida pelo próprio autor como "uma valsa à moda antiga". Em "Minha Mágoa", chama a atenção o emprego em larga escala das voltinhas ao final dos compassos que eram uma marca registrada de Ary - não tantas, porém, a ponto que ele tivesse de mudar seu nome para Ary Barroco... 

Também cheia de voltinhas era a música mais antiga do repertório: "Vou à Penha", primeiro samba de Ary gravado, por Mário Reis, em 1928. A boa base melódica do piano recebeu uma bela contribuição da harmonia feita pelo trompete.

O grande clássico do repertório de Ary Barroso, "Aquarela do Brasil", logicamente não podia ficar de fora. O tema foi apresentado por Ricardo em um sintetizador, acompanhado pelos floreios do flugel. Na parte em que corresponde aos versos "Ouve essas fontes murmurantes", os músicos passam para, respectivamente, piano e trompete, esse conduzindo mansamente a melodia, aquele fazendo os contracantos, com leve marcação do pandeiro. Súbito, uma pausa, e todos caem no samba, inclusive com alguns compassos só com percussão, pois Ricardo empunhara o tamborim e Mike o agê. Só um reparo em relação a "Aquarela": o pianista denominou seu arranjo como "suíte rítmica"; creio que "fantasia" exprimiria melhor. Ao menos pra mim, pra mim, pra mim, pra mim...

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Música Rio de Janeiro: Bárbara Eugenia


Teatro Porto Alegre: Adolescer




OBS: A temporada que iria acontecer neste final de semana foi cancelada. Maiores informações no final do post. 

Um dos grandes sucessos do teatro gaúcho, o espetáculo Adolescer retorna ao cartaz neste final de semana, dias 08 e 09 de fevereiro, sábado e domingo, às 21h, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre. Os ingressos antecipados estarão à venda na bilheteria do teatro a partir desta sexta-feira, dia 31 de janeiro. Concebida e dirigida por Vanja Ca Michel, a peça, que é cultuada entre os adolescentes gaúchos, completa 12 anos em 2014. Neste período, revelou diversos talentos da cena local e foi assistida por mais de 900 mil pessoas.   

"A cada ano, Adolescer volta renovada, seja no elenco, seja na proposta musical e na linguagem", comenta Vanja Ca Michel, também autora do texto. "Nosso objetivo é surpreender o público, ainda que este já tenha visto o espetáculo diversas vezes, como se constata. Sempre é uma emoção nova".

Cenas curtas, que remetem à linguagem da internet e do videoclipe, humor e uma linguagem atual e bem humorada dão o tom da encenação, que reflete sobre o comportamento e as situações típicas da adolescência, provocando um verdadeiro turbilhão emocional. O texto de Vanja Ca Michel reúne fragmentos de Moacyr Scliar, Carlos Drummond de Andrade, do psiquiatra José Outeiral e dos psicanalistas Rubem Alves e Cybelle Weinberg.     

Em crítica publicada no Almanaque Virtual, o jornalista carioca Ricardo Schöpke comentou: “O espetáculo Adolescer, um dos maiores fenômenos do teatro juvenil gaúcho (...) é teatro, feito por jovens - de fato e de espírito - que verdadeiramente dialoga com os adolescentes e seus pais! Esta possibilidade já o credencia como um espetáculo comunicativo, participativo e 'antenado' com os problemas que atingem os nossos jovens do século XXI.  (...) Cercados de uma ótima equipe técnica, o espetáculo apresenta um nível de qualidade técnica e artística muito diferenciado. Adolescer é um belo trabalho, que não se limita apenas ao fazer teatral, mas também na construção de uma postura de vida em relação a juventude, e de uma grande integração como membros de uma mesma família.  Esse sim, é  o verdadeiro espírito de uma grande trupe teatral”.

FICHA TÉCNICA

ROTEIRO: Textos de Vanja Ca Michel com fragmentos dos psicanalistas Cybelle Weinberg e Rubem Alves, do psiquiatra José Outeiral e dos escritores Carlos Drummond de Andrade e Moacyr Scliar

CONCEPÇÃO e DIREÇÃO: Vanja Ca Michel

ELENCO: Ane Troian, Anderson Vieira, Caio Pereira, Carini Pereira, Davi Borba, Emílio Farias, Joana Troian, Julia Bach, Julia Troian, Juliana Pretto, Luisa Ricardo e Rafael Ewald.

COREOGRAFIAS: Flávio Cruz

ILUMINAÇÃO, IMAGENS, PROJETO GRÁFICO E SITE: Moa Junior

TRILHA SONORA PESQUISADA: Vanja Ca Michel

OPERAÇÃO DE SOM: Rogério Câmara

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Silvia Abreu

PRODUÇÃO: Vanja Ca Michel e Moa Junior

REALIZAÇÃO: Cia Déjà-vu - Porto Alegre

CONTATOS: Vanja Ca Michel fones: (51) 91159024 ou 33430832 - E-mail: vanjaca@gmail.com

SERVIÇO:

O QuêADOLESCER, espetáculo teatral dirigido por Vanja Ca Michel

Onde: Theatro São Pedro. Praça Marechal Deodoro, Centro, Porto Alegre - RS (Tel: 51 3227-5100)

Quando: Dias 08 e 09 de fevereiro de 2014, sábado e domingo, às 21h. Ingressos antecipados na bilheteria do teatro, a partir do dia 31/01/14

Duração: 60 minutos
Quanto: R$ 50,00 (Inteira).
               R$ 40,00 Camarote Central
               R$30,00 Camarote Lateral
               R$20,00 Galerias

* 50% desconto para:
- Associação dos Amigos do Theatro SãoPedro
- Idosos
- Clube do Assinante ZH com direito a um acompanhante
- Estudantes

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Atualização 7/2 - Na manhã de hoje, recebemos o seguinte informe, da assessora de imprensa do espetáculo: 

 Adolescer está de luto!

Temporada que se realizaria neste final de semana foi cancelada

A direção, elenco, produção e equipe técnica do espetáculo Adolescer está de luto em razão da perda - irreparável - de Nico Nicolaiewsky. Devido ao luto, as apresentações do espetáculo, que ocorreriam neste final de semana, dias 08 e 09 de fevereiro, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, foram canceladas, uma vez que o velório ocorre no referido teatro, no dia de hoje. Pessoas que quiserem reaver os ingressos adquidos antecipadamente,  poderão fazê-lo na bilheteria do TSP, a partir de segunda-feira.

Assessoria de Imprensa

Silvia Abreu