segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Opinião: Dez impressões sobre a Festa de Iemanjá


Autores: Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro


Por Calila das Mercês,
de Salvador


1 – A Festa de Iemanjá é um evento festivo religioso, que acontece em 2 de fevereiro desde 1923, e que reúne centenas de pessoas para celebrar o dia da Rainha do Mar. Estas pessoas (a maioria, devotos do candomblé, umbanda e catolicismo) vão homenagear, agradecer ao orixá das águas e pedir graças. A celebração tem essa energia!

2 – A Festa de Iemanjá é - um evento que parcialmente se tornou algo como - um mini-carnaval, em que pequenos grupos com suas cordas e “barricadas” organizam em garagens, bares e pedaços de ruas suas comemorações particulares. Para participar de alguma, a pessoa deve ser convidada ou então pode comprar o seu abadá e participar, com direito a comida, a uma mesa e assistir apresentações de bandas. (Afinal, ser VIP é uma moda que pegou na Bahia!)

3 – Lixo, sujeira e mau cheiro. Bem, as ruas do Rio Vermelho, bairro onde a Festa ocorre, ficam extremamente sujas e com o que se pode chamar de um forte-cheiro-forte. E não só falo das ruas, mas o mar também fica bastante poluído. Não são apenas flores para Iemanjá, mas cestos de palha, frascos de perfumes, imagens de barro e plástico, pentes, tecidos, comida e coisas a mais. Não basta somente fazer as oferendas, mas também poluir. Compreendo que existe a tradição, mas tradições são inventadas, construídas e descontruídas. Onde é que diz que se o cesto de palha não for junto às flores, Iemanjá não irá gostar? E por que não pensar também na sustentabilidade?

4 – Programações desamarradas. Não entendo o porquê de ainda não existirem espaços na festa para os grupos locais se apresentarem. Todos os anos ficam pessoas (as que não são VIPs) perambulando sem saber para onde ir. Uma fanfarra toca aqui, um grupo independente ali, mas não há algo organizado dizendo os locais das apresentações para se ter uma festa mais interessante. Fica a pergunta: Por que não investir na Festa de Iemanjá, com uma programação decente para o povo?

5 – Transportes públicos, cadê? Quase não se vê ônibus em direção ao evento. Quem se arrisca a ficar em um ponto, pode esperar horas. Táxi, para quem não mora no Rio Vermelho, acaba sendo a única opção. Deve-se lembrar de que ontem, por ser domingo, os táxis em Salvador rodavam com bandeira 2, o que significa que o preço foi mais caro!

6 – Fila gigante para entrega das oferendas. Ainda não pensaram em criar alguns pontos de entrega das oferendas e não somente um? Ficam centenas de pessoas, todos os anos, debaixo do sol extremamente quente aguardando o momento de entregar as oferendas.

7 – Prioridade para o Festival de Verão. Na mesma data comemorativa à Iemanjá, acontece em Salvador o grande e mercadológico evento nacionalmente conhecido, o Festival de Verão. Aparentemente, o que há de organização e comprometimento com o público de um, falta com o outro. Será que as festas populares não geram receita?

8 – Festa aberta e democrática. O evento mesmo com problemas estruturais, ainda consegue ser aberto e democrático. É possível ver diferentes pessoas de classes sociais distintas fazendo suas oferendas e transitando no mesmo ambiente. Mas a festa continua sem muitas novidades em relação à programação.

9 – Iemanjá é black: militância negra e de terreiro (contra a intolerância religiosa). 2 de fevereiro é uma data comemorativa em muitos terreiros de candomblé. Alguns grupos aparecem fazendo um convite a todos a respeitarem as religiões de matrizes africanas e também a sua cultura. É muito comum a intolerância contra os terreiros, mesmo em uma cidade na qual a cultura afro é tão tradicional. Movimentos em que destacam uma Iemanjá negra têm sido recorrentes também!

10 – Em azul e branco: Viva! - para Iemanjá. Saudações, mesmo com as contradições! Odoyá!

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