quarta-feira, 5 de março de 2014

Especial Villa-Lobos, 127 anos


Neste dia 5 de março, comemoram-se os 127 anos do nascimento de Heitor Villa-Lobos, o maior nome da música brasileira de todos os tempos. Para marcar a efeméride, faremos duas publicações aqui no blog Jornalismo Cultural - esta, com notas selecionadas do Mistura e Manda; e também um esboço biográfico que escrevi sobre o maestro (Brasileirinho: Villa-Lobos). Além destes, tenho outro texto de fôlego sobre o aniversariante - Bachianas Brasileiras: Villa-Lobos e a Influência de Bach.

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Desliga o celular, Villa!

Esse negócio de você estar curtindo um espetáculo, um filme, uma peça e lá pelas tantas tocar o celular de alguém é um troço muito chato. Todos devem desligar os aparelhos (se receber a ligação é tão importante, por que o sujeito resolveu estar bem ali e não onde possa falar livremente?), não importando de quem se trate. Mesmo que seja o maestro Heitor Villa-Lobos. Como? Ah, vocês acham que, se Villa faleceu em 1959, não podia ter celular, pois este só foi inventado nos anos 90?




Bom, então escutem esta gravação de “Choros nº 11 para piano e orquestra (1ª parte)” (657KB), em que Villa rege a Orchestre National de la Radiffusion Française, tendo como solista Aline van Barentzen, gravação realizada na EMI francesa em 6 de maio de 1958, e percebam a distração do maestro, que não desligou seu celular.

(Mistura e Manda nº 14, 8.9.2003)
OBS: naturalmente, não se trata de um celular, 
e sim de algum som similar...
que jamais consegui identificar! :)

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Villa-Lobos: a ordem dos fatores altera o produto

Iniciar um concerto ou recital com uma música de Heitor Villa-Lobos é quase temerário. Claro que é ótimo começar com uma peça de alta qualidade, mas é muito provável que ninguém consiga prestar muita atenção nas duas ou três composições seguintes. A cabeça do ouvinte ainda estará ocupada pela melodia do Villa, lançando uma área de sombra no que venha a seguir, causando um desprestígio (involuntário) ao trabalho de compositores e intérpretes. O ideal é reservar Villa para o encerramento, e/ou para número extra, se houver.

(Mistura e Manda nº 62, 16.8.2004)

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Reciclagem musical (3): "Alegria na Horta"

Mais um caso de reciclagem de música envolvendo trilha de filme. Ao compor as quatro suítes "O Descobrimento do Brasil", para o filme de mesmo nome dirigido por Humberto Mauro em 1937, Heitor Villa-Lobos queria um tema que demonstrasse o entusiasmo sentido pelos marinheiros da expedição de Pedro Álvares Cabral ao avistarem a terra brasileira. Lembrou-se então de uma antiga composição, "Alegria na Horta", 3ª parte da "Suíte Floral" para piano (1917-19). A peça, arranjada para orquestra, foi incluída na íntegra como 2ª parte da "Primeira Suíte" de "O Descobrimento do Brasil", com o nome de "Alegria". 


(Mistura e Manda nº 73, 1.11.2004)

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