sábado, 8 de março de 2014

Nove impressões sobre o Carnaval 2014 de Salvador

Por Calila das Mercês,
de Salvador 



1 – Carnaval é a festa do povo! O Carnaval da cidade de Salvador é considerado uma das maiores manifestações de rua do mundo, que reúne milhares de pessoas a fim de comemorar, beber, brincar e se divertir em circuitos que foram criados para este fim. 

2 – Axé e pagode na veia! A festa é marcada por milhares de foliões que dançam e brincam ao som de variados ritmos, mas o que predomina em Salvador é o axé e pagode baiano, ficando em segundo lugar o arrocha, seguido do carnaval das guitarras baianas (Armandinho, por exemplo), que embora seja tradicional, ocupa também o espaço alternativo da festa.

3 – Carnaval alternativo? Por falar em alternativo, este ano teve a implementação de variados espaços alternativos, como: o Espaço do Rock, situado próximo a praia de Piatã, o Circuito Batatinha, com apresentações de marchinhas, música pop, orquestras, sambas e frevos, localizado no Pelourinho, o Carnaval nos Bairros com apresentações de samba em alguns bairros da cidade - Itapuã, Liberdade, Plataforma, Periperi, Boca do Rio e Cajazeiras. 

4 – Chuva, suor e cerveja. Em Salvador a chuva foi uma das coadjuvantes da festa, junto à sujeira nas ruas. A protagonista da festa foi uma marca de cerveja, que de ponta a ponta espalhou o seu estridente laranja, e forçando o folião a bebê-la, quisesse ou não. Quem fosse pego vendendo outra marca, tinha a mercadoria confiscada e não devolvida. Quando o consumidor perguntava o porquê de se vender apenas uma marca de cerveja, a resposta era fácil: porque sim!

5 – Afródromo. Nova invenção de Carlinhos Brown desde a sua mal sucedida caxirola. Bem, na verdade, como o caso do caxixi, ops, da caxirola, o espaço já existia, o compositor baiano o nomeou de Afródromo, pois é o local onde desfilam os blocos Afros, no Campo Grande. Na verdade um desfile belo (Ilê Ayê, Muzenza, Cortejo Afro, Filhas e Filhos de Gandhi, entre outros) que aconteceu na segunda-feira e é uma pena não ter tido um público maior para aplaudir e vibrar com a apresentação. E até mesmo a ausência das grandes mídias prestigiando este Circuito. Por que será? Engraçado que este ano o tema do carnaval foi 40 anos dos blocos Afro...



6 – Segmentação 1. Barra e Ondina são dois bairros em que predominam a classe média alta e a classe alta de Salvador. E nos Circuitos do Carnaval não é diferente! Quem pode pagar 600 reais ou mais em um dia de camarote? Quem pode participar de uma festa que para você estar dentro de cordas com um abadá você paga no mínimo 180 reais (com atrações não muito badaladas) por dia? Bloco com cantores conhecidos? Para uma pessoa que recebe um salário mínimo é quase impossível, a não ser que divida as parcelas no cartão de crédito! Bem, caso não seja possível o que resta é participar de fora das cordas, o chamado "folião pipoca" e sofrer as consequências. O que se vê é uma segmentação: quem não pode, trabalha, e quem tem dinheiro se diverte, e tira fotos para as colunas sociais e revistas de fofoca junto a políticos, artistas e ex-BBB’s.

7 – Transporte e engarrafamentos. Uma das maiores lacunas do carnaval de Salvador, assim como do cotidiano da cidade, foi o sistema de transportes. Chegar ao circuito do carnaval, seja qualquer um dos já citados, era mais complicado que permanecer neles. Os táxis, escassos em alguns horários, rodavam preferencialmente com preço fixo e combinados, quando não davam as famosas voltas, seja por conta das barreiras montadas ou da “boa” índole dos condutores. Na ausência dos mesmos, os inevitáveis e perigosos moto-táxis. Os ônibus rodavam normalmente e com perigo, quando não ficavam, assim como os outros meios de transporte, presos nos engarrafamentos da cidade. A logística de deslocamento para o carnaval, mais uma vez, deixou a desejar!

8 – Segmentação 2. Mesmo diante do fato de muitos blocos tradicionais e comerciais terem como público principal o LGBT, a organização do carnaval achou por bem segmentá-los na chamada Vila da Diversidade, que ficou localizada no largo 2 de Julho. Importante estar pautando o público gay, contudo, por que não inserir apresentação de drags, concursos e música eletrônica nos circuitos principais do carnaval, ao invés de criar mais um novo gueto? O Carnaval já não é uma diversidade por si só?

9 – Com quem fica o Chiclete. Muito além do “lepo-lepo”, um outro assunto que fez parte dos noticiários sobre o carnaval de Salvador foi a saída do cantor Bell Marques do grupo Chiclete com Banana, depois de mais de 30 carnavais. Ninguém sabe ao certo o motivo do rompimento. Bell Marques já aproveitou 2014 para se lançar em carreira solo no bloco Vumbora. Ano que vem, sem o Chiclete, continua comandando o bloco mais caro da cidade, o Camaleão. Em luta de camaleões, é melhor mascar chicletes – sem banana!



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