domingo, 30 de março de 2014

Opinião: Her


Por Calila das Mercês,
de Salvador





Diante da complexidade de se pensar a influência das novas tecnologias - computadores, smartphones, softwares e afins - nas relações amorosas e humanas, o filme Her ("Ela", em português), escrito, dirigido e produzido por Spike Jonze, é uma assombrosa reflexão e primorosa surpresa.

Justamente pela sua qualidade técnica e excelência no que tange o enfoque sobre a pós-modernidade, o filme recebeu ótimas críticas e indicações a diversas premiações do cinema mundial em 2014, vencendo o Globo de Ouro na categoria Melhor Roteiro e levando o Oscar de Melhor Roteiro Original.

Protagonizado pelo experiente ator Joaquin Phoenix (que atuou em Johnny & June, Brigada 49, Contos Proibidos do Marquês de Sade e Gladiador, entre outros), o filme conta a história de Theodore, um escritor recém-separado que, na sua solitude, inicia uma relação amorosa com o sistema operacional de um computador, Samantha, cuja atuação vocal foi da atriz Scarlett Johansson.



O longa consegue ir além de uma história de amor trivial. Analisa a modernidade, a solidão do escritor talentoso engolido pela multidão e rapidez das grandes metrópoles. Demonstra claramente como as paixões são criadas, não apenas por sistemas operacionais, mas pelas próprias pessoas que se apropriam de um discurso amoroso para, simplesmente, viver, continuar a viver.

Destaca-se no filme a questão estética, de como objetos e vestimentas chamadas retrôs são inseridas em ambientações completamente futuristas. A trilha sonora composta por William Butler e Owen Pallett da banda canadense Arcade Fire configurou-se como um doce e primordial complemento às cenas de Her.


Sem fugir da pessoalidade de quem acompanha os últimos lançamentos da indústria cinematográfica, posso afirmar que o longa-metragem é um dos melhores filmes de 2014. Altamente recomendado. Complexo, apaixonante e poético, como a voz de um sistema operacional.

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