segunda-feira, 31 de março de 2014

S.O.S. Mulheres ao Mar, um alento na atual avalanche de comédias nacionais



Avassaladoras : Poster
Confesso que não entrei no cinema esperando muito de S.O.S. Mulheres ao Mar, o novo filme de Cris D'Amato lançado quinta passada nos cinemas brasileiros. Pra começar, a diretora é a mesma que assinou ao lado do experiente Daniel Filho a direção do recente Confissões de Adolescente, que mais parecia um capítulo estendido da interminável atração global Malhação. Depois, não havia como não relacionar de imediato o argumento do filme com outra produção recente, Meu Passado me Condena, de Julia Rezende, também filmado a bordo de um cruzeiro com destino à Itália. Além disso, seria o segundo filme (o primeiro foi Avassaladoras, de 2002) a reunir Reynaldo Gianecchini e Giovanna Antonelli (que também atuaram juntos nas novelas Laços de Família, Da Cor do Pecado, Sete Pecados e atualmente estão vivendo um casal na trama global das nove, Em Família). Sem contar que parece que atualmente só se podem filmar comédias no Brasil, temos tido uma avalanche de produções deste gênero, em especial no cinema comercial, e o ciclo já dá sinais de cansaço criativo. 

Mas enfim, eu nunca fui da política do "não vi e não gostei' - apenas quis dizer que fui ver sem grandes expectativas. E me surpreendi! S.O.S... tem um bom roteiro, feito a seis mãos por Marcelo Saback (que pode ser apontado como um dos precursores do atual surto de comédias, por ser o roteirista do grande sucesso De Pernas pro Ar 1, de 2010), Sylvio Gonçalves e Rodrigo Nogueira. Adriana (Antonelli), que julgava viver um casamento feliz com Eduardo (Marcelo Airoldi), é surpreendida com o pedido de divórcio, quando ele chega de viagem. Descobrindo que ele em seguida embarcaria em um cruzeiro para a Itália com a nova namorada, Beatriz (Emanuelle Araújo), resolve ir disfarçada no mesmo navio, pensando em reconquistar Eduardo, arrastando junto sua irmã Luiza (Fabiula Nascimento) e até a empregada doméstica Dialinda (Thalita Carauta). 

S.O.S. - Mulheres ao Mar : Foto
Emanuelle e Airoldi

O disfarce logo é descoberto (afinal, é uma comédia!), mas mesmo assim tanto Adriana quanto Dialinda vivem romances a bordo - a empregada com um garçom que se passava por milionário, e a patroa com um boa pinta, André (Gianecchini), a quem ela não se furta de fazer confidências, por julgá-lo gay (equívoco que surge por ela ter visto no porto André trocando beijos no rosto com seu pai, participação especial de Flávio Galvão).  Vem aliás desse equívoco, ou melhor, de quando ele é desfeito - na hora em que, no corredor do navio, em meio a um beijo Adriana e André se abraçam e ela sente a ereção dele - a melhor frase do filme: E eu esse tempo todo achando que estava fazendo confidências para uma biba amiga. Você não tinha o direito de não ser gay! De todo modo, o romance dos dois não avança durante a viagem pois Adriana descobre que André está noivo. Mas a história não acaba aí...

Calma que não vou contar tudo! Mas de fato considero que o filme está sim um passo à frente das demais comédias da atual safra 2013-14. Diferentemente do já citado Meu Passado me Condena, também rodado num cruzeiro, mas com visível dose de improvisação na filmagem, o roteiro de S.O.S. me parece mais coeso. Talvez o que destoe mesmo no filme seja o título, já que nenhuma das três que seriam as "mulheres ao mar" (Adriana, Luíza e Dialinda) está correndo perigo de fato, a não ser a primeira que está em busca de salvar seu casamento (embora ele já tenha naufragado antes mesmo do cruzeiro iniciar). Por se tratar de uma comédia com viés romântico, algumas soluções (em especial a que determina o final de Adriana) se dão segundo a cartilha do gênero, mas nada que soe foçado. O elenco todo de modo geral está muito bem, e D'Amato consegue nos fazer rir sem precisar ancorar o filme em atores que sejam exclusivamente de comédia, à natural exceção de Thalita Caruta, bem melhor nesta produção do que em seus papéis habituais no programa Zorra Total, em que não raro nem se consegue entender o que ela fala (ou ao menos eu não consigo). 


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