segunda-feira, 28 de abril de 2014

Exposição Porto Alegre: Centenário de Vasco Prado


A largada para as comemorações do centenário de Vasco Prado, considerado um dos mais importantes artistas gaúchos de todos os tempos, será dada nesta terça-feira, dia 29 de abril, às 19h, quando ocorre a vernissage na Guion Galeria de Arte. O encerramento será no dia 26 de junho, quinta, quando serão comemorados os 19 anos do Guion Center Cinemas!

Serão apresentadas mais de 100 obras dos mais variados formatos e tamanhos, dentre desenhos, gravuras, pinturas, porcelanas, tapeçaria e esculturas, um território onde Vasco Prado exercia sua majestade. “Era nele que a sua imaginação flanava, ampla como as planícies de sua terra natal, Uruguaiana, onde nasceu em abril de 1914”, comenta o curador da exposição, o jornalista Carlos Schmidt. Segundo o marchand, o principal diferencial desta mostra é que ela se renovará constantemente. “Na medida em que as obras forem sendo comercializadas, novas peças serão agregadas ao acervo”.





Vasco Prado Gomes da Silva (1914-1998)

 Natural de Uruguaiana, filho de pai militar, morou com a família em Minas Gerais e no Rio de Janeiro antes de regressar ao Rio Grande do Sul, aos 14 anos de idade. Estudou no Colégio Militar de Porto Alegre, tendo concluído seu curso em 1936, aos 22 anos. Recebeu uma bolsa do governo francês em 1947 e 1948 e, a partir daí deixa, segundo ele próprio, de ser um artista autodidata. Foi um período de grande aprendizado e não poderia ser diferente, pois estudou no atelier de Etiènne Hajdu e Fernand Leger. Depois, estagiou em 1968 e 1969 na Polônia, Espanha, Alemanha e Portugal. Vasco foi o fundador do Clube da Gravura em Porto Alegre junto com Carlos Scliar e posteriormente fortalecido por Danúbio Gonçalves, Glênio Bianchetti e Glauco Rodrigues. Lecionou escultura e desenho em seus ateliês, bem como no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) e na Universidade de Caxias do Sul.

“A sua importância no cenário brasileiro da escultura é inconteste, quer como artista ou como formador e, quando há mais de 2 anos começamos a gestar esta exposição, sentimos a angústia e a responsabilidade de traduzir com fidelidade uma produção tão vasta em algumas dezenas de peças”, comenta o curador. Estimulado por amigos, Schmidt selecionou mais de uma centena de obras dos mais variados formatos e tamanhos. “Encontramos desenhos, gravuras, pinturas, porcelanas, tapeçaria e, obviamente esculturas, um território onde ele exercia sua majestade. Era nele que a sua imaginação flanava, ampla como as planícies de sua terra natal, Uruguaiana, onde nasceu em abril de 1914”.

Um exemplo acabado disso é a escultura em bronze "Espelho", obra que realizou em 1982, 16 anos antes de sua morte. Nela vemos o verso e o reverso de uma dama em delicado recato. E é também na escultura que ele nos oferece uma generosa gama de personagens do universo do gaúcho como o Negrinho do Pastoreio, o cavaleiro, a amazona, o piá de estância, o touro e o cavalo.

O público poderá apreciar, nesta exposição, preciosas terracotas como "Mulher Alada", "Cavalo e Cavaleiro" e "Terracota nº 19", além de obras realizadas em sua temporada em Varsóvia. “Vamos ter uma lembrança afetiva na escultura de madeira pau-ferro 'Mariana', o primeiro presente  em madeira, oferecido por ele a sua filha Eleonora, peça que ele carinhosamente chamava também de Barrigudinha”, indica Schmidt.

A simplicidade do traço, uma característica que transparece em seus desenhos, pode também ser encontrada nos traços gravados num raro exemplar de uma porta. Já na peça "Amantes", de 1998, ele demonstra grande densidade nos arroubos de um casal em flagrante volúpia.


Vasco foi gravador, escultor, tapeceiro, ilustrador, desenhista e professor. E é nesta última atividade que o curador encontrou o mote para esta homenagem a partir da lembrança do também artista Eduardo Vieira da Cunha: “Vasco gostava de ser chamado de faroleiro, porque seu último atelier fora construído num lugar privilegiado nos altos do morro Teresópolis, em Porto Alegre”

Carlos Schmidt concorda: “Do nosso ponto de vista, Vasco era além de um faroleiro, um Farol das Artes, na medida em que educava, orientava e inspirava outros artistas, encaminhando-os neste universo maravilhoso das artes.

Livro - Também está à disposição no local o livro intitulado Vasco Prado, O Centenário de um Farol das Artes. A obra, com 30 páginas, reúne textos críticos de Nora Prado, Marcelo Moreira e Carlos Schmidt, além de poemas de Nora Prado, filha de Vasco.  Yuji Schmidt assina o projeto gráfico, ricamente ilustrado com fotos de Carlos Schmidt, que também assina a coordenação editorial e a curadoria da exposição. O valor da obra é de R$ 130,00. 

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