quinta-feira, 3 de abril de 2014

Opinião: 12 Anos de Escravidão

Por Calila das Mercês,
de Salvador

Imagine que você é um cidadão comum como tantos outros e, de repente, se vê sequestrado e escravizado durante 12 anos. Perturbador, não? Mas o fato aconteceu no ano de 1841 em Saratoga Springs (Nova Iorque) com Solomon Northup, negro livre, músico talentoso, um bom chefe de família, de bons modos, alfabetizado que registrou essa infeliz experiência na autobiografia homônima.



 Desse escrito, surgiu a ideia do filme 12 de Escravidão (12 Years a Slave), dirigido por Steve McQueen, escrito por John Ridley e produzido por Brad PittChiwetel Ejiofor foi escolhido para viver Northup. Foram 12 anos sofridos que retratam como era comum que negros, mesmo libertos, fossem maltratados, explorados e violentados de diversas formas por brancos no sul dos Estados Unidos.

Na 86ª edição do Oscar, o longa-metragem foi indicado em 9 categorias e venceu 3 prêmios, o de Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Lupita Nyong'o) e Melhor Roteiro Adaptado.

O longa é chocante quando são mostradas as tentativas de destruição de identidade, as diferentes maneiras de tortura e humilhações para com pessoas comuns, que são levadas a condições miseráveis por causa da cor da pele. Naquele contexto, ser negro significa sofrimento. Não saber ler e escrever, não reivindicar seus direitos, ser separado dos familiares, servir das mais variadas formas ao dono da “casa grande” fazia do indivíduo negro o melhor e ideal escravo.

12 anos de escravidão nos faz lembrar do contexto de escravidão ndo Brasil. Embora, em diferentes locais, tempos e idiomas diferentes, as condições de quem  era forçado a servir em ambos os locais são terríveis e angustiantes. 


A grande polêmica do filme foi a respeito de alguns cartazes em que a distribuidora italiana colocou em primeiro plano a foto de Brad Pitt, que pouco aparece na trama, deixando o ator principal pouco nítido na peça de divulgação (veja abaixo). Acusada de racismo, a distribuidora se desculpou e recolheu os cartazes. 


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