terça-feira, 15 de abril de 2014

Opinião: Nebraska


Por Calila das Mercês,
de Salvador

Escrito pelo roteirista estreante Bob Nelson e dirigido por Alexander Payne, o longa-metragem Nebraska traz além de uma excelente e monótona fotografia em preto e branco, temáticas complexas como relações familiares, dramas cotidianos, alcoolismo e retratos de uma sociedade de valores ainda questionáveis.

Uma espécie de road movie, o filme se passa em torno da história de um jovem rapaz, David Grant (Will Forte), um vendedor de loja de eletrônicos, confuso e triste com o fim de um relacionamento, que resolve viajar de carro com o pai, Woody Grant (Bruce Dern) um senhor alcoolista, infeliz com a vida, que acredita ter ganhado 1 milhão de dólares numa carta de publicidade que recebeu pelos correios.

Woody é casado com Kate Grant (June Squibb) uma senhora que reclama dele e de todos que ela conhece com críticas ácidas e mau-humoradas. Além de David, eles têm um filho mais velho, Ross Grant (Bob Oden Kirk), que atua há pouco tempo como âncora de telejornal. Em vários momentos, os familiares mais próximos a Woody tenta convencê-lo de que o bilhete não tem validade, mas mesmo assim ele insiste que quer a todo custo ir a Nebraska. O drama aborda o comportamento humano, as pressões por bons empregos, o despeito e a cobiça do suposto ‘sucesso’ alheio, a necessidade de ter algo para se auto-afirmar, a violência, os bons e maus modos e também o sonho, muitas vezes frustrante, de deixar um legado ou algo de valor material para os sucessores.



            Sensível e delicado. Emocionante e cruel, assim é Nebraska. Como outras produções que foram indicadas às categorias do Oscar, como Her, Clube de Compras Dallas, Álbum de Família, 12 anos de escravidão e Blue Jasmine, o longa se configura como um acerto estético e original, tendo sido indicado a seis premiações no Oscar de 2014, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor com Alexander Payne, Melhor Ator (Bruce Dern), Melhor Atriz Coadjuvante (June Squibb) e Roteiro Original.



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