sábado, 31 de maio de 2014

Música São Paulo: Prata da Casa


Poeta do Mês: Rodrigo Mebs (5)

piano solo


alguém
sabe exatamente
             o que se sente
quando o partir
tem amplo sentido?

(ou quando o par tido
se for
 e ainda for coração?)

que canção
              toca
quando a porta bate?

alguém sai
         alguém entra
alguém vai
        e fica só o ausente

como as cordas
             de um piano

((( v i b r a n d o )))

     dentro da gente



sexta-feira, 30 de maio de 2014

Grupos de dança do Amapá já podem se inscrever no edital "O Boticário na Dança"

O programa O Boticário na Dança está com edital aberto para receber inscrições de projetos do Amapá que queiram ser apoiados ao longo de 2015. As inscrições podem ser feitas pelo site www.boticario.com.br/danca até o dia 15 de junho. Serão aceitas propostas de patrocínio específicas da área de dança, das categorias: montagem de festivais, mostras, espetáculos, manutenção de companhias, circulação, produção de vídeos, livros e periódicos, sites, cursos, workshops, oficinas, palestras, fóruns, exposições fotográficas, exibições de vídeos e filmes.




A seleção acontecerá de 15 de junho a 1º de julho e a divulgação dos resultados acontecerá em agosto. O edital O Boticário na Dança prioriza projetos que já tenham sido aprovados, inscritos ou que pretendam se inscrever em leis de incentivo à cultura, em processo de aprovação. O regulamento completo está disponível no site, em “Inscreva seu Projeto”.

Neste ano, 39 projetos já contam com patrocínio do programa O Boticário na Dança, totalizando investimentos de mais de R$ 5,4 milhões via leis de incentivo. Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento e valorização da dança como expressão artística no país, O Boticário na Dança expandiu sua plataforma de patrocínios, lançada em 2013, chegando a 14 estados brasileiros em 2014.


Inscrições: De 1º de maio a 15 de junho de 2014
Seleção: De 15 de junho a 1º de julho de 2014
Divulgação dos resultados: Agosto de 2014

Revoada dos Pássaros retorna ao calendário junino de Belém

Texto: Danielle Franco, de Belém
Mais de 40 anos depois dos célebres momentos em que os Grupos de Pássaros e Cordões de Bichos Juninos viveram em Belém, a manifestação voltou às principais ruas do centro da cidade. No próximo dia 7 de junho, 18 grupos de pássaros e bichos juninos sairão em cortejo dando vida à Revoada dos Pássaros 2014.

 Fotos da Revoada 2013

Em 2013 a Revoada dos Pássaros, idealizada pelo professor João de Jesus Paes Loureiro, retornou às ruas do centro de Belém através da iniciativa do Instituto de Artes do Pará. Na ocasião, 15 grupos saíram em cortejo pelas Avenidas Nazaré e Gentil Bittencourt, culminando com apresentação no anfiteatro do IAP.  A partir daí a Revoada dos Pássaros abriu oficialmente a quadra junina para se firmar no calendário da cidade.
Reconhecidos como uma tradição folclórica que nasceu em Belém, os grupos de pássaros e bichos são consideradas genuínas operetas, realizadas por brincantes da cultura popular. Por saber desta importância, o IAP vem buscando resgatar a manifestação e, desde 2012, trabalha com os grupos em oficinas, que culminaram com a revoada..
Nascida na Belle Époque por volta do ano 1900, a manifestação dos Pássaros Juninos surgiu através dos grandes espetáculos de ópera, dentro do próprio Teatro da Paz, à época de sua imponência. Segundo Tito Barata, organizador da Revoada no IAP, “foram os camareiros do Teatro que de tanto vestir as estrelas da ópera e ver trechos das encenações das coxias, resolveram eles mesmos montar suas óperas nos bairros onde moravam, ali para os seus pares”, explica.
A manifestação folclórica é considerada a única tipicamente de Belém. Os cordões de Pássaros Juninos viveram anos de grande apogeu, mas nas 4 últimas décadas perdeu incentivo e principalmente o local onde se apresentavam: o Teatro São Cristóvão.  De acordo com Tito Barata, a função do IAP é exatamente a de resgatar o brilho e importância dos cordões de pássaros e bichos juninos. Assim, desde 2012 o Instituto vem dando apoio e promovendo cursos e oficinas de aperfeiçoamento aos artistas de Pássaros Juninos. 

Memória
Foi através do professor e escritor João de Jesus Paes Loureiro que a Revoada dos Pássaros criou vida. Entre 2009 e 2012, a Revoada não se apresentou, por isso, para o professor vê-los em cortejo novamente é motivo de grande entusiasmo, e principalmente esperança na retomada do pássaro junino. “A revoada é uma valorização da cultura, não apenas para a população, que tem a possibilidade de ver a manifestação nas ruas, mas também para o artista, o brincante, que sente o reconhecimento”, ressaltou Paes Loureiro.
Para Iracema Oliveira, guardiã do Pássaro Tucano, um dos mais antigos em atividade,  o retorno da Revoada em 2013 foi um momento para agradecer. “Nós só temos a agradecer por este espaço”, declarou.
Em 2014, o IAP reiniciou os trabalhos em prol dos Pássaros Juninos, com as oficinas de figurino e bordado realizadas entre março e maio deste ano. Mais de 40 pessoas, representando os grupos de pássaros já participaram.

Integrantes de 20 grupos de pássaros cadastrados no Instituto, puderam trocar experiência e receber as informações repassadas pelos instrutor Carlos Alberto de Souza Barbosa, que ministrou a oficina “Figurino e Bordados para os grupos de Pássaros e Bichos Juninos”. A ideia principal do projeto foi justamente propiciar algo mais além do encontro entre os brincantes, mas principalmente a transmissão de saberes que elevam a qualidade do material apresentando durante a quadra junina, no caso a confecção de bordados para os adereços e indumentárias dos grupos.

Produtos

Além da realização da Revoada, que também contém incentivo financeiro direto para cada grupo, o IAP possui ainda produtos de suporte para a memória dos Pássaros Juninos.

Já foram lançados pelo IAP o livro “Pássaros e Bichos Juninos. Músicas e Partituras” e “Histórias e Enredos”, integrando a série de Cadernos do IAP. E ainda em 2014, haverá o lançamento de uma caixa comemorativa contendo CD e DVD sobre os Pássaros Juninos, cuja  direção musical coube ao guitarrista Félix Robatto.

Revoada

Com 18 grupos no total, 3 a mais do que em 2013, a Revoada dos Pássaros de 2014 será no próximo dia 7 de junho, às 18h, saindo do Centro Arquitetônico de Nazaré em direção às Avenidas Genaralíssimo Deodoro, Gentil Bittencourt, Travessa 14 de Março e finalizando no anfiteatro do Instituto de Artes do Pará, na Praça Justo Chermont.

No dia 7 estão presentes os Grupos: Tem-tem, Arara-juba, Tucano, Sabiá, Papagaio Real, Rouxinol, Uirapuru, Bem-Te-Vi da Sacramenta, Colibri, Oncinha, Pipira, Bigodinho, Bem-Te-Vi de Outeiro, Jaquinha, Rouxinol, Beija-Flor e Bacu.


Serviço

Revoada dos Pássaros 2014
Sábado, 7 de junho de 2014.
Saída: 18h do Centro Arquitetônico de Nazaré

Chegada: Anfiteatro dos Instituto de Artes do Pará

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Girlie Hell lança novo clipe: "Gunpowder"


O que está escorrendo sobre esta mulher? É sangue? É tinta? É ketchup? Descubra (ou não) assistindo o novo clipe da banda goiana Girlie Hell, "Gunpowder", lançado hoje de manhã no YouTube. O clipe, dirigido por Mess Santos, da produtora Movie 3, é muito criativo e extremamente bem realizado em todas as suas etapas. Conheci o trabalho da banda ao cobrir o 7º Tendencies Rock Festival, em Palmas (2010) e desde então venho acompanhando a trajetória do grupo, e posso garantir que este clipe está entre as melhores coisas que as garotas "infernais" já fizeram. Inicialmente vemos uma mulher fechada em sua casa, levando um dia tedioso, imagens intercaladas com as da banda tocando. Mais adiante, surge outra mulher (ou a mesma?) pintando um quadro, aparentemente sem nada em comum com a cena anterior da casa - até que acontece  no final algo que eu não vou contar que une as duas pontas da história. 

A música "Gunpowder" faz parte do novo compacto em vinil das "Girlies", intitulado Hit and Run, numa homenagem a uma canção do grupo inglês Girlschool (também formado apenas por mulheres). O compacto teve a produção de Marcelo Pompeu e Heros Trench, do estúdio paulista Mr. Som. Já a masterização foi realizada por Alan Douches no West West Side Music, em Nova York. 




Girlie Hell

A banda surgiu em 2007, em 2010 (conforme eu mencionei) já circulava pelos festivais, e em 2012 lançou pela Monstro Discos seu CD de estreia, Get Hard, com produção de Gustavo Vasquez e Luis Maldonalle. No mesmo ano, sai seu primeiro clipe, "Fire", realizado pela produtora Insana. Ao final desse mesmo ano, as garotas foram chamadas para abrir os shows da tour brasileira da banda sueca Crucified Barbara, em São Paulo, Brasília e Goiânia. Pra fechar o ano com chave de ouro, Get Hard foi considerado pela mídia especializada como um dos 10 melhores discos de 2012. 

Em seguida, gravaram o single "Winter", no estúdio Mr. Som, trabalhando pela primeira vez com a dupla Pompeu & Trench, que hoje assina o Hit and Run - não custa lembrar que ambos ganharam um Grammy Latino em 2009 e integram a banda de metal Korzus. Mixado nos Estados Unidos por Ted Jensen (o responsável pelo som do álbum de estreia de Norah Jones, Come Away with Me), o single foi lançado no começo de 2013 junto com um clipe produzido pela Movie 3, de São Paulo. 

No final de 2013, a Girlie Hell investiu em 4 novos singles, cada um com seu clipe, sendo 2 produzidos pela Movie 3 e outros 2 pela própria banda. O compacto Hit and Run foi viabilizado através de financiamento coletivo. 

Girlie Hell é:

Bullas Attekita - Voz/Guitarra Solo
Júlia Stoppa - Guitarra Base
Fernanda Simmonds - Baixo
Carol Pasquali - Bateria 





Ouça e baixe o som:

terça-feira, 27 de maio de 2014

Clisertão debateu literatura, Nordeste e lusofonia em Petrolina

Por Calila das Mercês,
de Salvador





Com o objetivo de disseminar questões relacionadas ao livro, leitura e literatura, a Universidade de Pernambuco (UPE) – Campus de Petrolina – junto à Secretaria de Cultura do Estado promoveu o evento Clisertão: Congresso Internacional do Livro, Leitura e Literatura, que reuniu nomes de grandes escritores e estudiosos brasileiros da área da Literatura. 

Lirinha hipnotizou e divertiu a plateia cm sua "Poesia eletrônica" | Foto: Costa Neto
Lirinha

Entre os dias 5 e 10 de maio, o Auditório UPE contou com debates e conferências com temas relacionados ao livro, leitura e literatura, atividades para crianças e adolescentes da comunidade, exibição de filmes e ações integradas como exposições e minicursos. Além disso, tiveram apresentações culturais com a presença de artistas locais como o show e recital com Maciel Melo, Maviael Melo e Marcone Melo, cordel cantado – leitura com o homenageado J. Borges e Bacaro, Abraão Batista e Hamurabi, recital e pocket show com Lirinha e cantoria de viola com Adiel Luna e Damião Enésio, Francinaldo e José Oliveira. 

José Luiz Passos
(fotos: Costa Neto)


O ponto de destaque do evento, na minha opinião, foi a participação de José Castello (escritor, jornalista e crítico literário) e de José Luiz Passos (escritor e professor da Universidade da Califórnia). Ambos foram muitos felizes ao relatar suas experiências nos campos de estudo e de prática literária. Castello, atualmente colunista do jornal O Globo, abordou em sua fala assuntos como influência literária e humanidade, relatando a força de livros que vão de Clarice Lispector a contos de fadas. José Luiz Passos, pernambucano radicado nos Estados Unidos, falou da composição dos seus livros Nosso grão mais fino e O sonâmbulo amador, este último vencedor do Prêmio Telecom, nas categorias Melhor Livro e Melhor Romance (o que lhe rendeu um incentivo de 100 mil reais).

J. Borges foi um dos convidados que encantou com seus cordeis | Foto: Costa Neto
J. Borges

Outra mesa bastante interessante foi a que trouxe um debate sobre o tema Lusofonia: mito e paradoxo que contou com a presença de Andreia Joana Silva (Portugal), Abreu Paxe (Angola), Luís Serguilha (Portugal) e Alexandre Furtado (UPE / Gabinete Português de Leitura). A Língua Portuguesa foi trazida para o centro do debate, já que a recente unificação do Acordo Ortográfico promove tempo e espaço férteis para produção de literatura nos países que tem o português como língua oficial.

Andreia Joana, Alexandre Furtado, Luís Serguilha e Abreu Paxe debatem a lusofonia | Foto: Costa Neto
Debate sobre a lusofonia

Além de professores da instituição e também escritores mais experientes, o evento também contou com a participação de jovens escritores como Bruno Liberal, ganhador do Prêmio Pernambuco de Literatura através do livro de contos Olho morto amarelo, obra que traz uma perspectiva interessante, com a verdade dura e crua sobre fatos do cotidiano. 

domingo, 25 de maio de 2014

Poeta do Mês: Rodrigo Mebs (4)


comboio


peguei o trem
quando vinha de onde sempre

o largarei logo adiante
adiando outra vã
                  guarda
que guardada ainda vem

mas o fato
o absurdo absoluto
é que embarquei e não havia barco
e o outono era a estação

vocês verão
eu vou mais além
         no primeiro vagão
                           do último trem


sábado, 24 de maio de 2014

Tá avisado: Praia do Futuro contém poesia



Por Calila das Mercês,
de Salvador

           
A película como suporte para a poesia. A Praia do Futuro, quinto longa-metragem dirigido por Karim Aïnouz, narra uma história sobre a perda, as escolhas, o abandono, o silêncio e a solidão. Um filme que traz consigo forte embasamento sobre aspectos comuns da vida de uma pessoa, como amor e mudanças. O filme é dividido em 3 capítulos: O abraço do afogado, Um herói partido ao meio e Um fantasma que fala alemão.

Com roteiro também de Karim Aïnouz com colaboração de Felipe Bragança, o filme conta a história de Donato (Wagner Moura), o salva-vidas cearense que se depara com uma frustração ao não conseguir salvar um homem de um afogamento. E após dar a notícia ao amigo da vítima, um estrangeiro alemão, ao qual ele conseguiu salvar, Konrad (Clemens Schick), é desenhada uma nova perspectiva para a sua vida, um novo nascimento de perspectivas e sensações.

Ao passar as férias na Alemanha com Konrad, Donato, que pouco compreende alemão, se deslumbra com aquele país diferente, mas demonstra sentir falta do mar, da sua família e do seu irmão mais novo, Ayrton (Jesuíta Barbosa), que o considerava um herói. Com o fim das férias e a idéia de retorno, Donato ouve de Konrad a proposta de ficar na Europa com ele e joga tudo para o alto, resolvendo tocar uma vida mais livre e sem amarras sociais em terras alemãs.


Oito anos se passam e o pequeno Ayrton, agora já rapaz, vai à Alemanha e resolve surpreender o irmão com o reencontro. O abandono e o recomeço, a tristeza e a solidão. O filme é singelo, terno e muito sensível. A fotografia e trilha sonora são muito boas e são capazes de falar por si só. A Praia do Futuro é uma imensidão de sensações e sim, vale a pena ver produções brasileiras tão maduras e capazes de elucidar reflexões sobre a vida, que vão além do lugar-comum e da leitura rasa que estamos acostumados a ver nos filmes contemporâneos...

É apenas lamentável a falta de compreensão de parte do público, que reduziu o filme à questão da sexualidade. Em A Praia do Futuro estamos diante de uma genuína obra artística.


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Música Recife: Essa Noite Vai Ter Sol


Artistas brasileiros expõem na Alemanha obras sobre a Copa

A poucos dias da abertura da Copa do Mundo (que começa em 12 de junho), uma exposição na Alemanha reúne obras de quatro artistas brasileiros sobre o tema. Adriana Woll, Monica Rizzolli, José de Quadros e Ronaldo de Carvalho, todos morando hoje na Alemanha, criaram obras com olhar atento e crítico, com cenas que de tão reais parecem surreais aos olhos europeus. 

União e Expressão, 
obra de Ronaldo de Carvalho


A mostra se chama Do outro lado da bola e acontece na Galerie Monika Beck (Am Schwedenhof 4, 66424 Homburg/Saar-Schwarzenacker - Alemanha), de quarta a sexta das 16 às 20h e domingos das 16 ás 18h, ou com horário marcado, no período de 8 de junho a 30 de agosto. A vernissage ocorre no dia 7 de junho a partir das 18h. 

Time de um Garoto Só,
obra de Adriana Woll

Teatro Boa Vista: Tropeço


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Poesia Belém: Conversas Poéticas


Música Teresina: Tropicália Sinfônica


O Espetacular Homem-Aranha 2: sobram efeitos, falta roteiro



Dizer que "sobram efeitos e falta roteiro" em O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro não deixa de ser uma frase de efeito (com o perdão da redundância), mas também é uma verdade. O diretor da nova série do herói aracnídeo, Marc Webb (cujo sobrenome, curiosamente, tem apenas um 'b' a mais o diferenciando da palavra inglesa para teia), pelo visto, derrapou na mesma dificuldade que seu antecessor, Sam Reimi, diretor da trilogia em que Tobey Maguire vivia o Aranha: não conseguiu tornar fluida uma história com três vilões (quando Reimi incorreu nesse erro, em Homem-Aranha 3, de 2007, acabou levando ao fim da série). Os vilões da vez são Electro (que acabou no subtítulo do filme), Duende Verde e Rhino. Para sorte do Aranha (e nossa), cada um enfrenta separadamente o herói, mas nem assim a história flui satisfatoriamente na tela na metragem um pouco exagerada de 2h21.




 Aranha vs Electro

O primeiro vilão acaba sendo o mais crível do filme, com origem e motivo para odiar o Homem-Aranha mais justificados, e também o agraciado com as melhores sequências de efeitos especiais - as duas batalhas Aranha x Electro são de fato de tirar o fôlego. Mesmo lidando com um vilão que está longe de ser um dos maiores arquiinimigos do Aranha nos quadrinhos, Webb e o roteirista James Vanderbilt souberam tornar interessante a história do obscuro funcionário da Oscorp Max Dillon (Jamie Foxx), que simplesmente teria projetado toda a rede elétrica da cidade de Nova York (ok, é um filme, né?), mas mesmo assim dentro da empresa era tratado como um zé-ninguém, até que, mandado fazer um conserto na rede elétrica após o expediente, cai num tanque com enguias (ou seja, cobras elétricas) e tem seu corpo transformado numa espécie de sugador de energia elétrica, passando a ter a pele (ou algo equivalente) azul e a se chamar Electro. Quando ainda era apenas Max, o Aranha o salvou de ser esmagado por um carro, o que fez com que Max passasse a idolatrar o herói. Já na nova identidade, Max é encontrado pelo Aranha em Times Square, cercado pela polícia. Enquanto o Cabeça de Teia negociava a rendição de Electro, um policial atira neste, fazendo com que Max passe a odiar o Aranha (que no seu entender estava mancomunado com a polícia). 

O segundo vilão, o Duende Verde, é apenas o maior rival de todos os tempos do Aranha nos quadrinhos e já esteve em dois filmes da série anterior. Aqui, ocupa um papel pra lá de secundário, e ainda com uma importante alteração em relação às HQs: neste filme, é Harry Osborn (Dane DeHaan) quem se torna o Duende, e não seu pai Norman (Chris Cooper). Norman, apenas citado no primeiro filme desta nova série, aparece numa breve cena com Harry, onde o informa da doença que é a maldição da família (a hiperplasia retroviral) e em seguida morre, vitimado por ela. Harry, com apenas 20 anos, assume o comando da megacorporação Oscorp, mas enfrenta a resistência dos diretores nomeados pelo pai, todos bem mais velhos, que acabam por afastá-lo do cargo, a pretexto de ter acobertado o acidente com Max, acontecido dentro da empresa. Aliando-se a Electro, Harry consegue coagir seu principal opositor no conselho da empresa a injetar nele, Harry, um veneno de aranha geneticamente modificada (resultado das experiências de Richard Parker, pai de Peter, o alter-ego do Homem-Aranha). Aí se dá uma grande falha no roteiro: o laboratório explode e o diretor escapa, enquanto o veneno da aranha reage com o sangue já alterado de Harry, transformando-o no Duende - simultaneamente a isso, uma porta secreta se abre na parede, revelando um traje de Duende Verde, com planador pronto para sair decolando (deduz-se que isso havia sido preparado por Norman, mas como ele poderia ter certeza que seria o filho a encontrar esse arsenal? E quanto tempo aquilo ficou ali parado?). Mas do momento em que Harry se transforma até que ele saia atrás do Aranha (do qual queria se vingar pois o herói se recusara a ceder seu próprio sangue para Harry,  que acreditava que isto o curaria; a recusa do Aranha foi por temer que Harry morresse ou sofresse um sério dano - o que, de algum modo, acabou acontecendo) passa-se muito tempo, sem que se explique onde estava e o que Harry como Duende esteve fazendo esse tempo todo. Ele só alcança o Aranha após o final da segunda luta deste com Electro. E aí, novo momento sem explicação no roteiro: ao se aproximar do Aranha perto de uma unidade da Oscorp Power, vê o herói conversando com Gwen Stacy (que ele, Harry, sabia ser a namorada, ou melhor, um rolo de Peter Parker) e apenas baseado nisso, conclui que Parker é o Aranha!! Uau! 

O resto é história: o Duende captura Gwen, o Aranha o enfrenta, e isso causa a morte de Gwen. Dali em diante, o Duende some (até porque Parker, ante a morte da amada, resolve aposentar o Aranha, decisão que dura cinco meses) e, numa das poucas cenas onde Harry ainda aparece, comenta que "a doença vem e vai", não ficando muito claro se, quando está melhor, continua a ser o Duende ou mesmo se lembra da identidade do Aranha (nos quadrinhos, Norman Osborn alternava lucidez e loucura, e só recordava que Parker era o aracnídeo quando a insanidade o dominava). 

Outra coisa que fica "no ar" é se Electro morre ou não após a grande batalha com o Aranha (a segunda, nas proximidades da Oscorp Power). Parece que sim, mas também parece que é a Electro/ Max que Harry comenta do vai-e-vem da doença, quando consegue a evasão de um presidiário russo (que o Aranha enfrentara no começo do filme, numa eletrizante sequência onde há um engavetamento de mais de uma dezena de carros da polícia de Nova York). O russo ganha uma armadura e adota o nome de Rhino; sua ação aterrorizando a população leva Parker a se decidir pela volta do Aranha. O filme acaba em meio ao confronto dos dois, quando o Aranha prende uma tampa de bueiro em sua teia (qual fosse o escudo do Capitão América) e se prepara para atacar o oponente - e ai começam a subir os créditos! 

Tirando as batalhas contra Electro, o melhor do filme acaba sendo mesmo a química entre Peter e Gwen (mais uma vez vivida com brilho e graça por Emma Stone, a melhor namorada de Homem-Aranha de todos os tempos). A foto abaixo é da cena em que, tendo eles terminado o namoro (pela enésima vez porque Peter achava que ele ser o Aranha poderia colocar a vida dela em risco - o que acabou por se confirmar, como já mencionamos), Gwen propõe que sejam amigos, e aí ambos passam a enumerar "regras sérias" para que isso desse certo, como por exemplo ele jamais dizer que ela estava incrível, ou ela dar uma coçadinha no nariz....Ao final da cena, Gwen revela que pode ir estudar na Inglaterra, e mais adiante, pouco antes da batalha final contra Electro, Peter diz que está disposto a ir para lá com a amada (afinal, "lá também há crimes, e ainda nem pegaram Jack o Estripador"...).


Peter e Gwen

Emma Stone fará falta na terceira parte da série (sim, um novo filme já está anunciado para 2016). Espera-se que a nova obra esclareça esses pontos que ficaram sem resposta nesta segunda sequência:

- Harry continua a ser o Duende? Ele lembra a identidade do Aranha?

- Electro morreu ou não? Se não morreu, com quem Harry arquiteta a transformação do ex-presidiário em Rhino?

- A Felícia que é secretária de Harry na Oscorp é ou não Felícia Hardy, a Gata Negra, originalmente inimiga e posteriormente parceira do Aranha? (A escalação da atriz Felicity Jones para o papel indica para mim que não, já que a Felícia Hardy dos quadrinhos é loira, aliás nos anos 80 com o cabelo branco mesmo nas HQ publicadas pela Abril).

Outra pergunta deve ficar sem resposta: tudo bem, pelas anotações que encontrou na Oscorp, Harry descobriu que Richard Parker, quando trabalhava na empresa, fez experiências com aranhas (aliás, a Oscorp parece mais um zoológico, no filme anterior o dr. Curt Connors fazia teste com lagartos, e neste vimos as enguias que acabaram transformando Max em Electro...). Mas como ele soube ou deduziu que o Homem-Aranha surgiu a partir da mordida de uma dessas aranhas modificadas por Richard?????

Fora isso, espero que Vanderbilt e Webb tenham resolvido sua obsessão pela história dos pais de Peter, praticamente inexistentes nos quadrinhos, mas que de algum modo "dão o tom" dessa nova série de filmes do herói. Este segundo filme abre com um prólogo desconectado do resto da história que mostra Richard (Campbel Scott) e sua esposa Mary (Embeth Davidtz) sendo sequestrados num avião, que acaba por ser destruído em luta do casal com um dos sequestradores (donde se deduz que todos morreram). Aliás, como na história Peter tem hoje 20 anos (a mesma idade de Harry), e seu pai sumiu quando ele ainda era criança, esta cena deve ter se passado por volta de 2000, então me impressiona que Richard tivesse um notebook (!) pelo qual acessava a internet a bordo de uma aeronave (!!!) - mesmo nos Estados Unidos, isso só passou a ser possível muito recentemente (mais um furo do roteiro, Vanderbilt!). Ao longo da fita, Richard aparece novamente em dois vídeos que gravou especialmente para o filho - um deles Peter descobre numa antiga estação desativada de metrô, a Roosevelt, de cuja existência ele passa a saber após decifrar uma intrincada charada deixada pelo pai em suas anotações. Na antiga estação, Peter acaba por trazer à superfície um vagão de metrô aparentemente dos anos 1940 - mas com luz funcionando, e computador a bordo reluzindo de novo para exibir um vídeo onde Richard diz que Peter é a melhor coisa de sua vida. Claro que isso é um grande motivador para a vida de Peter, mas da forma como aparece soa tão forçado quanto Harry encontrar o "kit Duende Verde" no laboratório da Oscorp....

Enfim, a nova série do Aranha tem bons momentos, mas nenhum dos filmes ainda conseguiu superar o que considero a melhor aventura do aracnídeo nas telonas - o Homem-Aranha 2, de 2004, cujo vilão é o Dr. Octopus (Alfred Molina). 

domingo, 18 de maio de 2014

Música Teresina: Cultura Rock Festival


Poeta do Mês: Rodrigo Mebs (3)

lobo em pele de lua

          pastor de estrelas
nos campos da lira

                o poeta se espanta
e se inspira

desgarradas cadentes
       são sempre bem vindas

poemas são mesmo
             estrelas caídas