domingo, 11 de maio de 2014

Poeta do Mês: Rodrigo Mebs (2)

desterro

imagens passam como póstumas
obras de um cinéfilo desvairado
                                        entre os anjos
estrelas de sangue e luz brotam da tela
quanto se tange o inatingível
quando se tinge o intangível
               e o possível é só coincidência
                   ou lembrança destas bestas
                                      que me cercam
ciência só já não me explica
imagens lavram o poema
e a palavra fogo
trança os olhos de quem pensa
pensando o quê mero poema
palavrinhas são areias 
destas praias tão estranhas
                  pensando o quê mero poeta
                que entre folhas entre galhos
                                       sóis e sombras
caminha um monge nada casto
enquanto uma lua virgem e nua
lhe adorna a testa
              pensando o quê mero palhaço
que entre montanhas verdes    e dunas
o monge claro escorre    quase líquido
e carrega em seus braços
                                 uma sereia de sal
      e suas pegadas  profundas e largas
são lagoas e mais lagoas     de mágoas
imagens varam a retina
e a escrita cristalina já não existe
                              em meio ao sangue
a areia então vermelha     vira mangue
e quem sabe
entre os caranguejos albatrozes
                                       e abutres
                  haverá um deus pra traduzi-las

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