sábado, 24 de maio de 2014

Tá avisado: Praia do Futuro contém poesia



Por Calila das Mercês,
de Salvador

           
A película como suporte para a poesia. A Praia do Futuro, quinto longa-metragem dirigido por Karim Aïnouz, narra uma história sobre a perda, as escolhas, o abandono, o silêncio e a solidão. Um filme que traz consigo forte embasamento sobre aspectos comuns da vida de uma pessoa, como amor e mudanças. O filme é dividido em 3 capítulos: O abraço do afogado, Um herói partido ao meio e Um fantasma que fala alemão.

Com roteiro também de Karim Aïnouz com colaboração de Felipe Bragança, o filme conta a história de Donato (Wagner Moura), o salva-vidas cearense que se depara com uma frustração ao não conseguir salvar um homem de um afogamento. E após dar a notícia ao amigo da vítima, um estrangeiro alemão, ao qual ele conseguiu salvar, Konrad (Clemens Schick), é desenhada uma nova perspectiva para a sua vida, um novo nascimento de perspectivas e sensações.

Ao passar as férias na Alemanha com Konrad, Donato, que pouco compreende alemão, se deslumbra com aquele país diferente, mas demonstra sentir falta do mar, da sua família e do seu irmão mais novo, Ayrton (Jesuíta Barbosa), que o considerava um herói. Com o fim das férias e a idéia de retorno, Donato ouve de Konrad a proposta de ficar na Europa com ele e joga tudo para o alto, resolvendo tocar uma vida mais livre e sem amarras sociais em terras alemãs.


Oito anos se passam e o pequeno Ayrton, agora já rapaz, vai à Alemanha e resolve surpreender o irmão com o reencontro. O abandono e o recomeço, a tristeza e a solidão. O filme é singelo, terno e muito sensível. A fotografia e trilha sonora são muito boas e são capazes de falar por si só. A Praia do Futuro é uma imensidão de sensações e sim, vale a pena ver produções brasileiras tão maduras e capazes de elucidar reflexões sobre a vida, que vão além do lugar-comum e da leitura rasa que estamos acostumados a ver nos filmes contemporâneos...

É apenas lamentável a falta de compreensão de parte do público, que reduziu o filme à questão da sexualidade. Em A Praia do Futuro estamos diante de uma genuína obra artística.


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