terça-feira, 17 de junho de 2014

Editora BookStorming aposta no financiamento coletivo de livros

Por Calila das Mercês,
de Salvador

Surgida em maio, a editora Bookstorming é uma empresa com proposta no mínimo inovadora: aposta na edição de livros financiados exclusivamente por financiamento coletivo, funcionando na área da literatura de maneira semelhante aos já conhecidos sites de financiamento de projetos como o Catarse.

O site da editora já tem um projeto à espera de financiadores - trata-se da obra coletiva Desordem, uma antologia de contos formada por sete autores brasileiros contemporâneos: Natércia PontesCristiano BaldiErika Mattos da VeigaPaulo BullarPatrick BrockOlavo Amaral e Katherine Funke, selecionados pelos escritores José Luiz Passos e José Castello. Segundo o site, "são contos que vão da narrativa histórica a cenários futuristas, e a antologia reflete as tragédias, as frustrações e também a beleza do que de mais novo se está fazendo na literatura atual". O prazo para você adquirir antecipadamente um exemplar encerra nesta sexta, dia 20 de junho. Confira aqui!



Após o encerramento da campanha relativa a este primeiro livro, os editores irão anunciar de que forma outros escritores interessados poderão enviar suas obras para avaliação, visando futuras campanhas de financiamento. 

Se uma palavra pode definir o projeto da Bookstorming é "interação": os editores pretendem que o leitor possa interferir em cada uma das etapas do processo, desde a seleção até a da publicação de um livro que o interesse. Quem apoiar o projeto terá o nome no livro, assim como receberá um exemplar em casa. O custo para o apoiador é de 35 reais.

Para saber mais sobre o livro de estreia, Desordem, leia a seguir nossa entrevista exclusiva com dois dos autores: Katherine Funke, de Santa Catarina, e Patrick Brock, que reside atualmente em Nova York. 


Jornalismo Cultural - Qual a expectativa de vocês em relação à publicação de “Desordem” pelo “Bookstorming”?

Katherine Funke - A expectativa é que o livro seja devorado com fome, com muita fome de contos, após esse período de crowfunding. No fundo, o autor só quer pensar nisso: escrever e ser lido. O resto ocupa tempo e até gera ansiedades. Vai sair? Quando? Quem comprou? Quem não comprou? Enfim. O fato é que me esforcei como nunca para viabilizar este livro. Pedi a todos os meus amigos para comprarem o livro,  fiz uma certa campanha e tal, mas acho chato ter de ficar lembrando. Agradeço a todos os que se lembraram de dar essa força, e tenho certeza de que são estes justamente que estão com apetite por esse livro.

Patrick Broker - Eu espero que ajude a difundir nossos textos e também desenvolva um novo paradigma na publicação do Brasil, onde o livro ainda é um objeto muito elitizado e o hábito de leitura precisa ser estimulado. Levanto a bandeira da democratização e popularização da literatura brasileira desde que comecei a publicar meus escritos na internet, em 1998, então para mim, que sou um bookworm de espírito anarquista e punk, a Bookstorming é uma evolução natural e muito bem-vinda. Que a tempestade continue e irrigue novas mudas, plante uma floresta inteira de novos escritores e leitores pensando, problematizando, interpretando e retratando o Brasil e outros países, realidades ou vidas.
JC - Como você se sente por sido escolhido para fazer parte desta antologia?
Katherine - Muito feliz, agradecida e trêmula.
Patrick - Me sinto muito honrado. Cada um de nós tem muito a contribuir, do seu jeito. Cada um tem sua voz. Minha última publicação foi 10 anos atrás e retomar o trabalho ao lado de pessoas talentosas e destacadas como os autores e editores da Bookstorming é algo que me deixa muito feliz e estimulado a seguir lutando, produzindo e tentando publicar literatura.
JC - Qual a sua relação com os outros escritores?
Patrick - Conheço Paulo Bullar desde o colégio e publiquei alguns de seus primeiros textos no meu e-zine (K), entre 1999 e 2002. Trabalhei com Katherine em Salvador e mantemos uma amizade epistolar, salpicada de reuniões breves, mas intensas, quando vou ao Brasil (moro nos EUA). Conheci Cristiano Baldi quando publicou seu livro, na mesma época que Bullar, em 2002. Conheço o trabalho dos outros, o qual admiro, mas nunca os vi pessoalmente.
Katherine - Conheço bem o texto e a pessoa de Patrick Brock, que é para mim um grande amigo, uma das pessoas mais próximas apesar de morar em Nova York. Dos outros conheço menos, quase nada, mas por causa do projeto descobri que existem, e estou aos poucos entendendo a complexidade de cada um. O Olavo Amaral, por exemplo, além de contista premiado, é romancista, médico, também toca em uma banda. A Natércia Pontes é super jovem e tem uma cabeça genial e criativa, gostaria de conhecê-la pessoalmente para dar boas risadas. O Paulo Bullar, além de excelente narrador, ainda nos faz melhores leitores, pois distribuiu via e-mail duas dezenas de livros digitais de sua biblioteca pessoal. Enfim, cada um está nos fazendo melhorar e crescer em algum aspecto, e fico feliz em ter descoberto estes novos amigos, além de admirá-los como escritores. 


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