segunda-feira, 9 de junho de 2014

Mistura e Manda, 11 anos

Neste dia 9 de junho, completam-se 11 anos desde que coloquei no ar a primeira edição do Mistura e Manda, o informativo do meu site Brasileirinho. Ambos ainda estão no ar, embora já sem atualização desde 2009.





O Brasileirinho foi meu primeiro site, tendo entrado no ar em 17 de outubro de 2002. Dedicado principalmente ao samba e ao choro, suas principais seções eram de artigos (biografias, resenhas de shows e CDs etc), entrevistas (inicialmente apenas em áudio), charges e dicas (agenda cultural de samba, choro e MPB em Porto Alegre, e progressivamente outras capitais). Não havia, portanto, uma área de fotos (a fotografia digital surgira fazia pouco, e o equipamento era ainda muito caro; e meu equipamento analógico era apropriado para fotos diurnas. As tentativas de ter fotógrafos colaborando com o site não foram bem sucedidas), nem... de notícias! Fosse por estar localizado em Porto Alegre, "longe demais das capitais", como diria meu conterrâneo Humberto Gessinger, fosse por eu não ter, a princípio, como me dedicar exclusivamente ao site (eu era, à época, funcionário público concursado da Prefeitura de Porto Alegre, da qual me desvinculei apenas em outubro de 2003), eu tinha uma certa consciência da dificuldade de dar notícias de samba e choro em primeira mão, e também nunca pretendi fazer um site de republicações de matérias já saídas em outros. 

Letycia Apenas LetyciaDe toda maneira, já no segundo mês do site (novembro de 2002), se fez sentir a falta de um espaço noticioso quando a cantora Letícia Oliveira (ainda integrando a The Hard Working Band na ocasião; mais tarde, em 2005, quando participou do programa Fama, da TV Globo, trocou o sobrenome Oliveira por Martins. Hoje, se assina apenas Letycia, com "y") participou do festival Coca-Cola Mixer. Durante alguns dias, um pequeno texto na área de "Artigos" convidava os leitores a votar em Letycia, explicando o procedimento. Em função disso, quando no ano seguinte criei o Mistura e Manda, Letycia foi apontada como a musa do informativo (que eu não quis chamar de "newsletter" pois considerava então que o uso de expressões em inglês não combinava com um site chamado Brasileirinho, afora, é claro, o próprio termo "site", afinal dizer que eu tinha um sítio faria com que meus amigos pensassem que eu havia me tornado um fazendeiro)(risos).

Enfim, ao longo dos primeiros meses do Brasileirinho a falta de um espaço para publicação de textos menores e mais factuais (notícias, pequenas resenhas de shows ou de CDs, textos bem-humorados, colaborações de outros jornalistas ou mesmo de músicos) se fez sentir. Por essa época, 2003, pela primeira vez ouvi falar em blogs, e para entender melhor sua mecânica cheguei a criar um, cujo nome não lembro mais, mas era voltado para o cinema brasileiro. Republiquei nele dois ou três textos já saídos no próprio Brasileirinho e acabei por tirá-lo do ar poucas semanas depois. (Não foi, portanto, o Som do Norte o meu primeiro blog).

De certa forma, o Mistura e Manda não deixava de ser um blog dentro do site, afinal tinha algumas características em comum: a atualização periódica, a possibilidade de comentários - com a diferença que, enviados por e-mail, eles não apareceriam de imediato na página, e sim seriam incluídos na atualização seguinte), o acesso às edições anteriores e ainda ter textos menores que o habitual na seção "Artigos" (que chegou a publicar, completos, alguns trabalhos de conclusão de curso, inclusive o meu). Faltava o nome, pois eu não abria mão de que ele atendesse duas premissas: fosse nome de um choro, assim como o do próprio site, e expressasse exatamente o que era o informativo. Quando pensei em "Mistura e Manda" (choro de Nelson Alves imortalizado por Paulo Moura, ouça abaixo), qualquer outro nome perdia o sentido, então de fato nem lembro se cheguei a cogitar outro. Decidido o nome, o informativo começou a ser publicado no site aos domingos, além de ser enviado por e-mail, na íntegra, a assinantes - em um ano, o Mistura tinha 113 assinantes, do  Acre, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Tocantins, e também no exterior (Argentina e Inglaterra).




É bom lembrar que em 2003 ainda vivíamos o estágio inicial da internet no Brasil. Conexão, só discada - você precisava ter um telefone fixo, cuja linha ficava ocupada enquanto você acessava, e a conta era cobrada como se você tivesse ficado telefonando todo aquele tempo. Sábados após 14h e domingos o tempo de conexão era contado como se fosse apenas um "pulso" (unidade de tempo inventado pelas companhias telefônicas) - logo, não era por acaso que eu tenha escolhido o domingo para atualização do M&M! 

Sinim JúPor um bom tempo eu encarei a atualização semanal como um verdadeiro compromisso, só não cumprido quando eventualmente eu viajava (até que, numa viagem a São Paulo em abril de 2004, eu deixei o Mistura e Manda nº 45 pronto para ser publicado, bastando acessar a internet por alguns minutos, o que fiz na extinta sala de internet do Itaú Cultural, na av. Paulista). Ali por 2005, as atualizações começaram a ter intervalos maiores, fosse por compromissos com eventos, viagens (em 2005, por exemplo, por conta do curso de Jornalismo Cultural que ministrei no Sindicato dos Jornalistas, fiquei cerca de dois meses em São Paulo, sem acesso a internet onde morava) etc. O último Mistura, o de nº 187, foi publicado em janeiro de 2009, já há poucos meses de eu lançar o Som do Norte - que já começava a despontar ali: das quatro notas publicadas, duas se referem a artistas de Belém, Ângela Carlos e Juliana Sinimbú (foto). 

Ainda sobre a situação da internet brasileira naquele começo de década: não havia YouTube nem muito menos Soundcloud. Logo, se a publicação de áudios até era viável (afinal, sendo um site, o Brasileirinho tinha um domínio onde hospedá-los, o que aliás fazia em outras seções), a de vídeos era absolutamente impossível. Além de subir o vídeo (sempre arquivos pesados), era necessário... construir um player para ele em flash, linguagem que nunca dominei, meus sites sempre foram baseados em html. 

Mesmo fotos eram raras no M&M, tanto que eu avisava no link da postagem para que as pessoas não estranhassem a demora em abrir. Só na edição nº 11 publicamos a primeira foto - esta abaixo, onde vemos Evandro, Luíza Caspary e Pedro Mazan, que se apresentaram no lançamento do DVD do jornal Fala Brasil, evento apoiado pelo Brasileirinho (é possível ver nosso banner no canto esquerdo da foto). 




Além de musa (Letycia) e patrono (Nelson Alves), o Mistura hoje conta com padroeiro. É o primeiro 9 de junho após a canonização do padre José de Anchieta, falecido a 9/6/1597. O processo de canonização foi iniciado por João Paulo II em 1980 e concluído pelo papa Francisco em 3 de abril de 2014. Em sua tarefa de catequese dos povos indígenas, Anchieta foi o pioneiro na introdução da música aos moldes europeus e do teatro no Brasil.


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