domingo, 13 de julho de 2014

Entrevista: Cebola Pessoa (Calangazoo)

            Por Calila das Mercês,
de Salvador

Surpresa é o nome do novo EP da banda Calangazoo. As três canções mostram de cara a personalidade que estes músicos de Salvador trazem na bagagem. Bateria ousada, baixo envolvente, guitarras e vozes marcantes, além de músicas autorais pra lá de bem arranjadas. A banda é formada pelos músicos Andel Falcão (guitarras), Bob Nunes (baixo e vocal), Leo Abreu (bateria) e Cebola Pessoa (guitarras e vocal).



Calangazoo, no seu novo EP, mistura narrativas do cotidiano com influências do rock. Este trabalho conta com a produção de Irmão Carlos, mixagem de Eric Pimenta e a participação especial do percussionista Herverton Didoné. Os meninos têm atuado no circuito musical desde 2011 e estiveram presentes em festivais como o Rock Cordel, Grito Rock e Habemus Rock.



Quem concordar comigo e quiser conhecer um pouco mais da banda, poderá, no próximo dia 24 de julho, assistir o show Surpresa em Salvador, na Casa Preta (Bairro Dois de Julho). E em setembro Calangazoo saudará a estação das flores com a terceira edição do Primavera Rock também na capital baiana. Confira agora uma entrevista exclusiva do vocalista do Calangazoo para o Jornalismo Cultural.

Jornalismo Cultural - Como surgiu a ideia de criar o Callangazoo?

Cebola Pessoa - A banda surgiu em 2011 pela arte do encontro. Nós já atuávamos como músicos do cenário independente da cidade. Eu estava gravando duas composições em ritmo de reggae e buscava formar uma banda para tocá-las. Logo no primeiro encontro em estúdio percebemos que não soávamos reggae. Apresentei então outras músicas do baú e com elas foi que nos demos conta de que tínhamos algo ali, uma musicalidade que apontava para um rock divertido. Os primeiros ensaios aconteciam no zoológico de Salvador – próximo à residência do baixista - e o nome da banda foi inspirado no calango azul que veio nos visitar em um destes ensaios. Existe até uma fábula sobre esta aparição no encarte do nosso primeiro EP, confiram. 

Jornalismo Cultural - Quais são as principais influências do grupo?

Cebola Pessoa - Raul Seixas, Luiz Gonzaga, Baia & Rockboys, Mutantes.

Jornalismo Cultural - Vocês têm outras ocupações ou vivem somente de música?

Cebola Pessoa - Eu atuo também como jornalista; Leo Abreu, o baterista, é ator e funcionário do Banco do Brasil; Bob Nunes, baixista, é também ator e trabalha com produção de vídeo. Andel Falcão, guitarrista, vive da música, levando suas habilidades também para outros trabalhos.


Jornalismo Cultural - O que acha das políticas culturais para a área musical?

Cebola Pessoa - Penso que as políticas culturais do munícipio ainda se restringem a atuar como acessório das ações turísticas da cidade, de modo que são poucas as iniciativas que ultrapassam as barreiras do entretenimento; que trabalham para reunir o público consumidor de música independente ou para apoiar a produção de obras. Já as políticas culturais estaduais nos interessam mais porque elas chegam às bases do consumo de cultura, criam condições para que os grupos independentes possam circular e ajudam na dinamização de novos espaços culturais.

Jornalismo Cultural - Sobre o EP Surpresa o que o público pode esperar?

Cebola Pessoa - No EP Surpresa buscamos oferecer ao público um registro com canções litorâneas e contemplativas. Seguimos um caminho de construir os arranjos a partir daquilo que as letras das músicas nos sugeriam e chegamos a nos permitir um galope/ijexá em “Tereza Surpresa”. Sinto que esse trabalho que reflete essa nossa alegria de concluir uma trilogia de lançamento, de circular com o nosso show pela Bahia e outros estados e também de registrar o encontro com amigos musicais queridos como o produtor Irmão Carlos e o percussionista Heverton Didoné.

Jornalismo Cultural - Quais são as expectativas de vocês para este ano e os próximos projetos da Calangazoo?

Cebola Pessoa - Para o segundo semestre deste ano continuamos a trabalhar o show Surpresa em Salvador e também circular com ele, quem sabe até integrar a grade de programação de alguns festivais, buscando sempre novas formas de levar a nossa música ao público. O nosso próximo projeto é a gravação de um disco cheio, já começamos inclusive a trabalhar em algumas das novas composições.


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