sábado, 16 de agosto de 2014

Opinião Cinema: Junto e Misturado reforça estereótipo da "família feliz"

Por Calila das Mercês, 
de Salvador






Para quem não é tão exigente e gosta de filme como os da Sessão da Tarde, água com açúcar, para dar umas risadas, mas não esperar discussões muito profundas, este é um bom filme. Junto e Misturado (Blended, 2014), dirigido por Frank Coraci e escrito por Ivan Menchell e Clare Sera, é uma comédia romântica que conta a história de duas famílias que se encontram em férias para lá de desafiadoras, depois de um encontro “romântico” frustrado dos protagonistas Jim Friedman (Adam Sandler) e Lauren Reynolds (Drew Barrymore), pais solteiros que tentam criar os respectivos filhas e filhos da melhor forma.

Na verdade, o único trunfo do filme é o reencontro da parceria dos dois atores, que considero bons no gênero que atuam. Sandler e Barrymore trabalharam anteriormente em Afinado no Amor (The Wedding Singer) e em Como Se Fosse a Primeira Vez (50 First Dates).

O que acho retrógrado em um roteiro contemporâneo é um conteúdo raso e artificial, coberto de piadas de mau gosto, além da visão machista de que um pai solteiro não é capaz de educar bem garotas e uma mãe solteira também não é eficaz na criação de garotos, trazendo à tona a necessidade da família tradicional, baseada em princípios cristãos: pai, mãe e filhos (só faltou um animal de estimação pra completar!). Algo que me deixou intrigada e chateada é a visão estereotipada dos africanos. As férias em questão foram na África e não em um país da África. No filme, africanos agem como engraçados, dançarinos, músicos e exóticos. Queria ver férias reais, algo mais realístico. África não é um circo e sim um continente plural.



Está na hora de se produzir humor sem subestimar a capacidade das pessoas. Hoje, família é vista como algo mais abrangente. Mães e pais solteiros se bastam e não precisam mais da alavanca de sustentação do outro. Acho perigoso tipos de abordagens como estas, e em jovens adolescentes não refletirem sobre o que estão vendo.





Pois bem, é preciso ter senso crítico até ao rir de piadas indelicadas, como de uma idosa que se acidenta em um passeio de quadriciclo na savana. Mas para quem segue a risca o jargão “gosto de ir ao cinema para rir”, pode ser que o filme funcione.

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