quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Opinião Cinema: Apenas uma chance


Por Calila das Mercês,
de Salvador



            Quantos “não” um artista tem que receber antes de chegar ao tão esperado reconhecimento?  E quantos artistas sonhadores ainda existem aí sem serem reconhecidos pelo seu talento nato? Estas são as principais perguntas do fabuloso Apenas uma chance, dirigido por David Frankel (o mesmo de O diabo veste Prada e Marley e eu) que conta a história do tímido cantor lírico Paul Potts (o título original do filme, One Change, faz alusão a seu primeiro disco). 

Entre bullying e perseguições na infância, dificuldades e incredibilidade do pai, auto-estima baixa e problemas de saúde, despreparos e ingenuidade, a verdade é que Paul (vivido divinamente pelo ator James Corden) foi bastante perseverante e adquiriu algumas parcerias na vida que fizeram a grande diferença.



Entre altos e baixos, pensa constantemente em abandonar a música, porém, antes disso conhece a namorada (interpretada por Alexandra Roach), de início vista apenas virtualmente. Ela o incentiva a seguir em frente e passa a ter um papel importante na vida de Paul. Apaixonado e decidido, ele participa de um concurso de músicas na cidade que vive no País de Gales e consegue completar o dinheiro que precisava para ir a Veneza realizar alguns estudos mais específicos de ópera.  

Com o sucesso e dedicação, ele e uma colega destacam-se na turma e recebem como recompensa a oportunidade de cantar para seu ídolo, Luciano Pavarotti. Nervoso, ele não consegue mostrar a vivacidade da voz e o cantor italiano o desanima ao dizer que ele “nunca iria conseguir roubar o coração das pessoas” se ele não se entregasse completamente.

Totalmente desestimulado, Paul retoma para sua cidade, onde trabalha numa pequena loja de celulares, deixa a namorada de lado e fica deprimido até que resolve voltar atrás da namorada, casam-se e aí começa uma fase com injeções de coragem e credibilidade vindos da sua parceira.

  Inspirado numa história real, o filme traz as “pedras do caminho” que qualquer artista “sem sobrenome” ou sem padrinhos pode passar. Diferente do que costumamos ver, Paul chega ao estrelato com as próprias pernas, através do show de calouros televisivo Britain’s Got Talent. O longa é muito emocionante. Diria que é um dos melhores filmes que vi este ano, tanto no quesito técnico, quanto no roteiro bastante amarrado e nem um pouco cansativo ou enfadonho. O drama mostra o exemplo da realidade de pessoas que lutam pelos seus sonhos e “apenas uma chance” é o que muitos artistas gostariam de ter e, muitas vezes, passam despercebidos pela vida e pelo olhar do público.



Nenhum comentário:

Postar um comentário