sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Opinião Cinema: Cinquenta Tons de Cinza

Por Bianca Oliveira





“Eu não faço amor. Eu f*d*... e com força”  A  frase do Sr. Grey marcou a galera, despertou uma esperança e animação . Mas depois, veio a realidade. Baseado na obra da escritora inglesa E. L. James, Cinquenta Tons de Cinza se trata de uma história de amor, é só mais um romancezinho de Hollywood, tentaram esquentar mas não conseguiram, não teve jeito, ficou chato e até comum (claro que Hollywood não ia quebrar tabus). Não fiquei decepcionada, não esperava nada do filme mesmo, mas a questão é: e aqueles que gostaram do livro? Vale a pena sair de casa para ficarem constrangidos depois?

Era uma vez uma moça ingênua, bem-comportada e virgem, chamada Anastasia Steele (Dakota Johnson), que conhece Christian Grey (Jamie Dornan), um galanteador bilionário, discreto e que tem um olhar penetrante e perturbador (pelo menos deveria ter). É a partir do encontro desses dois personagens que se constrói toda uma história com situações repetitivas e conflitos fracos. Poderia ser mais um caso comum, se não fosse um peculiar gosto do Sr. Grey, ele é adepto do sexo mais “selvagem”, o BDSM (ou seja, Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo). Com direito a um “quarto da dor”, que é decorado com veludo vermelho e couro negro e tem uma cama gigante, almofadas confortáveis, chicotes, coleiras, correntes, algemas e etc. Ele exige exclusividade na relação (com contrato e tudo mais, ela nem sequer pode consumir álcool, a pedido do "dominador"), e os dois embarcam na relação sexual propriamente dita. Até que tem boas cenas, bem dirigidas, mas, ao contrário do que achavam, e do que ele deixava a entender, o sexo era politicamente correto no trato, ninguém suou, nem houve um “quê” a mais, e a câmera lenta estava lá para suavizar a chicotada. 


Faltou algo, talvez mais olhares, palavras quentes, o poder do diálogo é mais arrebatador do que aquela penetração explicita na tela. E tem o ponto de vista machista também, enquanto Anastasia aparece nua, algemada, acorrentada, o Sr. Grey fica de calça jeans, aparece quase nada dele (poxa, o tanquinho do Jamie é tentador!). O problema é que o  filme é contraditório, em uma cena o personagem diz que não gosta de romantismos, flores, só quer dominar, fazê-la subir pelas paredes, mas na cena seguinte está passeando de mãozinhas dadas, tendo “ciuminhos” e protegendo a recente ex-virgem indefesa.

O que incomoda mesmo é Jamie Dornan, ele não seduz, não passa a força que o Christian Grey deveria ter, faltou um olhar cativante, só o que ele passou foi insegurança. Faltou também equilíbrio no processo evolutivo do personagem e das situações, a história ficou na mesma, não teve arrepios e nem nada, se a missão era excitar, o máximo que conseguiu foi gerar gargalhadas com aqueles diálogos frágeis e um roteiro até “bestinha”. Como já era esperado, Cinquenta Tons de Cinza é tedioso, oportunista, mal contado e constrangedor. Ah! E se você não leu o livro, provavelmente ficará perdido em certas partes.



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