sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Opinião Cinema: O Destino de Júpiter

Por Bianca Oliveira,
de Macapá


Antes de qualquer coisa, gostaria de falar que esse texto é mais pessoal do que de costume. Qual o motivo? Saí da sala arrasada, decepcionada, nunca mais volto ao cinema (tá, parei de drama). A verdade é que esperei demais de O Destino de Júpiter, desde que realizaram o primeiro Matrix (1999) que os irmãos Andy e Lana Wachowski tentam voltar a fazer um grande filme. Mas ficou claro que não foi dessa vez que eles conseguiram, só deixaram a desejar.

Jupiter Jones (Mila Kunis), uma garota lindona (Não, o título do filme não se refere ao planeta. A moça tem esse nome por causa do seu pai que era apaixonado por astronomia), é a descendente de uma linhagem que a coloca como a próxima ocupante do posto de Rainha do Universo. Mas ela não sabe, então leva uma vida simples e monótona trabalhando com a mãe como diarista. Determinado dia, Júpiter decide ir vender uns óvulos para comprar um telescópio e um Playstation para o seu primo, mas é atacada pelos médicos que na verdade são criaturas “zoiudas” e feias, típicos alienígenas, e se descobre em meio a uma disputa familiar de poderosos donos de planetas. A garota é salva por Caine Wise (Channing Tatum), um ex-soldado (que tem umas botas anti-gravidade, bem maneiras, que lhe permitem patinar no ar, descer, subir e fazer o que quiser) que hoje trabalha como caçador e que recebe a missão de levá-la para seu chefe, o poderoso Balem (Eddie Redmayne). Ao chegar no destino, ela conhece os três irmãos ou “filhos de outra vida”, que querem decidir quem vai ficar com o controle da Terra, que é o planeta mais valioso de todos - traduzido: querem é matar a Júpiter.


A história até tenta se desenvolver só que deixa buracos; eles tentam vários assuntos, misturam política, genética, burocracia, religião, imortalidade, reencarnação, rejuvenescimento, imigração, venda de órgãos e por aí vai. Muitos dos diálogos mais complicam do que explicam, quer um exemplo? Em certa parte do filme, o personagem Stinger (interpretado por Sean Bean) vem para ajudar Júpiter a escapar dos que também querem a reencarnação da rainha. Bean tem uma filha fofinha, que simpatiza com Júpiter logo de cara. A garota dá uma tossida suspeita em cena, que faz o pai dela se preocupar, e você pensa que vai rolar um negócio ali, uma história, a menina tá morrendo. A verdade é que a  personagem nunca mais aparece, simplesmente esquecem dela, todo mundo tem umas tosses, né? Com ela não foi diferente. Em outro momento, quando a futura rainha se encontra com a sua filha na outra encarnação, ela faz parte dos três poderosos, que a tratam como se fosse a sua mãe. A moça toma um banho divino e volta a ser jovem, impressiona Júpiter e… simplesmente S-O-M-E para nunca mais a vermos em cena (segunda personagem feminina que não tem valor algum pra trama, o que é triste). Infelizmente algumas teclas foram massacradas demasiadamente... por que Caine precisa salvar Júpiter o tempo todo? Por que ele precisava estar em todo lugar direto? Não custava deixar ela ser um pouco feliz? Ela sabe se defender!



Tudo bem, também tenho alguns elogios. O longa acertou na beleza e estética, Júpiter estava bonita realmente, os ETs despertaram curiosidade, as cenas de lutas eram fantasticamente empolgantes, os diretores usaram e abusaram do “3D”, dos efeitos e tudo mais. Toda a estética se tornou particularmente interessante e chamou a atenção, os figurinos também, apesar de que o elenco de apoio parecia usar sobras dos figurinos dos figurantes da Capital da série Jogos Vorazes.


Minha critica é ao roteiro, as cenas foram bem produzidas sim, mas a história se tornou tediosa, confusa e repetitiva (e não me venham com essa de que é normal, é ficção cientifica e blá-blá-blá). No fim eles tentaram deixar um gostinho de quero mais, de que tem continuação. Porém, será que vai valer a pena assistir?

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